Ser escritor

Quem esteve nas Correntes d’Escritas no dia da abertura – eu, infelizmente, só pude ir na sexta de manhã, perdendo toda a programação de quinta-feira – diz que a intervenção inaugural de D. Manuel Clemente foi notável; e que a ela se seguiu a sessão de homenagem ao escritor brasileiro galardoado com o Prémio Camões, Rubem Fonseca, que pelos vistos não lhe ficou atrás. Este último, que, como já aqui referi, não vai já a lado nenhum e não dá entrevistas (mas as Correntes, enfim, são uma excepção compreensível), é uma pessoa deliciosa ao lado de quem tive a sorte de almoçar num dos dias do encontro e que me disse para eu tomar conta do Manel, porque ele estava sempre a fumar. No dia da homenagem, segundo me contaram, subiu ao palco e fez sucesso com os cinco requisitos que, segundo ele, um verdadeiro escritor tem de ter. Para quem lá não estava, reproduzo aqui: 1) Ser louco; 2) Ser letrado (mas não demasiado); 3) Estar motivado; 4) Ser imaginativo; 5) Ser paciente. Acredito que, sem isto, não haja, de facto, escritor, mas chegará?

Comentários

  1. O que falta é a diferença que caracteriza cada pessoa e faz dela única, a singularidade pessoal.

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  2. Creio que não há receita para se ser isto ou aquilo, assim ou assado. Tal como em culinária. O que faz um bom prato não é a receita mas sim a mão do cozinheiro que a prepara. Tenho todos os ingredientes indicados por Rubem Fonseca e em questão de escritas mal consigo ser brilhante num mero comentário neste ou em qualquer outro blogue. Então a resposta é não, não chega. O Sr. Rubem Fonseca deu a receita errada e escondeu trunfos na manga. A dona Onda está certíssima, no meu modesto entender ...

    Broa

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  3. Claro que não! Como alguém da assistência disse (com graça e muita verdade...) , falta-lhe um editor. Eheheheh... De preferência muito bom:)

    Acrescentaria eu: e um bom revisor:) Ouviu Amigo Courinha? Já vou a mais de metade do seu livro e acho, sinceramente, que tem todas as qualidades mencionadas pelo Rubem Fonseca. A meu ver, carece apenas de um bom editor e de um revisor.:) Estou errada? Ollhe que estou a gostar muito do seu livro. É muito agradável de ler e prende o leitor ao enredo. A sério. Além de que, ou muito me engano, ou vislumbro por ali, uns laivos de autobiografia. Romanceada, claro. Mas fico com a ideia que há ali muita coisa sua. Disfarçada, é certo. Mas muito sua. Mas falta-lhe ali um bom editor! E isso nota-se. E partilho da opinião dada, há dias, pelo nosso Amigo Antonio Luis Pacheco: tem talento e um sentido de humor fino e elaborado que, se convenientemente trabalhados, poderiam fazer de si, uma espécie de Tom Sharpe português. Claro que esta é apenas a opinião de uma leiga. Que fique bem claro. Mas é a opinião do destinatário último dos livros: o leitor. Acho, por isso, que não é de menosprezar:) Obrigada pelo sua gentil oferta. Estou a gostar muito de o ler. Vou aproveitar o dia de folga para o acabar.

    Voltando ao Rubem Fonseca, adorei ouvir a intervenção dele. Foi fantástica! Fiquei completamente rendida ao homem. Eu, e toda a gente que o ouviu, presumo!
    Não privei com ele, até porque sei o quanto ele é reservado e preza o seu espaço. Nunca tomaria a liberdade de o abordar. Mas jamais esquecerei o momento, durante o pequeno almoço no hotel, em que estava, de pé, a servir-me, e dou de caras com ele, a fazer o mesmo, e que, com um sorriso lindo me deseja "Bom dia" naquele sotaque açucarado do Brasil. Fiquei derretida. OK! Pronto! Foi só um bom dia. Eu sei. Mas fiquei derretida na mesma!:) Eheheheheh...

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    1. Fico muito contente que esteja a gostar! Isso do revisor era tão bom... esse nem foi revisto por ninguém... Outra aspecto que estou a ver que me falha é o ponto 5, a paciência, não existe um pingo disso em mim...

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    2. Também eu sinto o mesmo em relação ao livro do Courinha , que vou lendo em exclusivo, o que é raro em mim. Já ultrapassei as aventuras do Sargento Zezinho e a estranha corte do Duque de Clichy e vou prosseguindo expectante , mas, volta e meia, tropeço num qualquer erro de edição / revisão que aborrece. Espero sinceramente ter ali uma peça de coleção , e que o livro possa um dia ser reeditado longe do Chiado.

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    3. E 2) Ser letrado (mas não demasiado): pensei sinceramente nisso - mas não necessariamente com as mesmas palavras - quando pôs uma referência ao Marquês de Carabás na boca do pai de Bruno Pires, apresentado como um ogre inculto. Se calhar, a revisão não se deveria preocupar apenas com o português, com a pontuação, etc.

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    4. As mães dos ogres incultos continuam a saber a história do gato da botas :)

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    5. Então eu não disse que lhe faltava um editor? Nada sei de edição mas presumo que um editor atento teria feito esse reparo. Mas isso a nossa Anfitriã saberá esclarecer, seguramente:)

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    6. Saint-Beuve, um famoso crítico francês do século XIX, advogava que toda a obra literária é um reflexo da biografia do autor. Sinceramente, fico solenemente irritado sempre que vejo o Saint-Beuve ressuscitado. Há dias, uma colega, a quem confiei a leitura de um dos meus originais, afirmou que o meu "eu" estava ali espelhado. Grande disparate! Terrível tentação a do leitor em confundir entidades diferentes: autor e narrador; em ver realidades biográficas onde existe ficção. Admito que, por vezes, estas fronteiras se rompam; mas incomoda-me esta mania por parte do leitor.
      Aqui fica um bom tema para um novo post.

      Outra coisa: espero que o João Courinha não seja louco ao ponto de querer ser o Tom Sharpe português. Seja igual a si próprio: o João Courinha único, inconfundível e, se possível, universal.

      TUDO PELA LITERATURA, NADA CONTRA A LITERATURA

      Barrius

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    7. Caro Barrius:

      Irritei-o assim tanto? Curioso... Devia investigar porquê. Pelos vistos ao visado não lhe fez moça. Aliás, a única pessoa, a meu ver, que poderá ajuizar da pertinência do meu comentário.
      De contrário, encaro-o apenas como uma terrível tentação de um escritor em se demarcar, a todo o custo, daquilo que escreve. Mesmo quando não é a sua escrita que está em causa. Só assim entendo tanto empenho em refutar uma ideia que nem sabe qual é. Pois se nem eu disse em que baseei a minha observação... É que visto assim, parece um preconceito tão válido como aquele de que me acusa.:) Absolutamente sem nenhum fundamento: apenas porque sim.

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    8. Quem é que é esse Tom Sharpe?

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    9. Talvez tenha falhado o meu propósito, mas tentei fazer o Sr. Pina recorrer à memória em busca de alguém que ele considerava "fino" e só lhe sair um personagem ficcional.

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    10. Deixe de ser preguiçoso e busque:)

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    11. Deixe de ser preguiçoso e busque:)
      ´
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Tom_Sharpe

      que eu tenho que ir acabar o seu livro.:)
      Acho que partilha com ele um humor fino e corrosivo. E tem um qualidade, a meu ver, fundamental num humorista: poder de encaixe!

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    12. Sim, Pina e não Pires: peço desculpa mas não tenho o livro comigo. Enfim, talvez, talvez, foi um pequeno reparo. Tenho visto muitas outras referências no livro: Rothko por causa, salvo erro, duma mousse de chocolate, Gavroche , uma personagem de Gogol , etc , e outros que ainda não dissequei completamente. Vai por ali um pequeno mundo em volta da história e isso é muito curioso. Vamos prosseguindo...

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    13. Começo a ficar farto de elogios ao senhor Courinha de quem leu pouco ou mau. Não acham que se fosse muito bom algum editor teria pegado nele e publicado o livro? Haja paciência, com tanto livro bom por aí e com tanto ainda a aprender até se ser escritor... primeiro há que ser leitor, crítico, criterioso.

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    14. E hoje, já conhece esse Tom Sharpe? Deu-me das mais divertidas horas de leitura.

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  4. - Não chega.

    ...
    6) Ser Rubem Fonseca (por exemplo).

    Quem fala, já conta consigo próprio.

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  5. 6) Ser persistente (que não é a mesma coisa que ser paciente; mas a paciência é imprescindível, sim). Desistir à primeira recusa pode ser fatal.

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  6. Fiquei com impressão que, de certa forma, Rubem Fonseca, referia-se à loucura como a essa tal qualidade apanágio apenas de alguns. Que lhes permite serem várias personalidades ( daí a referência a Doctorow e ao que ele diz ser a escrita: uma forma socialmente aceite de esquizofrenia). Claro que ele não se referia à loucura como entidade clínica ( se bem que alguns andam por lá perto...:) ) mas como essa qualidade que nem todos têm! Por mais que se esforcem. E essa espécie de qualidade é, a meu ver o talento! A capacidade, de potenciar as emoções. De tocar o leitor, de lhe perscrutar a alma. De o espelhar. Por isso ele diz, a páginas tantas, que todos eles são loucos ( os seus companheiros de mesa) mas cada um é louco à sua maneira. Cada um com o seu talento e com as suas especificidades. Com o seu género literário. Mas todos talentosos! E, a meu ver, esse talento é inato. Não há nada a fazer. Claro que precisa de condições para se manifestar, mas não depende da vontade. Não basta querer e ser-se persistente e paciente.
    Ele, mesmo no final, também disse uma coisa que arrancou sonoras gargalhadas da assistência: é que os leitores que estavam na assistência, também eram loucos. Ou seja, o escritor precisa de um recetor ( o leitor) que tenha dentro de si a característica que permita decifrá-lo. Daí, também sermos loucos. Foi assim que eu o entendi. Pela minha parte, recebi-o como um elogio:)

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  7. Apenas em complemento e da modesta, seria de juízo por agravante o Prémio Camões, além do lusófono, outro de categoria internacional aplicado ao estrangeiro. Diz-se do Prémio Camões, o Nóbel da literatura portuguesa, e, não mais realista para a língua, formalizar a questão em prol da imposição cultural; é vigoroso potencializar o que permeia o universo literário. Ora, em outros termos, a influencia nas universidades amérco-latinas e quiçá européias, acadêmicos estimulam Cervantes e Shakespeare, como divisor de águas, por influencia ao pensamento ocidental. Contrapartida a obra Camoniana do sentido função e importância, reveste particularmente considerável contingente ocidental (se não a maior) e consagra sob condição pensante, por quão eixo define a linha do tempo que elabora ser, paradigma da expressão poética e lastro, assim formalizado da importância, não tão somente como divisor, mas, continuidade da origem e que fundamenta de facto, o pensamento humano remanescente, posto que, o mundo tanto caracteriza por evolução o pulsar da dimensão literária como por competência, em estudá-lo na contemporaneidade sob convenção de vertente ocidental. Além de que, o regime do padrão português literário, merece ser difundido a nível de parâmetro e segmento, até que o mundo prove o contrário, pois é falsa a competência que ignora e desvia, não considerando a autonomia do conteúdo Camoniano em atribuição por fecundo e da força linguística sustentável, e que de facto o é.

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    1. A lição que Rubem Fonseca, deixa-me em Correntes, ser escritor é ter: “A palavra certa”.

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    2. Arranjem-me, por obséquio, um revisor para a nossa querida Cláudia. Ou, quem sabe, um tradutor.
      Seria pedir muito?

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  8. Saint-Beuve, um famoso crítico francês do século XIX, advogava que toda a obra literária é um reflexo da biografia do autor. Sinceramente, fico solenemente irritado sempre que vejo o Saint-Beuve ressuscitado. Há dias, uma colega, a quem confiei a leitura de um dos meus originais, afirmou que o meu "eu" estava ali espelhado. Grande disparate! Terrível tentação a do leitor em confundir entidades diferentes: autor e narrador; em ver realidades biográficas onde existe ficção. Admito que, por vezes, estas fronteiras se rompam; mas incomoda-me esta mania por parte do leitor.
    Aqui fica um bom tema para um novo post.

    Outra coisa: espero que o João Courinha não seja louco ao ponto de querer ser o Tom Sharpe português. Seja igual a si próprio: o João Courinha único, inconfundível e, se possível, universal.

    TUDO PELA LITERATURA, NADA CONTRA A LITERATURA

    Barrius

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  9. Todos os dias aqui venho e, sei lá porquê, nunca comento. Delicio-me já o suficiente debaixo da mesa apanhando as migalhas. Mas hoje adorei o post que assim perguntava: "Quem é que é esse Tom Sharpe?". Isto porque já tive um livro recusado por fazer lembrar o Tim Burton. Ora, para mim que nunca vi um filme do Tim Burton, senti-me, aí sim, como o Tom Waits alegadamente rouco pelo fumo e whisky quando, ao que dizem, o homem é quase abstémio. Fiquei com pele de galinha como quando ouço dizer que Aveiro é a Saint Tropez portuguesa. Ou Gil Vicente o Shakespeare nacional. A própria anfitriã deste espaço já aqui mencionou que, pela leitura de um autor, se consegue saber o que andou a ler. É falso. Pela leitura de um autor consegue-se saber o que ele escreveu. Uma boa tarde a todos.

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    1. tiro o meu chapéu a essa última frase!

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    2. não te preocupes com as comparações ao Tom, João.

      há quase vinte anos, o Francisco, o agora secretário de estado da Cultura, depois de ler o meu romance, perguntou-me se eu conhecia o Ross MacDonald (escritor americano de policiais), porque a minha escrita fazia-o lembrar este escritor.

      e eu confessei-lhe que nunca tinha lido nada do Ross (depois li todos os livros que encontrei dele, em mais que uma colecção de policiais...).

      cada vez é mais difícil ser original no que quer que seja...

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  10. Desculpem. Que Aveiro é a Veneza portuguesa. E esqueci-me de, no final, sugerir um futuro post à volta do tema. É o nervoso da estreia

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  11. O que é necessário para ser escritor?

    Tudo isso: mais:

    6º ler o suficiente
    7º ser inovador
    8º ser versátil
    9º ser um excelente psicólogo (afinal se escrevemos sobre pessoas há sempre tanto para estudar sobre elas)
    10º e nunca, nunca estar satisfeito... para que a seguinte obra seja sempre construída com a sensação que será melhor que a anterior...

    ...

    penso que poderíamos chegar ao ponto nº 100.

    Ser escritor, é ser um mundo de profissões, e de gente...

    Cumprimentos

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  12. Boa-tarde, nunca vim aqui fazer publicidade gratuita ao meu blog, mas hoje acho que o tema até se adequa. Por isso, permitam-me :)
    http://portalivros.wordpress.com/2012/03/12/os-conselhos-de-agatha-christie-a-surfista-aos-candidatos-a-escritores/
    cumprimentos,
    Rui Azeredo

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  13. António Luiz Pacheco12 de março de 2012 às 09:45

    Prontos, tá bem... a gente só dissémos o Tom Sharpe proque achámos que toda à gente o conhecia... então não é o Tom coiso, o Courinha é assim uma espécie de Gervásio Lobato deste século... tá bem assim?

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  14. António Luiz Pacheco12 de março de 2012 às 09:53

    Se Ruben da Fonseca o diz... é porque assim o concluiu, e ele lá saberá...
    Eu, não sei... enfim posso ter uma idéia e há aqui posts muito bons para me ajudarem a compô-la.
    Mas, acho que ter um editor e um revisor, bons, ajuda um escritor a começar, e talvez ele o tenha esquecido por lhe ser tão óbvio que já nem precisa ou pensa nisso... será?
    Há ali uma certa confusão, parece-me na parte de ser letrado (mas não demasiado)... o que me parece sensato, mas também pergunto se em vez de letrado instrucção não seria antes de dizer "saber"... porque ninguém consegue escrever sobre aquilo que não sabe/conhece... salvo o livro dos dispatares ! Digo eu...

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  15. Da certeza e fidelidade da palavra: Sino = bimbalhar ou tanger.

    Da falha da tradução: Por Quem os Sinos Dobram (For Whom the Bell Tolls) é um romace de 1940 do escritor norte-americano Ernest Hemingway.


    ETIMOLOGIA E LEXICOGRAFIA ETIMOLÓGICA HODIERNA
    www.filologia.org.br/anais/anais%20iv/civ10_84-93.html
    Atendo-se somente ao aspecto etimológico, esta comunicação pretende explicitar ... “dobrar” > idéia de “dobrar, por mais de uma vez, a quantidade de algo” ...

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    1. Da falha na precisão:
      De tal modo assimilaram por gerações o distanciamento da natureza sem escrúpulos, inconseqüente e de inconsciência pela corrida econômica mundial. Diante do vosso conforto por satisfação do saber e acomodação da prudência. Pois ao que verdadeiramente compromete a falta da percepção cujo limite ou nível de estudo, distancia-os da astúcia competitiva, é que tem por condenar o mau comportamento de práticas que impulsionam e posicionam como decisivas no mundo dos negócios. Aliás, são vítimas destas, por nem aperceberem-se, devido ao condicionamento de vossa cultura. Que tão somente entende por degeneração e humilhação à muitos tratamentos revertidos como ideal do mercado, e, quando ao desviar destes, são penalizados por imbuídas situações, cujos valores do aprimoramento intelectual e metafórico não assimilam como digno ou libertário. Sendo ainda, que o metafórico, concorre acobertado na consistência da língua, 244 milhões de criaturas que amparam as apunhaladas ao sacrifício desta inércia educativa, que a competitividade tem sangrado e perdurado pela dificuldade do límpido e extraordinário entendimento humanitário. Tal é a magnitude da perspectiva que desenlaça o desafio pela inovação da postura consciente da realidade.




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    2. Há livros que de tempos, sabem amar
      abrem ondas em suspiros sem exaurir
      que feito espuma flutuante sobre o mar
      tornam-se Clássicos inspirados por fluir

      neste silêncio a saber sussurra o vento
      e fora livro, com seu tempo por bramir
      do intento que a ação soubera ser amor
      sendo Clássico cuja razão o faz existir

      livro é posto que leio, ou se li, já é lar
      no pensamento, fora ler é do constante
      e o presente por constante, o é de saber

      sê-lo a ter, quando o Clássico por ler
      saber-se-ia o ser pensante que é mar
      quando silêncio navegado fora amante.

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    3. ................ socorroooooooooooooooooooooo

      ................ helppppppppppppppppppppppppp

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    4. Querida Cláudia:

      DOBRAR: v.intr . DAR VOLTAS A (UM SINO) in Grande Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo.
      DOBRAR: Dar, o sino, voltas sobre o eixo produzindo vários tipos de sons, consoante a hora do dia, a cerimónia religiosa, a circunstância; tocar, in Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.
      A tradução do título do livro do Hemingway está portanto correctíssima. Aliás, a expressão "os sinos dobram" é de uso corrente.
      Cristina

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  16. Além do que já foi dito, um escritor deve ter prazer em entreter as outras pessoas, gostar de fazer pensar e ansiar por dar alguma coisa de si. Sempre que vejo algum escritor dizer que só escreve para si penso "coitado, deve ter caído para dentro da editora como o schettino caiu para o bote salva vidas". A arte, toda ela, é feita para os outros, própria só a reflexão no instante em que acontece.

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    1. "A arte, toda ela, é feita para os outros, própria só a reflexão no instante em que acontece".

      Muito obriga, João Courinha, aprendi algo novo e sensível.

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    2. e mesmo assim não me mandou a morada para eu lhe enviar um livro... :)

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    3. Ora, você mesmo fala que "a arte é feita para os outros..., e se é para os outros, porque seria para mim? E, quem seriam os outros... Porque, certamente se você escreve, é próximo da arte e por ventura, se eu leio e reflito, mais próxima fico. Compreende! Eu sou o próximo, você é o próximo, não há outros, nem outras, muito menos alheios, ou há?

      Você continua generoso, mas temperamental. E se não prestar atenção, perderá o próximo vôo rumo as estrelas.

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    4. Oh Cláudia se falar assim no dia a dia imagino que seja complicado pedir um bitoque e uma jola

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    5. Imaginaste certo oh gajo, tua iniciativa é por ser Escritor, correcto! Eu, tu, ele, ela, nós, vos, eles e elas, pronome pessoal de caso recto. Movimento rectilínio uniforme.
      A palavra é uma ciência e com o pensamento, muitas variáveis.

      Boa noite, estimado Courinha.

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    6. "oh gajo"?! That's racist! Qualquer dia dizes que tenho bigode e uma padaria! Como nos livros do Chico Bento!

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    7. Como no livro do Chico Bento são de vossas palavras, além de que a imaginação corre-te as soltas, no entanto, devo-te desculpas, pois já és escrito e com direito a crítica especializada, Ok!

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    8. Só mesmo a Cláudia para vir aqui passados 21 minutos corrigir uma palavra!

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  17. Vicente Lopes Saudade12 de março de 2012 às 16:26

    Concordo plenamente com o grande Rubem Fonseca.
    Acrescentaria, se me permitirem, o tempo. Num mundo em que se vive muito rapidamente, numa maratona diária, o ter tempo para a sua pessoa (o seu eu interior) torna-se muito importante. A solidão e o tempo passado a pensar é muito importante se se quiser obter alguma coisa grandiosa. Os enredos têm que estar bem estruturados na cabeça de um autor...
    Já Saramago se queixava da falta de tempo (ele que como é sabido começou a escrever muito "tarde")

    Caro Corinha, fiquei curioso com a sua obra. Como faria para a poder receber?

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  18. Vicente Lopes Saudade12 de março de 2012 às 16:26

    Desculpe, Courinha e não Corinha...

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  19. Dá-me a impressão que Fellini seguia antecipadamente à risca os mandamentos de Ruben Fonseca, ainda que, palpita-me, entregasse o 5º – ser paciente – ao seu complementar (revisor?) Nino Rota.

    Tenho ali a tocar a (para mim já rotineira) música de Nino, a ver se vou a tempo de me ambientar e se me oriento neste desfile felliniano, felizmente já habitual – ainda que hoje particularmente complexo.

    Por exemplo: – afinal, quantas Cláudias temos hoje aqui?

    É uma dúplice, ou são duas?

    É um caso de heteronímia?, ou mesmo de heterologia? – se é que isso é, finalmente, concebível, e então o caso é que, tão simplesmente, “a palavra é uma ciência e com o pensamento, muitas variáveis”…?

    Ou será que estamos perante um caso de homonímia, induzido talvez por um fortuito acaso de alteronímia (por exemplo, duas pessoas que se cruzam simultaneamente reflectidas no espelho, ou num vidro de uma montra, e depois, feitas as apresentações…) – e nesse caso, delas a que quiser ser escritor, “se não prestar atenção, perderá o próximo vôo rumo as estrelas”…?

    O Nino Rota lá continua, pacientemente, a tentar rectificar na banda sonora aquilo que, apenas com as imagens, Fellini (e nós) não alcançaria(mos)…

    E nisto, tu, jovem Courinha, põe-te a pau!

    Se porventura, empoleirado lá nas copas das nogueiras ou dos livros que andas a podar, te surgir uma imagem, ainda que desvanecida pelas ramagens num “movimento rectilínio uniforme”, como é possível acontecer numa poda, ou se te chegar uma mensagem, ainda que difusa – devido, naturalmente, a esta dificuldade de, andando um gajo a podar ou a escrever, e aparecendo-lhe na cabeça um “pronome pessoal de caso recto”, que remédio tens se não rezar: “Eu, tu, ele, ela, nós, vos, eles e elas” … – em qualquer dos casos, pá, não te deixes ir abaixo: previne o teu revisor, que ele, depois, ao som do Nino Rota, afina-te a circunstância, refina-a, complementa-a, poda-te isso como deve ser.

    Eh pá! Já viste que horas são?! Isto já não são horas de andar a podar na viçosa copa que, manhã cedo, nos deixou Maria do Rosário.

    Ela que nos desculpe, digo eu, erguendo-lhe – e a Fellini, e a Ruben, se me permite – as últimas, mas especiais, gotas deste pobre whisky que me motivou para este tardio arrazoado que, umas gotas a menos, se me revelaria imprudente, mas, umas gotas a mais, torna o brinde extensivo a Cláudia, à outra Cláudia, a Nino Rota e a todos os que, durante o dia, podaram contigo, ó Courinha.

    Cumprido que está o 3º mandamento, amanhã ou depois veremos, com paciência, os restantes.

    Desculpas e cumprimentos a todos do

    Joaquim Jordão

    ResponderEliminar
  20. Que me dera, atiçar da brasa de quão rigoroso é o inverno a um peregrino! Ora, ora, tão próximo e atende por Jordão. Mas, pelo tamanho da saia, diria que a Escócia mora dentro das pródigas gotas, exibindo um pelo de poeira, perdida no tempo. Chega a ser piegas o lamento improvisado, pela sombra do que o antecedeu... Ele queria ser contínuo, queria mais, do que a vida oferecera, fizera-se comparecer pela cumplicidade aos seus. Bem... Implacável pela glória da pátria, ainda vos é um sabor sustentável, revigorando o ânimo em quão espetaculoso pode ser a compreensão da própria memória. Fora de vossa virilidade o que projecta, por compensar o ar decaído arrastando-se pelas gotas e, pá, por favor, reponha a monumental virtude, tão estagnada de vossos princípios quanto perturbada pela estação, por não vencer o abismo do conhecimento. Vamos, salte. É possível saltar! Ou, resumido os arabescos, do que fora um palácio de sabedoria.

    Das desculpas serve-te, e das minhas o arrazoado.

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  21. Carlos Manuel Teixeira Luís14 de março de 2012 às 05:58

    Bom dia,
    gostei deste post (e dos outros) e gostei dos comentários incluindo as zangas virtuais.

    De facto, há mesmo muita gente a querer ser escritor. E muita gente que lamenta não ser editada.

    O essencial para se ser escritor, fora tudo o que o estimado escritor Rubem mencionou, é escrever escrever escrever (3 segredos).

    Atenção perder tempo demasiado nos comentários de blogues não ajuda. Viva e escreva. Depois de estar escrito logo se vê se é de génio ou não. Até lá não há nada.

    Um abraço,
    Carlos Teixeira Luís.

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