Meter o nariz onde se é chamado

Uma das desvantagens de se ser editor é já não se poder entrar numa livraria sem essa preocupação de fazer vistorias: o primeiro passo é verificar se os livros que publicámos estão lá e, no caso de estarem (o que não é garantido), se a sua exposição é a mais conveniente (numa prateleira é muito pior do que num montinho sobre a mesa; e o melhor de tudo é estar em lugar de destaque, na montra ou num expositor em escadinha, que é onde costumam ficar as novidades). Só depois podemos, como se costuma dizer, partir para outra. É também por isso que é tão bom ir à feira do livro, na qual cada editor tem os seus pavilhões próprios. Aí, podemos andar à vontade a folhear e a cheirar livros, sem sentirmos que estamos a trabalhar. Além disso, os preços são mais acessíveis e existe algum fundo de catálogo exposto – o que nas livrarias começa a ser raro – e frequentemente em saldo. A Feira do Livro de Lisboa abre já amanhã e, apesar de ter de lá passar os fins-de-semana em sessões de autógrafos com os autores – noblesse oblige –, sobra sempre um tempinho para meter o nariz onde se é chamado. A feira fica aberta até dia 13 de Maio.

Comentários

  1. eu sei o que é isso...

    espero encontrar lá meia-dúzia de livros que foram "raptados" das livrarias...

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  2. "Os preços são mais acessíveis e existe algum fundo de catálogo exposto – o que nas livrarias começa a ser raro – e frequentemente em saldo".
    O que eu acho, Maria do Rosário e, à partida, ressalvando que não há regra sem excepção, é que os próprios editores deveriam, de vez em quando, dar a volta ao País em livrarias. Pegar no vendedor (ou comercial, como se diz agora), que é quem conhece os clientes, e ver o que se passa nos locais - fora dos hipers, correios, grandes superfícies - onde se vendem livros. As Editoras têm culpas no cartório se os livros não aparecem. Preferem ter o armazém cheio a colocá-los em consignação; preferem encher as grandes superfícies a distribuir os livros por todo o território, ou seja, preferem receber qas devoluções apenas de meia dúzia de clientes do que do País todo - há livros que chegam à província paenas em 2ª edição ou mais; preferem fazer lançamentos em Cortes espanhóis e outros grandes espaços do que incentivar a leitura onde ela é mais fraca mesmo que seja grande a vontade e o esforço dos mais isolados e longínquos. Cada vez mais as editoras dificultam a ida de escritores a locais fora dos grandes centros; Ficam ofendidas se o livreiro convida directamente o Autor! Os preços na Feira do Livro serão mais baixos do que no supermercado? E porque conseguem ser mais baixos num e noutro local e não o são em Sines ou Vila Nova de Foz Côa? Será que os provincianos ganham ou querem "ganhá-lo todo"? Isso é o que leva o cliente desprevenido a pensar logo à primeira!
    A Feira não deveria ser local de encontro de fundo de catálogo em vez de "algum" fundo? Grande parte das novidades que vão ser lançadas na Feira ó chegarão à província daqui a semanas, garanto pela experiência. Isso faz parte, não quero acreditar que dum plano, mas da prática de Editoras e Distribuidoras que tendem a sufocar cada vez mais os pequenos espaços, até à sua aniquilação total. Ficarão a sobrar as "coisas" imediatamente rentáveis EM DINHEIRO. A Cultura que se dane. Já que o livro vai acabar (?) vamos sacar o máximo possível em menos tempo. Depois queixem-se como as editoras discográficas!
    Poderia, mais a frio, encher este espaço com os 1520 caracteres que faltam. Só que, aqui de longe, quando chega a época da Feira do Livro fico com calores que me entopem o discernimento para calmamente falar daquilo que nos preocupa e vamos falando uns com os outros, sem ter voz, que esta fica rouca com os baldes de água fria com que apanhamos na cabeça de cada vez que a queremos levantar.
    Não recebo por mesas, por montras, por espaços. Dou visibilidade aos livros de que gosto, novos ou mais antigos. A minha livraria (e, acredito, a de muitos outros colegas) é montra gratuita de Autores e Editoras. Merecemos um pouco mais de consideração.

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    1. Como sempre, caro Joaquim, abordaste a hipotenusa de uma questão com ângulos que dificilmente são apreendidos da mesma forma por todos os espectadores :) e fizeste-o com o teu à-vontade que tanto aprecio!

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  3. António Luiz Pacheco23 de abril de 2012 às 05:20

    Interessante comentário do nosso Extraordinário Companheiro-Livreiro.

    Com eu sempre digo... sempre vou aprendendo com estes posts.

    Saudações do campo.

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  4. ...já não se poder entrar numa livraria sem essa preocupação de fazer vistorias...

    A que aplicam-se de vistoria: "pretensão" ou "atribuição" do editor?!

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  5. É falso que a única vantagem que a feira do livro tinha - o disponibilizar os fundos de catálogo - seja ainda uma realidade. Praticamente nenhuma editora leva para a feira os fundos de catálogo, mas sim, cada vez mais, as edições recentes que não sairam bem.

    Quanto a descontos, as editoras deviam ter vergonha do que fazem na feira do livro de lisboa. Enquanto as livrarias investem todo o ano em vender os livros dos editores com margens baixas (30% de desconto é a normal), eis que de repente os editores descobrem que podem vender com 40% ou mais directamente ao público, negando os mesmos descontos aos editores. Uma forma de tratar os seus principais clientes vergonhosa.

    Finalmente, na minha livraria especializada nunca entrou um único livro da Leya ou distribuido pela Bertrand, pelo simples facto que estas duas empresas se recusaram, durante dois anos, a simplesmente abrir-me conta de cliente livreiro. Porque o que interessa é assegurar o fornecimento das suas próprias lojas, negando o acesso dos outros, numa prática que viola a livre concorrência e contrária ao acesso democrático ao livro. Mas quanto isso, nem piu da sua parte.

    Você acha, pelo parece, que está isto tudo muito bem. Claro que as livrarias são os maus da fita e a feira do livro o máximo.

    Nada poderia estar mais longe da verdade.

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    1. Não posso «piar», como diz, sobre situações que desconheço. E, como editora, não tenho nenhuma informação sobre as decisões de fornecimento ou preço na Feira do Livro ou fora dela. Lamento a sua situação, evidentemente.

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    2. Tem toda a razão em acusar o uso do termo 'piar'. Não é agradável ouvi-lo. Sei que fui desagradável ao usá-lo. Mas justo.

      O seu apoio à Feira do Livro foi automático, e não teve pejo em acusar as livrarias de não fazerem um bom serviço (já não se vêem os fundos de catálogo, dizia) para apoiar a feira do livro, não querendo saber das razões.

      Se de facto é apenas uma editora, talvez não se devesse meter nestas lutas inglórias que nós livreiros perdemos sistematicamente. Nem de um lado nem de outro.

      A Feira do Livro de Lisboa é a maior aberração comercial do mundo livreiro que existe. Apoiá-la é apoiar abertamente o declínio e extinção das livrarias. Pergunte a qualquer livreiro, se quiser de facto saber.

      Mas engraçado como na máquina do mundo editorial as pessoas são sempre só editores ou autores, inocentes e espectadores, deve-se assumir, como se não tivessem escolhas ou poder para fazer a diferença.

      Cumprimentos,

      Pedro Lérias

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    3. Caro Pedro Lérias, já aqui tenho escrito sobre a falta de fundos nas livrarias atribuindo a responsabilidade aos editores, que publicam demais, não permitindo que se crie espaço para tudo. Não enfie por favor o barrete quando ele não é para a sua cabeça. E chamar aberração à feira do livro parece-me também um grande exagero da sua parte, mesmo com todos os defeitos que lhe aponta.

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    4. A feira do livro tem cervejas de litro e bifanas óptimas, a única aberração são os preços, é de um individuo perder o piu. Nailed it!

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    5. E farturas deliciosas! Ehehehehe

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  6. Mais um pequeno rombo na carteira, mas daqueles que sabe muito bem, em que acho que ganhei em vez de ter gastado.

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  7. Sempre me fez confusão por que é que a feira do livro é no Parque. Lembro-me de um ano (não sei qual) que por razões de força maior, se realizou na baixa (Rua Augusta?). E foi delicioso.
    O parque, a subir e a descer! Sinceramente nunca entendi qual a razão do local.

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    1. é isso e recuarem no calendário. Feira do Livro com o céu encoberto e a ameaçar chuva? Eu gosto de passear e procurar livros é com o solzinho como companheiro, e esticar-me na relva e não na lama a saborear o ocasional geladito... aliás, nem se percebe como retiraram à feira aquele dia espectacular que é o Dia Mundial da Criançada com os putos todos a descobrir o livro em ambiente de festa!

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    2. e eu acho o lugar óptimo.

      não fosse a vida um "sobe e desce"; Mário.

      em relação à data, sim, também não percebo porque aparece cada vez mais cedo.

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  8. Percebo as queixas dos livreiros mas, confesso, gosto imenso da Feira do Livro. E acho o local excelente. Sem chuva, claro! Por isso acho muito estranho que a tenham antecipado para um mês tradicionalmente, chuvoso ( em abril , águas mil...). De resto, adoro passear por lá e encontrar livros antigos (?) que já não se encontram nas livrarias. Ah, e espreitar os nossos autores preferidos, claro! Para mim a Feira é uma festa ( eh pá, onde será que eu já ouvi isto? eheheheh ).

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    1. Se as editoras anteciparam a feira quase um mês, deve ser mau prenúncio... certamente o negócio no último trimestre não foi bom e querem ver se ainda se salva qualquer coisinha... isto sou eu, que não percebo nada do assunto, a deitar a adivinhar.

      PLFF

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