Um ou dois séculos, tanto faz?
Comemora-se este ano o bicentenário do nascimento de Charles Dickens, um dos autores com quem decerto aprendi a ler literatura e de que tenho pena que muitos adolescentes deixem passar em branco, porque estou convencida de que é um desses escritores que fazem leitores entre as camadas mais jovens. Tempos Difíceis, David Copperfield ou heróis como o avarento Scrooge de Conto de Natal ficam para sempre pregados à memória de quem os conheceu. A imprensa portuguesa dedicou, bem sei, algumas páginas à efeméride, mas ou as livrarias se fizeram desentendidas ou realmente não tinham as obras para destacar, porque por onde andei não vi nada da festa que Dickens merecia. Este é também o ano do centenário do naufrágio do Titanic, e não sei se o Homem é mesmo mórbido, mas a verdade é que as páginas dos jornais e os documentários sobre o navio chique que chocou contra um icebergue são muitos – e quase adivinho que os livros a mostrarem as loiças, os talheres e todas as outras mariquices a bordo estão por aí a romper para consolarem os que gostam de luxos, mesmo no fundo do mar. Bem sei que a miséria nunca encheu o olho, ainda assim tenho pena do pobre Charles, que se afundou na infância a trabalhar numa fábrica e veio ao de cima a escrever histórias em fascículos com um êxito enorme – e a quem se liga bem menos do que devia.
Tenho uma primeira edição do David Copperfield! Guardem os aplausos!
ResponderEliminarCharles Dickens ? Quando há tanto livro de vampiros e similares para escoar... além de que não estou a ver adolescentes que vivem focados na Lady Gaga e nas ilusões do Harry Potter , que praticam bullying nas escolas e não toleram qualquer sacrifício ou contrariedade, que não são educados para o respeito e a terem sentimentos bons (salvo para com os animais), a ler um autor que trata de valores humanos? Grande seca... e que jogo de consola dá o Oliver Twist ?
ResponderEliminarSão adolescentes que em crescendo vão ler autores depressivos e deprimentes, cheios de fantasmas do passado sonhado que não o vivido, e carregados de traumas e frustrações, como os que são moda e as editoras publicam e promovem!
Não, Dickens está morto e enterrado... este é um outro tempo!
Belo texto do homem do campo!
EliminarO que acontece é que os tempos simplesmente mudaram e estão sempre em constante mudança o que foi ontem não é hoje e amanhã não será o que é hoje.
Mas nunca pensei que na nossa terra até os sinos das igrejas se viessem a roubar, não, não é a crise, os tempos, repito, é que são outros, os tempos mudaram, e o vento não se consegue parar com as mãos, não venho aqui com a choramingas de que ontem era melhor do que hoje, os tempos estão sempre em constante mudança e ponto final, mas, quer (os poderosos) queiram quer não Charles Dickens e o que ele nos transmite são valores eternos, valores para sempre, e quem queira que os agarre porque a carruagem só passa uma vez pela estação, eu tenho-os (esses valores) colados ao meu mais profundo ser, e são esses que tento transmitir aos meus e a todos os com quem partilho a minha vida.
Quem não quiser que se agarre às play stations aos Pingos Doces e outros valores destes tempos...e tempos de escuridão sempre os houve ao longo dos séculos e são esses tempos que se estão a tentar recuperar!
«Charles Dickens ? Quando há tanto livro de vampiros e similares para escoar... além de que não estou a ver adolescentes que vivem focados na Lady Gaga e nas ilusões do Harry Potter , que praticam bullying nas escolas e não toleram qualquer sacrifício ou contrariedade, que não são educados para o respeito e a terem sentimentos bons (salvo para com os animais), a ler um autor que trata de valores humanos? Grande seca... e que jogo de consola dá o Oliver Twist?»
EliminarUm retrato expressivo da realidade em muitas escolas deste país.
Barrius
Muito bem, é isso, que fazer? Por mais voltas que dê, fica sempre a interrogação..
EliminarMuito boa tarde, António Luiz Pachedo.
EliminarMais uma vez estamos de acordo.
É a cultura que temos. Esta palavrosa "cultura" dos dias de hoje eleva e realça sem ensinar o passado. E quando se fala em escritores do passado, desses de literatura densa, de verdadeira literatura por onde aprendemos a amar livros, pessoas e almas, quando se fala desses homens e mulheres que existiram, tal como nós agora existimos, e que foram escritores muitos deles extraordinários, os de hoje, estes sonsos incultos, rebarbativos, duma total falta de sensibilidade, de grande ignorância afinal, desprezam essa gente magnífica. E desprezam porquê? Está á vista porque desprezam. E é assim! Esta efeméride de Charles Dickens aqui em Portugal passou despercebida. Quem tem deveres não os revela nem os cumpre. Nem livreiros, nem jornais, nem revistas, nem rádios, nem televisões, nem blogues, nada!
Admira-se dos livros doirados, das capas em relevo carmesim, das histórias de vampiros? Mas que educação têm estes jovens? Uma educação para conhecer, desde que nascem e aprendem a ler, boas leituras? Não!
Um pobre país.
Cumprimentos da praia encharcada.
Bolo rei Seco e Esfarelado
Diz-se que a necessidade aguça o engenho. Alie-se-lhe um grande talento e habemus Dickens.
ResponderEliminarEm http://www.dickens2012.org/ encontramos (quase) tudo sobre as comemorações dos 200 anos, embora a verdadeira comemoração aconteça quando alguém o lê. Dickens, como outros autores, deviam ser tratados de acordo com o provérbio africano sobre as crianças: são da responsabilidade da aldeia…
Já agora, e por curiosidade, em Março passado, e nos próximos meses de Julho e Novembro processa-se um leilão de mais de 5 mil artefactos do Titanic. Toma lá, ganda afundanço!
Ps. António Luiz Pacheco, sorriso para si...
Ah pois é, afundou o Titanic e com ele (parece-me) afundaram também, além das mariquices e das pessoas (tadinhas) muitos outros valores que pessoas de hoje desconhecem. Aceitam-se voluntários para o resgate:
ResponderEliminar- da ética
- do respeito
- da dignidade
- da justiça
- da ...
- da ....
- da ... (horas a inumerá-las)
- e do Charles Dickens.
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" e se não houver cuidado até Camões irá para o caixote do lixo.
Bom dia a todos.
Ler Dickens significa dedicar tempo ao livro, é uma leitura calma e vagarosa e a juventude, hoje em dia (e infelizmente), quer tudo muito depressa. Mas a culpa não é só dos jovens e, sim, do mundo à sua volta e de quem os educa, que lhes facilita por demais a vida. Não acho que se deva regressar à rigidez de outros tempos, mas faltam a contemplação e as conversas com tempo para dar e vender. E essa responsabilidade é, acima de tudo, dos pais e educadores.
ResponderEliminarGostei muito deste "post". Quando gosto, digo-o, mas, quando não, também. E é verdade que "embirro" com alguns!
E a propósito de frontalidade: há um texto de José Rentes de Carvalho que merece ser lido! Venho já aqui dar o link.
Aqui está:
Eliminarhttp://tempocontado.blogspot.de/2012/05/viuva.html
É um dos melhores textos que li na blogosfera, desde que por aqui ando (há dois anos), uma verdadeira lufada de ar fresco no meio das hipocrisias bolorentas. Aprecio muito a frontalidade, a ironia e a independência.
E o texto que ele publicou hoje, com o tìtulo "Vernáculo", também vale a pena.
Saúde-se então a frontalidade e a independência de Rentes de Carvalho expressas na ligação acima indicada, mas já duvido da sua sinceridade - não se acredita que o senhor não tenha reconhecido a "idosa" espanhola viúva do laureado, que aliás lhe terá sido apresentada - e, assim sendo, lá se vai a ironia e o que fica à tona é apenas alguma mostra de má educação, provincianismo ao contrário - eu vivo lá na Holanda!... - e despeito. Sinceramente, não gostei.
EliminarAcompanho o Tempo Contado, do Sr. Rentes de Carvalho e gosto bastante. Li o post a que se refere, Dona Cristina Torrão, A Viúva. Não gostei. Lindamente escrito, como sempre, mas sem verdade. Quer o Sr. Rentes fazer-me (nos) acreditar que não conhece Pilar del Rio? Logo ele, um cidadão do Mundo, homem culto e civilizado, a viver na Europa, internauta há vários anos e não conhece Pilar del Rio? Pessoalmente, quis ele dizer? Ah bom. Até eu, ignorante com certidão, conheço, por foto, Pilar. Em todas as fotografias em que a vi não me pareceu que fossem elas "trabalhadas", retocadas ou alteradas por qualquer Fotoshop da vida ... Chamá-la de idosa também soa a maldade. Se Pilar é idosa, Rentes será o quê? Jovenzinho? Pois pareceu. Jovem, imaturo e invejoso. Um gaiato. Um gaiato achincalhador e despeitado. Acredito piamente que dona Pilar tenha ficado furiosa ao ouvir aquele "nunca te vi mais gorda ...".... Acredito também que, de lado a lado, há um gosto forte por holofotes. Mas é assim mesmo. A boa escrita, no fundo, sempre revela a alma de quem a escreve.
EliminarQuanto ao post de hoje, de Rentes, o Vernáculo, está bom e aplica-se bem a ele. Foi uma atitude de um perfeito filho da puta.
Decepcionei-me. Mas saberei separar o trigo do joio. Gosto muito como escreve o Senhor Rentes de Carvalho.
Acredite, não conhecia a senhora e provavelmente não a reconhecerei se voltar a encontrar, pois foi breve a vista. Aprecio, sim a coragem e elegância da sua anonimidade para insultar.
EliminarJ. Rentes de Carvalho
Acredito que o Sr. Rentes de Carvalho não conhecesse a Pilar mas já não acredito que não
Eliminarconhecesse a viúva de Saramago. Cheira-me a uma pitadazinha de inveja.
Senhor Rentes de Carvalho,
EliminarCom alguma surpresa pela sua mensagem e muita emoção lhe respondo. Não tenho ídolos, mas há pessoas, que mesmo sem conhecê-las, aprecio-lhes o trabalho. O Senhor é uma delas e bem espero que em mim acredite. Se não me levar a sério, estaremos quites (quanto à Viúva). Gosto muito do que o Senhor escreve e jamais imaginei que pudessemos trocar letras. As minhas, muito pobres e provavelmete desconexas, pois cultura, instrução e conhecimento do Mundo tenho-os muito, muito mesmo, poucos, uma lonjura se comparados aos do Senhor. Agora diga-me, Senhor Rentes, para que serviria meu nome, minha assinatura? Se o Senhor não conhece Pilar del Rio, como viria a saber quem sou eu, que não tive marido laureado, nunca tive fotografia publicada em jornais, Tv, ou mesmo na Internet, não presido nenhuma Fundação, não conheço gente ilustre e exerço a mais banal das profissões ? Coragem sempre a tive, não exageradamente. Humildade, tenho-a e bastante. Continuo a não acreditar que uma pessoa como o Senhor não conheça a viúva de Saramago. Mas se o Senhor o diz ...
Humildemente peço que o Senhor me perdoe se se sentiu ofendido. Repito: não gostei do teor de seu "post" porque não acreditei em suas palavras. E não fui só eu ...
O Tempo Contado, enquanto existir, continuará a contar comigo, quer o Senhor queira ou não.
Com as minhas desculpas, cumprimento-o e felicito-o pelo talento de sua escrita.
Eu, se visse a Pilar del Rio na rua também não a conhecia. Já vi fotos dela, mas, neste momento, não consigo imaginar o rosto dela. Quando se vive no estrangeiro, ela não nos aparece em qualquer revista. Na televisão, muito menos, nunca a vi na televisão, na Alemanha, e só ouvi falar do filme (que parece que esteve para ser nomeado para os Óscares) porque leio blogues portugueses.
EliminarNão acredito que Rentes de Carvalho tenha mentido, mas não o posso provar, como os outros comentadores não podem provar o contrário. Acredito, no entanto, que ele tenha sido sincero, acho que, se não o fosse, não tinha escrito esse texto. Parece-me que o que mais o incomodou foi a reacção da senhora, foi esse o seu objectivo e, não, vangloriar-se por não a ter conhecido. Se ela tivesse reagido com mais personalidade, do género: "Não me conhece? Então, apresento-me, sou ...", Rentes de Carvalho não se tinha dado ao trabalho de escrever um texto sobre o sucedido.
Aceitam-se as desculpas mas mantêm-se a vontade de soltar um fortíssimo PORRA! Eu, da senhora em questão, só recordo umas fotografias na revista do Expresso, e se a vir amanhã não sei quem é. Ficou-me, sim a bruteza e arrogância da viúva que, pelo menos em relação a Manuel Valente, podia fingir e não nos deixava ambos embasbacados.
EliminarAceitam-se as desculpas mas mantêm-se a vontade de soltar um fortíssimo PORRA! Eu, da senhora em questão, só recordo umas fotografias na revista do Expresso, e se a vir amanhã não sei quem é. Ficou-me, sim a bruteza e arrogância da viúva que, pelo menos em relação a Manuel Valente, podia fingir e não nos deixava ambos embasbacados.
EliminarTambém estou consigo, Sr. Rentes de Carvalho. A senhora em questão -. embora lhe conheça a cara (quem não conhece?) - uma tal magrinha, ossuda, pespineta, agrisalhada, lanzarota, uma grande lanzarota é o que ela é! mas dizia eu, a senhora em questão, SABE-A TODA!
EliminarE mais não digo!
lanzarota...
Só uma nota pessoal: se evitar dizer PORRA fica-lhe melhor. Condiz mais com a excelência da sua escrita. É que não é por dizer PORRA que fica mais actual ou rejuvenesce.
O senhor não pode ser desses.
De resto, estou consigo. Inteiramente.
Continuação de boa saúde.
Já agora: este anónimo não é o mesmo anónimo do comentário de cima.
EliminarAnónimo.
Cristina:
EliminarDisse: «Se ela tivesse reagido com mais personalidade, do género: "Não me conhece? Então, apresento-me, sou ..."»
Mas não percebe que dessa forma a Pilar teria estragado o Post que tão brilhantemente ilustra o venenozinho que habita o senhor e que no Tempo Contado nos é servido a espaços?
E sou frequentador diário de o Tempo Contado (até já o aconselhei a vários amigos), mas isso não me impede de discordar (em silêncio, é a primeira vez que o faço em público) de algumas coisas que lá se escrevem.
Duas coisas tenho como adquiridas desde há muito tempo:
1.ª – Que no meio da escrita há muitas invejazitas (ou invejazonas), ódios mesmo;
2.ª – Que a condição de escritor não transforma ninguém numa pessoa adorável, num modelo de virtudes.
A escrita não supera a condição humana.
J. Rentes de Carvalho:
EliminarNão tente desculpar-se da sua arrogância. Quando se está de boa fé e não conhecemos alguém que por outros nos é apresentado no pressuposto de que o conheçamos, o que é normal é outro tipo de reacção, não o que descreve no Post.
A sua «lei» é o «olho por olho dente por dente»?
A magnanimidade ainda continua na lista dos bons atributos do Homem.
E a gratuitidade de certos actos retiram-nos a razão que à partida a temos, como se pode verificar nesta caixa de comentários, mesmo entre muitos dos seus admiradores como escritor.
E por mim continuarei a distinguir o Homem (que me deixa por vezes perplexo, pelo ódio que destila contra tanta gente) do escritor que aprecio e continuarei a apreciar.
Eu também vivo a milhas de Portugal e de Espanha e nunca estive em algum país europeu e nem por isso desconheço a fisionomia de Pilar Del Rio. Poupem-me e não tentem tapar o sol com a peneira.
EliminarOs meus parabéns acho que as palavras "a bruteza e arrogância da viúva", um bocado como "hold de newspaper squared readers or friendly milk will come to mend my trousers" nunca tinham sido utilizadas na história do mundo. Ur funny!
EliminarCaro Manuel, estou totalmente de acordo: nem que fosse apenas por uma questão de educação e cordialidade.
EliminarInfelizmente eu não tenho essa sua capacidade de separar o homem do escritor e, confesso, hoje apanhei uma enorme deceção .
Também procuro distinguir o homem do escritor, mas confesso que é com alguma pena que registo a deselegância daqueles propósitos (com ou sem motivos), gosto de ler e pensar "quem escreveu este livro só pode ser alguém de uma grande sensibilidade..." (talvez tenha uma imagem um pouco poética do escritor). Mas enfim não é uma imagem que me impeça de ler grandes obras.
EliminarIsabel
Pela primeira vez assisto aqui, na minha opinião, a uma discussão ridícula. Quer isto dizer que damos como certa uma dúvida (pensar que alguém mentiu) em detrimento da afirmação veemente desse alguém? Parece-me que algo vai mal nos julgamentos humanos.
EliminarPerdão João J. A. Madeira, sem julgamentos. Apenas defesa de sentimentos e ressentimentos de ordem masculina e feminina, caso de costumes. Velada é a situação de um escritor que deveria (em tese) superar o ridículo. O que fora o ridículo?!A exposição desnecessária do mau gosto. Valorizou e especulou o que não devia.
EliminarGrande Claudia !
EliminarJá dizia Tchekov : a boa educação não está tanto em não derramar o molho sobre a mesa mas em não reparar que o outro o fez.
Obrigado, Cláudia, mas mantenho o que disse. Fulano DIZ que...eu ACHO que...e quero acreditar, bater o pé, afiançar, que o meu Acho é mais forte que o seu DIZ? Desculpem mas isso é negar aquilo de que se embebeda este blogue: a Palavra.
EliminarPara ter o grande Rentes de Carvalho a comentar no meu blogue, leio os PORRAS todos que forem precisos. Obrigada por vir aqui.
EliminarConvenhamos, não foi propriamente um comentário mas deixou a sua marca, ou o seu PORRA, sei lá ...
EliminarApenas em modesta que "blog" é feito por pessoas e "palavra" virtude, é anterior a virtualidade.
EliminarGrata, João J. A. Madeira da atenção.
A condição de viúva de um Prémio Nobel também não a transforma numa pessoa adorável, num modelo de virtudes. Eu vejo neste "post" a coragem de mostrar aquilo que alguns possam ignorar, tendo em conta o estatuto da pessoa.
EliminarPodemos digladiar-nos aqui infinitamente. Eu acredito na sinceridade de Rentes de Carvalho, o Manuel não. Paciência!
Como disse, eu não posso provar que Rentes de Carvalho não mentiu. MAS POSSO AFIRMAR QUE EU NÃO MENTI! EU NÃO CONHEÇO A FISIONOMIA DA SENHORA E PONTO FINAL!
EliminarPoupe-me o senhor, senhor Anónimo!
Muito bem, João Madeira!
EliminarAguenta-se muito mal a sinceridade e a frontalidade. As pessoas preferem manter aquela imagem perfeita dos denominados "famosos". Ai de quem lhes aponte uma mácula! É logo invejoso, é isto, é aquilo.
Cito Filomena Mónica, numa entrevista que deu há pouco tempo:
"os portugueses não são bons a debater porque acham que há sempre interesses ocultos por trás"
Se essa senhora me batesse agora à porta, perguntar-lhe-ia quem era. Não lhe conheço obra feita para além de ser viúva de alguém que, esse sim, apreciava e aprecio. Interessam-me as obras do Homem, não os homens em si. Posso dizer-vos que nunca li e não tenciono ler um único livro do José Rodrigues dos Santos. No entanto não me custa nada ver o Telejornal por si apresentado. No caso de hoje, nem me interessa se o Sr. Rentes de Carvalho é escritor. Interessa-me conhecer a sua afirmação. E acreditar nela. Porque a minha eventual presunção de dúvida nunca poderá por em causa a sua palavra firme que, neste caso, até é igual à minha. Não conheço a senhora. Ela que faça qualquer coisa que me cative e passarei a conhecê-la.
EliminarCristina para uma mulher a ingenuidade lhe cai bem! A questão não é mentira ou não. E se aprecia da frontalidade, posto que anterior a mentira vem a intenção. O mundo é masculinizado! Se Felizmente ou infelizmente... Ao masculino é necessário de afirmações. Por minha vez, reservo-me ao direito de falar-lhe, em cumplicidade feminina, não calaria além de qualquer nome.
EliminarPerdão. É por dever a triste notícia. Até o pássaro traz do ninho ao telhado, acolhe-se.
EliminarSim, só por isso já valeu a pena. Eu continuarei a gostar muito da escrita de Rentes de Carvalho, conheça ou não conheça a viúva.
Eliminar"para uma mulher a ingenuidade lhe cai bem"? Desculpe, mas não comungo dessa ideia. Respeito a sua posição, mas não concordo com ela.
EliminarInteressante...nada a comentar. Concordo com a MRP; texto que certamente tanto faz, como tanto fez...um ou dois, séculos. E Dickens!
ResponderEliminarDa concordia com MRP -
Eliminar«Em minha infância e primeira adolescência houve para mim [...] um livro supremo e envolvente - os Pickwick Papers, de Dickens».
Fernando Pessoa - carta a José Osório de Oliveira
é um clássico eterno.
ResponderEliminaré tão bom que tem dado excelentes filmes desde os anos 20 do século passado.
o seu Conto de Natal (com o impagável Scrooge...) também já popularizado numa longa metragem em "desenho animado", recente.
o facto de ser "esquecido" pelo mercado, tem a ver com a "febre dos livros novos", com a publicação de tanto lixo, diariamente...
e alguma culpa os editores deverão ter...
Ontem entrei numa livraria Bertrand e toda a grande área de entrada estava ocupada com "lixo envernizado". Descobri as novidades da boa literatura envergonhadamente escondidas num canto, talvez com receio de traumatizar os olhos dos cândidos leitores.
ResponderEliminarBarrius
Penso que as causas do desaparecimento público de autores e livros não são de ordem moral, filosófica, ou etc., mas de ordem pragmática. Enquanto eternizamos o debate nesse plano, a razão pragmática resiste, indiferente. É imediata, autojustificativa e, surda a quaisquer outras razões, deixa-as a falar sozinhas. Às vezes, até parece irracional. Lá terá os seus critérios...
ResponderEliminarConcordo com MAS -
Eliminar...Pragma tem a ver com prática, com experiência, e por isso falamos em pragmatismo. É uma filosofia que leva em conta a experiência, em todos os sentidos. É olhando para experiência que vemos que a vantagem tem sido uma conselheira da humanidade. Às vezes isso é tiro pela culatra. Mas teríamos outra coisa senão a experiência – a nossa e a de outros – para tomar como um guia de nossas decisões?"...
Paulo Ghiraldelli Jr.
Sobre os limites da experiência, a abertura de uma reflexão exigente.
EliminarE não fosse o Dickens jornalista do Morning Chronicle, nem sei onde andaria o Dickens escritor de "Bleak House" e etcs. da Londres paupérrima do séc. XIX.
ResponderEliminarEu e um grupo de pessoas que a internet permitiu reunir escrevemos regularmente para um blogue chamado Jane Austen Portugal, dedicado à escritora inglesa.
ResponderEliminarComo amantes de boa literatura e principalmente dos clássicos continuamente vemos com pesar que nada do que queremos ler existe publicado cá em Portugal. Quando existe são edições antigas, dificieis de encontrar e muitas estão ainda cortadas pelo mão da censura.
Por isso decidimos tomar a iniciativa e promover a publicação dos clássicos da literatura.
Estamos desde a semana passada a promover uma votação sobre o clássico que as pessoas mais gostariam de ver editado.
Somos jovens, a pessoa que criou o blogue não chegou ainda aos 25. Nem todos os jovens pensam só em Vampiros...
Se alguém quiser conhecer o nosso projecto de editar os clássicos por favor visitem:
http://janeaustenpt.blogs.sapo.pt/tag/vamos+editar+os+cl%C3%A1ssicos
Notem que nem tenho medo dos vampiros nem da literatura negra... sei que são modas! Até eu, e Graças a Deus, passei por essas fases, embora não com a oferta que hoje há! E ainda bem, pois presumo que assim serei um pouco mais completo mesmo que inculto na mesma...
ResponderEliminarMas também acredito que certa literatura seja fundamental na formação dos seres humanos, quando esta trata de bons sentimentos e de valores em que a humanidade ou pelo menos a nossa milenar civilização ocidental se tem baseado ao longo do seu caminho e desenvolvimento. Estas bases que se encontram sobretudo nos grandes clássicos, ainda que pareçam ultrapassada ou até hipócritas, erradas, são afinal a base de uma civilização - a nossa!
E ajudam através da exaltação e identificação com o herói, a criar em nós o espaço para esses valores, que devem ser mantidos e são os que nos norteiam e à sociedade em que vivemos.
Não vejam nisto um sintoma de defender o retrógrado e sim de ser esclarecido. Serei um clássico se assim quiserem, mas repito que tento ser esclarecido, e sei o século e o tempo em que vivo. Os modernistas muitas vezes não são esclarecidos, antes estão cegos pelo afã de abater o que acham ser impeditivo da liberdade e do desenvolvimento que depois se revela falso, e , quando falham esses novos valores, ficam perdidos, frustrados, cheios de angústias existenciais e traumatizados! A aí temos nós os deprimidos depressivos e os seus livros ditos como profundos, mas só na demência! Desculpem-me lá...
Enfim penso eu...
Dickens, fantástico. mas houve festa, na biblioteca aqui do burgo deram-lhe relevo, qb. vamos ver se quando for o nosso camilo deitamos foguetes!!
ResponderEliminarO Conto de Natal faz parte do meu imaginário de infância, devo tê-lo lido em várias versões, mais ou menos densas, mais ou menos ilustradas, e julgo que inclusive cheguei a sonhar com o velho avarento...
ResponderEliminarJunto-me aqui a Rentes de Carvalho. Por que carga de água ele havia de conhecer um rosto e por que carga de água a pessoa não reconhecida se haveria de sentir incomodada com o não-reconhecimento? Simplesmente, não percebo. O único erro de Rentes de Carvalho (e se digo que é erro não quero dizer que não perceba) terá sido tocar no assunto, que de facto não merecia o tempo que lhe tem dedicado.
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