O pior não são os autores

Mario Muchnik, um editor espanhol que trabalhou em grandes casas da literatura como a Seix Barral, do grupo Planeta, deu o título O Pior não São os Autores àquilo que chamou depois, mais concretamente, a sua autobiografia editorial. Homem experiente que conheceu dezenas de escritores importantes ao longo da vida (como Cortázar, por exemplo), descreve nestas suas memórias cronológicas a relação que estabeleceu com eles, querendo, porém, com o título afirmar que foram bem mais pacíficas do que as que manteve com quem o empregava. E, contudo, a frase escolhida não deixa de implicar que os autores são proverbialmente difíceis, exigentes e chatinhos com os seus egos tantas vezes inflamados. Sei de muitas histórias de escritores assim, evidentemente, mas, talvez porque a dada altura tenha optado por publicar os mais novos, na verdade não me posso queixar. Raramente os meus autores me dão água pela barba ou se armam em génios, nunca me inundaram com pedidos estapafúrdios ou exigências tolas, não são do tipo de vir chorar no meu ombro quando têm um bloqueio ou a crítica lhes dá uma catanada, enfim, se olhar para estes últimos dez ou doze anos, tenho de considerar-me uma sortuda (mesmo que não me esqueça de um ou outro momento mais crítico, como a ocasião em que um autor me pediu por telefone que metesse uma cunha para o seu livro receber determinado prémio…). Claro que a empatia não se estabelece com todos da mesma maneira e, como em tudo na vida, há uns que nos caem logo no goto e outros de quem nunca matamos uma certa distância reverente ou cerimoniosa. Mas não é isso que nos impede de trabalhar como é preciso e, se tudo continuar a correr assim, até poderei dizer um dia que o melhor de tudo foram os autores.

Comentários

  1. Da minha experiência na Editora, partilho as seguintes palavras de Autor:
    Porque é que o meu livro não está na 1ª prateleira da Fnac? Porque é o meu livro não está disponível em todas as livrarias do país? Disseram-me que o meu livro está esgotado na livraria X, mande para lá já 100 exemplares! Um amigo disse-me que não encontrou o meu livro na bomba da gasolina entre o Canedo e Ribeira de Pena, o que se passa? As livrarias não querem o meu livro? Como se atrevem? Cambada de ímpios e ignóbeis ignorantes! Fale para a livraria X! Imponha-se com a livraria Y! Chame-lhes incompetentes, que é o que eles são!

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    1. António Luiz Pacheco17 de abril de 2012 às 04:24

      Este post , não é para comentar e sim para reflectir e aprender, pois é o testemunho de quem sabe...
      Não que eu ambicione ser e certamente jamais serei um autor, mas porque acho interessante o ser humano.
      Mas tenho de dizer que gostei de as ler, ambas e duas, e espero que hajam mais comentários editoriais.

      Saudações do campo

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  2. Eu não sou conhecido e tenho imensas exigências, todas no sentido de não me chatearem. Menos apresentações, menos eventos, menos, menos, menos! De resto, acho que não, a não ser que me pedissem uma alteração que eu considerasse que desvirtuava a obra por completo, como mudar o título (estou a brincar tia, quero lá saber do título!). Ah lembrei-me de uma que disse quando assinei o contrato com a Chiado e que vou continuar a dizer sempre: Eu tenho medo de andar de avião! (e não ando mesmo)

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    1. (já comecei a ler o teu livro, João, e estou a gostar. uma das coisas mais curiosas é escreveres com "pronúncia alentejana"... eu ao ler por vezes escuto as personagens e noto que as tuas têm sotaque. :))

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    2. Eu tento! Dar sotaque sem ficar uma palhaçada. Tenho algum sotaque, mas se ouvisses o meu pai... os meus amigos só entendem metade do que ele diz, é mesmo cerrado e cheio de palavras mastigadas! Espero que gostes do livro, eu vou começar a ler no teu no dia 24 (na maternidade). Um grande abraço!

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  3. gostei da sua autenticidade, como gosto sempre.

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  4. ...o pior não são os autores...
    Mas, quando o livro não chega.
    Ainda, estou esperando o livro que um certo escritor de terras alantejo João Courinha, ficara de enviar, mas considerando o assunto do avião... mande de navio, ora pois!

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    1. perdão a todos: alentejo*

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    2. Oh Cláudia desculpa! Como a primeira edição tinha erros e agora vai sair a segunda (corrigida por um profissional!!) e pensei que preferias uma coisa em condições. Preferes esperar ou ler o que tem erros?

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    3. António Luiz Pacheco17 de abril de 2012 às 05:34

      Perdoe-me a correcção, mas em alentejano diz-se: "Ora atão!" ou "Hómessa!".

      Ahahaha!

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    4. Haveria dizer-te, que cada qual defende da crítica como convém. Certamente espero!

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  5. Mesmo com "erros" e "sem autografos" já estou a ler o seu livro João Courinha. Estou no início, por isso não dá para ter uma opinião fundamentada, no entanto fiquei com um pouquinho de pena quando verifiquei que o narrador "fala" para o leitor. Eu pessoalmente gosto de estar a tal ponto mergulhada na história que até me esqueço de que sou leitora, entende?
    Mas evidentemente não será por isso que não descobrirei o que aconteceu àquelas personagens com ou sem sotaque.
    Isabel

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    1. Caríssima Isabel:

      Tenho boas notícias: O Mia Couto vai lançar, na próxima semana, um novo romance, intitulado "A confissão da Leoa" e.. tcham tcham , tcham , tcham !!! Segundo o JL , vai estar na Feira do Livro, dias 25 de abril às 17h!!!! E dias 1, 5, 6, 12 e 13 de maio , sempre às 17h. e dia 2 de maio às 21h. Agora diga lá quem é sua amiga... Eheheheheh .
      Claro que eu também vou lá :)

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    2. Cara Ana B.
      Como é bom começar o dia com uma mensagem destas!! Até já me pôs aqui a rir. Então o nosso Mia vem cá (é desta que perco a vergonha, não sem antes porém passar pelo cabeleireiro!!!eh!eh!eh!)!. Dia 25 e 1 de maio não estarei cá em princípio, mas hei-de ir à feira nos outros dias (ele vai estar presente nessas datas todas?!).
      Obrigada pela dica. Tenho de me render às evidências...é mesmo minha amiga
      Isabel

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    3. Não tem nada a agradecer; temos que ser umas para as outras... Eheheheheh

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    4. ana b
      Caramba, é nestas ocasiões que me falta o LIKE para clicar como no Facebook!!! Pronto, não havendo, já sabe...gostei do seu comentário.
      Isabel
      ps: só agora reparei que tal como o nosso amigo valter hugo mãe (também é nosso?) não usa maiúsculas (por acaso, penso que agora já as usa)...

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    5. Homessa!Claro que o valter hugo mãe também é nosso! :)
      Tenho uma paixão assolapada por ele, é verdade! Mas olhe que o meu nome em minúsculas é apenas coincidência. Pelo menos, no plano consciente...já que o inconsciente é difícil de perscrutar ...
      A propósito, não perca a crónica desta semana do vhm no JL : é hilariante! É sobre o salão erótico de Gondomar e está o máximo! Eu gosto imenso das crónicas dele. São sempre escritas com um humor muito ternurento e afetuoso , mas desarmante. É a primeira coisa que leio mal compro o jornal. Hoje, ainda não eram 8h., já eu estava a lê-la no carro, antes de começar a trabalhar. São deliciosas!

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  6. A propósito, tanto de uns, como em outros... deve haver comentários que: dão água pela barba?! Sei lá...

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  7. Na minha opinião, este é um dos melhores textos que aqui publicou. Adorei ler.

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