«Papel pintado»

Num dos últimos fins-de-semana, José Pacheco Pereira escreveu no Público uma crónica muito interessante e lúcida que tinha como ponto de partida o fecho da Livraria Portugal na Baixa lisboeta. Embora frequente igualmente a FNAC, era um seu cliente regular e adquiria ali revistas especializadas e obras de temáticas várias – portuguesas e estrangeiras – que não irá encontrar em mais parte nenhuma (ou que, em suma, terá a partir de agora de comprar directamente a instituições, universidades e livrarias virtuais, mas sem poder, naturalmente, folheá-las primeiro). Já aqui escrevi sobre os problemas graves do encerramento de livrarias – e falei no caso da Portugal, que se liga às primeiras memórias que tenho da minha vida editorial –, mas o que aqui me traz hoje é uma expressão que Pacheco Pereira usou nessa sua crónica; referia-se ele aos livros-produtos que hoje inundam as nossas livrarias como «papel pintado». E, se virmos bem, está coberto de razão. Porque, num mundo em que os mercados passaram a dominar, a embalagem tornou-se determinante para a venda e, quando hoje entramos numa livraria, o texto parece o menos notório, destacando-se, em vez dele, o colorido exagerado das capas que, às tantas, até para um leitor experimentado se tornaram um empecilho que confunde o trigo com o joio. Papel pintado, em suma.

Comentários

  1. "[...]
    Livros são papéis pintados com tinta.
    [...]"

    Fernando Pessoa

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    1. O pintor faz a diferença.

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    2. Maria Almira Soares:
      Não percebi o sentido que quis dar ao excerto de Fernando Pessoa.
      Para desvalorizar (relativizando-a) a frase semelhante de JPP que MRP citou?
      Se sim, não concordo consigo.
      É evidente que os livros são papéis pintados com tinta.
      O problema é que há cada vez mais livros que são apenas isso.
      E são esses que o marketing «mete» olhos dentro dos leitores/compradores.

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    3. Apenas me lembrei do Fernando Pessoa. Mais nada.

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    4. Claro...
      Era isso que eu ia dizer.
      Está dito, tanto melhor.
      Viola no saco.

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  2. Não creio que o problema sejam as capas, a menos que o seu «embelezamento» acarrete custos consideráveis para o leitor, o que talvez suceda com mais frequência do que gostaríamos. A capa pretende chamar a atenção para o conteúdo, evidentemente. É tão somente uma questão de gosto. O problema é muitas vezes o próprio conteúdo, quando irrelevante, mal escrito, mal traduzido, mal revisto, mal paginado.

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  3. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 06:57

    Ora ao que parece que temos os Pacheco em consonância...

    Já por várias vezes exprimi opinião de que fizeram de facto dos livros "papel pintado".
    São mero produto de merchandising que vende pela imagem, como sabonetes...
    O Courinha tipificou bem aquilo que são os compradores de livros: Os que compram por impulso e levam as caras conhecidas ou livros na moda, onde a capa é determinante para gerar impulso!
    E os outros... os que compram livros, e esses os comprarão sempre!

    As editoras estão no caminho errado, diria eu!
    Apostam demasiado em livros assinados por quem vende mas porque apoiados nas custosas edições com capas caras e em acções de publicitação igualmente onerosas.
    E o exagero de que cada livro exibe mais prémios que medalhas o peito de um general da América Central! Acabam por desacreditar as premiações... as pessoas desconfiam.
    Apostam nas grandes superfícies, mas estas certamente que lhes comem uma grande fatia da margem... em vez de de apostar numa rede de livrarias, bem geridas e com funcionários escolhidos e formados, que gostem daquilo.

    Repito a pergunta:
    Porque não apostar nas capas baratinhas?
    Deixar aos Rodrigues dos Santos - lidos por impulso, as fotos impressivas e os encómios nas capas ilustradas e coloridas do engano.
    Apresentar com a singeleza insuspeita e segura do que está dentro, aquilo que seja literatura.
    A compra por impulso está em declínio? Se não está... para lá caminha... e a outra vai manter-se certamente.
    Claro que há alfarrabistas (caros na minha opinião porque sabem explorar bem o seu nicho) e as feiras... há vendas de livros a granel em tendas nos retail park e nas estações... mas eu compraria sempre "Henrique Galvão", o "Oiro dos Corcundas", "Clube de patifes", "O Forte", "Os Canto", "A Sul o Sombreiro", em capa de cartão mole, sem imagem.
    E assim em vez de 2 por mês comprava 3 ou até 4... o que sendo significativo, devia ser analisado.

    Há uma coisa que acho muito importante:
    - Estou a receber mails de editoras com informação sobre lançamentos e novidades... isto acho muitíssimo útil!
    É o melhor trabalho de divulgação e em que vale a pena apostar... e deviam trabalhar melhor ainda este canal, ponham sinopses, resumos e excertos das obras... falem um pouco do autor e dos objectivos do livro! Reforcem com indicação das livrarias onde os podemos encontrar!

    Bem vou esperar que chova... de qualquer modo já estamos a regar a pastagem... quem passe na A1 sobre o viaduto sobre a ponte da Asseca ali antes da saída para Santarém no sentido Sul - Norte, se olhar para a esquerda, verá a encosta verdejante e o gadinho a comer gostosamente... depois pode comprar os bifes no Pingo Doce, que a gente agradece!

    Saudações campesinas!

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    1. Caríssimo:

      Só parcialmente concordo consigo. Por esse andar tinhamos os Philip Roth, os David Lodge, os Phillipe Claudel, os Sandor Marai, as Dulce Maria Cardoso, os Valter Hugo Mãe, os Hector Abad Faciolince, os Saramagos... todos andrajosos e a pimbalhada toda engalanada. Era o que mais faltava! Quero os meus escritores preferidos vestidos à maneira!:)
      Claro que os amo de qualquer jeito, mas gosto de os ver bonitos!
      É que, assim de repente, parece que as capas bonitas são defeito. Pelo contrário! Quanto melhor o conteúdo melhor deveria ser o embrulho! Assim, mais parece que se premeiam os maus.

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    2. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 07:40

      Não me expliquei bem...
      O momento é de contenção, as pessoas contam o dinheiro e compram menos... saiu um interessante estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Daí eu dizer que:

      1º - Trabalhar melhor os canais existentes
      2º - Trabalhar a diferenciação...

      E para isso, eu separo quem compra livros por impulso, de quem compra livros de forma consciente. O comprador-conhecedor que é o que vai ficar... o outro nem por isso.
      E é com este comprador, o fiel, que se tem de contar na presente conjuntura.
      Você compra porque a Oprah aconselha? Ou porque no Expresso (onde se voltou a despedir um colaborador por diferença de opinião) dizem que é bom?
      Este compra o que quer e sabe! Mas pode ser mais trabalhado o canal da divulgação, onde lhe dizem o que vai ser lançado ou reeditado. Ele compra conteúdos, compreende? E para ele, se o preço de capa baixar, é o que precisa para continuar ou para comprar mais... creio que é o que estratégicamente está certo.
      Se decidirem editar o próximo livro do Castelo Branco ou sobre a limpeza de pele duma famosa qualquer... pois esses que levem as tais capas todas arrebicadas...
      Acha que o novo Lobo Antunes, Ruben da Fonseca, Bernard Cornwell , ou uma reedição de Hemingway ou Maupassant precisava de uma capa apelativa, cara... não creio!
      Se bem que a compreenda e até concorde... mas entre o Equador ilustrado e o simples, eu optei pelo simples... preferi investir no Africa " da Leni Riefensthal , sacrifiquei um pelos outros dois. Percebe onde quero chegar?
      Cumprimentos

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    3. A questão não é que o Rubem Fonseca ou o Lobo Antunes precisarem de capas bonitas para vender. A questão é que as merecem!
      E ainda há um ponto que me parece pouco claro: é que bonito não tem que ser, necessariamente , caro. Muito menos que venham cheias de dourado ou envoltas em tule. Essas, a meu ver, não são bonitas: são pirosas. São de um mau gosto atroz . Sejam elas caras ou baratas.
      Eu sou muito pragmática: um livro tem que ter uma capa, não tem? Então, sempre que possível, que seja bonita.
      O mesmo critério uso para as capas dos CD. Neste momento tenho o último CD do Leonard Cohen a tocar e a capa está junto de mim: agrada-me que ela seja bonita! Se se tem que gastar dinheiro numa coisa, porque não fazê-la bonita? Percebo que possa encarecer mas duvido que a diferença seja assim tão significativa. Ser bonito não tem que ser, necessariamente dispendioso.

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    4. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 10:30

      Hum... creio que continuo a não ser entendido...
      E afinal até estamos de acordo.
      Vamos por partes:

      - Uma capa pode ser na mesma singela, bonita, atraente e barata! É disso que ambos falamos...
      Precisa de tanta cor? Relevos... brilho... papel especial, impressão, fotografias... algumas parecem antes um jornal ou revista!
      Não estou a falar do conceiro estético em si mas do seu custo! É que é elevado...

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    5. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 10:32

      Continuemos o raciocínio:

      Há muita capa que tem aspecto de "caro" e não estou a dizer bonita, na maior parte dos casos nem são edições de luxo de obras celebradas e sim meros escritos de um autor que se quer promover... seja do que for!

      Porque o que parece caro, luxuoso, vistoso, etc. atrai mais, permite uma exposição atractiva para os que não escolhem a leitura por ela mesma.

      É tão autêntico que já me foi confessado por pessoas que sabem que eu gosto de livros, e na sua sincera ingenuidade (que eu valorizo) terem-me oferecido determinado livro por causa da capa! Que acharam bonita e foi o que os atraiu e fez optar.

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    6. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 10:32

      É disso que falo minha cara, e aquilo que eu pergunto:

      Podem as editoras fazer capas fantásticas e baratas? Acho que sim...
      Ou capas simples e baratas na mesma, para colecções económicas? Acho que sim, e devem!
      E deixarão de vender?
      Bom se calhar... e isso é que as Editoras não querem porque alguns autores se calhar tinham de se manter na TV e revistas côr-de-rosa, e lá se ia o filão... E questiono ainda, e o filão não vai acabar na mesma? Então porque não olhar para os que são leitores, ou terão de ser todos punidos pela recusa em apostar no segmento certo e que dá algumas garantias?


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    7. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 10:34

      Finalizando:

      Tenho quase 5 000 volumes, reunidos ao longo de 3 gerações, com todo o tipo de capa e de edição, de colecções ou livros isolados.
      Da Colecção Azul a edições em coiro lavrado, etc.
      Se calhar Virgílio só em letra a oiro e Max du Veuzit não merece mais que cartolina, de acordo... e há capas mesmo pífias, sempre de acordo!
      Todavia acho que o momento é o de reduzir a capa elaborada ao mínimo para baixar o custo do produto final - o livro - ao consumidor. E isto pode ser feito ainda com a dignidade suficiente...

      Cumprimentos e é um prazer falar consigo!

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    8. Caríssimo:
      Percebo perfeitamente o que quis dizer e concordo consigo: investir em capas dispendiosas encarece, desnecessariamente , o produto final. Podem - e devem - fazer-se capas lindas sem grandes custos.
      Também gosto de falar consigo:)
      Um abraço.

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    9. o que é uma capa bonita?

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    10. É uma capa com uma foto do Daniel Day Lewis . OK! Pronto! Se for do George Cloney também serve, que eu não sou esquisita:)

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  4. Claro que um livro vale pelo que tem dentro. E é esse o critério que utilizo para a sua aquisição. Mas se puder vir bem embrulhado, melhor ainda. Como em muitas outras áreas da vida, eu não sou imune à beleza.

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    1. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 07:42

      Percebi-a perfeitamente!
      E nem por um momento pensei que comprasse livros pela capa!!!!

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    2. Estamos a discutir capas, mas que dizer daqueles livros que vêm com brindes??!!! uma capa bonita já não chega...É o livro a "copiar" a revista (sei que há quem compre a revista só pelo brinde!). Por outro lado, se há quem compre livros pelo brinde e de repente descobre o "maravilhoso mundo da leitura", porque não?
      Isabel

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    3. O problema do brinde anexado ao livro é que, geralmente, o livro não é bom (na minha muito modesta opinião), o que deixa pensar que precisamente porque não é bom precisa do brinde para ser vendido!!!
      Isabel

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    4. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 11:33

      Bem visto Anónima Isabel!

      Duvido que se compre um livro pelo brinde... como sucede nas revistas, em que o DVD é essencial! Mas o brinde pode influenciar o acto de compra, ser decisivo numa escolha entre um com e outro sem! Isso sim...

      Se os brindes fossem o caminho para vender livros (do que duvido...) então que houvesse uma chuva deles!

      Olhe o Pingo Doce... deixou de vender porque não tem cartões nem aquelas promoções da treta? Pelo contrário, tem subido!

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    5. o "geralmente" é a palavra mais crucial no seu comentário. já vi uma excelente obra de um prémio saramago à venda com brinde. cumprimentos.

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    6. Realmente para ler Saramago (tirando o ano da morte de ricardo reis e a historia do cerco de Lisboa) só mesmo com um belo brinde, tipo torradeira a cores!

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  5. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 07:46

    E digo mais...
    Pode ser que me engane muito, mas acho que a pimbalhada engalanada" tem os dias contados! Porque quem os consome ou vai voltar à Corin Tellado em versão cordel ou fica definitivamente na telenovela (ainda vai reaparecer a fotonovela quer apostar?) e vai andar pelos cinemas - sem pipoca!

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    1. E não fale mal das fotonovelas! Muitas fotonovelas li eu, emprestadas pela empregada lá de casa, no início da adolescência. Às escondidas da minha mãe, claro! Aaahhhh ! Muito sonhei eu com aqueles beijos...: Eheheheheh

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    2. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 10:36

      Mas de modo nenhum!!!! As fotonovelas são uma forma de divulgação e de cultura!
      Já uma vez aqui o concluímos...

      Referia-as exactamente por serem exemplo de uma forma barata e uma solução.

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  6. Três exemplos portugueses de livros bem embrulhados: Nenhum Olhar (1ª edição), Gare do Oriente, No Meu Peito Não Cabem Pássaros. Obviamente que o post(e), ou Pacheco Pereira, se referirá àqueles que tapam agora integralmente os escaparates mais chegados à vista do passante, com cores fortes e letras em relevo, todos diferentes, todos iguais.

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    1. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 08:08

      Exactamente... o post e os Pacheco (pelo menos um deles), referem-se a esses...

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  7. ler estas palavras de uma editora, até chega a "fazer cócegas". :)

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    1. A editora é, antes de mais, leitora... E, além disso, desde que a edição é uma indústria, o editor não decide a capa sozinho.

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    2. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 12:41

      Ora... e este é um post honesto num espaço que é Extraordinário até por isso... acrescento eu.

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    3. Se a edição é uma indústria, os livros não passam mesmo de produtos. Qualquer livro.

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    4. e ainda bem, Rosário.

      só lhe fica bem o sentido auto-critico que demonstra nas "horas".

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  8. Concordo que a responsabilidade tem graça.

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  9. Pessoal, reparem bem que os livros antigos eram muito mais chic do que os modernos.

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    1. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 12:40

      É verdade... talvez por isso a leitura fosse algo de muito reservado às elites...

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  10. Capas lindas, caras, baratas, de fino gosto, grotescas, pirosas, delicadas, bizarras ... enfim, poderia estar para aqui a adjectivá-las até amanhã de manhã, mas não o farei. Tive um amigo que, por gostar tanto de livros e não os querer ver amarelecidos pelo tempo, ou com as suas capas deterioradas pelo manuseio, sujas e ensebadas, encapava-os todos com papel de embrulho, geralmente de cor branca, e escrevia em suas lombadas, à mão, o seu título e nome do autor. Trocava-lhes o papel se necessário fosse. Queria lá ele saber de suas das capas originais. Interessava-lhe o seu teor. Conteúdo limpo e capa limpa. À época esse meu amigo estudava semiótica. Depois foi Mestre. Depois Doutor. Penso que continua a embrulhar os seus livros e que de suas capas tem desconhecimento absoluto.

    Boa noite a todos vós.

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    1. Se calhar, quando era pequenino, alguém lhe deu um livro acompanhado da expressão clássica "toma e embrulha!" e eu seu amigo levou aquilo muito a sério.

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    2. Amigo João
      Pedi emprestado e terei acesso ao livro (sem autógrafo, hélas!) que escreveu muito em breve, se nele reencontrar estas tiradas de boa disposição, vou gostar. Mas não se preocupe também gosto de "dramalhões".
      Até amanhã, já que vai sendo hábito "vê-lo" a si e a outros "extraordinários" todos os dias.
      Isabel

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  11. Houvera o crivo e quantos desiguais
    saibam que em vos as santas eras
    a plenitude fora fita e descerra
    livro é sabedoria e conspira
    é guarda memórias, liras
    beatitudes, as plácidas
    em que resplandece
    no conhecimento
    e no momento
    da maldade
    livra-nos,
    no livro
    a arte
    céu.

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    1. António Luiz Pacheco14 de março de 2012 às 18:59

      Esta é a sua obra de arte!!!!
      A sério...

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    2. You go Tomazi!!! Bem trabalhado!

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  12. Eu cá gosto de capas que não sejam fotografias, tenho uma primeira edição do "a leste do paraíso" que é uma aguarela bem bonita. A capa faz parte do livro e deve fazer parte do prazer que se obtém quando se compra uma obra nova. Por isso não concordo com embrulhanços em papel de jornal!

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    1. mas, ó meu senhor, o que seria do roxo se todos gostassem do amarelo, hum?

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  13. Livreiros a Pão e Água21 de março de 2012 às 16:46

    O fecho da Livraria Portugal é lamentável no panorama livreiro português. No entanto, esse fecho foi visível, noticiado. E tudo o que fica por dizer? Veja-se a triste situação das Publicações Europa-América:
    http://www.facebook.com/#!/pages/Publica%C3%A7%C3%B5es-Europa-Am%C3%A9rica-Cr%C3%B3nica-de-uma-Morte-Anunciada/266591843409691

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