Manolo apresenta-se

Já aqui falei de O Intrínseco de Manolo, um romance de estreia muito divertido e acutilante publicado recentemente com a chancela da Teorema. É a história de um casal alentejano – o Manel e a Maria – que a mediocridade da aldeia maldiz e acusa, mas cujo amor parece resistir a todas as safadezas, se não metermos a morte nisso. O seu autor, João Rebocho Pais, leitor apaixonado que passa demasiadas horas nos aviões, confessa que nunca tinha pensado publicar profissionalmente um livro, mas ainda bem que se enganou, porque o romance tem personagens que ficarão na nossa memória para sempre, por boas e más razões (um tasqueiro vestido de enfermeira e maquilhado não se esquece do pé para a mão). Amanhã, vamos ouvir, por exemplo, o que pensa Luís Filipe Borges da obra na sessão de apresentação pública que terá lugar na Livraria Buchholz pelas 19h00. Tenho alguma curiosidade em saber se a tónica será nas personagens algo disfuncionais e cómicas como Tonho ou Idalina, se, pelo contrário, o apresentador se deterá nas diferenças entre os Manéis e as Marias de Cousa Vã e as Conchitas e Manolos de Ciudad del Sol, ali mesmo ao lado. Mas, para isso, é mesmo preciso ir lá. Estão todos convidados.


 


 


Comentários

  1. Lá estarei! Obrigado pela sugestão.

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  2. Cá por mim já está lido e o resultado pode ver-se aqui: http://adasartesleituras.blogspot.pt/2012/05/o-intrinseco-de-manolo.html

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  3. António Luiz Pacheco23 de maio de 2012 às 03:47

    "João Rebocho Pais, citadino de Olivais Sul, consegue transportar-nos para um Alentejo de linguagem peculiar, de paisagem única."
    (sic)

    Hum... com a devida licença, do camponês que desconfia das aproximações ao campo e à aldeia, feitas por quem não é de cá! Sobretudo se declaradas campesinas por outros que também não são!
    O que não vai certamente tirar valor à obra!

    "Memórias de Manel Loendrêro ", da autoria do meu ignorado amigo, Luis Perfeito Santamaria , professor universitário em Beja, natural de Moura, foi a minha última leitura genuínamente alentejana e campesina! Com uma linguagem irrepetível e o espírito único das figuras tão carismáticas do Manel e da sua Bia, do Zéi Alacrau , do Cara de Cinoira e do Abel Tengerina ...

    Vou ler com redobrado interesse, e depois logo verei. Sou dos que nunca diz sim nem não, antes de eu mesmo ver.

    Depois d' "A confissão da leoa", acabei ontem de ler um livro ainda mais extraordinário e que vai tornar difícil a leitura do seguinte ( a par de "Caravelas" de Oliver Ikor que ando a ler em paralelo). Fechei-o de coração cheio pelo romantismo e escrita sublime: "Paisagens de caça - Bulhão Pato". São extraordinários textos e poesia de caça da autoria deste, reunidos pelo meu amigo livreiro e caçador Nuno Sebastião.

    Será que este Manolo " aguenta intrinsecamente o confronto? Ou avanço antes para "O mar em Casablanca"... a fazer a passagem? Logo se verá...

    Saudações do campo e da aldeia.

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  4. Obrigado Nuno Serrano pela presença no dia de amanhã.
    Obrigado Joaquim Gonçalves pela leitura e critica do livro.
    E, obviamente, obrigado António Luiz Pacheco, pelo facto de tão abertamente abordar a questão de um citadino olivalense que se aventura por escrita em torno de campesinos. E o mesmo ‘ intrínseco ‘ que tanto aprecia em gentes aquelas se revela em todos os que entregues a um destino de cidade grande o puderam fazer num bairro que se nos cola à pele e ocupa a alma, como é o de Olivais Sul. Nasci pois lisboeta e por lá me fiz qualquer coisa. Curiosamente, transportando os genes de um alentejano de Évora que foi o meu Pai, por ironia ao Alentejo interior e profundo voltando por via de um precioso e infindável rol de primos que um casamento me trouxe. E, no entanto, a simplicidade e o intrínseco daquele homem Manolo, fazem jus ao que o amor por uma terra saberá trazer a todos nós.
    Se no confronto, pela leitura seguinte, entre Cousa Vã e o mar de Casablanca vencer este último, estou certo que não deixará de espreitar um dia alguém que soube e quis apenas trilhar o seu caminho: Manuel Novo ( cá entre nós o Manolo desta história ).

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    1. António Luiz Pacheco23 de maio de 2012 às 05:05

      Meu Caro João:
      A elegância da sua resposta, é a de um cavalheiro, nem rural nem urbano mas pessoa educada, e aquilo que mais prezo!
      Agradeço-lhe desde já!

      Creia que vou comprar e ler o seu livro, isso é algo que posso garantir, pois repito que o tema me interessa enão poderi deixar passar!

      A minha dúvida não reside pois nesse detalhe, e sim em qual vou ler primeiro... provávelmente ganha " O mar..." pois já está ali em cima da mesa e o seu ainda não o tenho! Mas repito, que depois de Bulhão Pato, acho que quem vier a seguir perderá certamente. E não se sinta minimizado, pois reconhecerá a mestria deste!

      Fica não só a certeza da leitura, mas a promessa da futura crítica, honesta e franca, de um leitor campestre por condição, feitio e opção.

      Creio que começámos com o pé direito...
      Os melhores votos de sucesso!

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    2. Não li o seu livro mas já percebi que sabe escrever.

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  5. Boa tarde a todos.

    Gosto da capa e sempre defendo; nos diz a respeito da obra e ao livre arbítrio da imaginação a arte; prefiro desta forma, no campo há generosidade em verde! Em gesto como demosntra a imagem, perpassa a reflexão de esperança... a descansar espera-se a maturidade das larajas. O intrínsico de Manolo, talvez não seja fazer guerra as laranjas a desfruta-las com serenidade, a exemplo o casal na resistência do amor.


    E se permitem uma citação do livro "O Príncipe" de Nicolau Maquiavel:
    "Uma guerra é justa quando necessária"

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  6. António Luiz Pacheco23 de maio de 2012 às 06:01

    No seguimento desta troca de posts , parece-me que devo uma explicação que não sei se será este o lugar indicado, e peço antecipadamente desculpa aos Extraordinários Comparsas:

    - Sinto-me mal-tratado pela cultura!
    Somos nós, gente do campo, apoucados e injustiçados tanto pela maioria da literatura actual que pretende retratar-nos como pelo pouco que vejo nas telenovelas... acho que nunca fazem justiça à aldeia e ao meio rural que insistem em apresentar através de clichés, de figuras pré-concebidas, ultrapassadas, que vão buscar a Júlio Diniz como se não tivesse havido nenhuma evolução... se não estivéssemos em 2012 e hoje não houvesse tv e internet em todo o lado, escolas...
    Caramba é sabido que ao meio rural as modas levam mais tempo a chegar, mas até este barrão que sou, estudou numa universidade americana Cornell !), correu Mundo e trabalhou em grandes empresas. A minha condição, o gosto pela tradição, pelo folclore, costumes, são opção consciente e esclarecida!

    Apresentam-nos e tratam-nos como atrasados que vivem no século XIX, maltratam as mulheres as crianças e os trabalhadores... somos sempre desonestos, vis e prepotentes! Como se isso fosse exclusivo da província!
    Ou então, somos de uma bonomia e ingenuidade pacóvia, bacôca e fatalmente saloios...

    Creio que faltam hoje os médicos de província!
    Não para tratar das gentes mas para falar delas!



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  7. De novo por aqui, porque a tal me convidam novos comentários.

    Ao Nuno Serrano, um repetido obrigado, pela forma simples e directa como aborda o que escrevo.

    À Cláudia Tomazi, uma palavra género sorriso de surpresa pela análise, outra palavra, esta de agradecimento, pela citação de um vulto como Maquiavel.

    Ao António Luiz Pacheco e seus dois comentários distintos no tempo e conteúdo:

    Agradeço a referencia elogiosa à educação ( na resposta ) que, em boa hora, pude eu absorver de um Pai e Mãe que tão bem souberam casar o melhor de uma cidade do interior, Évora, com outra de tendência e aspiração mais cosmopolita, Lisboa.
    Sorte a minha.
    Um sentimento de prazer, ao receber a garantia de que, mais cedo ou mais tarde, irá Manolo Novo, irão as gentes de Cousa Vã, fazer-lhe companhia. Que as palavras que lhes dão vida, que a escrita que os traz a nós, possam merecer o sorriso de cumplicidade de quem aceita que afinal um moço de bairro de cidade pode e consegue penetrar na ‘ profunda vida ‘ de gente tão pura, quanto real e felizmente comum.
    De novo um agradecimento, este em nome de Manolo, de quem não tendo procuração me atrevo a tomar a voz, pois ao aliviá-lo da directa comparação com os textos de Bulhão Pato lhe dá a esperança de em mais propício momento poder colher-lhe a atenção. E a Cousa Vã, que sendo Alentejo profundo é garantia de vida com sentido.
    No comentário mais recente, revejo-me e aplaudo.
    Porque a vida sobrevive para além de destinadas geografias ...
    Em boa hora terei tornado os tiques da cidade tão presentes em gente de longe. Em não menos feliz hora terei conhecido e criado Manolo, um decidido e simples homem que, sendo campesino e no entanto universal, nos mostra o poder da excepção sobre a regra ( e aqui utilizo as palavras da Maria do Rosário Pedreira, que num repente e num záspás assim me vestiu a personagem a que até então eu apenas via como um Cousavaneiro mais ).

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    1. Peço de perdão ao comentário em não citar vosso nome joão rebocho pais e se assim não o fiz; apequeno-me de vossa obra, urbe.

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    2. O título deste post devia ter o título de "João Rebocho Pais apresenta-se...". Pela parte que me toca fico agradecida por conviver connosco, o que só vem aguçar a vontade de conhecer o intrínseco do Manolo.
      Cumprimentos
      Isabel

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    3. António Luiz Pacheco24 de maio de 2012 às 12:13

      Então? Como correu a apresentação????

      Um abraço e votos de sucesso!

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  8. Isabel:
    Não querendo de modo algum tornar-me maçador com tanta intervenção nos comentários a este post, não posso no entanto deixar de dizer-lhe uma coisa tão genuína quanto sentida:
    Conviver com quem se dispõe a ler algo nosso, com quem certamente lê, lê e lê, que torna esse mundo das letras em algo vivo, torna mais rico algo o que o fascinante mundo dos livros nos traz: pessoas.
    Obrigado estou eu!

    Cumprimentos,
    João

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    1. Concordo consigo joão ao ler: "esse mundo das letras em algo vivo" talvez do intrincado um paradoxo em estar presente, fazer-se em si, dilactar-se para as idéias, abraçar momentos e inspirar causas; crescer mergulhando no outro, nas pessoas... acolher ampliando-as é deveras fascinante!

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    2. Que bom ler estas palavras! Ao longo de mais de uma década de livreiro, o que, nos dias de «hoje, é obra!, proporcionei a proximidade entre autores e leitores, ouvintes, apreciadores, nas diversas artes, especialmente a da Literatura.
      Sempre com muita, mas mesmo muita generosidade, Editoras e departamentos de marketing aparte.
      Ouvi palavras como as do João de autores que hoje se passeiam pelos 4 cantos do mundo em conferências, apresentações, etc. Que bom para eles!
      Lamentavelmente, a alguns deles, subiu a fama à cabeça. A outros, apesar da notoriedade, não. E continuam a oferecer-nos o grande sorriso da amizade e o sacrifício da disponibilidade. Sacrifício, sim, porque esta coisa de escrever tem que se lhe diga. Não basta carregar no botanito (gosta do termo, amigo aldeão?).
      Lamentavelmente, ainda, esses tai serviçoes de marketing, comandados pelas Editoras, só vêem coisas grandes: superfícies, cadeias, etc., esquecendo-se que Grande é o povo. E o Povo está em todo o lado, mas espalhado. A semente tem de ser espalhada e não concentrada. O vaso que a acolhe, na província (sim, província e cada vez mais!) são as livrarias, serviço público não reconhecido estrafegado até à medula. São a montra de quem as estrafega.
      João Rebocho Pais, espero que não mude a sua maneira de estar no mundo e cá o espero, um dia, no modesto vaso que é a livraria A das Artes, em Sines.
      Claro! Não sou anónimo!
      Grande abraço

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    3. "Sempre com muita, mas mesmo muita generosidade, Editoras e departamentos de marketing aparte."
      Para que não haja dúvidas, generosidade dos Autores, claro!

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  9. Tenho sentido a falta dos comentários do nosso amigo Courinha. Novos afazeres? Regresse!

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  10. Os "postes" de Maria do Rosário são sempre excelentes. O rol de comentários também. Porém, entre tantos, os comentários ao texto de hoje são, na minha humilde opinião, os melhores que por aqui já houve. Felicito-os.

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