Portugal em conversa
Por ocasião da publicação de dois livros de ensaio – Nova Teoria do Mal, de Miguel Real (Dom Quixote), e Representações da Portugalidade, organizado por André Barata, António Santos Pereira e José Ricardo Carvalheiro (Caminho)–, está marcada para amanhã às 18h30 uma conversa com a presença de André Barata e Miguel Real na FNAC do Colombo. Mas não será uma mera apresentação de livros, esperando-se que o público interpele os autores sobre o que os moveu para a escrita e edição das respectivas obras num momento especialmente ingrato para o País, em que se torna importante assacar responsabilidades pelo estado em que nos encontramos, sejam elas alheias à nossa singularidade enquanto povo, sejam elas fruto de marcas vincadamente portuguesas, porque, como se diz em Representações da Portugalidade, “a identidade não tem a ver apenas com o que somos, mas também com o que queremos fazer com aquilo de que dispomos”. Apareçam.
e terá a ver com outras coisas mais.
ResponderEliminarmas sim, tem muito a ver com o interesse que temos pelo país, com a vontade de fazer coisas, de melhorar um pouco o que nos rodeia, embora seja muito difícil fazer o que quer que seja, porque há gente que só anda por aqui, para "desencorajar", normalmente colocados em lugares onde podem "vetar", nem que seja numa insipiente junta de freguesia...
"Nova Teoria do Mal" é um livro que traz realmente algo de novo ao mercado livreiro. De se lhe tirar o chapéu.
ResponderEliminarReconhecendo assim por dizer, quão medíocre minha gramática e que deste confim talvez exaspera, mas em detalhe ouso compreender o que talvez, desconheça por natureza curiosa...mas, se permite ...em Representações da Portugalidade, “a identidade não tem a ver apenas com o que somos, mas também com o que queremos fazer com aquilo de que dispomos”...quando da frase "a identidade não tem a ver...e de inútil questionamento: a identidade não tem "haver" - posto que a ideia do existir estaria intrínseca com a realidade, enquanto "a ver" repara o distanciamento...na certeza e que por vos alguma autoridade estenda minha compreensão ao verbo, que em modesto conhecimento, reconheço alguma dúvida.
ResponderEliminar“a identidade não tem a ver apenas com o que somos, mas também com o que queremos fazer com aquilo de que dispomos”.
ResponderEliminarA identidade é um conjunto, sem dúvida.
Parece-me que se confunde normalmente com o que somos ou fizémos e raramente com o "para onde queremos ir ou fazer". Isso é fundamental, para haver reunião, fazer parte do todo e sentirmos esse apelo ou gradeza.
Estimado António Luiz Pacheco, embora de boa vontade vos sois cátedro das letras, língua portuguesa ou latina, para desempenhar o funcional da gramática? Pois persiste alguma dúvida e atento por esclarecer, de minha gratidão.
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ResponderEliminarO livro " A Nova teoria do Mal " de Miguel Real é absolutamente essencial e fascinante. É um estímulo para o debate intelectual e a nível da sociedade em geral. Há muito, muito que não se fazia um livro de tamanha importância que produzisse pelo seu conteúdo tanto estímulo. Espero que este livro seja urgentemente traduzido para os restantes países da Europa. É deveras impressionante e fundamental.
A ver ou haver?
ResponderEliminar- Eu não tenho nada haver com isso.
É frequente a confusão entre a expressão “a ver” e o verbo “haver” como sucedeu na frase acima apresentada.
“A ver” é uma expressão formada pela preposição “a” e o verbo “ver”, geralmente associada ao verbo “ter”: ter a ver com.
Já o verbo haver é sinónimo de “existir”, “ter”, “acontecer”, “ter passado”, entre outros sentidos.
Assim, devemos escrever:
- Eu não tenho nada a ver com isso.
- Haver muito desemprego é algo que nos preocupa.
De Rui
EliminarA forma: "Eu não tenho nada a ver com isso.", também não é a mais correcta. A forma mais correcta seria "Eu não tenho nada que ver com isso.". Apesar de a primeira ser muito utilizada, e tida como correcta, trata-se dum galicismo retirado do francês, logo é preferível usar a segunda.
Cumprimentos
De Miles Teg
EliminarInfelizmente tem-se perdido a função do haver com o significado de propriedade, relação imediata. Ofereço assim este pequeno ensaio para análise e crítica.
Ter haver - relação (propriedade) directa e imediata.
Ter a ver - relação a se verificar, não imediata.
Exemplos:
Se Fulano percebe a diferença ele tem haver com a gramática.
Se Fulano não percebe a diferença ele tem a ver com a gramática; realmente.
Note-se que a relação directa e imediata não pode ser quebrada, assim:
"Fulano tem tudo haver com Sicrano" - é incorreto. a relação não é mais entre os sujeitos. O certo nesse caso seria de facto:
"Fulano tem tudo a ver com Sicrano" - mas ainda assim é uma incorreção contextual se tomado como relação imediata, já existente (verifiquem por si mesmos como Fulano tem um longo caminho até se identificar com Sicrano). E a forma correta é então:
"Fulano tem todo haver com Sicrano". Indicando essa relação de identidade imediata e directa, de propriedade(s) compartilhada(s). O uso do superlativo não quebra a proximidade dos sujeitos.
Perdoem possiveis eventuais diferenças na estrutura gramatical e ortografia devidas a diferenças nacionais.
He, he, he, he...Começámos com a portugalidade derivámos para a gramática num esgrimir irónico e inteligente. Já o disse por mais de uma vez: Para além da qualidade dos posts e da estrutura do blog, o nível de discussão, inteligência e humor dos comentadores é assombroso... Chapeau!
ResponderEliminarAinda não sei se vou poder ir, mas vou tentar. Nem que tenha que ir com a cria debaixo da asa. :)
ResponderEliminarGosto imenso do Miguel Real e é sempre bom ouvir gente inteligente e interessante, falar. Confesso que desconheço o outro palestrante mas, pelo que eu espreitei, pelo menos, currículo não lhe falta. Promete, sem dúvida!
Também já li o "Nova Teoria do Mal" e partilho da mesma opinião que a dos restantes Amigos: o livro é fantástico e imprescindível! Devia ser de leitura obrigatória. Podia ser que despertasse mais as consciências , que andam, um pouco, adormecidas.
Mais que de Portugal, ele fala, acima de tudo, da humanidade e, portanto, de cada um de nós. Imprescindível !