De filho para pai
Hoje faria anos o meu pai, que amava e admirava e de quem sinto diariamente a falta desde que morreu. Fui, também por isso, especialmente sensível a um texto maravilhoso que o jornalista Tiago Bartolomeu Costa escreveu para o Público do dia 25 de Abril sobre o seu pai, que por acaso era furriel miliciano no Quartel de Santarém e acompanhou Salgueiro Maia na noite de 24 para 25 de Abril de 1974 (não ponho aqui o link, porque só os assinantes do jornal têm autorização para ler o texto na Internet, mas sugiro que procurem o jornal desse dia e leiam). Era um texto de uma beleza extraordinária, raro nos dias que correm nos jornais (nos quais a escrita é hoje mais apressada e os assuntos nem sempre piscam o olho à escrita literária), e uma homenagem sentida e comovente de um filho a um pai (eu cá chorei). Na mesma linha, é também assinalável o primeiro texto que José Luís Peixoto publicou, ainda em edição de autor, intitulado Morreste-me, que fala da sua experiência e dos seus sentimentos após a morte do pai – um tributo lírico e belo que muita gente continua a considerar o seu melhor texto. Embora o texto do jornalista tivesse como objectivo contar a história de um companheiro de Salgueiro Maia, os dois textos acabam por confluir na saudade e na admiração dos filhos por pais simultaneamente muito simples e muito especiais.
Perdoem a quantidade de ocorrências da palavra «texto». Com a Feira do Livro, fico com pouco tempo para fazer os posts e dá nisto...
ResponderEliminaro texto do Tiago Bartolomeu Costa está disponível aqui: https://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:_OqLii7dUwQJ:www.clipquick.com/Files/Imprensa/2012/04-25/0/1_1808886_BFFAFBEBA2BF9859D4C2F9EE407545EB.pdf+&hl=pt-PT&gl=pt&pid=bl&srcid=ADGEEShMDeqmiRcrOe2qjEiklBmpcP5WTAMgQOGWaG2S2dGB9vLVlosl1moV0hDMc0sX2X2uC8kpMWg38hWbH8z5MDPgf0EGb8HDUwiicHVrdlCb7J3Wnv2kyb2awCZenys9xd1R3o0W&sig=AHIEtbR6h580gZOFHgktzvElenExBS3ruw&pli=1
ResponderEliminarO seu pai, Maria do Rosário, era um grande Homem. É um grande Homem, porque quem é grande nunca morre. Conheci-lhe a elegância pessoal, a inteligência superior, a finura de modos. Cito-o muitas e muitas vezes como um exemplo de alguém que sabia Direito mesmo quando não sabia leis, porque tanto mudavam e mudam as leis que há um momento em que manda a sanidade mental que se espere a ver se "pegam". Considero um privilégio tê-lo conhecido. Se houve pessoas que contribuíram para eu ter aprendido a ser o que sou, é ele. Pressentia-se, naquela ironia requintada, uma tragédia existencial. Mas ria-se e fazia-nos rir. De tudo. Com ele aprendi a rir-me de mim. Bem haja, em nome de todos nós, ao tê-lo recordado. Abraço, jab
ResponderEliminarPalavras com amor de MRP:
ResponderEliminar...os dois textos acabam por confluir na saudade e na admiração dos filhos por pais...
Palavra é como calo: calamos e machuca. Sabemos onde aperta o sapato.
Porém na palavra a emboscada muda nada cala; porque não calo. Sob toda forma de expressão o sentir houvera da palavra atitude.
O seu pai escolheu um óptimo dia para nascer: o mesmo que o meu filho escolheu. Faz hoje quatro anos e é como se em mim o voar!
ResponderEliminarO meu teria feito anos ontem.
ResponderEliminarEsse livro do Peixoto é belíssimo, realmente. E muito comovente. Emocionou-me deveras!
Oh Maria do Rosário às vezes acontecem estas coisas, acredite, foi assim tal e qual como vou descrever: depois de ler aquele texto maravilhoso, olhei para a fotografia do seu pai, e pensei com os meus botões, ora aqui está um homem bom, todo o seu sorriso revela sensibilidade, ternura, juventude, gosto de viver, amor pelo próximo, é verdade, Maria do Rosário é que pensei mesmo isto, mesmo nunca o tendo conhecido, mesmo só tomando conhecimento naquela altura de que aquela pessoa existiu.
ResponderEliminarHá coisas difíceis de descrever...
Tremo só de pensar numa eventualidade destas na minha vida...
ResponderEliminar"...
ResponderEliminarTivesse eu detido o tempo que te arrasta
E com a absurda decisão do sentimento
Fizesse o gesto irremediável e absoluto
Que atira para a garupa do cavalo
O rapto, a donzela e o direito à posse!
Mas eu fiquei sentado junto da tua porta
Com a cabeça encostada à pedra da entrada;
Não ousei bater e ninguém veio abrir.
..."
Luiz Pedreira em "Desespero Avulso" -1966
Isabel
Lá pelas tantas em horas extraordinárias de filho para pai e de pai para filho, alguém fora abrir a porta da imaginação... é assim mesmo a realidade quer seja: virtual ou não... amor, emoção e espanto. Lágrimas valem na lembrança do sorriso a paz, a compreensão, chamar-se-á saudade!
ResponderEliminarInteressante... fui filho, agora sou pai!
ResponderEliminarSer filho varia, quando temos 5 anos o pai é o maior, 15 e o pai é um chato, aos 20 o pai não sabe nada! Depois crescemos... e ocupamos o lugar do pai!
O meu filho fez 24 há dias, já gosta de toiros...
nos copos deu provas, e de mulheres (perdoe-me Cristina este estúpido orgulho masculino)também!
Acho que nunca o porei atrás das perdizes, é demasiado preguiçoso e não se levanta cedo... mas na água, enfim pelo menos os chocos estão ao seu alcance!
Quem ler este post de barrão inculto e embrutecido vai-me chamar uma data de nomes... e eu ralado...
Pelo menos hipócrita não sou...
Caro António, diga-me que ele é do Sporting. É?
EliminarAbraços.
É pá... Mário Santos, bolas, tocou numa parte que eu não queria referir... pois é! Bom, eu sou um benfiquista muito suave, mas nisso ele resolveu ser diferente... ahahah! Mas também é um sportinguista suave!
EliminarUm abraço
Temos Homem!!! mas sportinguista? Enfim ninguém é perfeito!!!
EliminarAnónima feminina radiante
Calma... ainda é novo e não sabe... ainda pode ver a Luz e mudar!ahahah!
EliminarObrigada por se lembrar sempre de mim em alturas destas. Mas é um facto que, se fosse uma filha, em vez de um filho, não a estaria a gabar por ter dado provas nos copos e de homens (ou de mulheres). Eu acho que é importante aceitar as pessoas tal como elas são e espero que o António Luiz amasse o seu filho também no caso de ele não ter dado essas provas.
EliminarDe qualquer maneira, se o seu filho é sportinguista, é cá dos meus. Só é pena que vá em touradas...
Concordo consigo Critina, a respeito das touradas. Porém, da afimação masculina nós mulheres o que entendemos?!
EliminarBem, podemos ter uma opinião. Mas homens são homens, não há dúvida...
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