Intrinsecamente alentejano

Há sempre um  monte de livros sobre a minha mesa para eu ler – e há outro monte virtual no meu computador. Há dezenas de pessoas que me escrevem pedindo que leia os seus livros ou que conseguem encontrar-me aqui e ali e me prendem uns minutinhos para me entregar em mão um romance que escreveram e querem publicar. É, por isso, de algum modo, excepcional eu publicar um livro de um autor que queria apenas fotocopiar uns quantos exemplares do seu texto para oferecer a amigos e família e pediu a um cunhado com talento que lhe fizesse apenas uma capa para tudo ficar mais bonitinho. A verdade é que eu vi essa capa por acaso, e li o título, e devo ter perguntado o que era aquilo e, já não sei bem como, dei por mim a ler o texto e a querer publicá-lo. Pois bem: O Intrínseco de Manolo é uma delícia alentejana, um romance sobre um homem intrinsecamente bom, vítima de uma calúnia que envolve o comportamento da mulher, que se põe todas as sextas a caminho da aldeia vizinha, por acaso espanhola. Mas quem se refugia no falatório há-de pagá-las – e bem, porque os bons homens preferem vingar-se com luva branca. Ternurento, cómico e ocasionalmente escatológico (preparem-se para a Idalina que – perdoem – é literalmente capaz de cozinhar um peido), esta é uma  estreia vigorosa que nos enche de boa-disposição e nos ensina o poder que a excepção pode ter sobre a regra.


 


Comentários

  1. Mas a Teorema não era para os Primo Levi desta vida? Ou fui eu que percebi mal?

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  2. É que por esta pequeníssima nota de leitura é intrinsecamente alentejano a bondade deste homem, seja ele quem seja, é ALENTEJANO. E já fiquei à coca para o ler.

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  3. Vou espreitá-lo! O enredo promete:)

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  4. António Luiz Pacheco30 de abril de 2012 às 09:31

    Ele há coisas que me dão pena... uma delas é a ignorância generalizada sobre a vida na província e o desconhecimento dessa sub-cultura . Coisas a que muito poucos têm acesso e até imaginam.
    O Alentejo em particular, talvez porque seja o de mais difícil acesso, pelas características desta gente, fechada e calada para com estranhos.
    Tenho costela alentejana de minha avó materna, estudei 5 anos em Évora e muitos dos meus amigos são do Alentejo. Frequento muito o Alentejo, e falo de Amareleja, Stº Aleixo, Safara, Ficalho, Moura, Barrancos, desde muito novo e antes do Cavaco se referir a ele... o pretexto é a caça, os toiros, são as patuscadas, o vinho novo, as matancinhas , as festas... e por isso sei da cultura que existe, do humor certeiro e da sua capacidade de observação e de recriar ou contar situações e casos, através das nossas tertúlias noite fora, ao lume, numa adega ou cozinha, ou num pátio, conforme...
    Parece que ali, a tradição se cumpre mais pela oralidade que pela escrita, e é pena, pois as histórias que se contam ou sobre que se discute, dariam excelentes temas para romances ou dissertações. Tirando o meu amigo Norberto Franco e o Luis Santa-Maria , não se tem escrito quase nada, e caramba, só a memória e a poesia popular do dr . Alberto bem que merecia ficar gravada...

    Saudações campesinas!

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  5. Caríssima ana b.
    A nossa anfitriã não se importará, espero, se mandar daqui uma mensagem para si. Agora quem tem boas notícias sou eu! A não perder o JL de 2 de Maio!!! Estamos com muita sorte, digo-lhe eu! Está a ver como eu também sou sua amiguinha?!!!

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    Respostas
    1. E, já agora, o Câmara Clara do próximo domingo. A sério! Eheheheh ...

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    2. Ana b
      Meu Deus, mas que fartura!! A propósito já li a entrevista no expresso: que tranquilidade e simplicidade e aquela última frase dele é bonita.
      Tenho a certeza de que estas dicas devem também ser do agrado de Aseverino!!
      Isabel

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  6. Que posso dizer ? Que compreendi finalmente porque é que os autores nunca esquecem de agradecer a quem os edita? A uma história para amigos, o Rui Garrido, inigualável cunhado, transportou para o momento mágico em que a Rosário lhe pôs a vista. Depois ... bem depois foi o tal de destino a aguçar-lhe o apetite, o Manolo a cativá-la ao ponto de a seduzir a ensinar-me os mistérios e a magia de um livro escrito por nós.
    Obrigado Rosário ! Muito mesmo. Bem sentido, como já percebeu!

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  7. Este é um livro que vai para a minha mesa de cabeceira, à espera da sua vez para ser lido. Estou curiosa.
    Isabel

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  8. Está bem, interessa-me, mas alentejano, alentejano, não há como a obra do homem de Santiago: Manuel da Fonseca - veremos, é sempre salutar mais e melhores ou apenas bons. Oliveira Martins (A Terra e o Homem) afirmava que regiões mesmo singulares eram Trás-os-Montes e Alentejo, não estou de acordo, porém considero louvável as tentativas de exercitar o estilo de literatura regional, pois, será essencial para entender o todo Nacional e não só...

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  9. Cláudia S. Tomazi2 de maio de 2012 às 03:47

    Boa, Urgais.

    ... o todo Nacional e não só.

    Intrínseco.

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  10. Obrigado Rosário pela dica. Adorei o livro!

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