Boas e más notícias

Li nos jornais uma notícia a que muitos vão decerto chamar demagógica (ou já chamaram), mas que me pareceu uma coisa positiva e, até certo ponto, indicadora da importância dada à formação cultural pelos nossos políticos (alguns, pelo menos). Dizia a dita que as pessoas desempregadas passarão a dispor e descontos ou borlas em museus e outros espaços culturais e que não há-de ser por não poderem comprar a entrada que se verão privadas de os visitar e desfrutar. Mas eis que, a seguir a esta decisão salutar, foi suspenso um festival de escritores agendado já para Abril e organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos (CMM), o LeV, Literatura em Viagem, ignorando eu no momento em que escrevo este post se haverá uma reconsideração, se, pelo contrário, o acontecimento anual se vai tornar bienal ou mesmo desaparecer enquanto a Troika quiser. Estão, porém, marcadas as viagens de alguns autores (e sabemos que, com os bilhetes emitidos, a CMM vai provavelmente ter de os pagar); e, sendo alguns deles nomes importantes (como Paul Theroux), desconvidá-los dará uma imagem de irresponsabilidade que dificilmente se conseguirá sanar. Percebo que as autarquias se têm esticado e que a sua despesa foi muito além do que deveria, mas não tenho a memória tão curta que não me recorde de que há pouco tempo saíram notícias atestando justamente que o Município de Matosinhos tinha as contas em dia. E fico sem perceber nada. Então a cultura interessa ou não interessa? É valorizada por uns e desvalorizada por outros dentro do mesmo governo? E esta opção de suspender o LeV será o exemplo que precisam para acabar com outras coisas do género e nos inibirem de assistir a encontros de gente inteligente? Alguém que me elucide, por favor.

Comentários

  1. Quando um bem ou um serviço é oferecido de borla a tendência é para não ser considerado e, portanto, não estimado.
    Sempre foi assim e com os bens culturais -- que custam dinheiro como qualquer outro produto (e muitas vezes, são bem mais caros) não vai haver diferença.
    E a quem vai interessar esta oferta? A um desempregado angustiado com a sua sobrevivência não aquece, nem arrefece, não vai interessar.
    Usufruir dos bens culturais pressupõe também uma paz de espírito que um desempregado de longa duração não tem.
    Para mim, foi uma medida demagógica do dr . Viegas. Uma contrapartida para tanto corte na cultura que provavelmente o trarão -- ao dr . Viegas -- com um peso na consciência.
    Em Portugal ainda não olhamos para as indústrias criativas como um motor de desenvolvimento e não será com caridadezinha que as vamos desenvolver.

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  2. Hum... a cultura passiva interessa, quanto à activa já está mais complicado. Ou seja, como os nossos museus estão muito abaixo do seu limite de visitantes e os desempregados têm mais onde afectar os seus limitados recursos, para implementar as borlas dos pobres, não existe nem despesa adicional nem perda de potencial receita. Organizar um evento já é cultura activa. Desconheço as contas da Câmara de Matosinhos, mas se realmente estão em boas condições, parece-me que o governo os devia premiar com uma maior autonomia, dando a ver às outras que os bons exemplos são recompensados. Quanto ao Theroux ter o bilhete marcado, tanto vale ele quanto os outros convidados, se ficar indignado que num pais em dificuldades o menino possa ser desconvidado, é porque é parvo. Ainda assim parece-me que vai compreender. As coisas estão muito complicadas, parece-me que as pessoas até nem se importavam de recorrer à sua melhor estoicidade se tivessem garantias de que seguiam no bom caminho.

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  3. Convidem o Futre para falar do seu livro (e não só) e terão a casa cheia...e quanto ao evento parece que tinha alguns nomes importantes, logo outros desimportantes, pelo que...ó tia não fique incomodada com o Theroux porque ele está-se nas tintas prá literatura ele quer é putas e vinho verde (sem mosquitos)...

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    1. Por acaso nunca li Theroux, mas sei que a par do Jack London foi uma das inspirações do Christopher Mccandless para trocar Harvard por uma vida solitária no gelo do Alasca (filme Into the Wild). Não sabia que era homem de bubadêras e boa mama.

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    2. João, há aí precipitação: Theroux, Paul, ou Thoreau, Henri ? Não que eu soubesse nada disto, mas segui a wikipista.

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    3. É bem capaz Paulo, eu julgava que o Theroux estava morto! Aquele a que me refiro era uma espécie de filósofo naturalista. Um homem muito ligado ao campo.

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  4. também li a notícia.

    fiquei com a sensação de há qualquer coisa mal contada, que a notícia não estava completa.

    além da questão do dinheiro, penso que deverá existir outro problema...

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  5. Paguei vinte dólares para ver/ouvir o Harold Bloom na Biblioteca de Nova Iorque.

    http://arevoltadasfrases.blogspot.pt/2011/05/harold-bloom-ny-public-library.html

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  6. António Luiz Pacheco26 de março de 2012 às 05:43

    Creio ser uma pena e mais do que isso uma decisão errada que dará má imagem do país. Que nos remete culturalmente para um nível de lixo?

    Pegando no que diz o nosso Extraordinário Amigo Rui Esteves, vou mais longe e na minha assumida ignorância de traça que vos mira cá deste lado do rio do saber, pergunto:
    Uma saída apontada para Portugal, país antigo, com história, gastronomia, hábitos e folclore tão curiosos quanto diversos, uma geografia particular, bom clima, e gente que gosta de receber, tem sido o turismo, e claro que dentro deste há a vertente do turismo cultural.


    Então lá vai asneira: Portugal não será ainda um daqueles países onde os escritores se podem instalar, nos montes ou nas praias, nas pacatas vilas ou no campo suave, para a sua actividade criativa? Há exemplos... e não será por acaso que temos tanto escritor (ok! e muitos mais escrevinhadores). Enfim digo eu...
    Estes festivais mais pobres ou mais ricos, com mais ou menos custos, não seriam importantes para divulgar o nosso país e atrair pessoas das letras, que depois por um natural efeito de contágio começassem a chamar outras? Mesmo que estas não viessem já em busca de escrever mas apenas de tranquilidade?

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    1. Caro Pacheco, essa ideia é fantástica, mas gostaria que me dissesse aonde, pois ando à procura de um sítio desses e ainda não encontrei nenhum! Entenda-se,claro, uma residência ou retiro temporário pensado para acolher escritores (e/ou outros artistas) a preços compatíveis com a intrínseca penúria dos mesmos. Não conheço nenhum local assim em Portugal (havia Belgais, et pourtant...) privado ou não. Se alguém conhecer, ficava muito grata pela dica.
      Cristina

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    2. Balsamão.

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    3. Registei a sugestão. Era um sítio assim, mas sem as cruzes e as bíblias por todo o lado (embora eu não tenha nada contra, nem a favor, aliás).
      Obrigada, Cláudia.
      Cristina

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    4. António Luiz Pacheco26 de março de 2012 às 07:15

      Minha Cara Cristina - Anónima Extraordinária:

      Sinceramente não sei apontar-lhe nenhum, depende certamente do que pretende e até onde em termos geográficos de campo ou praia. Mas creio que procurando há-de haver onde...
      Aqui em Vale de Lobos a Roni e o Pedro, já não recebem pessoas na casa que foi de Herculano. Ele há Sagres, e as aldeias do Xisto, a Casa Cimeira no Douro que foi dos meus avoengos e tem até site. Por esse país há-de haver tantos lugarzinhos , montes e casitas alugadas por velhotes ou arranjadas por amigos, é pôr a rede a funcionar, digo eu!
      Posso pô-la em contacto com o meu amigo Carlos Fonseca da Univ . de Aveiro que recuperou um moinho de ribeira, num local fantástico nas serranias da zona centro. Nas Flores tem a minha amiga Gabriela que é escritora e poetisa e lhe pode ver das casitas que eram da base dos franceses... as Flores é um local fantástico, ou a Terceira à sombra dos Biscoitos, de Nemésio (que tive o raro privilégio de ali conhecer)... há milhões de possibilidades!

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    5. Pereiros, Trancosã, Cedovim - todo o percurso à beira do Douro, único do românico, entre a Régua e Freixo-da-espada à Cinta...

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    6. Obrigada a ambos.
      É evidente que turismos rurais e lugarzinhos da família e/ou de amigos há muitos. Mas não é disso que estou a falar! Estou a falar, como disse acima, de locais especificamente vocacionados para acolher escritores. Para mim, são coisas bem diferentes, embora os primeiros possam também servir os mesmos propósitos.
      Cristina.

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    7. António Luiz Pacheco26 de março de 2012 às 09:09

      Ahhh ! Óquei ... confesso que não percebi logo!

      Mas, é essa exactamente a minha idéia .</a> . acho que em Portugal existem sítios Extraordinários e o clima/ambiente onde se devia promover, apoiar, subsidiar, sei lá eu, a existência de residências ou hotéis ou o que fosse, baratinho e tranquilo, para músicos, pintores e gente das letras ou artes criativas em busca de repouso, inspiração ou um local para trabalhar!

      Julgo que há disso noutros países... parece que foi Paulo Moreiras (O oiro dos corcundas) que escreveu num desses retiros ou residência... e é frequente haver criadores a fazerem-no, só que isso devia estar ao alcance dos menos abonados, famosos e remunerados... ser acessível, como as pousadas da juventude!

      Pode ser que a idéia .</a> chegue ao Viegas, que me parece ser uma pessoa sensata e aberta.

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    8. Sim, desses lugares-casas para acolher escritores, em Portugal, que eu saiba, não há. MAs há muitos sítios por essa Europa fora e mais ainda nos E.U.A.

      Bolo Rei Seco e Esfarelado

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    9. Mosteiro de Tibães em Braga. Ficará agradavelmente surpreendida.
      Ana Cristina

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    10. Precisamente. Existem, há muitos anos, por toda a Europa e nos EUA. Porque não haverá então um único por cá?
      Cristina

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    11. E, nem de propósito, acabo de descobrir esta crónica recente da Alexandra Lucas Coelho:

      http://blogues.publico.pt/atlantico-sul/2012/03/18/e-enquanto-os-brasileiros-escrevem-os-portugueses-contam-tostoes/

      (sic)"Bolsas e residências literárias ... Conhecem?"...

      Cristina

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  7. You guys! Viram o primeiro ministro a ripar Mark Twain sem dar crédito pela citação?!! "To every man who holds a hammer every problem is a nail", cuidado com ele!

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    1. Protejamo-nos então, que vem aí mais martelada.

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  8. Mas isto está mesmo mau. No outro dia quando fui pagar a renda ao João Canijo dei-lhe os parabéns pela quantidade de prémios. Ele agradeceu, mas não parecia muito contente. Perguntei-lhe porque era e ele disse que não saberia quando conseguiria fazer outro filme. É que cá em Portugal faziam-se oito filmes por ano, a partir deste ano passam a zero. Então o Canijo, como recompensa pelo reconhecimento na Coreia, no México e ainda em Miami (onde ganhou o primeiro prémio) fica impedido de prosseguir a obra por tempo indeterminado. Que desgraça!

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  9. O Governo é uma coisa, uma Câmara Municipal (e a de Matosinhos é, actualmente, do PS) é outra.

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  10. Demagogia. Pura demagogia do senhor secretário da cultura...

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  11. Parecem-me assuntos distintos. A medida da entrada gratuita para os desempregados não acarreta despesa direta . Nem perda de receitas, pois não me parece que um desempregado fosse gastar o dinheiro que não tem nos museus. Por isso, é sempre uma mais valia, e acho que é de louvar.

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    1. Cara Ana
      Penso que compara o que não se pode comparar. Num festival de música os artistas apresentam o seu trabalho ao publico, numa palestra os escritores (ou outros) falam sobre o seu trabalho e/ou outros temas. Os próprios músicos também participam em palestras com entrada livre.
      Cumprimentos
      Rui azeredo

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    2. Rui, desculpe a intromissão, mas acho que só não são comparáveis, num país como o nosso com índices culturais baixíssimos.

      o escritor quando é convidado para uma palestra está a falar do seu trabalho, do seu processo de criação (solitário, pelo que não é espectáculo...), algo que não acontece com os músicos. normalmente as sessões públicas em que participam são para dar autógrafos e promover os seus trabalhos.

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    3. (eu sei que muitos escritores também aparecem apenas para dar autógrafos e para promover os livros, por isso é que estou a diferenciar a palestra, o falar da sua obra, à simples sessão de promoção de livros.)

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    4. Boa-noite Luís
      Antes de mais quero realçar que não tenho nada contra palestras com entrada paga. Se se paga para ouvir o bill Clinton ou o Gates por que não um escritor? Sera com certeza mais interessante . Haja quem as organize e a quem a elas assista. Só dizia e reafirmo que um concerto não e uma palestra. Um escritor exprime-se através de um livro e um musico num concerto ou num disco. Palestras são para ambos actividades paralelas/complementares que poderão inclusivamente servir para promover as respectivas criações artísticas.
      Cumprimentos

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    5. Caro Rui:
      Apenas comparei a disponibilidade que as pessoas têm para pagarem festivais de música e não ver o mesmo empenho em pagarem para assistir a um festival literário. Seja de viagens ou outro. Mesmo quando a alternativa é o seu cancelamento. Independentemente de os escritor irem falar de borla ou não. Que por acaso até acho mal, mas essa já é outra questão.

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  12. António Luiz Pacheco27 de março de 2012 às 04:19

    Não sei se vem a propósito...
    Em 2010 estive na Croácia cerca de um mês em Setembro, por ocasião de um campeonato do Mundo na aprazível ilha do Adriático, Losinj , na cidade de Mali Losinj . É um centro de actividades e de turismo náutico, mas sem o pretensiosismo bacôco de Vila Moura! Desde logo a marina é grátis, e só se paga o acesso de carro ao centro histórico e zona portuária.
    Bom, fiquei espantado com a actividade cultural! Havia diáriamente pela tardinha e início de noite, no centro, ali mesmo na praça em frente dos cafés e restaurantes que circundam a marina, onde estão os museus e há salas de exposições, um fórum municipal e a própria câmara, onde decorriam palestras ou sessões de leitura, exposições de fotografia e de pintura. Na rua vendiam-se pintura cujas autores estão por ali a vender as suas obras e a pintar ou desenhar. Tudo animado pelas actuações diárias de grupos corais ou musicais num pequeno palco mesmo no meio da praça. Pela noite fora, nos bares há actuações ao vivo sobretudo de jazz e algum rock, de baladeiros ... a malta compra a bebida e está lá dentro a ouvir ou vem cá para fora beber e falar, sentando-se numa espécie de andaimes pequenos de madeira estratégicamente postos.
    O ambiente é fantásticos e vêem-se grupos de locais ou de turistas, de diversas idades, que dão uma vida extraordinária àquilo tudo e o melhor:
    É barato! Até para nós, tesos!!!
    Fiquei espantado com a conservação das vilas, casas e estruturas em toda a ilha! Assim como de tudo em geral, sobretudo as matas e as praias de pedra e rara areia. E claro que o turismo alemão em força, a encher tudo e a dar nítidamente uma boa contribuição, como pude ver e me foi dito por diversos responsáveis da autarquia. No continente, embora de passagem
    me pareceu o mesmo, confirmado depois pelo meu sobrinho, a namorada e a cadela "mel" que aproveitaram a boleia (fomos de carro com 2 barcos) que ficaram no continente onde andaram à boleia a passear, alojando-se em casas particulares, de artistas ou nem por isso, até ficaram em casa de um músico do célebre Kusturica ! Trazendo um cd de originais daquela espantosa música que ele lhes ofereceu!
    Ou seja... os croatas tiram partido... porque é que não fazemos o mesmo? E bem vistas as coisas até temos um leque mais alargado!

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