Livraria bonita
Muitas revistas de livros em todo o mundo incluem uma secção de livrarias bonitas – e a nossa Lello, no Porto, aparece quase sempre na lista das mais belas. Contudo, não me parece que os portuenses, quando querem comprar livros, a frequentem, talvez por não responder com a mesma eficácia de uma Fnac ou de uma Bertrand aos seus pedidos e ter um acervo bastante limitado (pelo menos, da última vez que lá fui, foi isto que senti). Sem querer comparar, em Lisboa também há livrarias bem bonitas e, embora possa parecer suspeito (a livraria pertence de há uns tempos para cá à LeYa), tenho de confessar que a Buchholz é uma das minhas preferidas. Era lá que, nos meus tempos de faculdade, comprava os livros de poetas ingleses e, ainda que sinta alguma saudade da desarrumação desses já longínquos tempos, a verdade é que, arrumada e organizada, a Buchholz é ainda mais bonita. Mas, além da vantagem que é podermos comprar e vasculhar livros sem termos de ouvir uma música aos altos gritos (a mim irrita-me um bocado ter banda sonora para tudo), a verdade é que descobri há poucos meses que esta livraria tem uma mais-valia de peso: livreiros que gostam de ler, sabem o que andam a vender e, ainda por cima, são simpáticos (a Fernanda, a Cristina, a Paula, a Isabel e o Manuel que me perdoem entrar nestes pormenores, mas às vezes um belo sorriso ou uma informação na hora certa são decisivos para pôr alguém a ler determinado livro; e digo isto porque foi exactamente assim que trouxe, muito jovem ainda, para casa uma edição de A Comunidade, de Luiz Pacheco, que ainda guardo religiosamente). Por isso, se está cansado de demasiado barulho, movimento e filas para pagar e gosta de uma boa conversa sobre livros, a Buchholz é uma boa hipótese. Além do mais, é bonita.
Se se enfeitam montras e se adaptam diversos estabelecimentos comerciais, não haverá razão para as livrarias permanecerem imutáveis, isso não quer dizer que se descaracterizem, pelo contrário. A Pretexto, em Viseu, é um exemplo: funcionários competentes e simpáticos , mesas e bar acolhedor e ainda espaço para exposições, debates e conversas - tudo à maneira, parece-me que o publico tarda em aderir...
ResponderEliminarsinceramente, não é a beleza que me atrai numa livraria, até não ser um museu, mas um lugar onde se compram livros.
ResponderEliminara informação e a variedade, sim, são fundamentais. sabermos que quem nos atende não está a vender apenas papel, mas livros (que têm tantas coisas lá dentro, muitas vezes nem imaginamos o que vai sair dali...) e que está ali para nos ajudar, torna qualquer livraria mais bonita.
Na pequena cidade alemã em que vivo, Stade, há uma livraria/papelaria, que tem um grande calendário exposto, com fotografias das livrarias mais belas. A Lello está na primeira página e é essa que está em exposição.
ResponderEliminarSempre que vou ao Porto, passo pela Lello. Antigamente, comprava lá livros, encontrava sempre algo raro que me interessava. De há três ou quatro anos para cá, noto uma diferença. Parece-me mais vazia desses livros mais raros (que costumavam estar no primeiro andar) e, nos rés-do-chão, encontram-se as novidades que se podem comprar em qualquer lado. Lamento dizê-lo, mas, das últimas duas vezes que lá estive, saí com a sensação de que a visita não valera a pena.
A simpatia (um sorriso às vezes basta), e o saber que ali gostam e sabem de livros é meio caminho andado.
EliminarHá eficácias e eficácias... Não gosto das Fnac.
ResponderEliminarMas as FNAC não são eficazes... Pelo menos é essa a minha experiência, que se calhar não compro o que está na moda... Nunca têm nada do que quero.
EliminarE têm sobretudo o que não quero.
EliminarAHAHAH!
EliminarPara o Nuno Serrano e Maria Almira...
Achei-lhes graça! Desculpem
Olá Pacheco se ninguém quiser o que alguém, vai sobrar o quê para quem?
EliminarEntro numa livraria como num templo... ainda vou de propósito às livrarias, e desloco-me para isso, umas vezes sózinho , outras com a minha mulher.
ResponderEliminarÉ cá comigo! Gosto de silêncio, paz e sossego, de pouco movimento, pois ver livros, para mim é um acto de intimidade, até solene. Tem uma rotina cerimonial: o livro tem de ser visto, depois manuseado. Há que ver a contracapa e as badanas, a informação que contém e finalmente folheado.
Sempre que vou a uma cidade onde esteja algumas horas, há duas coisas que procuro fazer, uma é ir ao mercado (praça) onde se aprende e revela aquele povo, outra é ir a uma livraria, seja na Croácia ou Alemanha!
Dou muita importância à arrumação e exposição dos livros, em largura e profundidade.
Compreendo perfeitamente: o mercado e a livraria! Procuro, em qualquer viagem, fazer o mesmo ainda que nunca o havia feito de forma consciente, mas agora que falou nisso, apercebo-me efectivamente que são dois lugares que visito sempre.
EliminarMas também gosto de me sentar simplesmente numa esplanada a ver a vida a acontecer...
Isabel
Sobre as livrarias de que gostávamos e agora já nos desiludem, quero aqui referir a Livraria Latina, situada na Rua de Santa Catarina, no Porto.
ResponderEliminarDantes, a Latina tinha em exposição várias novidades (e não só), cada escaparate dedicado a um tema. Via-se que quem organizava a exposição sabia o que estava a fazer. Quantas vezes, ao percorrer esses escaparates me deparava com livros que ignorava totalmente.
A última vez que por lá passei, em 2010, estava tudo a monte, sem qualquer critério. Pior que qualquer livraria de hipermercado e sem o desconto de 10% que estes praticam.
Depois disso ainda não voltei lá mas fiquei com a ideia que os novos donos da Latina -- a Leya , parece-me -- estão a desbaratar um património de dezenas de anos ao serviço do livro e da cultura.
Mas se à Leya só interessa a maçaroca... que se pode esperar das suas livrarias? Capitalismo puro. Claro que alguns editores, como a MRP, vão tentando ir contra a maré, mas não foi o seu proprietário que disse que aquilo era só um negócio, que não tinha um amor especial por livros? Está tudo dito. Até estou em crer que o homem não passou da dúzia de livros lidos em toda a vida: aqueles a que o obrigaram no curso. E mesmo assim, deve ter ido lá mais pelas sebentas.
EliminarBom pode ser que à Leya só interessa a maçaroca, mas enquanto lançar bons autores (este último prémio Leya tem sido uma boa surpresa) e recuperar boas livrarias, como é o caso da Buchholz, que importância tem isso? O "homem" pode nem gostar de ler, mas se tiver o cuidado de se rodear de bons técnicos, não me parece mal (pelo menos tem a franqueza de não se armar em pseudo intelectual) e revela bom gosto ao aplicar o dinheiro nesta área. E é bom que com esta crise , estes empresários não desistem de aplicar o seu dinheiro nesta área para que nós leitores assumidos possamos continuar a ler.
EliminarCristina Rodrigues
Para mim, as intenções também contam. E as intenções do "homem" são as da maçaroca. Imagino que saiba delegar, embora não tenha a certeza. E claro que se faz rodear de bons técnicos, mas de certeza que um autor que venda pouco vai logo à vida (ou à morte...), apesar de ser bom.
EliminarAcho que estávamos muito melhor servidos com as pequenas editoras que apostavam em autores que vendiam pouco mas eram bons. Agora, sinceramente é o que eu penso, é tudo uma questão de marketing.
Pode escrever o que eu digo, para deixar aos seus bisnetos: no século XXI, os autores das selectas literárias, se alguns houver, poucos terão sido da Leya. A única editora do grupo que ainda mantém alguma qualidade ainda é a Caminho. Mas mesmo aí há sinais de que a qualidade se está a perder.
É uma visão romantica a que apresenta! Também a partilho se vivessemos num mundo ideal. Mas, saiba que há muitas pessoas com boas intenções (até editoras, veja bem!). É claro que esse tipo de sociedade é possível, bastava que patrocinássemos livrarias que vendessem pouco (acha que a população ia pagar ainda mais impostos para isso?), de facto temos de saber que sociedade queremos e pagar em conformidade. Até lá, oxalá haja muitos grandes grupos (leitores ou não) que apliquem o seu dinheiro nesta área. E, saiba ainda, que é muitas vezes a edição de um livro mau de grande tiragem que possibilita a edição de um livro bom em que se sabe à partida que não vai vender muito, vai me dizer "ah!ah! lá está o custo-benefício", pois então, ninguém gosta de perder dinheiro, há que fazer cálculos, o senhor não os faz quando aplica o seu dinheiro? A sua prosa faz parecer que é puro leitor e os outros uns vilões capitalistas...Para além de que existem leitores para todo o tipo de leitura, mesmo para aquela que nos parece menor.
EliminarMas caro Nuno eu sou daquelas que poderia pagar para patrocinar essas livrarias que apregoa, mas quantos mais o quereriam ou antes quantos mais o poderiam?
Cristina rodrigues
Tem toda a razão. Eu sei que a minha 'prosa' é romântica. Mas acredito que se mais pessoas a tivessem assim, haveria menos palha nas livrarias. E talvez melhores leitores. E talvez escritores menos 'mainstream' tivessem a sua oportunidade. Não acredito na perfeição mas acredito que se pode ser menos imperfeito. Em resumo, tenho a certeza de que é preciso haver pessoas românticas como eu para que os pragmáticos vão aferindo os seus movimentos :). Por isso continuarei a ser assim, romântico, utópico, lírico, o que se quiser chamar
EliminarE ainda bem que o é! Romântico, utópico ou lírico, o mundo é bem mais bonito com pessoas assim. Pessoas assim fazem falta, assim como o fazem os empreendedores, os que arriscam, os que fazem cálculos para que as coisas aconteçam. Na verdade, todos fazem falta para construir uma sociedade: coube-lhe um papel a si, a outros outro por ventura mais pragmática. É por isso, só por isso, que lamento o seu discurso altivo, arrogante de quem julga que tem o monopólio das boas intenções. Se percebesse que todos fazem falta talvez pudesse juntar à sua lista de adjectivos o de humilde, ou de modesto ou tão simplesmente mais conhecedor das gentes, aí saberia que infelizmente nem todos compreenderiam Proust, mas ainda assim existe leitura para todos...
EliminarCumprimentos
Cristina Rodrigues
Mas se eu acabei de dizer por outras palavras que todos fazem falta! Fiquemos por aqui, que não sou suficientemente altivo para encaixar bem os seus ataques.
EliminarCumprimentos
Cristina, bom dia - o mundo ideal são as pessoas que o poderiam construir, somos nós...mas o dinheiro, esse maldito dinheiro destrói as mentes, destrói as pessoas, destrói o raciocínio, destrói o mundo... e não arranjo solução para este mundo doente, que não é d'ontem nem d'hoje, parece ser de sempre, embora por vezes surjam idealistas que o preteden mudar, mas os donos do mundo estão lá para o não deixarem!
Eliminarchateiam-me os erros de português pretendem e não pretenden, obviamente
EliminarBom dia ASeverino
EliminarÀs vezes o discurso tende a ser extremado na tentativa vã de defender uma ideia. O que na verdade quis combater no que o Nuno Serrano evidenciava é essa oposição que existia nas editoras "capitalistas" e os bondosos leitores, como se uns fossem o bem e outros o mal. Ora não me parece que o mundo seja a preto e branco, e as preocupações pela qualidade não são o monopólio dos leitores bondosos. Acredite ou não, na procura da qualidade existe no mundo da edição a estratégia de publicar uma obra menor sabendo que que vai vender muito para precisamente poder dar-se ao luxo de publicar uma obra "maior" de curta tiragem. Parece-me que há uma facilidade muito grande em atirar pedras às editoras sob pretexto de tudo publicar (mas isso até quando? o desemprego tem atingido muito este sector). Na verdade querer mudar o mundo não é só apanágio dos românticos, estes o apregoam mais, é certo. Mas há outros que sabendo que não podem mudar o mundo de um dia para o outro, vão arranjando soluções. Todos nós idealizamos um mundo melhor mas "il faut faire avec..."
Cumprimentos
Cristina Rodrigues.
Perdoe-me, mas - e relativamente à Leya - não se estará a esquecer da fantástica D. Quixote e da "renovada à antiga" Teorema?
EliminarCumprimentos livreiros,
João Cardoso
Tem toda a razão! e ainda bem que há quem não as deixa morrer!!!
EliminarSubscrevo inteiramente!
EliminarSe passaram por Tavira, não deixem de visitar a "Lura dos Livros". Uma livraria de fundos (um bem tão escasso) e um lugar de remanso.
ResponderEliminarE em Torres Novas a Gil Paes. Pequenina e atafulhada, mas sabem onde está o volume mais obscuro e o que não tiverem arranjam.
ResponderEliminarTenho o privilégio de trabalhar por cima da Buchholz e todos os dias "entro" na minha oficina de tradutor pela Buchholz e saio pela mesma porta. Estou, pois, em condições de corroborar sem reservas o que diz a nossa anfitriã, nomeadamente no que toca ao exemplar atendimento. Só tenho pena (mas não creio que a responsabilidade seja dos livreiros) que a Bucholz, desde que é Leya, seja demasiado Leya e pouco Bertrand, Bizâncio, Quetzal, Gradiva, Porto Editora, Presença, etc., etc., etc.. Está de acodo, Maria do Rosário? Se está, pode dar uma ajudinha?
ResponderEliminarA Lello é, sem dúvida, um espaço com uma arquitetura deslumbrante! Contudo, como livraria, não gosto nada: não é fácil estar lá, com vagares, os funcionários são muito pouco simpáticos e irrita-me, sobremaneira, uma proibição que o dono fez questão de introduzir (e faz cumprir com eficiência!!!): é proibido fotografar! Afinal não foram os visitantes, os frequentadores que projetaram esta livraria no mundo com as fotos que ali tiraram e divulgaram? De que tem medo o sr seu dono???
ResponderEliminarVelho do Restelo, claro
EliminarEm Lisboa também gosto bastante da Bertrand do Chiado, com todos aquelas salas seguidas e tão forrada de livros.
ResponderEliminarJá a propósito da Lello, e de algumas das livrarias mais bonitas do mundo, podem ver mais aqui: http://vespaaabrandar.blogspot.pt/2012/05/as-mais-belas-livrarias-do-mundo.html
Tenho a felicidade de trabalhar bastante próximo da Buchholz: é a minha livraria preferida, em Lisboa, de momento. Mesmo depois de adquirida pela Leya continuei a encontrar lá uns "monos" esquecidos que não encontro noutras livrarias (embora também tenha agora uma mesa enorme cheia daqueles horrores às cores, fitinhas e tules...), empenho no atendimento e 10% de desconto (sem cartões ou outras confusões) como noutras cadeias. Para quê ir mais longe?
ResponderEliminarPLFF
Boa tarde a todos.
ResponderEliminarBem, a princípio como livraria bonita, gosto da motivação do livreiro velho em Setúbal.
Com relação a fama internacional, em longa data os portugueses alcançaram e não só o Brasil, mas na américa do mencionado respeito aos portuenses leitores de carteirinha; creio, evoluidos do estímulo da classe estundantil e certamente desta feita o Porto efervecera do florescer, por conduta e livreiros aos acervos de inestimado conhecimento.
Brasileiramente penso em cada pessoa, um possível leitor... é que a leitura oferece destes fenômenos da semente a não ter fórmula para descobrir-se ao meio de livros! Quiça, procuram acolher-se em ler, no acto de ir até ao livreiro, as feiras, a biblioteca etc., em seguir por confirmar a obra do: fantástico, imaginário e conceitos. As livrarias no Brasil felizmente ou infelizmente adequam-se por característica a diversidade, no entanto é positivo a maioria oferecer na recepção o serviço ao futuro leitor, o bem querer a curiosidade seja ela recreação ou causa, é prosperidade. O fermento do bolo, desde sempre a escrita.
Cara Cláudia , também gosto da motivação do livreiro velho de Setúbal. Eis um belíssimo exemplo de um livreiro cuja motivação é o verdadeiro amor aos livros. E digo-lhe mais: não estarei a mentir se disser que o Manuel Medeiros a Maria de Fátima (seria injusto omitir a colaboração e empenho da sua extraordinária mulher) já fizeram mais pela divulgação e promoção do livro e da literatura em Portugal que muitas empresas com pergaminhos e responsabilidades acrescidas. E apenas pelo prazer da leitura e enorme paixão pelo livro. Um grande bem-haja para ambos. E para si também que, apesar de distância, foi a única que os recordou.
EliminarSabe ana b. por vezes tenho uma máxima que não é preciso traduzir dos livros; (eles) os livros têem vontade própria. E talvez, haja quem os saiba destas moderações em distâncias e lugares nada comparável a dignidade "amor".
EliminarJá que estamos a "homenagear" este casal, Proprietários da Culsete" em Setúbal, acrescento que o seu filho Nuno Miguel Medeiros elaborou uma tese de mestrado que venceu o prémio Fundação Mário Soares em 2009, intitulada “Edição e Editores" (dando origem a um livro publicado pelo ICS). O Nuno foi meu querido colega na faculdade e estou orgulhosa do seu percurso, tal como o devem estar os pais. Fica aqui a referência para quem quiser explorar este misterioso mundo da edição e dos editores.
EliminarIsabel
Este mundo é, realmente, muito pequeno...:)
EliminarÉ caso para dizer: filho de peixe...
Cara ana b.
EliminarÉ claro que o mundo é pequeno, tão pequeno que ainda nos havemos de cruzar, quer apostar? eh!eh!eh! - A propósito acabei o nosso Mia e já estou a descobrir o "prémio Leya". Não passei ainda das 10 primeiras páginas mas já estou ansiosa que se faça silêncio cá em casa para mergulhar nele. Estou mesmo a gostar.
Isabel
Caríssima Isabel, também quero muito lê-lo! Tenho-o no topo da lista mas vão se interpondo outros, nem sei bem porquê. Agora ando a ler o "A despedida de José Alemparte " que foi, aqui, recomendado , ontem. O livro é delicioso. Que excelente descoberta! Não o perca por nada!
EliminarUma livraria bonita nem sempre é uma boa livraria.
ResponderEliminarTal e qual como uma padaria, por exemplo. Cheira a pão fresco e o pão é bom? Então temos boa padaria. Livraria também. Cheira a livros? Eles (livros) cumprimentam quem chega? Sorriem? Cativam o visitante? Isso sim é uma óptima livraria. A simpatia, ou não, de quem atende é facto secundário. Ali eles - funcionários - não são primordiais. Os livros, esses sim. E se não houver cheiro a livro, não presta .... mesmo que a sua fachada seja bela.