Boutique
Quase todos os grandes grupos editoriais em todo o mundo acabam por adquirir ou criar de raiz uma editora de prestígio a que alguns entendidos já chamaram editoras-boutiques. A Porto Editora comprou recentemente a Assírio e Alvim, e a Random House, nos Estados Unidos, tem uma pequena chancela literária chamada Nan Talese. Na LeYa, sempre existiu a Teorema, que tinha essa patine de editora de vanguarda dada por quem a fundou e sobretudo quem a geriu por mais de vinte e cinco anos. Mas, depois da saída de Carlos da Veiga Ferreira e, a seguir, de José Oliveira, não sabíamos bem o que iria acontecer à boutique. Foi, porém, decidido reunir esforços e fazer uma espécie de regresso às origens. Assim, manter-se-ão autores clássicos-modernos como Nabokov ou Primo Levi e autores de ruptura como Bret Easton Ellis e Jay McInerney, mas juntar-se-lhes-ão os novos portugueses e os novos estrangeiros literários, que alimentarão um catálogo que promete ser de qualidade. Os primeiros títulos a publicar, no final deste mês, serão O Intrínseco de Manolo, de João Rebocho Pais, e Longe da Terra, de Rebecca Makkay. Para o mês que vem há mais – devagarinho, claro, que a marca pede ponderação e cautela.
pois, servem.se das ditas "boutiques", para tapar o "lixo" que enviam diariamente para as livrarias ...
ResponderEliminarVou aproveitar a pouca comentabilidade do post para perguntar: pessoal! Em que dia, a que horas e onde, nos encontramos na feira do livro?
ResponderEliminarHá tímidos por aqui...a começar por mim. Mas gostaria de vos ver ao longe e tentar reconhecer-vos um a um...
EliminarPor via da minha actividade profissional (ando sempre de terra em terra) não poderei, por isso mesmo, antecipadamente combinar uma data, pois não sei o meu calendário para o mês de Maio, mas logo que haja datas combinadas só não estarei lá se me for impossível.
EliminarUm abraço
"um catálogo que promete ser de qualidade" - só isso? Segundo João Amaral, director-coordenador de edições gerais da Leya, a Teorema publicará aqueles autores que “vão marcar a história da literatura do século XXI”!
ResponderEliminarBem, eu, atendendo ao facto de o século ainda ir no início, ponho a hipótese de que os autores que marcarão a história da literatura nesse período ainda nem tenham nascido...
É uma estratégia empresarial que vem nos livros: adquirir uma marca de referência e usá-la como âncora para sustentar o crescimento de uma outra.
ResponderEliminarResulta? Nem sempre... porque muitas vezes o "estratega" só conta com a sua esperteza e esquece-se de contar com a esperteza alheia...
Quem seja consumidor de uma dada marca ou produto, é-o por sentimentos de fidelidade - que estão estudados e tipificados. Reage por isso muito mal à sua aquisição por uma outra marca, que toma como um acto hostil. Há uma sensação de derrota, de perda. Vai ficar muito vigilante e com uma susceptibilidade exacerbada, por isso à mínima alteração ou qualquer subtil sensação de desilusão, ele que já se sente traído, vai mudar imediatamente e abandonar aquela marca.
É tão fácil isto acontecer que assusta qualquer gestor consciente, e quase sempre é desprezado pelos jovens e dinâmicos gestores de categoria e de produto que normalmente têm dificuldade em entender este relacionamento que julgam se ultrapassa com uma boa campanha de suporte publicitário e acções de promoção agressivas.
Acreditem em mim, que disto eu sei... e não só dos livros!
Saudações do campo verde e de um dia de Sol!
As editoras grande superfície reservam um cantinho gourmet para o cliente mais entendido, ou simplesmente endinheirado. É a atividade comercial em todo o seu esplendor, e não vejo como poderão os livros escapar a essa lógica.
ResponderEliminarPoderá parecer desajustado mas permitam-me só esta reflexão : infelizmente os homens estão a deixar-se “cilindrar” pelas "máquinas" e o que parecia ser motivo de avanço é um perigosíssimo retrocesso para a sobrevivência da civilização humana! Os homens já não mandam em nada, são as máquinas, são os consórcios, são os grupos, tudo homens sem rosto!
ResponderEliminarPara qualquer editora seu rítmo de mercado é: gestão de qualidade e criatividade. Perseverar na atual, requer chover no molhado, por diversidade!
ResponderEliminarMas ó Cláudia a criatividade está nos homens e os homens já não mandam em nada...portanto a criatividade será aquela que os grupos, os consórcios, as máquinas quiserem!
EliminarA criatividade está nos homens, basta lembrar que são apenas, homens.
EliminarCalma, não se assustem, nem temam as máquinas que como nas armas, são de temer sim, os homens e o uso que lhes dão!
ResponderEliminarO moderno modelo de sociedade mms ) que tantos procuram com afã e de que fazem questão de dizer que fazem parte é isso mesmo!
O mms desenhado pelos modernos e evoluídos não é mais do que ter de um lado uma pequena elite, escolhida e educada para o ser, que vive numa realidade aparte com todas as benesses e tudo podem ou alcançam, são os que idealizam e gerem. Foram o primeiro passo… por eles e para eles se desmantelaram as bases em que assentava a sociedade, a pretexto do liberalismo, da modernidade e da evolução.
Do outro lado, está a maioria da população, identificada num cartão com todos os seus dados e assim controlada e localizada. Concentrada em grandes pólos urbanos, por razões óbvias de racionalização de meios, de escalas e de vigilância, produzem sob a orientação da elite e para ela, a troco da segurança e do apoio social. São compensados com visitas a megacentros e superfícies comerciais, a espectáculos desportivos ou culturais de massas, tudo dentro dos princípios da alienação e da aniquilação do individualismo.
Foi este o caminho que a humanidade tomou e encetou há muitos milhares de anos… é a história, e creio que mais umas duas gerações e estará alcançado.
Uma sugestão de leitura a propósito do tema:
Eliminar"GLOBÁLIA" - Jean-Christophe Rufin (Ed. ASA)
Curiosamente, ou talvez não, comprado no dia 26/08/2006, dia em que fui participar numa manifestação feita no mar, contra a apropriação feita pelo ICN daquilo que é de todos: A Arrábida
Caros Pacheco e Severino
EliminarA propósito do sentido geral das vossas intervenções, ocorreu-me recomendar-vos (e aos restantes extraordinários amigos) a entrevista que Serge Latouche deu ao Jornal Público / Economia de 19 Março 2012.
Se não leram, hão-de gostar de reflectir sobre o assunto.
O link é este:
Ó caramba! Isto saiu-me mal.
EliminarMas, mesmo sem o link para o Público de 19 Março, podem chegar lá pela data.
O resto, com um pequeno esforço conseguem decifrar, não?
Cump.
J. Jordão
Já li...
EliminarInteressante, e assim parece que nem sou o único e sinto-me acompanhado ou menos... estúpido.
Era conversa para uma tarde inteira!!!!
Um abraço
Meu caro, trata-se da necessidade de mudar os paradigmas da nossa actual civilização.
EliminarIsto é "conversa" para uma vida inteira!
Retribuo o abraço.
J. Jordão
Sempre que leio coisas sobre compra e venda de livros, fico com a sensação de que se está numa dimensão alheia ao que realmente é um livro e para que serve. Será o negócio dos livros assim tão facilmente comparável com outros negócios?
ResponderEliminarMinha Cara e Extraordinária Amiga:
EliminarNo Mundo actual, economicista, moderno, atrevo-me a pensar que sim, os livros são um mero artigo, produto de uma indústria!
Se isso a consola, para mim não são!
Mas, lembre-se que para os termos, precisamos dessa indústria. Aí reside o busílis...
Continuo a pensar que, quando se trata uma coisa como sendo o que não é, mais cedo ou mais tarde, dá mau resultado, gera demasiados equívocos.
EliminarÉ que a questão não é o livro, para mim ou para si, ser ou deixar de ser isto ou aquilo. A questão é que o consumo do livro, chamemos-lhe assim, ou seja, a leitura, não é mesmo uma coisa meramente instrumental.
A leitura não é instrumental... creio que acaba por ser (aliás como tudo).
EliminarRepare:
A Inquisição e os regimes totalitários (tanto à esquerda como à direita) censuravam os livros e até proibiram bastantes.
A leitura é um veículo de idéias , logo pelos livros se instrumentalizam pessoas, e os próprios livros serão instrumentalizados nesse sentido.
Certas leituras são moda... sejam os autores ou os temas, os assuntos.
Agora tudo depende de facto de como se quer ver o livro, para mim e para si o livro é aquilo que bem sabemos... para algum escritor de profissão ou editor, livreiro, comercial, pode ser uma outra coisa, um artigo ou produto.
E a partir do momento em que o livro gera valor e é transaccionável... corre sempre esse risco!
É inevitável... pois se até as perdizes!
A questão não é a transacção, mas os termos em que é pensada.
EliminarGosto da comparação com a perdiz, porque evidencia uma relação de gosto e não de serventia.
Compreendo onde quer chegar... mas penso também que a forma de pensar a transacção, até nos livros está... corrompida ou mesmo, porque não, prostituída. Parece que há um movimento nesse sentido. Conseguiremos sustê-lo?
EliminarOu seremos nós que estamos obsoletos?
Eu por mim tenciono viver no campo até ao fim, continuar a perseguir perdizes e a assistir às corridas de toiros... como a ouvir jazz e fado, apreciar Roque Gameiro, Malhoa e Silva Porto, a beber vinho, e claro a ler o mais que possa!
Um dia, quando a ordem nova imperar, serei levado ao Campo Pequeno e abatido?
Julgo que não viverei para morrer nesse dia...
Uma boa noite para si!
Boa noite! (no dia seguinte)
ResponderEliminarEstimada Rosário,
ResponderEliminarComo sabe, costumo ver o seu blog, sempre com prazer e muitas vezes com proveito.
Assim, li o seu post Boutique, de 16 de Abril, que achei muito interessante, mas me suscitou alguns esclarecimentos dirigidos aos seus leitores, muitos, que não são do meio. Assim:
– Fui co-proprietário da Editorial Teorema desde 1985 e, a partir de 1989, maioritário e seu único editor. Em Setembro de 2007, vendemos a editora ao fundo Explorer Investments que, por sua vez, a vendeu ao Grupo Leya, em 2008.
Mantive-me como editor e administrador da Teorema, até 2 de Dezembro de 2010, data em que decidi sair do Grupo e, consequentemente, da Teorema, por razões que a Rosário e muitos outros conhecem. Ao longo desses anos, construí um catálogo com mais de 700 títulos, cuja qualidade é geralmente reconhecida
Tanto quanto sei, José Oliveira, até essa data editor de livros para crianças da Editorial Caminho, assumiu então as funções de editor da Teorema, nas quais se manteve apenas até ao fim de 2011, quando, ao que julgo e por razões que desconheço, terá sido afastado do Grupo.
Do que fica dito atrás se conclui que, na Leya, não existiu sempre a Teorema. Com efeito a LeYa só adquiriu a Teorema, mais ou menos 2 anos depois da constituição do grupo.
Não posso acabar, sem lhe dizer que fiquei muito contente por a saber ligada a esta nova fase da Teorema, pois, como sabe, a Rosário era a pessoa que eu gostaria de ver como editora da casa que construí ao longo de tantos anos de trabalho.
Um abraço amigo
Carlos da Veiga Ferreira
editor