Intrinsecamente alentejano
Há sempre um monte de livros sobre a minha mesa para eu ler – e há outro monte virtual no meu computador. Há dezenas de pessoas que me escrevem pedindo que leia os seus livros ou que conseguem encontrar-me aqui e ali e me prendem uns minutinhos para me entregar em mão um romance que escreveram e querem publicar. É, por isso, de algum modo, excepcional eu publicar um livro de um autor que queria apenas fotocopiar uns quantos exemplares do seu texto para oferecer a amigos e família e pediu a um cunhado com talento que lhe fizesse apenas uma capa para tudo ficar mais bonitinho. A verdade é que eu vi essa capa por acaso, e li o título, e devo ter perguntado o que era aquilo e, já não sei bem como, dei por mim a ler o texto e a querer publicá-lo. Pois bem: O Intrínseco de Manolo é uma delícia alentejana, um romance sobre um homem intrinsecamente bom, vítima de uma calúnia que envolve o comportamento da mulher, que se põe todas as sextas a caminho da aldeia vizinha, por acaso espanhola. Mas quem se refugia no falatório há-de pagá-las – e bem, porque os bons homens preferem vingar-se com luva branca. Ternurento, cómico e ocasionalmente escatológico (preparem-se para a Idalina que – perdoem – é literalmente capaz de cozinhar um peido), esta é uma estreia vigorosa que nos enche de boa-disposição e nos ensina o poder que a excepção pode ter sobre a regra.
Mas a Teorema não era para os Primo Levi desta vida? Ou fui eu que percebi mal?
ResponderEliminarexcelente nota de leitura.
ResponderEliminarÉ que por esta pequeníssima nota de leitura é intrinsecamente alentejano a bondade deste homem, seja ele quem seja, é ALENTEJANO. E já fiquei à coca para o ler.
ResponderEliminarVou espreitá-lo! O enredo promete:)
ResponderEliminarEle há coisas que me dão pena... uma delas é a ignorância generalizada sobre a vida na província e o desconhecimento dessa sub-cultura . Coisas a que muito poucos têm acesso e até imaginam.
ResponderEliminarO Alentejo em particular, talvez porque seja o de mais difícil acesso, pelas características desta gente, fechada e calada para com estranhos.
Tenho costela alentejana de minha avó materna, estudei 5 anos em Évora e muitos dos meus amigos são do Alentejo. Frequento muito o Alentejo, e falo de Amareleja, Stº Aleixo, Safara, Ficalho, Moura, Barrancos, desde muito novo e antes do Cavaco se referir a ele... o pretexto é a caça, os toiros, são as patuscadas, o vinho novo, as matancinhas , as festas... e por isso sei da cultura que existe, do humor certeiro e da sua capacidade de observação e de recriar ou contar situações e casos, através das nossas tertúlias noite fora, ao lume, numa adega ou cozinha, ou num pátio, conforme...
Parece que ali, a tradição se cumpre mais pela oralidade que pela escrita, e é pena, pois as histórias que se contam ou sobre que se discute, dariam excelentes temas para romances ou dissertações. Tirando o meu amigo Norberto Franco e o Luis Santa-Maria , não se tem escrito quase nada, e caramba, só a memória e a poesia popular do dr . Alberto bem que merecia ficar gravada...
Saudações campesinas!
Caríssima ana b.
ResponderEliminarA nossa anfitriã não se importará, espero, se mandar daqui uma mensagem para si. Agora quem tem boas notícias sou eu! A não perder o JL de 2 de Maio!!! Estamos com muita sorte, digo-lhe eu! Está a ver como eu também sou sua amiguinha?!!!
E, já agora, o Câmara Clara do próximo domingo. A sério! Eheheheh ...
EliminarAna b
EliminarMeu Deus, mas que fartura!! A propósito já li a entrevista no expresso: que tranquilidade e simplicidade e aquela última frase dele é bonita.
Tenho a certeza de que estas dicas devem também ser do agrado de Aseverino!!
Isabel
Que posso dizer ? Que compreendi finalmente porque é que os autores nunca esquecem de agradecer a quem os edita? A uma história para amigos, o Rui Garrido, inigualável cunhado, transportou para o momento mágico em que a Rosário lhe pôs a vista. Depois ... bem depois foi o tal de destino a aguçar-lhe o apetite, o Manolo a cativá-la ao ponto de a seduzir a ensinar-me os mistérios e a magia de um livro escrito por nós.
ResponderEliminarObrigado Rosário ! Muito mesmo. Bem sentido, como já percebeu!
Este é um livro que vai para a minha mesa de cabeceira, à espera da sua vez para ser lido. Estou curiosa.
ResponderEliminarIsabel
Está bem, interessa-me, mas alentejano, alentejano, não há como a obra do homem de Santiago: Manuel da Fonseca - veremos, é sempre salutar mais e melhores ou apenas bons. Oliveira Martins (A Terra e o Homem) afirmava que regiões mesmo singulares eram Trás-os-Montes e Alentejo, não estou de acordo, porém considero louvável as tentativas de exercitar o estilo de literatura regional, pois, será essencial para entender o todo Nacional e não só...
ResponderEliminarBoa, Urgais.
ResponderEliminar... o todo Nacional e não só.
Intrínseco.
Obrigado Rosário pela dica. Adorei o livro!
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