Livro e necessidade

Sou anualmente «convocada» para uma sessão de formação levada a cabo por investigadores sérios e competentes que estudam desde há muitos anos numa universidade os hábitos de consumo dos portugueses. Quando a crise se iniciou, era crença destes que os livros não iriam sofrer demasiado, porque as pessoas passavam agora mais tempo em casa, e o livro, além disso, era um bem transmissível e não especialmente caro (pesem, embora, outras opiniões sobre esta matéria). No ano passado tiveram, porém, de se render à evidência do equívoco, já que o mercado do livro foi claramente afectado pela crise, até porque, como já aqui escrevi, quem lê habitualmente tem muitos livros em casa que ainda não leu (e para quê comprar outros se aqueles estão ali à mão?) e quem é leitor ocasional cortou claramente na leitura porque vestir e dar de comer aos filhos é mais importante. A última sessão de formação – há apenas quinze dias – dizia respeito ao que falta ao livro para se afirmar num momento crítico como o que atravessamos, tendo sido dito que, ao contrário de outros, o produto livro diz pouco de si mesmo e, sobretudo, não diz aos consumidores a falta que lhes faz. Compreendo o ponto de vista, mas, sinceramente, não sei como poderia um livro, que já diz tanto, dizer também isso. Não me passaria pela cabeça que a capa de um livro incluísse uma menção do tipo «Se ler este livro, será menos ignorante e terá mais facilidade em arranjar emprego»; e, se bem que acredite que determinados livros são, efectivamente, produtos, não me parece que a literatura caiba nessa designação – e tenho a certeza de que, quanto mais literatura alguém ler, mais bem preparado estará para combater um mau momento como este. Presumo que só a escola – a básica, sobretudo – poderá incutir nas cabeças das crianças a necessidade da leitura para a superação do indivíduo. Mas isso levará, bem sei, um século.

Comentários

  1. Ora ah lá ber o que é que eu penso sobre isso com quinze minutos de reflexão (é só para não me crucificarem). Primeiro, investigadores sérios e competentes que recorrem à tia Rosário para uma análise emocionalmente descomprometida, economicista e mercantil da literatura, só merece um comentário: LOL. Apoiado em rigorosamente nada, passo a dividir as pessoas em seis tipos de leitor: não-leitor, turista, clássico, moderno, neo-clássico e fanático. O primeiro e o último tipo apresentam-se como os extremos gráficos da rigidez da procura de livros, como tal dispensam análise. O turista passeia-se inteligentemente entre as inúmeras formas de entretenimento, captando informação aqui e ali, farejando as boas obras em diversas plataformas, é homem para ter muito em conta bens alternativos e substitutos, com frequência pensa "para quê gastar vinte euros num livro se posso sacar um documentário premiado e passar uma bela noite?". O clássico gosta dos livros como se gosta do gato, ordena-os na estante, limpa-lhes o pó, escreve nas margens, pensa que tem poucos livros, diz aos amigos que a sua colecção rivaliza com a da torre do tombo, lê todos os dias. Este sim, tem muitos livros em casa e em caso de problemas financeiros consegue deixar de comprar sem nunca deixar de ler. O neo-clássico, como de resto é próprio de todos os neo, vive muito da imagem de leitor, sendo o adjectivo definidor de como os outros o vêm, é calado, fixe, detesta Paulo Coelho, abomina a Fnac, passa mais tempo no alfarrabista do que no barbeiro e tem como motivo de orgulho os bons negócios que fez em livros usados. O moderno, ou seja, o correcto ainda que não seja o meu tipo, é pragmático, tem os livros como um veículo, é-lhe tão possível amar uma resma de papel fino prensado entre papel grosso quanto sentir ternura pelo plástico de um DVD, para o moderno o valor está no conteúdo e venha ele de borla que ainda não se fazem downloads de tostas mistas. Tem um Kindle ou um Ipad, conhece de cor todos os sites de e-books copiados e vive contente, bem informado, letrado e vanguardista. Pensa da seguinte maneira "Se o Isaltino está solto havia de ser bonito que me prendessem por sacar Os Miseráveis...". Todos os tipo que descrevi têm uma coisa em comum, reagem ao preço dos livros. Olhem para as farmácias, estão aflitas! Se as pessoas poupam nos medicamentos, o que queriam com os livros, milagres?

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    1. António Luiz Pacheco13 de março de 2012 às 12:40

      Bem... se a Nielsen lhe apanha isto... está contratado!
      E deixam de pedir opinões à "tia" Rosário e outros... mas para quem não saiba, é assim que são feitos os estudos de opinião e de mercado.
      Além da drª Mª do Rosário devem ter ido perguntar ao responsável de bazar ligeiro do Continente e na FNAC... depois misturam as cartas e tiram do baralho aquilo que cada cliente quer ouvir, como a dar-lhe razão o que sempre cai bem e evita as apresentações difíceis e as perguntas incómodas, etc.

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  2. Se não percebermos de que ordem é o que temos em mãos, podemos esmagá-lo quando pensamos estar a animá-lo. Questão: se toda a gente passasse a servir-se das bibliotecas e, por isso, deixasse de comprar livros, isso era bom ou era mau, do ponto de vista da função do livro?

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    1. Humm... vieram-me à cabeça dois cenários. Um em que o pessoal passava a ir às bibliotecas, as editoras não aguentavam o choque, os autores perdiam moral e o sector entrava em crise no longo prazo. Outro em que a crise económica atirava o pessoal para o aluguer, as editoras e os autores passavam um terrível período, mas no longo prazo o contacto abundante com literatura aumentava exponencialmente o número de leitores e aqueles que pela sua natureza sentiam prazer em possuir as obras.

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    2. Olha apareci como anónimo!

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    3. De facto, investiu-se muito e bem em bibliotecas públicas, mas, praticamente, não adquirem livros: esperam pelas ofertas ou compram os da moda...Tenho vontade de abordar a "formação" dos bibliotecários, mas fico-me pela insinuação, até porque há sempre excepções...

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    4. António Luiz Pacheco13 de março de 2012 às 12:45

      Bem visto!!!! Sobretudo o efeito devido à escassez... é assim em tudo! E de facto dê-se uma volta pelos locais de venda, há excesso de livros!
      Claro que entretanto se compôs uma fileira que vive disso, mas o mercado está inundado! Há mais livros que capacidade de ler...
      Por outro lado as Editoras haviam de apostar nos livros baratos, creio que na maioria dos casos a capa e badanas custaram metade ou mais do preço do livro... os livros são caros!!! Quem leia 2 por mês, gasta uns 40 euros! Que é o passe Cascais-Lisboa ...

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    5. Do meu ponto de vista, era muito bom, cara Maria Almira , e não significaria que os utilizadores deixariam de comprar livros.

      Mas para isso, as bibliotecas (municipais e escolares) têm de passar a investidores do livro, investindo neles o dinheiro que os seus utilizadores pouparão, em parte, com a frequência regular destes espaços, e precisam de meios para estimular a frequência que, ao contrário do que se poderá pensar, conduz, tenho a certeza, à compra de mais livros. Tudo isto, a capacidade de investimento e o estímulo à frequência, depende de grandes alterações na definição de políticas e de uma reorientação do dinheiro que todos pagamos, e bem, em impostos, mas que queremos ver mais bem aproveitado. Uma boa parte dos outros países europeus tem estudado o papel da rede pública de bibliotecas no mundo em que vivemos - e ele pode ser muitíssimo relevante, mas as bibliotecas têm de ser modernizadas e ajudadas a concretizar o potencial que desde sempre tiveram: o de constituírem um espaço da comunidade, de encontro e partilha, que a meu ver pode ter tudo o que faz falta para incentivar a leitura. Há tempos, li um estudo britânico em que se propunha, a par de muitas outras medidas para a revitalização da rede de bibliotecas, que a qualidade de membro da biblioteca local fosse um direito de todas as crianças adquirido desde a nascença, juntamente com o direito ao abono de família. É outro espírito, não é?

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    6. Do meu ponto de vista, era muito bom, cara Maria Almira , e não significaria que os utilizadores deixariam de comprar livros.

      Mas para isso, as bibliotecas (municipais e escolares) têm de passar a investidores do livro, investindo neles o dinheiro que os seus utilizadores pouparão, em parte, com a frequência regular destes espaços, e precisam de meios para estimular a frequência que, ao contrário do que se poderá pensar, conduz, tenho a certeza, à compra de mais livros. Tudo isto, a capacidade de investimento e o estímulo à frequência, depende de grandes alterações na definição de políticas e de uma reorientação do dinheiro que todos pagamos, e bem, em impostos, mas que queremos ver mais bem aproveitado. Uma boa parte dos outros países europeus tem estudado o papel da rede pública de bibliotecas no mundo em que vivemos - e ele pode ser muitíssimo relevante, mas as bibliotecas têm de ser modernizadas e ajudadas a concretizar o potencial que desde sempre tiveram: o de constituírem um espaço da comunidade, de encontro e partilha, que a meu ver pode ter tudo o que faz falta para incentivar a leitura. Há tempos, li um estudo britânico em que se propunha, a par de muitas outras medidas para a revitalização da rede de bibliotecas, que a qualidade de membro da biblioteca local fosse um direito de todas as crianças adquirido desde a nascença, juntamente com o direito ao abono de família. É outro espírito, não é?

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  3. Bem, eu estou desempregada há algum tempo e naturalmente cortei nos livros. Contudo, mesmo que não tivesse nesta situação tenho quase a certeza que não iria comprar assim tantos livros. Quase todos os dias recebo newsletters de livrarias online e quase todos os dias encontro muito pouco que me chame a atenção.
    Cansei-me dos livros que me apresentam que são quase sempre romances de cordel, género pelo qual até tenho alguma simpatia porque ajudam a desanuviar de leituras mais sérias, contudo é cansativo encontrar tantos destes metade chegava. Depois há os vampiros, os lobisomens e todo um conjunto de seres que dispenso.
    Raramente encontro um livro que me cative pela sua sinopse .

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  4. Eu que adoro ler e que tenho sempre livros em casa a mais não deixei de comprar livros, mas compro mais:

    - Nas promoções das feiras de livros que há em lisboa em todo o lado
    - na internet, livros usados em sites que depois remetem o dinheiro para instituições (ex: como o Dejá Lu)

    É raro os livros que vão saindo me chamarem a atenção, fora uma ou duas excepções, mas ou compro ou vou lendo outras coisas e tento comprar quando estiverem mais baratos.

    Mas não deixei de comprar. Mas já não dou 20 euros por um livro é um facto =/

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  5. São duas realidades bem distintas:

    a) o livro projecta conhecimentos
    b) preenche a necessidade do saber

    Porém, não é prioridade frente a outras necessidades da subsistência, quando da fase adulta. Considerando que o indivíduo fragilizado, não configura um leitor assíduo.
    A criança por sua vez, é priorizada pela formação e manterá a leitura, independente de aspectos que fragilizam os adultos. Quanto ao adolescente tem de ter muita disciplina, das horas, por conta dos aspectos de ansiedade e dos impulsos da inquietação.

    Portanto o mercado de literatura infantil e juvenil não perdem a consistência frente a necessidade de livros que projectam conhecimento.
    Por sua vez, a necessidade do saber, aliada ao compromisso de assiduidade do leitor vêem da própria cadência da formação cultural que é apenas o complemento do inconsciente colectivo, pela necessidade e estímulo evolutivo do moderno em adequar as idéias pela competência da sociedade.

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    1. Contudo a sociedade civilizada e de alta performance de estudos e conhecimento quando toma distância em saberes (destaca-se), embora não seja regra, tende a acomodar-se pela maturidade que amortece a satisfação, e por reagir, um não operar das condições normais a trajectória, então, poderá configurar uma espécie de torpor que resulta o choque. Pois tal é a natureza do ser frágil, e da leveza da compreensão, que pelo condicionado do saber, acomodou-se e o cômodo é lento, que em conjunto, definem um ar de sociedade cansada, pois esta sociedade quando de maioria, é consciente do facto por prever, o que não quer, para si. Pois ter a noção, ter a dimensão ou saber mensurar, são qualidades indispensáveis que notabiliza o ser social e mobiliza a atitude. Ao que seja, da competência e autonomia em ser vigilante e atentar da iniciativa por despertar em como: reaprender ou, ascender perante a adaptação; aos valores que definem o que é prioridade ou necessidade; estratégia por superar a adversidade rumo a nova conquista. E, terá de ser por conquista. O fluxo natural de acontecimento é anterior às idéias.

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    2. António Luiz Pacheco13 de março de 2012 às 12:46

      Aplaudo!!!
      Sobretudo as suas definições a) e b) ...

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  6. Essa ideia que o livro não diz o bem que faz ao leitor (ou o mal que a sua falta faz ), qual maço de tabaco, parece-me um bocado bizarra. Não creio que alguém desate a ler apenas para ficar mais letrado ou inteligente. Acho que não passa mesmo por aí. A leitura tem que dar prazer, tem que ser uma atividade agradável. O leitor tem que se sentir bem a fazê-lo. Tem que ser esse o objetivo último da leitura. Se por acaso também melhorar a pessoa, ótimo . Mas não creio que seja esse o objetivo principal. Que tem ótimos efeitos secundários, lá isso tem. Mas também não podemos generalizar: conheço excelentes leitores, cultíssimos e que são verdadeiras cavalgaduras. E outras que mal sabem ler ou que passam o dia de volta de tv e são pessoas de um generosidade imensa.
    Mas claro que a leitura eleva substancialmente o nível cultural de um povo. E um povo mais instruído é mais difícil de manipular e enganar. E quanto mais instruído estiver mais apetência para a leitura terá. É um trabalho de décadas ou até mesmo de séculos, como muito bem diz a nossa Anfitriã.
    Quanto à crise, seria ingenuidade pensar que o livro passaria incólume no meio da tempestade. Era inevitável que também sofresse com a crise. Mas se calhar, seria a altura para se repensar o que se edita e ser-se um pouco mais seletivo: editar-se menos e melhor.

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    1. Em 24 de Agosto de 1970, Vergílio Ferreira escreveu:
      «Dou por mim às vezes a ler as selectas do liceu! Coisas ingénuas e medíocres — e saborosas. Inexplicável, o sabor, a comoção, ao ler essa coisa medíocre que é a Balada da Neve. »
      Conta-Corrente 1

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    2. O que falta ao livro é simples, o preço mais baixo. E não tiveram em conta um outro perfil: quem compra nos alfarrabistas. Quem gosta muito de ler e tem pouco dinheiro é isso que faz...

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    3. António Luiz Pacheco13 de março de 2012 às 12:47

      Parece-me a conslusão mais lógica... e já há muito que me pergunto porque se segue editanto a torto e a direito, tanta coisa de má qualidade, e ainda por cima cara!!!!

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    4. CONTA CORRENTE - uma OBRA absolutamente colossal, umas memórias absolutamente imperdíveis, o talento todo ali escarrapachado, pelo menos nos primeiros quatro volumes que já li!

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    5. Quem não gosta de ler arranja sempre desculpas e querem uma melhor do que o preço...

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  7. também acho que não, a não ser os livros de "auto-ajuda", cheios de soluções milagrosas.

    até já há alguns com dicas para arranjar emprego.

    mas isso não faz parte da literatura.

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  8. Cara Maria do Rosário,

    Compreendo bem o que diz. No entanto, e porque o que os olhos vêem vale hoje muitíssimo, uma cinta colocada em livros seleccionados (segundo o critério que a editora considerar mais relevante) advogando os benefícios da leitura, com citações de escritores/músicos/actores conhecidos (ou não!) sobre o acto enriquecedor de ler, dados estatísticos importantes ou divertidos e o que mais a criatividade permitir, tudo escolhido a dedo para invocar essa vontade, seria uma ideia assim tão estapafúrdia? Certamente um pouco dispendiosa, mas... faria alguma diferença?

    «Chega-se a ser grande por aquilo que se lê.» Jorge Luís Borges

    «Tornamo-nos amigos de pessoas que não conhecemos, porque um dia descobrimos um livro delas.» Eduardo Prado Coelho

    «Lemos para sabermos que não estamos sós.» C.S . Lewis

    «Acho a televisão muito educativa. Sempre que alguém liga o aparelho, vou para outra sala e leio um livro.» Groucho Marx

    «There are worse crimes than burning books. One of them is not reading them.» Joseph Brodsky

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    1. Obrigada, Carla, vou usar essas frases algures!

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    2. António Luiz Pacheco13 de março de 2012 às 12:48

      Palmas para este comentário!
      Gostei particularmente de ler!

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    3. Ó Carla o livro não é um sabonete!
      Ou se gosta ou não se não gosta, é preciso ter o vício, é preciso gostar do livro do seu cheiro do seu tamanho, da sua letra, apenas de o olhar todos os dias, de o apalpar (sim aplapar) de o abrir de vez em quando, de pensar de si para si quando o vai ler, levá-lo todos os consigo, ir de férias com uma mala cheia deles, andar sempre com um atrelado...

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    4. Tem razão, ASeverino , mas tal como uma boa publicidade pode conduzir à compra de um sabonete que nunca se experimentou, também uma frase luminosa pode fazer nascer a vontade de «apalpar» um livro pela primeira vez, ou de olhar para o conteúdo desse objecto com um novo olhar. A prova disso são as iniciativas e os negócios, grandes ou pequenos, mais bem sucedidos deste país -- muitos, se não todos, garantida a sua qualidade, ganharam com a criatividade empregue na sua divulgação, tantas vezes traduzida em palavras. E criatividade, neste domínio, significa realçar a qualidade, a relevância e a diferença de determinado conteúdo. Quando aliada a uma qualidade irrepreensível, surte seguramente o efeito desejado. E repare que pode ser aplicada em cintas de livros que se pretenda vender, mas também em programas de incentivo à leitura, nas bibliotecas, nas escolas. Diz-se que uma boa imagem pode valer mais do que mil palavras, e é bem verdade, mas não se poderá dizer o mesmo do encadeado de ideias, pensamentos e sentimentos que uma frase inteligente pode despertar em cada um nós?

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    5. E que me diz àqueles saquinhos (com lacinho com cheiro) que contêm os livrinhos da Daniel Steel , da Sveva Modgnini não sei quantos, da Nora Roberts , da Margarida Rebelo Pinto...uma delícia...uma amiga minha já comprou 10 saquinhos deles, para juntar aos dois metros que comprou para aí nos anos 80 do século passado, aos AMIGOS DO LIVRO (lembram-se).

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  9. Vestindo a lição de ouro
    fora calma e larga a palma
    tua página d'alma é manto
    e por livre, o livro fora canto

    por quanto mais, o pranto
    dispersa, quão longa a certeza
    que Portugal é por natureza
    um o berço de mira d’ouros

    de qual bendizias por fecundo
    quisera bênção e não melancolia
    milenar povo, prataria e palavra

    e tão sagrado teus dias na lavra
    livraram-te da vã e falsa agonia
    agraciar não é condenar o mundo.


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    1. bom poema sra. Tomazi!

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    2. É uma mensagem de paz. Apenas gratidão, Courinha.

      Boa noite.

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  10. Esta é de caixão à cova - uma acção de formação para falar do que falta ao livro para se afirmar num momento crítico como o que atravessamos??? Sinceramente gostava de ouvir esse formador...é preciso ter lata, e há quem os ouça...e se calhar até abanam a cabeça como sinal de concordância...

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