O karma da adolescência

«O grande romancista americano», como lhe chamou a revista Time assinalando a saída de Liberdade, o seu mais recente romance (pelo menos, em Portugal), escreveu um livro de não-ficção extraordinário (fica bem dizer a palavra neste blogue). Jonathan Franzen, como todos nós, foi adolescente – e, se pensamos que a nossa adolescência foi um período complicado e cheio de contrariedades, vale bem a pena acompanhar a dele em A Zona de Desconforto, publicado há cerca de um mês pela Dom Quixote. Franzen nasceu no mesmo ano que eu e, embora a Europa e os Estados Unidos favoreçam experiências de vida bastante distintas, as pessoas dos 10 aos 18 anos são adolescentes onde quer que morem e encontrei neste relato dos dramas e conquistas do escritor americano muita coisa que vi e senti exactamente do mesmo modo. Aliás, as discussões dos pais sobre se o ar condicionado devia ou não estar na zona de conforto lembraram-me algumas das que assisti entre os meus progenitores à beira da separação. Mas há muito mais pontos em comum, como a adoração pelos Peanuts, de Charles Schultz (Charlie Brown é uma espécie de alma gémea do Franzen adolescente) e a invenção de asneiras colectivas, como retirar badalos de sinos, que a minha irmã também levou a cabo no colégio para fazer durar mais o intervalo. Não é, no entanto, a identificação que importa – e feliz será quem não se identifique com nada, digo eu – mas a circunstância de este ser um livro profundo, sincero, justo e gerador de razões para Jonathan Franzen ser hoje um grande escritor do mundo inteiro.


 


Comentários

  1. Adorei o livro!
    E claro que também me identifiquei com muitas das situações relatadas: é inevitável...:)
    E excelente tradução do Francisco Agarez .
    Muito bom, mesmo!

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  2. Obrigado, Ana, por ter acrescentado ao texto (excelente, mas isso já não é novidade) da Maria do Rosário Pedreira o nome do tradutor. Não é por nada, mas sem tradutor não havia este livro (A Zona de Desconforto). Havia só um livro chamado The Discomfort Zone.

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    1. Mil perdões, Francisco! Ainda por cima, com um trabalho excelente como o seu, devia ter-me lembrado. Puxe-me as orelhas quando me vir.

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  3. "Não é, no entanto, a identificação que importa" - eu acho que a identificação é importantíssima, para se gostar de um livro. Conseguimos ver o valor da escrita, mesmo sem identificação, mas gostamos mais, quando nos identificamos.

    "e feliz será quem não se identifique com nada" - como assim? Infeliz será aquele que viveu a adolescência sem contrariedades e lutas. Elas são essenciais na construção da nossa personalidade.

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  4. Também queria deixar aqui uma nota aos tradutores: obrigado. Sem o Pedro Tamen não havia A la Recherche!

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  5. Cláudia S. Tomazi4 de maio de 2012 às 06:44

    Interessante a resultante que aplica-se "O karma da Adolescência" que tramita da identidade comum ou pelos menos, tange a cumplicidade em partituras similares de experiências e até coincidências, pois a importância norteia da sapiência, em capturando dos sentidos, talvez tenha impulsionado para chegar ao que hoje retrata de "Liberdade" inclusive ao suspiro "extraordinário" da anfitriã. Contudo, a responsabilidade de quem faz chegar a monta deste de real e fidedígna - Francisco Alvarez elevada voz da américa.

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    1. Francisco Agarez*

      Reconheço é espantoso.

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  6. António Luiz Pacheco4 de maio de 2012 às 09:29

    Não tem nada a ver com o tema... mas o que é que se passou? Mudou o formato do blog? Está esquisito e acho que pior...
    Ou foi alguma coisa no meu computador daquelas que acontecem sem saber como nem porquê????
    Grato a quem saiba responder.

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    1. Deve ser do seu computador. Será que tem algum programa novo? Quando me puseram o Firefox, também comecei a ver o blogue com outro tipo de letra, será isso?

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    2. Caríssimo, o meu está igualíssimo! Deve ser do seu computador...

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    3. Só pode ser do computador. Também não noto qualquer diferença.
      Isabel

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    4. Caríssima Isabel, imagine com quem estive hoje à tarde, na Feira do Livro...Pois é, com o nosso Miazinho ! Ao vivo, ele ainda é mais bonito...lindo de morrer:) E muito simpático e afável. Não se distraia que a Feira está quase a acabar...Tem que lá ir quanto antes. Não deixe passar mais esta oportunidade.
      E também encontrei a nossa Anfitriã que acompanhava o João Ricardo Pedro.
      Foi um dia em cheio:)

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    5. Caríssima Ana B.
      Não vai acreditar!! Estive ontem na feira do livro. Estive também com a nossa anfitriã e até pedi ao João Ricardo Pedro que me autografasse o livro (vê como fui destemida!!?). Vi o nosso Mia mesmo ao lado, e até tinha comprado o livro dele, achei que era desta que lhe iria pedir um autógrafo!! Mas qual quê, intimidei-me (é sempre assim nos momentos grandiosos!!!) e lá se foi a oportunidade!
      Por pouco não nos cruzámos nós as duas? Ou quem sabe até nos cruzámos! para a próxima digo-lhe a cor da minha camisola eh!eh!eh!.
      Isabel

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    6. Não posso crer!!!
      Mas o Mia não morde. Quanto muito arranha.. Eheheheh E se é um gato...:)))
      Não sei que lhe diga. Quanto muito, se quiser, posso fazer as apresentações que eu sou muito descarada:) Por acaso não sou nada. Juro. Fico tão atrapalhada que chego a gaguejar. Uma lástima: Uma pessoa a querer causar boa impressão e só consegue meter os pés pelas mãos. É uma tristeza...
      Também estive a falar com a nossa Extraordinária Anfitriã e com o João Ricardo Pedro. Infelizmente, como não levei o livro ( já o comprei há semanas) não tive direito a autografo mas, para a semana, penso ir de novo à Feira e levarei, então , o livro. Fiz o mesmo com a Confissão da Leoa. Também o levei e, como já o li, foi muito interessante poder falas sobre ele com o autor. Adorei.
      E fiquei com imensa pena de não nos termos conhecido. No próximo sábado penso lá ir, de novo. Não querendo abusar da generosidade e simpatia da nossa Anfitriã, podemos combinar um encontro junto dela que, presumo, lá deve estar de novo, a acompanhar o João Ricardo Pedro. Isto, se a Isabel puder e assim o entender, claro.

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    7. Cara ana b.
      Claro que teria muito gosto em conhecê-la, e um encontro no meio da multidão na feira do livro vai parecer uma cena de filmes eh!eh!eh! (o meu lado dramático a vir ao de cima!). Por outro lado, não receia cara ana b. que se acabe o encanto do mistério que este anonimato acarreta??! Já viu, enterrará definitivamente a ideia que por ventura faz de mim: loira e de olhos azuis, alta e espadaúda, eh!eh!eh!.
      Falando agora a sério...Ainda não posso dizer se estou em Lisboa no próximo fim-de-semana, mas lá para quinta-feira ou sexta, dir-lhe-ei. E havemos de beber um cafézinho e dar dois dedos de conversa, gaguejando ou não...
      Obrigada.
      Isabel

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    8. Ok!
      Confirmaremos, então, mais tarde.

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  7. Gosto muito da capa! Apesar do nome maximizado, justifica: "uma história pessoal".

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  8. Concordo em absoluto com o "grande romancista americano". Li "Freedom " e já dei umas quantas "espreitadelas" n'"A Zona de Desconforto".
    Quem leu "Liberdade" não vai conseguir resistir a este (vai ser o meu caso) e quem ler este não vai conseguir resistir ao "Liberdade".
    Foi uma recomendação sua, querida Maria do Rosário Pedreira, e acabou por ser o "meu" livro do ano 2011.

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