Curso em papel
Há uma editora na Caminho, Isabel Garcez, que promove cursos muito interessantes, alguns dos quais ministrados pelos autores «da casa» (Gonçalo M. Tavares sobre o pensamento filosófico contemporâneo, por exemplo). Há cerca de um ano, foi organizado um curso de ficção portuguesa contemporânea orientado por Miguel Real que, além de escritor e crítico, é provavelmente uma das pessoas mais informadas sobre literatura lusófona, conhecendo quase tudo o que existe, sobretudo dos novos autores. Pois bem: não só o curso foi um sucesso (houve mais inscritos do que vagas e foi preciso encontrar um espaço que desse para todos os interessados), mas também a já referida editora decidiu transformar o curso em livro, que está disponível há pouco mais de um mês sob o título O Romance Português Contemporâneo: 1950-2010. Não se querendo de profundidade excessiva, este é um bom guia para conhecermos os autores que se estrearam a partir da segunda metade do século passado, divididos por quatro grandes grupos, desde os mais realistas aos mais desconstrucionistas. Com um precioso índice de autores, encontraremos na obra muitos nomes que se consolidaram, mas também outros que, tendo surgido já no século XXI, ainda vão ter de caminhar bastante para mostrar o que valem. Um excelente livro de consulta para quem gosta de saber mais sobre o que se escreve no País.
Muito obrigado pela dica. Fiquei com grande vontade de, pelo menos, folhear. Mas quase que adivinho que o vou querer ver na minha estante.
ResponderEliminarCreio, interessante e necessário o rol de cursos além do segmento filosófico e ao indispensável crivo de um(s) especialista(s) no caso o escritor Miguel Real, que transformara e oferecera esta possibilidade de estudar e estudar-se; são conceitos a gestão e a óptica construtiva de (con) (in)fluência nesta área, cujo função orientação ao efectivo proporciona esclarecimento atribuindo características e curiosidades portanto sob o aspecto ascendente "a leitura" a considerar lições aos aprendizes assim (como eu e por que não?!)
ResponderEliminarGostei do termo de MRP "precioso índice de autores".
Peço desculpa pela pergunta:
ResponderEliminar- O que deu origem ao tal livro, foi um curso DE ou SOBRE ficção portuguesa contemporânea?
Sobre.
EliminarAhhh! Bem me parecia... eheheh!
EliminarObrigado pelo esclarecimento.
Acrescento que também gostei do trocadilho peregrino!
ResponderEliminarCaríssima
ResponderEliminarDra. Maria do Rosário Pedreira
É a primeira vez que li o seu blogue. Gostei e, pelo que li, vou continuar a gostar.
Há, porém, algumas perplexidades para as quais não encontro resposta.
A primeira é aquela que me leva a crer que não segue - aliás como eu não sigo - o que se designa por novo acordo ortofráfico; a perplexidade acorre por saber que é editora numa Casa que o segue.
A segunda, é ter constatado, através de uma leitura atrás, a propósito do Prémio LeYa 2011, que leu o livro premiado 3 vezes! Se não estou em erro, pelo que conheço do meio editorial, as (os) editoras (es) promovem uma leitura na diagonal, quando não a "abertura" e o "fecho" da obra em apreço; lê-lo 3 vezes, acalenta a sensação que ficaram outros 2 originais por ler ( ou que, se me permite, foram lidos "a vol d'oiseaux"); ou ainda, que acumula a função de revisora, trabalho este que não recomendo aos escravos das galés.
Não me leve a mal, peço-lhe. De qualquer forma, saberá que tem em mim um leitor assíduo e que lhe reconheço, pelas obras que tem proporcionado às editoras onde trabalha, um "dedo" especial para acertar na qualidade - basta lembrar os prémios Saramago.
Sou escritor e editado. Serei certamente dos poucos que não recorreu à sua leitura de escolha. Certamente, se fosse o caso (pois não me julgo guindado a esse nível), seria o mais felizardo entre todos por merecer de um editor, como editor, a paciência e o gosto de três leituras da mesma obra.
Há leitores que dizem ler determinado livro duas vezes, por vezes afirmando que o fizeram de seguida. É puro pedantismo. Já li obras duas vezes, o máximo, e nunca por menos de um ano em espaço temporal - nem sequer faço isso com as minhas.
Caro Joca Martinho,
EliminarDúvidas pertinentes, sem dúvida.
Em relação ao acordo ortográfico, penso que a Dra. Maria Rosário Pedreira, estando a escrever num blogue pessoal, tem autonomia para transgredir o dito acordo.
Em relação à leitura “3 vezes” da obra “O teu rosto será o último” (que eu apreciei bastante), de facto, também achei bastante estranho.
Isto não tem nada a ver. É um pouco de show-off da minha parte, reconheço. Recentemente, ao organizar os livros na minha estante (que até não são muitos), reparei num livro em particular. Para além de o ter lido por duas vezes (com um intervalo de tempo grande), também o comprei duas vezes. No meu caso, era bom que fosse pedantismo, mas não, é somente estupidez pura e dura. O livro em causa é das obras que mais me fascinaram. Um tipo francês chamado Céline . “Morte a crédito”. Assírio e Alvin .
Abraço
Doravante, sempre que voltar a ler um livro duas vezes, não me esquecerei de olhar o espelho e pensar: olha que grande pedante!
EliminarLer três vezes um livro que se publica não é assim tão estranho. Mas, neste caso, fui uma das editoras que leram este livro na LeYa e o seleccionaram para o júri (a outra editora foi a Cecília Andrade, da Dom Quixote). Isso foi em Junho de 2011. Quando a obra venceu, a publicação do livro foi-me «adjudicada», pelo que o reli (em Novembro), pois precisava de o ver página a página com o autor e havia coisas que não me tinha dado ao trabalho de corrigir na primeira versão, pois ignorava qual era o seu destino. Por último, li uma versão paginada porque o autor quis alterar um episódio que dava azo a confusões e, como tal, era forçoso voltar a ler o capítulo. E digo mais: este livro, quanto mais se lê, mais se descobre!
EliminarEstranho é, como diz, um editor não ler o que publica...
Meu Deus, tenho sido tantas vezes pedante e eu nem o sabia!!!
EliminarPor isso é que há editores e...editores!! há quem lê o que publica e quem não lê. Há quem tenha mérito e quem não o tem...
EliminarEnfim está tudo dito.
Caríssima
EliminarDra. Maria José
Pedi que não me interpretasse mal, nem que a minha ousadia ao inquiri-la nesta sua "casa" fosse considerada intromissão. Expus, muito simplesmente, as duas perplexidades (uma das quais alguém esclareceu por si), mas longe de a confrontar com as mesmas. Eu não tenho esse direito, nem foi esse o propósito.
Relativamente ao esclarecimento, que agradeço, sendo ele vinculado à actividade, só vem comprovar o profissionalismo de quem é verdadeiramente Editor; mas saberá, tal como eu, que o seu modus operandi, infelizmente, não se encontra generalizado entre os seus pares.
Perdoe - perdoem todos os que comentaram - o termo "pedante", que não retiro. Ainda não consegui ler três vezes uma única obra, a não ser pela obrigação, que tenho, de a rever ante e após as provas tipográficas. Isto também pode ser tido como pedantismo, dependendo do ponto de vista, uma vez que a cultura literária (sem k) é apanágio e livre alvedrio dos leitores que pagam para usufruirem momentos de prazer.
Caro extraordinário Jocamartinho
EliminarEstava a dirigir-se à Drª Maria do Rosário e não à Maria José.
Aproveito para lhe dar as boas vindas a esta sala de estar.
Anónimo
EliminarTouché!
Houve um lapso, realmente. Resulta de eu me corresponder com a Dra. Maria José Botelho, vogal que foi do conselho de administração de uma empresa onde eu fui presidente.
Agradeço-lhe as amáveis boas vindas e farei tudo para as merecer. Afinal, ambos somos anónimos (eu, por enquanto...).
Regresso à sala de estar para um esclarecimento com Anónimo. Presumo que ela seja um forum de ideias em torno de um mesmo tema: os livros, os seus autores e as envolvências complementares.
EliminarSeduziu-me um adjectivo que empregou ao dirigir-se ao meu comentário. Sendo eu extraordinário, invulgar ou imbuído noutro quejando significado, pode implicar considerar-me adjectivamente pela positiva ou pela negativa. Ainda assim, pelo seu comentário curto, eloquente e amigável, suponho que o fez pela primeira hipótese, uma vez que eu mereci o látego do aviso por ter trocado o nome à Dra. Maria do Rosário, já justificado.
Com um abraço do desconhecido.
Extraordinário Jocamartinho, é claro que o considerei pela positiva. Este é um espaço de liberdade, antes de tudo...Oxalá goste tanto de passar por cá quanto eu gosto!
EliminarVou procurar o livro.
ResponderEliminarInteressante; uma coisa é ser pedante, outra é não conseguir deixar de sê-lo, sem o ser?! Eis aqui a proporção da discussão: discutir-se o conforto de quem juga estar sentado quando está a julgar de pé...bom é certo que para estar, sentado ou de pé é necessário a noção de conforto do que seja (julga)mento.
ResponderEliminar"Jurisprudência" pode ser ou não curso em papel, definido e por definir.
Muito divertido!
ResponderEliminarNo final da leitura desta página e da troca de comentários entre 2 personagens principais, apercebi-me de que a sequência de textos, o equívoco sobre as considerações que um faz - a título mais pessoal e subjetivo - sobre o outro, o uso da linguagem, tudo isto contribuiria para um pequeno episódio (ligeiramente irónico e francamente extraordinário, semelhante a um ou outro momento narrativo das obras de Jane Austen ou de Marcel Proust).
É um prazer ver a literatura vivinha em coisas simples.
E personagens de carne e osso
;-)