Écran grande

A Internet e a venda de DVD de filmes recentes veio mudar os hábitos dos portugueses em relação ao cinema. Há hoje imensa gente que não se importa de ver filmes no monitor de um computador, mesmo portátil, e quem já nem frequente as salas de cinema com o argumento de que o DVD do filme fica disponível pouco depois e pode ser visto no televisor lá de casa, sem cheiro a pipoca, à hora que se quiser e até com um chichi pelo meio, com recurso ao botão de Pausa. Mas conheci ao longo da minha vida imensa gente que dizia que ver filmes na televisão era completamente diferente de os ver no écran grande, de preferência às escuras, nas filas da frente, com som a sério e sem interrupções. E não estou a falar desses maluquinhos do cinema que sabem tudo de cor e só frequentam a Cinemateca e as salas que passam filmes independentes. Estou a falar de apreciadores da sétima arte que acham que a tela de grande dimensão faz parte do espectáculo. Pois bem, os defensores do livro em papel (os que recusam a ideia de ler um romance num dispositivo digital, porque precisam do cheiro da tinta e de virar as páginas a sério, e não virtualmente) lembram-me os cinéfilos que não se rendem aos pequenos écrans. Embora saibam que as árvores fazem muita falta para respirarmos, não se convencem com esses pequenos aparelhos que nos dispensam de andar com uma carga às costas (basta ver o peso dos livros escolares nas mochilas dos estudantes) e querem mexer, sublinhar com marcadores, dobrar o cantinho da página e folhear à vontade. Talvez o livro impresso seja o seu écran grande.

Comentários

  1. a comparação é pertinente.

    mas tal como o verdadeiro cinema tem saído a perder, o mesmo irá acontecer com os livros.

    claro que isso não será o fim.

    o fim do cinema das salas míticas e dos livros de papel, não será coisa próxima, pelo menos enquanto existirem "teimosos" e "saudosistas". :)

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    1. Oh Luís Mê achas que ir ao cinema é coisa de teimoso e/ou de saudosista?

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    2. Gostar de livros em papel é coisa de teimoso? de saudosista? parece-me que só falará assim quem deles não gostar o que, sinceramente, nem me parece ser o teu caso, Luís.

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    3. eu falei no futuro e não no presente, Severino.

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  2. Gosto infinitamente mais de cinema em sala - mesmo nas de pipocas - do que no ecrã caseiro, bem como ler um livro em papel, mas o que é certo é que o kindle tem-me dado um jeitão e no ecrã caseiro tenho revisto alguns bons filmes que de outro modo dificilmente reveria. O melhor é irmos mantendo alguma abertura de espírito.

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  3. Ir ao cinema não é só ir ao cinema, é todo um envolvimento de prazer que nos faz esquecer as agruras do dia a dia e é como o prazer de ler ou seja é estar a viajar é estar a sonhar é estar a sofrer é estar a amar, enfim é sentir a seiva da vida envolver-nos totalmente.
    Claro que quem vive de cócoras perante a Internet até a pizza come on-linne ...

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  4. Eu, pessoa que lê livros num kindle e que deixou de ir ao cinema me confesso :)

    Não leio todos os meus livros num kindle, nem vejo todos os filmes em casa.

    Há filmes que se vão ver ao cinema (com os miúdos, tem de ser), e há livros que lêem em papel (mas isto é mais geracional que outra coisa, cheira-me que a miudagem já não vai ter estes pruridos e os livros em papel vão nichar).

    Mas não vejo filmes em ecrã de computador. O que me afasta das salas de cinema não são as pipocas, são as pessoas que comem pipocas, ou qualquer outra coisa, ou que falam como se estivessem em casa, ou que atendem telemóveis. Tenho em casa um ecrã próprio para ver cinema e um projector. Não é HD, pois não, mas compensa bem a falta de civismo. A minha avó era bilheteira num cinema antigo..... lembro-me bem da forma cívica como, antigamente, se ia ao cinema. Talvez por ser algo não acessível e todos, menos banalizado, era mais reverencial. Hoje em dia, tirando os filmes que vou ver com a miudagem, recuso-me a ir ao cinema.

    Quanto aos livros em papel, vão nichar..... os leitores digitais são o futuro, e é pena que em Portugal estejamos tão atrasados na adaptação a esses formatos.

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    1. nichar - fará parte do novo acordo ortográfico?
      Também me parece que será uma situação geracional, contudo, permito-me citar Vergílio Ferreira: "a única certeza da vida é a morte. E é a certeza em que menos se acredita".

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    2. nichar - se calhar a palavra existe mesmo, mas, sinceramento, confesso que é a 1ª. vez que a oiço, bué tou farto de ouvir mas nichar é a primeira vez, lá está cada vez me sinto mais ignorante, apesar de eu ter a mania que leio muito...

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    3. Eu diria que nichar é um neologismo cuja necessidade é cada vez maior :)

      E sim, não há certezas na vida, mas há evidências que dificilmente se contrariam, por mais que se tentem fechar os olhos :)

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    4. Nichar deve querer dizer o mesmo que anichar: meter-se num nicho. No nicho dos que só leem em papel, dos que só veem cinema em casa, ou em sala, ou só leem nos kindles , etc. Eu não me quero nichar em lado nenhum e tentarei aproveitar o melhor de tudo, de ler em papel e no kindle , ou de ver cinema em sala e em casa, ou onde quer que me calhe melhor na ocasião.

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    5. O mercado do papel vai nichar. Os consumidores de papel serão cada vez menos, pelo que o mercado terá de se adaptar, fazer edições substancialmente mais pequenas (e mais caras), mas, por outro lado, com características que os leitores digitais ainda não conseguem alcançar.

      Vai aumentar a qualidade e o preço, e vai diminuir a quantidade.

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    6. Esse é o nicho das certezas.

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    7. Felizmente o meu nicho das dúvidas é MUITO mais amplo :)

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  5. É engraçado como tantas verdades estão contidas no post de MRP.
    A primeira é que na leitura digital, as árvores agradecem.
    A segunda é que o nosso écran grande é, de facto, o livro impresso.
    A terceira é que no futuro nem tudo será como dantes.
    Pelo menos na aparência. Talvez não na essência. Porque o livro tem cor, tem sabor, tem formas, pode ser resgatado e posto de lado como um(a) amante a que se sempre se retorna, pela graciosidade, pelas formas, pela ironia, pela inteligência, pela capacidade de se dar. O livro pode-se amar, pode-se odiar e não nos agride os holofotes da alma. Faz-nos falta ao tacto, é real e sim - é muito mais perene que as plataformas que perderão os seus bites com o passar dos anos.

    Como espectador de cinema, o meu pequeno écran, que já uso mais no monitor que no ecrán televisivo, não se compara a uma grande écran de cinema. O próprio formato da sala faz-me pensar que a hora é mágica e que em companhia do outro, brevemente sobrevoaremos como numa nave espacial, os sonhos projectados no grande écran. Grande écran, que estranhamente, ou talvez não, nos dilata a alma e nos leva para uma outra dimensão.

    Não me tirem o grande écran, nem os pequenos objectos de afectos a que chamamos livros.
    Não me tornem homem máquina!

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    1. É preciso gostar de cinema, é preciso gostar de livros - só assim se poderá falar como o Pedro aqui falou!

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  6. Adorei o texto!
    Écran grande, sim! (cheiro a pipocas nem tanto).
    Livro em papel, sim, sim! Sublinhado, anotado, com a lombada marcada, com folhas e flores secas no meio, com bilhetes de recados e post-its, com marcadores em múltiplas páginas. Livro always!

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  7. Para resgatar este meu acto egoísta de derrubar as minhas irmãs árvores, lanço probono a ideia de com os nossos livros mais velhos de pele amarelada, plantarmos uma árvore.
    Livro posto sobre livro construiremos o caule.
    Capa sobre capa alongaremos os ramos a que ligaremos as folhas amareladas que esperemos que recobrem e se tornem alimento viçoso para os pássaros, insectos e para o húmus da natureza.
    Enquanto pelo menos houver uma Blonde e um S.a.n.d.e ., haverá sempre livros impressos.
    E o pelo menos será muito mais, porque ainda há muitos sentidos na natureza.

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  8. (Como todos somos seres contraditórios declaro, num statment muito similar à da Olívia patroa e à Olívia cabeleireira, que o meu conservadorismo conflitua com o meu progressismo , logo, o meu amor aos livros só me perturba por momentos a auto-estrada de desenvolvimento do livro é.

    Livro que vejo, à frente do jovem, na escola, manuais ejectados para o seu dispositivo digital; livro que vejo no operário, feito trabalhador do conhecimento, a exigir ao gestor do conhecimento os manuais digitalizados de procedimentos; livro que vejo no utente a exigir do vendedor os manuais e as garantias enviadas para o seu dispositivo digital; ...)

    Vejo tanto, às vezes, mas finjo que não vejo quando não me agrada!

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  9. António Luiz Pacheco11 de junho de 2012 às 04:17

    Estou a gostar!
    Prova-se que quem lê no digital não deixa de ser esclarecido ou de gostar de leitura!
    Temo que a nossa hospedeira tenha razão na previsão e certamente que tem na comparação!

    Pessoalmente não sou nem fui cinéfilo... hoje em dia vou ao cinema obrigado pelos deveres conjugais e o menos possivel. . e nunca vi um filme no portátil, porque nunca calhou note-se.
    Mas vejo-os no ecrã da televisão.

    Não sou fundamentalista... mas seria com muita pena que deixaria de ler em papel! Penso que não será no meu tempo que o papel desapareça, mas as revistas p.e . e jornais on-line já existem e tenho dificuldade em o aceitar, não sei mas parece-me pouco cómodo... todavia fui convidado para integrar um projecto de uma revista on-line e são óbvias as vantagens que a tornam mais barata e portanto viabilizam, por contra as outras em que colaborei e até dirigi uma, e faliram, pois os custos eram elevados, a publicidade escassa e a tiragem não chegava para pagar os fixos! Foi uma pena mas foi o primeiro sector a entrar em crise...

    Já para escrever prefiro de longe o portátil... é mais fácil modificar, apagar, acrescentar e fazer todo o tratamento e gestão do texto!

    Agora ler... confesso que quando tenho textos para ler com mais de 4 páginas, imprimo!!!!
    Não me sinto bem a ler no pc, aquilo de andar para baixo e para cima de voltar atrás, tem de ser feito com o papel na mão! E há o sublinhar ou as notas de rodapé, claro!

    Hum... e pergunto à drª Mª do Rosário... e que será das editoras? Dos Editores, paginadores, os gráficos etc. quando passar a ser tudo digital? Prevejo muito mais desemprego e o fim de profissionais especializados... estarei certo?
    Bastará escrever, o corrector automático faz o que tem a fazer ... é formatar e tunga ! Já está!

    Saudações do bairro!

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    1. Oh Pacheco, hoje na AE paguei a portagem a uma máquina, que me agradeceu em voz límpida e metálica.

      Como é que nós, humanos, cavamos a própria sepultura. Como é que os coveiros continuam na senda de pulverizar a raça humana... mas esta gente não pensa??? ontem passaram por Espanha...

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  10. Há poucos anos a minha sogra comprou, numa pequena barraquinha situada em Pedrouços, alguns livros usados, bem usados vincados dobrados e anotados. Fê-lo pelo título, pela capa, pelo modo como o livro lhe falou. E só quando chegou a casa os foi ver em pormenor. Um deles tinha na primeira página a assinatura do seu defunto marido com a data do tempo em que ainda namoravam.

    Estamos agora preocupados com as árvores? Quantos livros se publicariam com as que, por interesse de alguém, todos os anos ardem no verão?

    Recordo serões algo longínquos de noites longas com copos e petiscos a fazerem-se pausa nas anedotas que se contavam. Ríamos pela actuação do contador/actor e pela graça da história em si. Hoje, ninguém ri. Já todos a conhecem pela Internet.

    O "extraordinário" Severino pagou a portagem a uma máquina. Que nunca ficará desempregada. Mas, em seu lugar, esteve há bem pouco tempo alguém que com o pequeno salário desse desinteressante trabalho, alimentou bocas em casa, conseguiu ir ao cinema e, no escuro da sala, foi rainha ou herói, bruxa ou galã. Hoje, no sofá da sala, presa às palavras do par romântico, o filho diz-lhe que quer fazer cocó.

    Chamem-me retrógrado ou o que quiserem. A mim que prefiro ler um livro nem que seja com a luz da lua, onde nunca falta a bateria e os vírus não entram. Um livro pode gerar uma história para lá da que ele próprio conta.

    "Um garoto chega ao pé de outro e diz "já viste este relógio do meu avô? É fixe. Basta rodar esta roda e nunca precisa de pilha." - É anedota mas já devem conhecer. Está na Net

    Também eu escrevo no portátil e imprimo para ler e emendar. Tento ter o discernimento de aproveitar o útil e repudiar o supérfluo.

    Ah, a propósito, o motor da janela do meu carro, avariou. Cheguei a casa todo molhado.

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  11. "No escurinho do cinema
    Chupando drops de anis
    Longe de qualquer problema
    Perto de um final feliz"
    (...)
    Rita Lee

    Pois é, caríssimos, a ida ao cinema, a tela imensa, o som impecável e aquele combóio que avança sobre nós, sala adentro, e que, instintivamente, até nos faz abaixar a cabeça ...
    Um ritual. Tudo isso é mágico. Mas também há magia quando, com um simples toque numa teclinha, fazemos aparecer na tela o Marlon Brando, o James Dean, o De Niro, a Bette Davis e tantos outros, e com eles passamos momentos mais do que felizes no aconchego do nosso sofá. Há, portanto, que se saber lidar e bem com esses dois universos para podermos fazer a escolha, conforme o nosso estado de espírito e disposição. O mesmo para os livros: os de papel ou os outros, os tais e-books. Hoje, por exemplo, antes da sessão de fim de tarde no cinema do fim da rua vou reler os sonetos de Camões estampados em letras miudinhas num livro a cheirar a guardado, com as folhas amareladas e quase esfareladas.

    Boa tarde a todos.

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  12. António Luiz Pacheco11 de junho de 2012 às 09:27

    Ora bem! Viva o papel!
    Na dúvida, adquiri ontem mesmo um novo amor, e estou entusiasmadíssimo: "A arte da viagem", de Paul Theroux!!!!

    E quem conhece a Bertrand do Aveiro Shopping? Aquilo é que é uma livraria como deve ser! Assim sim , apetece mesmo... é das melhores livrarias e mais a meu gosto que visitei em Portugal! Assim o papel perdurará, com a sua mística e toda a magia da celulose, que de resto empesta os ares ali por Cacia...

    Saudações dos bons ares cá do Graínho!!!!

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  13. Cinema no cinema, sempre!! Nem me lembro da última vez que vi um filme em casa. Vou em média 2x / sem. ao cinema e, no pouco tempo que estou em casa, prefiro ler. Que é a minha outra obsessão... Quanto a ver filmes no computador, então é que é mesmo inconcebível. Nem consigo imaginar. Juro!
    Só lamento a falta de civismo de algumas pessoas que transformam as salas de cinema em salas de estar. Mas eu tenho os meus truques: selecionar muito bem as salas ( lusomundos dos centros comerciais é para esquecer: só em desespero de causa) e os horários. Melhor horário pipocas-free : primeira sessão da tarde: salas vazias e predomínio de pessoas mais velhas, menos propensas a pipocadas .
    Sonho com um ministro da cultura que proíba as pipocas e derivados nas salas. E já agora, que proíba também a entrada, após o início do filme. Atrasaram-se? Temos pena, como diz a minha filha.
    Quanto aos livros, escusado será dizer que só em papel. Em suporte digital, só livros técnicos E mesmo esses, se forem muito importantes ou extensos, tenho que imprimir, para os ler de jeito.
    Como se pode ver, sou uma autêntica velha do Restelo.

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  14. Esta de comparar os livros e os e-books com o cinema e televisão, está boa! Está mesmo boa!
    Contudo, há uma diferença: o cinema e televisão têm um suporte oftálmico, que denuncia o gosto de quem quer ver, em tamanho diferenciado e substancialmente maior no primeiro; e em público ou privado, consoante - já estive numa sessão de cinema onde eu e minha mulher estávamos tão sós como em casa e já estive em casa com mais assintência do que em alguns cinemas, nalgumas sessões.
    Há aqui algum medo: das editoras tradicionais com o mercado voltado para o papel, como matéria prima; há o receio daqueles que, pretensamente futuristas, afirmam a pés juntos que o livro em papel é passado e querem usufruir a baixo custo ou à borla a leitura do que mais lhes convém, repudiando os metros quadrados de estantes nos T0,T1 e T2.
    A minha opinião não conta para nada, mas dou-a na mesma. Continuarei a ver cinema e a ver televisão, segundo o que mais me agradar; continuarei a ler livros em papel - e só - porque não tenho pachorra para olhar um quadrado luminoso que exige da minha visão uma visão mais sacrificada.
    Depois, há também que fazer como o nosso amigo Luiz Pacheco: ir até junto do regato, ouvir a passarada ou levar a cana de pesca e ler um livro, que a todo o tempo pode escorregar e cair na água, pousar na relva húmida ou ser alvo da cloaca aberta de qualquer ave, sem que o prejuízo se compare, em idênticos percalços, ao kindle ou ao tablet ou qualquer coisa que valha o dinheirão que se emprega na quinquilharia.
    Aí vai um exemplo: acabei de comprar o livro "O Sorriso das Mulheres", de Nicolas Barreau, da Editora Quinta Essência (Oficina do Livro) e já interrompi a leitura cerca de uma dúzia de vezes; com a maquineta semelhante à que uso para escrever este comentário, era o cabo dos trabalhos - lá se ia a bateria (coisa que os livros não precisam de carregar).
    Em uma coisa há consenso: os livros têm ácaros; os computadores e os kindles (lembra-me o chocolate com nome a soar ao mesmo) têm hackers. Entre uns e outros, prefiro os ácaros, com quem me avenho, sem anti-virus.

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  15. Gosto tanto de ler os seus posts quanto os comentários consequentes.
    Com o fim dos livros impressos (coisa que não consigo imaginar), imaginem como seria uma biblioteca pública ou mesmo uma casa: sem estantes, ou com estantes vazias de livros, cheias de retratos e bibelôs, com um desses objetos na prateleira central... parece um filme de terror.

    Por falar em filmes, ultimamente vejo-os mais em casa (com exceção dos dos miúdos, eu também), mas nada iguala a sensação do grande ecrã, se for, lá está, sem pipocas nem coca-colas.
    Há filmes que perdem muito se não forem visto no cinema, mas está tão caro ir ao cinema!

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  16. Anos 80: as VHS iam matar o cinema e nada disso se verificou. Depois, o DVD e o Blue Ray . As salas de cinema continuam com enchentes. Pena é já não existirem “coisas” como as antigas noites do Quarteto.
    Os formatos digitais de MP3 /4 iam matar os vinis. O efeito foi reverso. Agora, os vinis, são objetos de culto. E as cassetes ainda mais, por incrível que pareça.
    Para mim há filmes que não “merecem” ser vistos em ecrã grande. Há livros que são mais práticos em digital (livros técnicos ou que exijam sobretudo consulta).
    No entanto há algo que nunca muda. Aquilo a que eu chamo o complexo do video killed the radio star ”.

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