Espectáculo, ou talvez não
Poucos leitores deste blogue saberão que, em tempos idos, nem interessa bem quando, escrevi duas colecções de livros juvenis para a então famosa Verbo, tendo ultrapassado os quarenta títulos publicados e vendido mais de um milhão de exemplares; nada de especial, se comparada com Enid Blyton, mas muito bom, se me lembrar de que foi assim que viajei durante muitos anos e pude meter o nariz nos cinco continentes (em alguns deles, foi mesmo só a pontinha do nariz). Depois dessa experiência (é talvez mais correcto dizer «durante»), escrevi também um romance e três livros de poesia e, embora a imprensa me tenha dado alguma atenção, nunca a televisão me convidou para falar deles (exagero: fui a um programa que Bárbara Guimarães manteve na SIC num período em que a Nação atravessava melhores dias e tive direito a uma edição inteirinha do Ler+, apresentado por Teresa Sampaio, no âmbito do Plano Nacional de Leitura). Nos últimos anos, chamaram-me umas quantas vezes para falar de edição e de livros que tinha publicado, mas, ainda assim, sempre em horários ditos pouco nobres e canais com menos audiências. Ora, desde que escrevo letras para fados, os convites para ir falar da canção portuguesa ou dos seus intérpretes, sobretudo depois da elevação do Fado a Património Imaterial da Humanidade, multiplicam-se; e, só numa semana, foram três os pedidos para participar em programas e documentários. Fiquei a pensar que é uma pena que a literatura não tenha esta dimensão de espectáculo para poder aproveitar este meio que é a televisão e chegar a mais gente. Não por mim, que já quase não dou à pluma fora deste blogue («pluma» é força de expressão), mas porque gostava que alguns autores tivessem mais leitores, todos os leitores que (os) merecem. O problema é que sempre que um escritor consegue um certo grau de mediatismo também há logo quem desconfie...
Desconfie do quê?
ResponderEliminarTalvez jovem Courinha, porque é gira e como diz ser o desejo um esportivo acelerado, muitos apreciam, poucos pilotam.
EliminarTriste fado ser escritor? E, já agora, tanto fado não enfada?
ResponderEliminarA compreensão do justo é a virtude da serenidade.
EliminarMaria do Rosário que me desculpe, mas acho que devia colocar este tipo de temas às sextas-feiras, dando-nos tempo à larga para travar o debate que estas matérias merecem.
ResponderEliminarÉ que, assim, no horário de expediente, o patrão a espreitar-nos o monitor por cima do ombro, e depois ao fim do dia, em casa, a família a contar com o nosso desempenho habitual nas tarefas domésticas, nisto são horas de ir dormir, fica-se ali às voltas na cama, a pensar numa maneira de desenvolver a dimensão de espectáculo da literatura para captar leitores, mas depois, como é?, o escritor tem de condicionar a escrita à necessidade de ela se prestar ao show? – e isto origina mau dormir, sonhos maus, pesadelos…
Entretanto, na manhã seguinte, este tema é já passado.
Quer dizer: uma noite mal dormida, para nada.
Cumprimenta,
Joaquim Jordão
A consciência é um sapatinho de cristal.
EliminarBoa noite.
No último Festival Literário da Madeira, o segundo, um dos convidados foi o Júlio Magalhães, célebre pivot da TVI, amigalhaço do Marcelo, e agora o manda-chuva da Porto Canal, ou Canal Porto, ou Canal do Porto... ou Porto do Canal.
ResponderEliminarBom, dizia eu que o Júlio Magalhães disse qualquer coisa como os autores fugiram da televisão (?), que tinham manias, que ao fugirem da tv fugiam também dos leitores e que, consequentemente, estes também não queriam saber daqueles, etc. Até deu o exemplo de António Lobo Antunes aquando do lançamento do seu último Romance em que, ao terminar a apresentação, a jornalista da TVI aproximou-se para o questionar e, mal gesticulou umas sílabas, o escritor disse-lhe, "Você não leu o meu livro, portanto não está preparada para falar dele." Lá a rapariga meteu a viola no saco, que é como quem diz, foi para a redacção, contou o sucedido e, se assim foi, não se passa a peça. Com este testemunho, do meio da plateia sai a Inês Pedrosa estupefacta com o que ouviu e não concordou lá muito com aquilo, para não dizer que não concordou minimamente. Deu o exemplo de Eduardo Prado Coelho que durante anos e anos propôs programas literários, se não estou em erro na RTP, e foram recusados.
Isto faz lembrar a história de quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha, embora aqui, na minha opinião, não tenho dúvidas de que foi a televisão quem afastou a literatura dos espectadores.
Depois, na sequência desse debate, o extraordinário Fernando Pinto do Amaral deu uma achega, mas isso já é outra conversa.
Isto de se gostar de ler ou se gosta ou não se gosta...a televisão não afasta nada.
EliminarE quanto ao Lobo Antunes deve ter percebido logo pela carinha (ou pela pergunta) da locutora que não tinha lido o livro dele nem ...nenhum, daí...
Para o sensato a fortuna é um vestido comportado.
EliminarControlar, controlar, controlar é um dos grandes problemas da Humanidade. A maledicência é uma forma eficaz de conter quem cria, por parte de quem nada faz. Um modo triste de ser. O melhor é fazer, fazer, fazer, sem nos preocuparmos com o que irão dizer, dizer, dizer. (O que é tão inevitável como haver noite de 24 em 24 horas.) Que uns sejam mediáticos e outros recatados, o que (me) importa é o que escrevem e vejo encanto nas duas posturas.
ResponderEliminarNos polos não há noite de 24 em 24 horas! E agora hein?
EliminarA derrota do exílio é a certeza da vitória.
EliminarO limiar são as esporas do patrocínio.
EliminarOra, qual é a dúvida? Assumo o lapso e a ignorância. :) E para a próxima em querendo fundamentar uma opinião não recorro a factos que o não são. Obrigada! Gosto de aprender / relembrar.
EliminarA resposta é para ti João Courinha e não para a Cláudia. Não é de hoje. Ando sempre maluca...
EliminarHoje está tudo maluco!
ResponderEliminarO amor é o líquido da perfeição e o frasco é o homem.
EliminarOra a aí está uma grande verdade!
ResponderEliminarO sucesso alheio, especialmente o dos pares, é, por vezes, difícil de digerir...
Tenho imensa pena que não se façam programas sobre livros e literatura. Recordo-me dos programas do Francisco José Viegas que adorava. Fazem-me muita falta. Ando sempre a catar na net o Ler + ler melhor, o Ah Literatura que também acabou, o Livraria Ideal... E o Câmara Clara, mas esse não é exclusivo de literatura. Faz falta, um programa de maior fòlego: uma especie de Câmara Clara só de livros.
Eu cá também concordo com a ana b (beijinhos para a sua filha), mas acho que remar contra a maré só faz sentido às vezes. É um facto que para os programas prosperarem precisam de audiências e não de meia dúzia de bloggers, mas de massas. Até eu, rapaz que gosta de livros, já apanhei secas terríveis com programas em que um Zé de monóculo especulava sobre as verdadeiras intenções de determinado autor. Existe um programa de pintura chamado "the power of art" em que as obras são apresentadas de forma contextualizada com a vida do artista. Um narrador passeia pela cidade natal do autor e conta-nos a história deste enquanto mostra obras e desencadeia pequenos clips da vida do indivíduo em estudo (representados por actores). Fala da pancadaria de Caravaggio com um cavaleiro da ordem de malta, da vingança de Bernini contra o irmão que lhe sacou a mulher, de Rembrandt a cortar o seu mais emblemático quadro com uma navalha (aquele encomendado pela Câmara de Amesterdão) e de mais uma série de episódios escabrosos que mostram o artista como homem real e atenuam o aborrecimento. Se experimentassem algo deste género na literatura acho que podia ser muito benéfico, quer para a estação de televisão, quer para o público.
EliminarO sucesso dos pares só é dificil de digerir pelos tontos que não percebem que o sucesso alheio pode impulsionar o próprio sucesso!
EliminarPLFF
Argumento fraco, desculpe.
EliminarCÂMARA CLARA faz-me lembrar o CÍRCULO DE LEITORES começou por vender livros, depois, a pouco e pouco, começou a vender discos, depois máquinas fotográficas, depois televisões, depois talheres, depois panelas, depois penicos e lá vai vendendo, de vez em quando, uns livrinhos...
EliminarMais palavras para quê?
EliminarÉ um artista português.
A idéia é que o pensamento aquece, uns diriam Bons pensamentos, outros menores pressentimentos ou incrustrados ressentimentos...enfim, a temperatura que os lamentos expressam na humanidade, do enfado ao que baste, gemer ou chorar, perpassando pela sensibilidade que constrói, edifica, singulariza uma cultura...a gestão desta cultura, não deve ser penalizada pelo que afecta algum desiquilíbrio, a postura, o princípio e direcção; dinâmicas tão necessárias quanto vestes, embora a consciência estractifique, fraccione níveis de instrução e responsabilidade, a ética deve ser padronizada ou seja: para não distorcer o incremento, pois o desavisado das rotas, por vezes, atrasa da expressão pelo indesejado, profano, incredulo ou maldoso, etc.. O quê, possivelmente, realizaria por aquecer a existência ou suprir a carência humana? Se de um lado concorre o singelo, o ingênuo, a decência, por outro lado é interpretado como o que seduz, o (aterrador prazer), o vulcão acalentador da ansiedade... a que lembrar-se (natureza humana) considerando de calafrios pela nudez, quando a angústia clama por aquecer-se, então a incompreensão concorre por nossas vestes ou falta delas, pois somente a arte é serenidade, o lenho serependidade. Veludos, tricolines, lãs, sedas e cetins entre tantos, comuns da identidade. Não necessariamente o que cobre aquece, mas aquece quando cobre, concorrendo com tramas da boa expressão: elegante ou rudimentar, considerando os meandros da vida o tear...tecer, fabricar, escrever!
ResponderEliminarEstou quase sempre atenta ao "Horas Extraordinárias" e sempre que me é possível vou dando a minha opinião, hoje lanço um repto: Quer vir à minha escola falar com os meus alunos do 11ºano sobre esse amor aos livros e sobre o que é/faz um escritor, nos dias de hoje?
ResponderEliminarEstou em crer que os leitores de hoje - escritores de amanhã - passam todos pela escola, ou não?
Aguardo uma resposta.
O futuro é o exercício da compreensão.
EliminarO problema é ter tempo livre. Mas há-de arranjar-se. Portanto, o melhor é por telefone e logo se vê a agenda.
EliminarComo disse o Francisco Agarez : “Triste fado ser escritor? E, já agora, tanto fado não enfada?”. Concordo. Enfada um pouco. Mas…
ResponderEliminarEntendo a Dra. Maria Rosário quando diz: “O problema é que sempre que um escritor consegue um certo grau de mediatismo também há logo quem desconfie”. Não posso deixar de estar de acordo. Desconfia-se do quê? Da qualidade? Porquê? Por vender mais do que seria “suposto”.
Eu sei que não vão considerar isto um exemplo feliz. Mas já tive mais prazer a ler Margarida Rebelo Pinto (classificada como não literatura) do que muitos peseudo escritores, armados em eruditos, que falam, falam, falam , e não dizem nada.
A vida é uma esfera de amor.
Eliminarnão é para me gabar, mas li o romance e pelo menos dois dos livros de poemas. que adorei, sobretudo os poemas. foi aliás pelos livros que a "conheci". já não fui foi a tempo de ler a literatura juvenil :)
ResponderEliminarCriança é pérola que cintila em água cristalina.
EliminarEstou muitíssimo de acordo com o nosso ExtraordiMário Santos!
ResponderEliminarahahah ! perdoe a brincadeira mas não resisti!).
Ora vejam... o fado continua a não passar a não ser nas rádios locais e naquela outra dedica a ele em exclusivo. Penso que as editoras mandam e querem vender Rihana ! Se não lhe calhasse fazer um dueto com o Pablo Alborán que por ser de fora é promocionável , a Carminho seria uma completa desconhecida da maioria do público e fora do circuito. Por isso a Extraordinária doutora atraiu as atenções ao escrever para a "menina do momento" (com toda a justiça note!) que até foi convidada do Prof. Marcelo - e ainda bem!
Com os livros, ora, eu penso que se passa o mesmo: - Impera o "vender". E uma das formas de vender é premiar o autor nem que seja com prémios só para isso mesmo! A outra é dizer que vendeu não-sei-quantos-mil ! E finalmente, fazer dele uma cara conhecida das TV e revistas. Sem isso... sem essa notoriedade, nada feito!
Terão muitas vezes que andar com eles ao colo, o que também se faz e descaradamente!
Já li centenas de livros, sem conhecer a cara do autor e nem me rala nada! Quero é lê-lo...
Conheci na TV o Alçada Baptista, o Cardoso Pires, o Nemésio, e creio que, porque além de escritores eram igualmente bons conversadores. Outros são ou eram uns chatos... o Abelaira , o Saramago, o Lobo Antunes! Aquilo quem os oiça é que desconfia mesmo e não os lê!
Erro crasso evidentemente...
A Drª diz que se desconfia! Pois tem muita razão, acho eu... Porque a maioria do sucesso e dos prémios e dos nú meros de venda, são fabricados! Já leram o Anjo Branco? Perdoem-me, mas que coisa tão mal escrita e engendrada! Do pior que já li! Como desconfiei, li emprestado, na tranquilidade da mata do Cariango , e detestei! Diz-se que vende às carradas... pois vende, ao engano! E quem se atreve a dizer "o rei vai nú "?
Toda a gente delirou com "Rio das Flores", e eu gostei também! Mas, quem leu ou ouviu falar do que é talvez melhor romance dos últimos anos que retrata o Alentejo - "Vida e morte dos Santiagos "? Que mete aquele a um canto!!
E por acaso o "A Sul o Sombreiro" é campeão de vendas? Quem é que ouviu falar de "Levante 1487", ou "Deuses enfurecidos"? Mas vão à Atual " e vejam as críticas literárias e os encómios a quem são feitos... e se calhar encomendados e pagos!
Sempre aos mesmos, como se apenas eles escrevessem... o Pepetela é ali práticamente residente (e bem!) mas e outros? Por acaso
"O Canto da Sangardata " teve o destaque que é normalmente feito às obras de Pepetela?
Porque para mim, minha Cara Drª isto funciona assim: eu sei do que gosto e procuro aquilo que há... e é curioso que vou encontrando, sem precisar de merchandising nem ver as caras nos media e muito menos através das críticas....
Sou dos que desconfiam dos sucessos, espero ter sido capaz de explicar, sem me embrulhar demasiado...
Ainda há pouco descobri um excelente escritor chamado João Madeira... e até foi aqui!
Desculpem-me pela extensão da asneira, eu a traça aqui exposta à luz que ilumina gente sabedora e pre-clara. Mas creiam que a traça não é hipócrita, assume que procura a luz!
Saudações do campo!
A mão é uma árvore que haveis de plantar.
EliminarTotalmente de acordo com o Pacheco, nomeadamente no que se refere ao 575, vende O ANJO BRANCO às carradas mas aquilo saiu da linha de montagem e entrou directamente na FNAC, só faltaram aqueles tontinhos que vão 24 horas para a "bicha" quando sai um novo iPad ...ou para comprar os bilhetes para uma nova sessão da GUERRA DAS ESTRELAS
Eliminarúltima hora- Li ontem que foram encomendadas mais 575 páginas ao orelhas e ele já reuniu com os operários e já lhes distribuiu as tarefas de cada um...
Que me desculpem os anónimos deste blogue porque vou personalizar o conteúdo e não comentar o post da nossa anfitriã. Quero apenas deixar um forte abraço ao ALPacheco. Não nos conhecemos mas senti deveras as saudações do campo. Obrigado, amigo.
ResponderEliminarO elo vivo é a ecologia.
EliminarConsagrado desenho cuja tinta for a esperança.
ResponderEliminarOra bem, isto já são quase 23,30h , posso anunciar que desempenhei com êxito as tarefas domésticas que me cabem nos dias úteis – dar de comer aos bichos, pôr a mesa, aquecer o jantar, pôr em dia as agendas enquanto jantamos, fumar um cigarro de sobremesa enquanto faço umas festas à impaciente cadela, levantar a mesa, passar a loiça por água e meter na máquina, fazer e atender telefonemas enquanto espero pelas 22,00h para ligar a máquina no bi-horário , descer, ir lá fora jogar a bola com a cadela para ela se mexer (e eu também), molhar o pátio dos sapos, voltar para dentro e montar os dispositivos para encher 30 cigarros, destes que agora se usam porque ficam cerca de 4 vezes mais baratos, ouvir um telejornal qualquer enquanto os encho, fazer festinhas às gatas que vão passando pelo meu colo a pedir mimos, ligar o velho computador doméstico que demora até ficar operacional, ir espreitando os mails enquanto faço os cigarros, arrumar os dispositivos e meter os cigarros nas cigarreiras, clicar nos favoritos para as Horas Extraordinárias, ir buscar umas gotas de whisky e uns quadradinhos de chocolate enquanto o computador se decide, vamos lá a ver como é que ficou o debate sobre aquilo de puxar pela componente espectáculo da literatura, ó diabo, parece que ninguém reparou neste apelo de Linda David para ir alguém falar sobre livros com os seus alunos do 11º ano, jovens com uns 16 / 17 anos, apenas Cláudia comentou – e bem, mas de modo inconsequente para o caso concreto – que “o futuro é o exercício da compreensão”…
ResponderEliminarAi que é já quase meia-noite, eu tenho é que ir para a cama, mas espera aí: parece que, segundo a mesma Cláudia, a consciência que tenho das minhas insónias, sonhos maus e pesadelos sobre a literatura, é um sapatinho de cristal. Ora bem. Ao menos isso, Cinderela…
Antes de fechar, nova volta pelos comentários e… Ok!, Maria do Rosário reparou no apelo de Linda. Fico contente, vou dormir descansado.
(Vou levar esta, de Cláudia às 22:38, para segredar à minha mulher: «O amor é o líquido da perfeição e o frasco é o homem»…Isso do espectáculo da literatura, veremos a seu tempo.)
Bons sonhos.
Joaquim Jordão
Sim. A Cinderela é vossa Literatura, passam-lhe por gata borralheira, obras, cujo glamour vos ascendeis do conhecimento, por transparente e frágil, revela a nobreza do peregrino Jordão. É bom saber que alguém cuida de você!
EliminarOra, ora, amiga Cláudia, por que esteve a incomodar-se por minha causa? É bom saber que cuida de mim, pobre peregrino, mas não me acho merecedor de tão condescendentes desvelos, eu que apenas vagueio erraticamente por entre as flores que a Cláudia planta nos férteis territórios de Rosário.
EliminarRespeitosamente,
Joaquim Jordão
Que pena não haver uma tecla para marcar os aplausos!!!
EliminarPalhaços também têem direito ao aplauso, ou se preferir a jaula de leões, já que não temos rede para os equilibristas, mas, pode tentar se quiser...Bem vindo ao picadeiro senhor António Luiz Pacheco.
EliminarNós as traças deconfiamos das redes... eheheh! Porque pode haver um palhaço Dirceu Borboleta e a coisa acaba mal... já os leões com traça são mais temíveis!!!! Ahahah!
EliminarVou continuar a pairar em volta desta luz como compete a uma traça que se preze...
Mas continuem, sem shelltox é claro!
Óbvio que continuo, pois as traças pertencem ao picadeiro, igualmente ao direito de aplauso por executar malabaries no circo de pulgas, Sr. António Luiz Pacheco.
EliminarAgradeço de vossas palavras, de minha estima Joaquim Jordão, até mais.
EliminarBoa noite.
Caro António Luiz, veja adiante o meu comentário, que também vai para Cláudia.
EliminarAbraço.
J. Jordão
Bem, eu… isto já é tarde… acabei há pouco as tarefas domésticas, às quintas-feiras um bocadito mais complicadas, por causa das torradas-do-pão-que-sobra e dos iogurtes… estava até a pensar dar à comunidade umas úteis dicas dessas experiências…
EliminarVim aqui aos territórios de Rosário à procura de mais contributos para a memória de Eduardo Prado Coelho, que é o pouco participado tema do dia – e eis que, afinal, peregrinando de volta ao tema que vem de ontem, me perturba o que, assim à primeira vista, me parece (e se estou a ver mal?) uma cena de ciúmes…
Errante peregrino, fico a pensar que é minha a culpa de, deambulando atabalhoadamente nestes jardins, para aqui ter inadvertidamente atraído um inesperado circo de «palhaços, equilibristas, traças, pulgas, leões» – enfim, uma perturbação que, pareceu-me (e se estou enganado?), quase transformou este amável território numa selva.
Isto tirou-me a vontade de transmitir a quem possa interessar a minha experiência de décadas como fabricante de iogurtes domésticos, e a comparação que, ainda há pouco – enquanto misturava calmamente um litro de leite meio-gordo morno, desnatado, com um iogurte natural e meia-colher-de-sopa de leite-em-pó para ajudar a engrossar – a comparação, dizia, da necessariamente calma feitura de iogurtes (que, depois, se multiplicam uns aos outros) com a desejavelmente tranquila escrita de livros (que também, quando é o caso…)
Enfim, estes sossegados procedimentos, comparados com a tese do desenvolvimento da componente espectacular da literatura…isto tem muito que se lhe diga.
Mas a selva dos ciúmes não será o ambiente adequado para tratar estes transcendentes assuntos...
Meus caros amigos Cláudia e António Luiz , deixem-se lá de coisas, que aqui não há rede para equilibristas.
Paz, com os cumprimentos do
Joaquim Jordão
Hum... pela minha parte só manifesto alguma perplexidade, e agradeço a sua chamada de atenção pois de facto não tinha percebido... os mal-entendidos só persistem se os alimentarmos, não serei eu a fazê-lo e muito menos em casa alheia.
EliminarVoltaria a aplaudir o que diz, mas corria o risco de ser uma vez mais mal interpretado.
Boas noites, vou ver o Easy Rider com o meu filho no canal Holywood, tomando um chá verde com uma rodela de laranja e mel.
Concordo consigo, em relação ao ciúme não justifica, excluindo por menor, com relação a selva, acrescentaria dizer pré-histórica, acusa o sintoma quase desagradável e incompatível com o refúgio, jardim especial; brisa amena, generosidade, respeito e causa. Há necessidade de aplauso? Onde caminha a labuta ou espanto a atitude fora quietude, fora placidez, ão de concordar ou não da reserva em que transita o paradoxo: por não distante a distância resguardara a paz. Não perco o sono em angústia temporal ou existencial, quiçá d’outros ais, que não fora saudade! E, na medida do possível, acolhem-me ou, não?! Acolho. Talvez, do modesto aceno em prol do conveniente e positivo, e entendo por decente o de vossa altura e de vossa cultura ao que reconheço minha parca; contudo não contamino com falso entusiasmo. Não é costume valorizar o estratagema; o que corrompe confina, e o ingênuo não julga. O julgamento é injusto por: antecipado, injustificado e desnecessário ou, nem se quer do direito...dinâmica decadente, ultrapassada e constrangedora, pois privilegia uns a outros; há quem entenda que o branco não tem cor, na vez que o branco é uma cor, e o que não tem cor é transparente; discussão por dizer tola, valendo o que desvia da unidade. Se o exótico me atrai, estudo, conheço, e não martelo confusão, porém, ao que digo defendo, acredito nas pessoas, tanto quanto na boa intenção, principalmente quando a pessoa é a própria intenção de bondade. De mais a mais, reconheço o quão doloroso, esclarecer e animar sensíveis assuntos e se bem pouco dizem a uns, pois a outros nada dizem; se de um lado não temos diferença de conviveres, de outro lado, não devemos penalizar da oportunidade do diferente e que estabeleça propósito, de não fantasias ou redes, assim por dizer cansativas e rotineiras; creio em pedidos de perdão, peço-vos, J. Jordão de Amarante.
ResponderEliminarQualquer comentário que eu possa tecer vai levantar suspeitas. Primeiro porque procuro um lugar nas letras (sem sucesso claro!) Segundo, porque sempre fui bastante crítico das cátedras, das associações, grupos e grupelhos que rapidamente se formam em torno do escritor. São apaparicados, levados ao colo, anunciados como os novos arautos da literatura e depois... depois morrem no seio das academias, ds críticos e dos amigos do croquete por falta de renovação sanguínea. A MArgarida Rebelo Pinto, quando surgiu, pôs meio Portugal a ler... a ler na praia, no comboio, no autocarro, no intervalo do almoço, mas os críticos, os editores e os livreiros insistem em descobrir novos Saramagos, novos Lobo Antunes que, sabendo-se como anda o panorama cultural e educacional do país, se confinarão a um círculo muito restrito. É esse medo de arriscar nos novos aliado ao distanciamento com que os consagrados votam os leitores e os seus pares que tem vindo a destruir a semente da leitura. Acrescente-se ainda o facto de os escritores trabalharem de costas voltadas uns para os outros no meio de tricas e invejas e temos o caldinho feito... Tem razão...se um escritor tiver mediatismo há logo alguém que desconfia...principalmente, outros escritores...
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