Bons pretextos
Quando em Portugal começou a crescer visivelmente o número de leitores de romances ditos comerciais, tantas vezes sem sumo, fiz – confesso – uma pequena aldrabice. Tínhamos comprado um romance inglês literário – mas sem espinhas e cheio de humor – e cobrimo-lo com uma capa com rosas, bonita mas representativa de um género que não era exactamente o seu. A primeira edição voou num abrir e fechar de olhos e fiquei a pensar que, provavelmente, quem o comprara lera uma coisa de qualidade, ainda que leve e acessível, fazendo qualquer coisa por si próprio. É, de qualquer modo, matéria para reflexão se, com aquela capa, os potenciais leitores desse romance também o adquiriram, pois podem simplesmente ter-lhe passado ao lado, assustados com os ornatos florais e os tons pastel. Aqui no blogue, quando falei do romance vencedor do Prémio LeYa, um dos comentários exprimia alguma preocupação por o seu autor estar, infelizmente, a ser descrito pela comunicação social como um desempregado que conseguiu uma proeza, e não como o excelente escritor que é. É parcialmente verdade, claro, e se o livro vai em terceira edição e mal saiu há um mês, temos de admitir que esse episódio muito mediatizado pode ter influenciado as vendas. Mas não será, apesar de tudo, um bom pretexto para levar a certos leitores um livro melhor, mais interessante, que as faça pensar e contribua para uma mudança dos seus hábitos de leitura? Sei que uma percentagem acabará por achar a obra um pouco complexa, mas não haverá muitos outros que, sem encontrarem dificuldades de maior, deram um passo em frente com este O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro?
por falar em capas, vi uma na fnac deslumbrante.
ResponderEliminarera negra e tinha um floreados e o título tinha a palavra Circo (não me lembro do título completo, sou péssímo em nomes...) e outra atractiva.
peguei nele e apeteceu-me levá-lo, mesmo desconhecendo o tema e o autor.
em relação ao livro do João Ricardo Pedro, não sinto grande entusiasmo pela sua leitura, por tudo aquilo que tenho lido nas suas entrevistas.
continuo a pensar que escrever livros, não é trabalho das 9 às 5...
acredito que tem de ser o livro a chamar por nós, a prender-nos, a obrigar-nos a fazer uma ou duas directas, quando é preciso.
Confesso que, a mim, é precisamente a história do desempregado coitadinho que me impediu, até agora, de comprar o livro. Desempregado, para mim, só é coitadinho se não tiver subsídio de desemprego ou não tiver ajuda dos seus; que é o caso de muita gente, para quem a preocupação e a luta pelo dia-a-dia será tanta que nunca teriam disposição nem tempo para escrever um livro.
ResponderEliminarAlém disso, não tenho em grande conto Prémio Leya, depois do que aconteceu há dois anos. Simplesmente não acredito que há dois anos fosse tudo tão mau que não merecesse um prémio de tamanho prestígio (de acordo com a comunicação do júri) e este ano havia tanta coisa boa... Isto a juntar que já li os outros dois prémios Leya anteriores e até os achei bastantefraquinhos.
Hum... para mim "O Rastro do Jaguar" é um dos melhores romances que já li! Merece este e qualquer outro prémio. Claro que sou apreciador do género... O Olho de Herzog , embora seja no mesmo género é fraquinho, sobretudo depois do nível a que a fasquia ficou!
EliminarO género que venceu o prémio este ano, não é do meu agrado... Para ser honesto achei que quem o escreve escreve bem, tem potencial se bem que num género de que não gosto, mas julgo que está ao nível de outros consagrados do género. É um género que está numa corrente de escrita, e dentro dela tem um bom nível.
A história do desempregado-coitadinho-etc ... ao que parece é mais impeditivo do que actractivo !
Eu comprei por puro interesse, se bem que a curiosidade de ler o vencedor do Leya , depois de um ano de interregno fosse a motivação.
Sou imune aos habituais prós-e-contras ! Não sou preconceituoso, talvez porque não tenho preocupações nem responsabilidades culturais, sou um inculto que assina o nome e por isso livre! Todavia compro e leio livros.
Saudações de um dia de temporal no campo!
Concordo com o nosso prezado amigo ANTÓNIO LUIZ PACHECO (assim mesmo com maiúsculas e Luiz com Z), "O Rastro do Jaguar" é um belissimo romance que vale bem a pena ler.
EliminarReconheço que quando classifiquei de bastante fraquinho, estava mais a pensar no "Olho de Herzog". O "Rastro do Jaguar", embora não seja muito do meu gosto, não será fraquinho... De qualquer modo, sou preconceituoso, sim, em relação a prémios literários... E o Prémio Leya precisa de ter mais edições para me convencer. Por enquanto, acho que não foi atribuído há dois anos por falta de maçaroca...
EliminarE também acho, como o tempo decerto mostrará, que não terá tanto em atenção o mérito das obras como a necessidade de se ir revesando pelas várias nacionalidades (o próximo será um angolano?)
Inteiramente de acordo: Não acredito que não houvesse em 2011 nenhum romance "sem qualidade", olhando ao Olho e a este "O teu rosto...". Serão livros para valerem 100 000 euros?
EliminarE sim, palpita-me que o próximo é Angolano... aliás já devia ter sido se calhar... pois há muitos bons livros de Angolanos, Pepetela à cabeça!
Mas isso vai depender do retorno da venda d' "O teu rosto..." pois se não for um best-seller que valha os 100 000 euros investidos à cabeça, é capaz de se não haver qualidade outra vez!
Pois eu já li o livro duas vezes, pouco me importando a situação laboral do escritor. Escritor já eu sei que o tipo é, e o que peço a seguir está relacionado com o tema: alguém saberá que quadro de Bruegel é referido no livro, o que contém algures uma mulher sem uma perna? Já dei várias wikivoltas ao gugâle , sem êxito, e acordei hoje com esta necessidade imperiosa. No livro não me recorda se foi referido o nome (estará num museu em Viena) e de todo o modo não o tenho comigo agora. Obrigado.
ResponderEliminarCaro Paulo, assim de repente, creio que no quadro de Brueghel que representa um casamento de camponeses há, em baixo, uma figura feminina, algo infantil, sentada e da qual apenas se vê uma perna. Será esse?
EliminarHum!... julgo que não é esse, Ivone. A figura em causa terá de ter um pano azul na cabeça e duas muletas também estarão visíveis, a menos que o escritor nos tenha enfiado um grande barrete. Obrigado, de todo o modo. O problema é que os quadros do Bruegel têm quase todos uma multidão, e só estou ainda tentando o Bruegel pai. Hei de descobrir.
EliminarCaso seja de Lisboa, apareça pela Feira do Livro e terei muito gosto em falar consigo sobre o livro e sobre o quadro do Bruegel. Abraço
EliminarMuito obrigado. Conto dar lá novo salto, sim, e se o vir lá, presumo que no stand da Leya , e não tiver frente a si demasiada fila, darei com certeza sinal. Entretanto, julgo estar mais perto do tal quadro, ao reler ontem a descrição do mesmo.
EliminarQue importância tem o "quando" e o "onde" no processo de escrita de um autor? Avalia-se o produto ou as circunstâncias que o geraram? A malfadada genética portuguesinha...
ResponderEliminarA única coisa que não "engulo" é o facto de o autor afirmar que nunca tinha escrito nada, e que o livro é o resultado de 1000 páginas escritas. Aprendeu depressa o histrionismo que é apanágio da maioria dos escritores. O romance é excelente.
Sobre as capas: sugiro a publicação do mesmo romance com 2 capas diferentes: light e elit.
(Brincadeira?)
Barrius
essa é também uma das razões pelo que não senti grande interesse pelo livro, Barrius.
Eliminaracho que há claramente um exagero em toda esta história. parece que se quer passar palavra que qualquer um pode ser um bom escritor, basta escrever muito, transpirar muito na secretária. para mim literatura é sobretudo o talento de se contar uma boa história.
já li muitos livros bem escritos, mas que não acrescentam nada...
Confesso que não entendo. Tenho 55 anos, sento-me sobre livros, durmo no almofadado das suas páginas, alimento-me de letras e recordo os que não posso ter mas que me povoam o cérebro. Ah, e escrevo. Acima de tudo porque tenho mesmo de escrever. E não entendo como se podem embelezar capas de modo a vender livros ocos, falar do infeliz desempregado e, por isso, bafejado pelo infortúnio de modo a ganhar prémios. Actualmente não tenho dinheiro, sou um teso. Rastejo criminoso por livrarias em leituras apressadas tentando ler o que vai saindo. Prémios disto, nomeações daquilo, edições esgotadas aos milhares, frases sonantes, e eu, pelintra escondido num canto, a agradecer o facto de não ter dinheiro ou teria sido levado a comprar mendigos de fraque vestido. Só uma coisa penso: ainda bem que Eça, Camilo, Fialho...nasceram no tempo certo ou, provavelmente, hoje não conseguiria lê-los. Porque escreviam bem, eram lúcidos a contar histórias e a inventar personagens que ainda hoje se recordam. Partilhavam-se livros pelo enredo. Enquanto que, agora, o futuro me parece estar na mais bela capa, no autor que só tem um pé, no jogador de futebol que mal sabe falar mas que escreve e, por jogar bem, vende. Não entendo. Em tempos li numa revista que o fundador ou criador ou administrador da Leya não lê um livro. Haverá aqui alguma relação negativa? Pronto. Já se percebeu que hoje estou irritado. Mas não é isso literatura também? Passarmos um pouco de nós sem nos preocuparmos exclusivamente se vende ou não?
ResponderEliminarCompadeço de vossas palavras. Infelizmente.
EliminarJoão, sabe porque acontece com deste momentos, é por não te alcaçarem mais, e é certo não te alcançam de vosso sentimento, e temem da vergonha de vossa emoção, de vossa verdade; mas, saiba vos que por mais, que a necessidade ofereça desafio; Escreva! Expresse-se... corra o risco de indignar-se e erguer-se, pois de vossa satisfação a honestidade, o compromisso enquanto palavra. Força Joãoooo
EliminarNão percebi nada deste comentário!!!
EliminarEra encriptado??? Mensagens pessoais e íntimas?
Bolo Rei Seco e Esfarelado
Mui íntimas! De todo coração a generosidade. PORQUÊ?! Algúm problema.
EliminarEu mando e assino.
Ora, ora, esse mundo dá muitas voltas mesmo... quer dizer então, que os portugueses caíram no gosto do comercial... e que uma boa propaganda, uma encadernação e que convence, voilá! Negócio fechado, leitura certa? !Por minha vez, confesso que destes algures a educação faz o caminho, em queda de braço.
ResponderEliminarNós vivemos numa era extremamente visual, nada mais natural que os livros acompanhem essa tendência e tenham capas apelativas. Eu já peguei em muitos livros pela capa e outros ao perceber que deviam de ser literatura light, baseada na capa, não olhei duas vezes para eles.
ResponderEliminarUma coisa que acho de mau gosto é alguns livros apresentarem capas muito parecidas ou até mesmo com as mesmas imagens.
Quanto ao resto, eu acho que ninguém começa a ler grandes livros, há que começar pelo simples e evoluir. Ficam depois os mais lights para aliviar dos pesados.
e cobrimo-lo com uma capa com rosas, bonita mas representativa de um género que não era exactamente o seu.
ResponderEliminarParabéns Maria do Rosário, chama-se a isto dar croissants a quem só tinha pedido um casqueiro, o contrário é que seria aldrabice, embora os defensores dos direitos humanos pudessem eventualmente ficar escandalizados com este possível atentado à ignorância.
Óh Maria do Rosário isto dos livros é como no futebol vejo cada cabeçudo (a quem a bola atrapalha) a jogar na divisão mais alta tal como vejo livros que são de bradar aos céus e outros muito bons que ninguém os conhece (o do João Courinha é um bom exemplo, pois trata-se de um belo livro que certamente só foi publicado devido à sua carolice, penso eu, e dele ninguém escreveu uma linha, a não ser aqui neste blogue espectacular)
ResponderEliminar"O teu rosto..." é ou não é um excelente romance? É. O que é que interessa o resto, então?
ResponderEliminarQuanto à fábula (para ajudar às vendas? para criar uma espécie de mito? parece-me que provocou um efeito contrário perverso: cuidado, malta do marketing, às vezes, dá-se assim um tiro no pé sem querer!) que nos vieram contar da pobre carochinha só nela acredita quem quer.
PLFF
Caríssimo, não houve marketing nenhum nesse sentido. O problema foi que, quando o presidente do júri telefonou ao premiado para lhe dar a notícia, perguntou-lhe muito naturalmente o que fazia - e ele respondeu que estava desempregado. A comunicação social reproduziu o episódio e encontrou ali uma história que foi reproduzindo. Se estiver atento à campanha, verá que em nenhum lugar se fala da situação do autor e que a tónica é na obra que, com ou sem preconceitos, importa ler porque é uma soberba estreia na ficção.
EliminarCara Maria do Rosário, agradeço a sua explicação. Peço desculpa caso eu tenha erroneamente interpretado o alarido da comunicação social sobre a situação do autor como tendo origem em "press releases" ou na estratégia da campanha editorial/comercial. De qualquer modo, o que importa, como já disse ontem, porque já o li, é que o romance é excelente.
EliminarPLFF
...um bom pretexto para levar a certos leitores...
ResponderEliminarSoa como um divisor de águas...será?!
Um livro que já vai em terceira edição, tendo saído há coisa de um mês, é claro que é resultado da campanha de marketing. Mas duvido que irá modificar os hábitos de leitura de alguém. Se o escritor é realmente bom (e, já agora, digo que, pela escrita de um livro, não se pode julgar tal, o futuro o dirá, há muitos exemplos de quem perde o fôlego logo no início), se ele é realmente bom, dizia, quem aprecia boa literatura, gostará. Os outros, que compraram o livro pela história do desempregado transformado em génio (quiçá, querendo seguir-lhe o exemplo), desistem à 3ª, 5ª, ou 10ª página e põem o livro na estante, para mostrarem às visitas que andam muito actualizados em matéria literária.
ResponderEliminarNão é assim tão simples modificar hábitos de leitura (coisa que uma editora experiente devia saber, desculpe).
A batota é uma (coisa que me faz assim uma espécie de) agonia.
EliminarCalma lá, passo curto com o andor...
EliminarE não é o Marketing uma actividade que faz propositadamente batota, isto é, embeleza o que é feio, engrandece o que é pequeno...E então? é a sua função, qual o problema? cuidado com essa agonia toda...
EliminarCristina m.
Não, Cristina, o marketing não é, ou não deve ser nada disso.
EliminarO marketing, como o entendo, é o conjunto de iniciativas para que um produto não passe despercebido. Daí a serem iniciativas fraudulentas, com o objectivo de enganar o público, claro que vai um passo pequeno que, infelizmente, é quase sempre dado.
Completamente de acordo, só que para mim embelezar ou engrandecer um produto não é um acto fraudulento, é precisamente fazer com que o produto não passe despercebido, e o que fez MRP, quanto a mim, foi embelezar para chamar a atenção sobre o livro, e chamar a atenção de potenciais novos leitores (porque para os os outros, os "habitués",a capa é só um pormenor). Enfim queria dizer apenas isso.
EliminarMas agradeço a sua atenção.
Cristina m.
:) A escrever é que a gente se entende. Estamos, então, os dois de acordo.
EliminarQuero realçar que apenas me foquei no conceito de Marketing e no que tinha percebido mal do seu comentário, Cristina. Nada do que eu disse sobre más práticas ou pseudo-marketing estava relacionado com a autora deste blogue. Nem pouco mais ou menos.
Queria deixar claro que não fui eu quem falou em batota. É um facto que o escritor aproveitou a situação de desempregado para escrever. Não é mentira nenhuma. Mas é claro que a comunicação social gosta de histórias desse tipo. Eu apenas quis focar dois pontos:
ResponderEliminar1-Haverá muita gente que compra o livro à procura da fórmula do sucesso, do género: "deixa lá ver, se um desempregado conseguiu, eu também posso consegui-lo".
2-Acho ingénuo achar que a boa venda do romance possa contribuir para a modificação de hábitos de leitura.
Cristina Torrão
EliminarÀs vezes, penso que a Srª Cristina Torrão julga que as pessoas são umas parvinhas desprovidas de cérebro( uma linguagem muito "eles e nós"), mas porque é que muita gente há de pensar "se um desempregado conseguiu, eu também posso consegui-lo"? Não será mais fácil haver mais gente a achar que pode escrever um livro por haver apresentadores, actores, modelos que enfim dão a ilusão de uma aparente facilidade em escrever livros, do que propriamente um "desempregado"??!. Em segundo lugar lá no alto da sua sabedoria como conclui que a boa venda de um romance não contribui para a modificação de hábitos de leitura? Acha ingénuo, porquê? o que foi dito é que "pode contribuir", é uma hipótese teórica, e ainda que mudasse os hábitos de uma só pessoa já seria uma hipótese plausível. Ninguém falou em mudar hábitos em massa, pois não? Não sei, parece que está sempre a embirrar com qualquer coisa...ou com alguém.
Ana Nunes
Ana Nunes
EliminarPensa mal, eu não acho que as outras pessoas são parvinhas e rejeito totalmente a sua caracterização de uma linguagem muito "eles e nós". A própria MRP receia que muita gente compre o livro por causa da campanha mediática do "desempregado" e acho possível haver quem esteja curioso quanto a esse facto, talvez por também estar desempregado. Aliás, será até um criar de esperanças, ao constatar-se que não só apresentadores, actores e modelos poderão obter sucesso neste campo. E se a Ana considera que o romance poderá mudar os hábitos de leitura de uma só pessoa, porque não aceita a minha ideia de alguém pensar: se um desempregado o conseguiu, eu também poderei conseguir? São meras hipóteses, não vejo qual será a diferença entre uma e outra (a nível de hipótese). E isto não quer obviamente dizer que a pessoa que pensa assim o irá conseguir, aliás, há 99,99% de probabilidades de não o fazer.
P.S. A Ana Nunes nunca embirrou com nada? Ou embirra com o embirrar?
Um dos melhores posts, de entre todos os bons, que aqui li.
ResponderEliminarEu acabei, ontem , de ler 'O teu rosto será o último'. Tinha lido anteriormente 'O velho e o mar' de Hemingway e hoje comecei a ler 'O remorso de Baltazar Serapião '.
ResponderEliminarE que penso?
Penso que são todos óptimos. E todos diferentes. Diferentes porque vêm de mundos diferentes, de vivências diferentes, de empregos diferentes, de desempregos diferentes.
Não me interessa o que faziam dantes, apenas me interessa o que criaram enquanto escritores. O resto, e perdoem-me se estiver errado, parecem-me meros preconceitos.
Talvez a utopia fosse a de um dia todos os livros serem assinados por: 'Um Anónimo'.
E só dez anos depois se saberia o verdadeiro autor que os escreveu.
Porventura, haveria então enormes surpresas por esse mundo fora.
Alguns diriam: «iria jurar que era do genial Ypsolon XisZê»
E ficariam espantados por, afinal de contas, aquela obra tão maravilhosa, ter sido escrita por um simples funcionário dos Correios.