Se alguém se engana com seu ar sisudo

Por razões que não interessa aqui aprofundar – mas que se prendem com o negócio dos livros, e não, garanto, com qualquer assomo tardio de religiosidade –, o Manel andou vários dias a acompanhar um padre brasileiro católico, autor de um livro chamado Ágape que, no seu país natal, já vendeu mais de sete milhões de exemplares. Ora, num dos dias em que partilharam uma refeição, o padre contou-lhe uma boa piada sobre um bispo que se deslocou, um belo dia, à igreja matriz de determinada terra da sua diocese, encontrando o prior bastante consternado. Indagando a razão daquela tão sincera preocupação, disse-lhe o pároco que a igreja estava cheia de morcegos e que já tinha feito de tudo para se livrar deles, mas infelizmente nada resultara. Parece, então, que o bispo, mais experiente, lhe comunicou ter a solução para o problema: «Baptize-os e crisme-os», disse, «e vai ver como eles desamparam a loja num abrir e fechar de olhos». Não li o livro do padre Marcelo Rossi, mas, pelo menos, sentido de humor não lhe falta...

Comentários

  1. O texto aborda três considerações para uma fórmula:

    1- O livro cujo tema é fenômeno de vendas

    2- Um padre que fora fenômeno enquanto vocação

    3- O sacramento está para o ser cristão, do fenômeno.

    O livro Ágape fora escrito após seis meses de depressão que o Pe. Marcelo Rossi, quando fora negada permissão para ir ver o papa na última viagem que fizera ao Brasil, mediante a inquietude do Pd. Marcelo assimilara por construir ao desvendar a cumplicidade que traduzira como Ágape, seguindo a vertente que supre as necessidades mais íntimas do ser humano, amortece o que elabora na compreensão do amor, então a suavidade aflora e eleva o precioso magnetismo da entrega, seu laboratório fora: a submissão, o desconforto, a dor, o inconformismo. A experiência concentra o olhar generoso com as palavras, vibra e contagia, acolhendo pela capacidade transformadora do compromisso com a essência da fé, por superar razões existenciais da bússola humana que aponta para ao norte.
    Lição: o amor não admite preconceito por ser o fenômeno da criação.


    Quando o interesse é da ética, o que importa é a fórmula ou a venda de sete milhões de exemplares? Gostaria de opiniões a respeito.


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  2. Faz lembrar a história que conta que o Miguel Angelo , no painel de fundo da capela Sistina (o dia do Julgamento), pintou um cardeal de quem não gostava, com orelhas de burro, cauda de serpente e ainda por cima na zona dedicada à representação do inferno (canto inferior direito). O dito cardeal, furioso como só a representação terrena de "Deus" sabe estar, assim que viu aquele bonito serviço, foi imediatamente queixar-se ao Papa! "Santo padre, o Miguel Angelo pintou uma representação minha no inferno com orelhas de burro!", ao que "sua santidade" respondeu sarcasticamente "no inferno?? se fosse no céu ainda te podia ajudar, agora o inferno está fora da minha jurisdição!". Tome e embrulhe cardeal das orelhas de burro! Quanto a livros que pretendem mostrar a luz, dirigir, apascentar, etc... poupem-me, estamos no sec XXI seria espectável que já ninguém andasse mascarado, falasse com seres mitológicos ou se julgasse salvador de quem quer que seja.

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  3. Ora! Parece que a opinião daquele que cala, consente. Ou, será que novas teorias realmente tem alguma qualidade de ser...

    "se alguém se engana com seu ar sizudo"

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    1. Arte, pela arte de pintar.

      ...a paz trazia aos homens o desejo de ir além, rezavam porque descobriam, descobriam porque rezavam. Estes que achavam descobertos eram cobertos de penas, flores e bichos, feito bichos, encobriam-se; temendo porque não sabiam rezar, e os que sabiam de postos a navegar, nada temiam...

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  4. Aproveitei a ida à livraria, para espreitar este livro: Surpresa!!! É o livro ideal para oferecer à minha mãe. Já vai a caminho dos Açores e tudo. Eheheheh
    É que ela, apesar de batizada e crismada, não desampara a loja...
    Perfeito! Foi o presente de aniversário ideal.
    Obrigada, Maria do Rosário Pedreira:)

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    1. Católica e pouco fã de realismo fantástico, oh... assim eu parti logo em desvantagem!

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    2. António Luiz Pacheco24 de março de 2012 às 04:20

      Meu caro... existem no Céu e na Terra, mais coisas do que podemos imaginar!

      Você que gosta de fazer citações talvez isto lhe diga alguma coisa...

      Lembre-se que para ser um escritor e ser lido tem de se aproximar das pessoas. Pode brincar com elas, mas não pode troçar delas e muito menos das suas crenças e sensibilidades.
      Ser iconoclasta é um caminho perigoso... não sou rato de Igreja, mas sou prudente e respeito o sentir dos outros. Quando entro num qualquer templo ou piso chão sagrado (nem que seja o Cabo de S.Vicente ) faço-o com respeito pelos sentimentos reunidos de milhares de pessoas ao longo dos tempos, as suas esperanças, o seu desespero e a sua fé. É o que faz também de
      nós seres humanos.

      Bom fim de semana

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    3. Pois não concordo consigo. Ou o Sr. Pacheco respeita a crença em bruxas, abluções do arco da velha, naquela varinha que descobre água , em banha da cobra, em baba de caracol, no pai natal, na fada dos dentes, no bigfoot , na área 52, etc...? É que todas elas podem existir, assim como pode existir um homem que uma vez comeu um meteorito ou um mosquito que dança o charleston . Eu não sei se Deus existe, simplesmente espero que não. Seria terrivelmente fastidioso ser uma espécie inventada, refém de uma conjunto de regras ditadas por um ser superior. Prefiro acreditar numa noção circular de tempo em que a humanidade se criou a ela própria, é uma parvoíce? Olhe que pode existir! Eu sei que não parece tão plausível quanto o filho de uma virgem que anda sobre a água e ressuscita... mas nunca se sabe. Quanto a aproximar-me de quem me quer ler, como nunca me conseguirei aproximar de todos, prefiro aproximar-me dos que não acreditam em magia, dos que fé só a têm no Homem do futuro. Não é demagogia, é mesmo aquilo a que rezo.

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    4. Acabou de ganhar um leitor. Já não fica só.

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    5. António Luiz Pacheco24 de março de 2012 às 15:06

      Hum... cada coisa em seu lugar, você derrama uma enxurrada tal de idéias , aliás confundidas, que se torna difícil responder... mas eu não falei em acreditar e sim em respeitar as crenças dos outros. São coisas muito diferentes, meu caro!
      E, atrevo-me a dizer que ao contrário do que parece, é sinal de esclarecimento, por oposição do troçar linearmente de tudo.
      Normalmente ridiculariza-se aquilo que não conseguimos entender ou o que nos compromete e assusta... a doutrina comunista era nisso exímia.
      E lembre-se que há pessoas muito mais sabedoras do que nós os dois que acreditam naquilo que lhe parece inverosímil.
      Deixe-se lá dessas coisas...

      Hoje caiu aí uma pinga d'água ... coisa pouca, mas eu continuo tranquilo, os antigos diziam:
      - Peçam pão, não peçam chuva!

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    6. "Ou o Sr. Pacheco RESPEITA a crença..." também eu falei em respeitar. Eu não ridicularizo mais do que ridicularizo magia, tem o seu interesse mas não deixa de ser um truque. Já li a bíblia , o único livro fantástico que rivaliza com Tolkien , adorei e recomendo. "Eu não sei se Deus existe, simplesmente espero que não." ou seja, entendo aquilo em que os outros acreditam, simplesmente espero que seja mentira. Atrevo-me a dizer mais, se deus se declarasse, se aparecesse na terra, dava-lhe um mês de adoração até começarem os protestos. Preconizo agora o fim da religião para quando estiver plenamente desenvolvida a investigação sobre os telómeros (capas que revestem os cromossomas) e a vida eterna seja entregue à humanidade. Sem prémio ninguém joga.

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    7. Que Deus o abençoe!

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    8. Chiii ... O que para aqui vai...
      Nem a minha mãe sonha...:)
      Meu caro: Neste país, católicos, somos quase todos. O que não quer dizer que sejamos crentes.

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  5. Mas este Padre Marcelo Rossi não foi aquele que na semana passada foi apanhado pelo marido com a "mão na massa" e levou uns tabefes do "coitado"?

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  6. Quanto ao que agridem mais perfeita a expiação, isso é ser católico! Com relação a bíblia católica, aquela das cartas... Um plano, salvífico mais que perfeito, quiça profético. Nem tudo que o mundo oferece é mudo, apenas silêncio.

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