Animal de hábitos
Somos animais de hábitos e reagimos negativamente a grande parte das mudanças a que somos alheios. Compro o jornal Público desde o seu primeiro número e, quando li que iria haver alterações quer no corpo do jornal, quer nos suplementos, fiquei receosa. Na segunda-feira em que saiu o novo jornal, fiquei, de facto, desconcertada com muita coisa. Não gostei especialmente de um dos letterings nas notícias – que é mais magro e menos legível do que na versão anterior – e fiquei triste com outras alterações pontuais, sobretudo a passagem do Bartoon a uma tira de quatro vinhetas seguidas ao pé da página. Era, porém, preciso esperar pelo fim da semana para perceber o que acontecera ao Y, ao Fugas e à revista de domingo. Mas, logo na sexta, senti algum alívio – o Y não era muito diferente do suplemento que o antecedeu, o mesmo acontecendo com o Fugas; e a revista de domingo, agora com a forma de caderno, quanto a mim, ganhou imenso em profundidade e legibilidade. Suponho, pois, que umas coisas compensam outras e que logo me habituarei a estes novos look e paginação. Vamos ver.
Pois é minha cara e Extraordinária Amiga:
ResponderEliminarPorque somos animais de hábitos, reagimos mal às mudanças, mas pela mesma razão, depressa
nos habituamos!
Eheheh! (riso sacanola)
Um bom dia... vou ver se chove!
Exato. Aliás, uma pessoa adaptável é aquela que muda de hábitos com facilidade. Isto é, que tem as suas rotinas, muitas ou poucas, às vezes antigas, mas que face a uma qualquer alteração ambiental adquire rapidamente outras mais adaptadas às novas circunstâncias . Assim fiz quando me chateei com o Público, que logo substituí por um concorrente, exceto às sextas, por causa do Y. Deus queira que chova!
Eliminarcaraca
EliminarTodos os animais são de hábitos e, como sempre, nós não somos muito diferentes dos outros seres vivos. Os hábitos, aquilo a que se costuma chamar rotina e que é visto negativamente, na verdade, dão-nos segurança. Precisamos de rituais para sentirmos que "estamos em casa". Trata-se de uma relíquia dos nossos antepassados hominídeos, que ainda transportamos nos nossos genes, porque, de facto, a rotina era imprescindível à sobrevivência. Quem tem um cão em casa sabe perfeitamente que a menor alteração de hábitos o põe nervoso.
ResponderEliminarClaro que nós humanos evoluímos como nenhum outro ser e precisamos, igualmente, de mudanças, a fim de não morrermos de tédio. Mas uma vida constantemente imprevisível não faz ninguém feliz.
Estarei errado se disser que nós portugueses, somos dos povos mais atreitos à mudança das rotinas?
ResponderEliminarPelo menos é o que sinto e observo nas minhas andanças... e julgo que não estarei enganado.
A própria Cristina é disso exemplo...
Vir aqui dar uma espreitadela é uma rotina!
Eheheh!
Harry Levin, com muita perspicácia articula o que chama de “fórmula de Cervantes”:
ResponderEliminarNão é nada mais nem nada menos do que o reconhecimento da diferença entre os versos e reversos, entre palavras e actos, palabras e hechos, em suma, entre o artifício literário e a coisa real, que é a vida em si. Mas o artifício literário é o único meio que o escritor dispõe. De que outro modo poderá exprimir suas impressões acerca da vida? Precisamente desprezando tal meio, repudiando o ar livresco que inevitavelmente envolve todo o livro. Quando observou que a verdadeira eloqüência zomba da eloqüência, Pascal, sucintamente, formulou o princípio que tinha em Cervantes o modelo recente e marcante. Coube a La Rochefoucauld afirmar o outro lado do paradoxo: certas pessoas jamais amariam, se não tivessem ouvido falar de amor.
"O homem vive de razão e sobrevive de sonhos".
EliminarLa Rochefoulcauld
Portanto como convive? Conviver é o produto entre razão e o sonhos, é ceder, reaprender, tolerar. Porém o que é para uns, não significa que seja exatamene signifitivo para mim. Enquanto os hábitos sejam diversificados o ser humano investe em adptar-se, pois distancia-se do que compreende somente pela razão ou pelo sonhos.
adaptar-se*
EliminarEsta noção de “Animal” de “Hábitos” remete-nos para dois campos: o da fábula, e o da rotina.Drummond funde as duas coisas numa só: a fábula inconclusa.
ResponderEliminar(…)
Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?
(…)
(Carlos Drummond de Andrade, no poema “Acordar, viver”)
Moral da história: se te deixas aprisionar na aspereza do rame-rame quotidiano, a tua vida será apenas uma fábula inconclusa.
Cumprimenta-vos o
Joaquim Jordão
O rame-rame quotidiano pode ser imposto, ou escolhido. O caso mais frequente é o imposto, porque há condicionantes que nos obrigam a ter um emprego para ganhar dinheiro, há compromissos sociais, etc. No meio disto tudo, uma pessoa até chega a esquecer-se do que gosta. Sente necessidade de mudar de vida, mas não sabe o que fazer (ou não pode).
EliminarUm rame-rame quotidiano escolhido seria se quebrássemos as correntes que nos prendem e mudássemos de vida, fazendo aquilo de que realmente gostamos. Mas não deixaríamos de criar um quotidiano, uma rotina. Porque somos animais de hábitos.
Está provado que as crianças que crescem numa família sem um dia-a-dia organizado têm, mais tarde, mais problemas psicológicos e dificuldades em encontrar o seu lugar na vida.
Peço-vos desculpa mas, devido à interferência da rotina dos meus afazeres domésticos do final de cada tarde, deixei para trás as últimas e decisivas palavras do meu texto, que agora coloco em maiúsculas para melhor entendimento:
Eliminar– Moral da história: se te deixas aprisionar na aspereza do rame-rame quotidiano, a tua vida será apenas uma fábula inconclusa – UMA FÁBULA SEM, SEQUER, MORAL DA HISTÓRIA.
Penitencio-me.
J. Jordão
Quer dizer... foi vítima da rotina!
EliminarSeu... animal de hábitos!
Ahahah!
Um abraço!
Sim. Mas, pelas frinchas da rotina, fiquei a saber que já chove aí para o Ribatejo. Ainda bem! Fico contente por si.
EliminarPor aqui ameaça. Espero que a ameaça se concretize: é que, para acudir aqui ao blogue, suspendi a rega do pátio onde sobrevive a nossa família de sapos - o casal Xico e Clotilde e o filho ADSL - que andam perturbados, prolongaram a hibernação por causa da falta de chuva, têm aparecido ultimamente porque temos regado o pátio...
Bem dizia há bocado a Cristina Torrão, quem tem animais percebe melhor a importância das rotinas.
Pois no nosso caso, a família residente é constituída por três gatas caprichosas, uma cadela mimada e três sapos habituados à anterior normalidade do clima – isto para além de nós próprios, os humanos, cujo contingente aumenta aos fins-de-semana.
Já pode imaginar a diversidade de rotinas a que isto obriga (e diversidade de mimos…)
“Diversidade de rotinas” – está a ver o meta- alcance do conceito?
É que nós, cá em casa, fruto dessa variedade, já estamos muito para além daquela coisa da “fábula inconclusa” de Drummond de Andrade.
Moral da nossa fábula doméstica: - chova ou faça sol, damos, mas também recebemos em troca, muitos mimos desta bicharada e do pessoal que cá temos semanalmente.
[Maria do Rosário que me desculpe mas, compreenderá: - com semelhante diversidade de hábitos, este animal que sou não chega a preocupar-se com as mudanças de grafismo dos jornais, e mesmo os conteúdos, só por alto... Meti-me nestes comentários, não por causa dos jornais que mudam de figurino, mas movido pelos, para mim mais estimulantes, conceitos subjacentes a “animal de hábitos”, e pelo poema de Drummond …]
Caro Pacheco: boas e valentes chuvadas, é o que desejo que o Ribatejo imponha a todo o país, pois que, para austeridade, já basta o que basta!
Cumprimenta-vos o
Joaquim Jordão
Parabéns pela sua família diversificada e pelos mimos que dão uns aos outros. Há rotinas que valem a pena ;)
EliminarCara Cristina, agradeço a sua atenção.
EliminarComo calculará, com um tal elenco não é fácil a gestão da respectiva diversidade de rotinas (passe a aparente contradição dos termos).
Felizmente, a chuva que caiu hoje e molhou o pátio poupou-me uma das rotinas dos últimos tempos: – pus-me à coca e, quando os três sapos saíram do esconderijo para a humidade, fui dar-lhes as boas-vindas.
Fazer carícias a um sapo é uma experiência que não está ao alcance de qualquer um. É que os sapos têm a pele seca, não ronronam…
Mas o Xico entendeu que nós contribuímos para que ele conseguisse criar, aqui no pequeno pátio, um habitat suficiente para fazer residência permanente e constituir família. De modo que aceita que lhe pegue na minha mão, e, apertando os seus dedinhos nos meus, dá-me a entender que me está grato, com repetidos apertõezinhos , num ritmo irregular – percebo que aquilo é um código, entendo a mensagem.
Tomei a liberdade de lhe transmitir os seus cumprimentos, extensivos à Clotilde e o pequeno Adsl.
Agora tenho de despedir-me porque vou gerir outra rotina: – como acontece sempre que, por esta hora, me sento ao computador, saltou para o meu colo a siamesa Teresinha, e, como é habitual, a ciumenta Sasha (cocker) já está aqui a puxar-me com as patorras, a reclamar que são mas é horas de a levar lá fora brincar com a velha bola…
Isto só para a minha paciência… São horas extraordinárias, é certo. Mas, assim, como é que a Literatura pode ir para a frente em condições?
Cumprimenta
J. Jordão
Definitivamente, é muito complicado ter um hábito animal, até porque animal não veste hábito.
ResponderEliminaro hábito não faz o monge, dizemos nós
EliminarO que configura ser monge é o hábito!
EliminarAliás, das histórias de sapo bem sei eu, afeiçoei-me a um, que no átrio de casa, achegava-se do escurecer, inclusive pela intimidade curtio o bem querer e cuja coincidência de nome, não impediria qualquer ofensa ao julgo se o memora-se, tamanha falta fizera tam distinta criatura.
ResponderEliminarNão gostei assim muito da nova Revista de Domingo, mas depois do que li aqui, vou ponderar dar-lhe mais uma oportunidade...
ResponderEliminarO fecho da Livraria Portugal é lamentável no panorama livreiro português. No entanto, esse fecho foi visível, noticiado. E tudo o que fica por dizer? Veja-se a triste situação das Publicações Europa-América:
ResponderEliminarhttp://www.facebook.com/#!/pages/Publica%C3%A7%C3%B5es-Europa-Am%C3%A9rica-Cr%C3%B3nica-de-uma-Morte-Anunciada/266591843409691