A tempo
Vem o presente post a propósito de um interessante comentário de um leitor deste blogue, de 12 de Março, dia em que publiquei um texto intitulado Ser Escritor. Dizia João J. A. Madeira que lhe haviam recusado um livro para publicação alegando que fazia lembrar Tim Burton, de quem nunca tinha visto um filme (já agora, aproveito para dizer que Burton é também escritor); e que, ao contrário do que algumas pessoas atestavam (eu incluída), não era possível a partir de um texto de um escritor identificar as suas leituras. É verdade, em primeiro lugar, que às vezes determinados livros ecoam vozes de escritores que os autores não leram, mas, quando são recusados por essa razão, não o são por pensarmos que o autor copiou ou plagiou, mas porque o que escreveram já existe, já foi feito por alguém antes deles, e não faz qualquer sentido dar à estampa uma espécie de sucedâneo. Se alguém hoje escrevesse uns Lusíadas, celebrando a viagem do Gama em cantos e versos, será que alguém os publicaria, ainda que fossem bonitos e cumprissem com rigor as rimas e a métrica? Quanto a conseguirmos dizer o que um autor andou a ler por aquilo que escreve, também é evidente que nem sempre acontece. Mas quem tenha lido A Viagem à Índia, de Gonçalo Tavares, não tem qualquer dúvida de que ele leu o Ulisses, de Joyce, e de que leu também Os Lusíadas, de Camões (pode até dar-se ao luxo de pensar que o formato, e a capa dura e vermelha são uma espécie de réplica da edição velhinha da epopeia portuguesa pela qual o autor deve ter estudado; a minha era assim). No ano passado, publiquei um romance no qual uma das personagens, um rapaz argentino, desejava dar cabo de um colega que lhe batera na escola atirando-o pela escada abaixo, mas não foi suficientemente corajoso. Já adulto, sabe, porém, que o seu inimigo de infância está nada mais nada menos do que coxo. Toda a gente que leu Borges concluirá facilmente que este autor também o leu (estou a falar de Nuno Camarneiro e No Meu Peito não Cabem Pássaros). Por último, há uns dez anos recusei a publicação de um romance que tinha uma personagem chamada Humbert Humbert. Se o autor não conhecesse Lolita, de Nabokov, teria sido uma coincidência espantosa... Espero que os esclarecimentos cheguem a tempo.
Tomem lá que é para não me chamarem Tom Sharpe! A tia não brinca em serviço e só quer máxima originalidade! Daí gostar muito do escritor que inventou o segundo Dr. House! Um Dr. House tuga e assim muito melhor que o do David Shore!
ResponderEliminarMeu caro:
EliminarLonge de mim achar que a sua escrita tem algo de T. Sharp . Para lhe ser franca, o seu livro não tem um pingo de humor. Simplesmente acho, pelas suas intervenções aqui, que tem imenso sentido de humor. E que deveria, a meu ver, explorar essa via. Parece-me que podia fazer coisas engraçadas nessa área. Apenas isso. Até porque só li um livro do Tom Sharp e ele nem faz parte dos meus escritores de eleição. Mas continuo a achar que foi um bom exemplo dado pelo nosso Amigo A.L.Pacheco . Concordo em absoluto com ele. Mas repito, não me baseei no seu livro para dar essa opinião. Até porque o seu livro não me faz lembrar, absolutamente, ninguém. Só não sei se isso é bom ou mau. Mas pronto! Original, é!:)
Vá por mim e pelo Amigo Pacheco: faça aquilo em que é, realmente, bom: o humor!
Eish, foi assim tão mau??
EliminarDe qualquer maneira não se pode agradar a toda a gente!
EliminarMeu caro: o livro precisa de uma volta. Precisa de um editor e de um revisor. Vê-se que você estava completamente desamparado, por sua conta. Não há milagres! E realmente não tem humor, é um facto. O que não é defeito nenhum. É apenas uma característica. Além de que você tem imenso talento numa coisa: no seu enorme sentido de humor. E sinto pena que não o explore. Mas claro que só você saberá o que lhe dá mais prazer fazer. É apenas a minha modestíssima opinião. Acima de tudo, as coisas têm que fazer sentido para nós. Acredite que, por vezes, parto-me a rir com os seus comentários. Não pense que o menosprezo ao atribuir-lhe talento humorístico. Acho, sinceramente, que fazer rir é bem mais difícil que fazer chorar. Sobretudo, na escrita.
EliminarConcordo consigo. Há escritores que fazem lembrar outros e não acho que isso seja nada depreciativo. Depois há aqueles que realmente inovam e têm escritas completamente originais. Mas que não são necessáriamente melhores. Acrescentaria apenas que, às vezes, também se percebe aquilo que o escritor não leu. :)
ResponderEliminarera-me mais util uma critica frontal do que dicas subtis seguidas de smily faces
Eliminare eu explico-lhe porquê. Quando se vai a um espaço público fazer insinuações vagas e paternalistas ("aquilo que o autor não leu" como se a sra. soubesse o que eu li ou deixei de ler), por um lado evitamos ter que construir uma crítica fundamentada e por outro impedimos que o criticado possa apresentar as suas razões. Assim, tomamos uma atitude confortavelmente cobarde. e que tal isto para humor?
EliminarDesculpe. Fiquei zangado e fui estupido
EliminarCaro: vamos lá por partes! Eu separei intencionalmente os comentários para que não se pensasse que estava a falar de si. Confesso que o que me veio à cabeça foi o comentário de alguém, que li algures, sobre aquilo que se percebe que o Cavaco Silva não tinha lido...:) Como vê, estava anos-luz de si. E disse-o de um modo geral! Até porque citações de livros tem você muitas. Já expliquei o que acho: falta-lhe apoio.´Juro que só agora soube que se pode editar livros por nossa conta. Mas acha que um jovem de vinte e tal anos, pode escrever um livro e dispensar editor e revisor? Claro que o pode mas o resultado não poderá ser brilhante. Serve como um começo mas está longe de ser uma obra-prima. O contrário é que seria de espantar. Só mesmo se fosse um génio. E génios, meu caro, há muitíssimo poucos. O resto é mesmo inspiração e... transpiração, transpiração, transpiração, transpiração!
EliminarE peço-lhe desculpa se o ofendi. Não foi essa a minha intenção e jamais o faria. Principalmente, aqui, em praça pública . Quis apenas reforçar a minha ideia: Que tem imenso talento humorístico que não está a ser aproveitado. Desculpe-me mais uma vez se o ofendi. E agora, tenho que ir, que o dever chama-me. Amigos Extraordinários, na mesma? :)
Está a ver porque é que eu gosto de si? Porque tem esse enorme poder de encaixe ( outra característica fundamental, num humorista) e é muito generoso.
Eliminarsim amigos na mesma, desculpe-me ter sido infantil que eu desculpo-a por ainda não reconhecer o meu génio, ainda tem tempo!
EliminarLi vários livros de Tom Sharpe , sou fã!
EliminarAprecio-o muito, pois gosto do chamado humor britânico que é inteligente. Aprecio o "no sense ", onde pessoas de ar sério têm comportamentos ridículos. É humor fino!
Ao dizer que o Courinha podia ser como o T.S. quis elogiá-lo.
A nossa Extraordinária Amiga Ana B. percebeu-o.
Sabe que já me disseram que a minha escrita (falo do meu romance) tinha "toques Camilianos" o que muito me orgulhou e distingue?
Quem dera me comparassem a Haggard , Torga, Hemingway , Júlio Diniz, Tomás de Figueiredo, McMurtry , Cornwell , Michener ... Era sinal de que estava na linha das escritas de que gosto!
Não é redutor... é entrar num género, apenas.
O Courinha tem uma extraordinária capacidade de observação e consegue tirar ilações porque é inteligente, é óbviamente culto e lê (nota-se!), tem ainda um refinadíssimo sentido do humor e até do caricato, possuindo a necessária verve.
Por isso, creio que se usar essas suas várias e raras qualidades para escrever um romance de sátira social, com humor, onde retrate e exponha os tiques, hábitos, etc. caricaturando, teremos um romance na linha de Tom Sharpe , Giovanni Guareschi , Gervásio Lobato, André Brun, David Lodge, John Kennedy Toole, Miguel Esteves Cardoso, Mário Zambujal... falo destes todos para que perceba que há escritores que se dedicam a expor e caricaturar a sociedade e a fazer humor.
É uma opinião... aliás coincidente com outra.
Por aqui ainda não choveu.!
No Horas Extraordinárias isto está aceso e vivo e ainda bem! Por isso gostamos de aqui vir!
Mas certamente a MRP não recusou o dito romance apenas porque o personagem se chamava Humbert Humbert!... A menos que este Humbert Humbert também apresentasse uma inclinação infame por jovenzinhas de soquetes :) ou o romance sofresse doutras vicissitudes insanáveis... Afinal, sempre seria fácil mudar o nome ao personagem! O que não é fácil é apercebermo-nos que aquilo que julgamos ser uma criação original afinal não o é.
ResponderEliminarPLFF
Não o recusei por isso, claro. Era uma alusão clara ao pedófilo da Lolita, mas não era sobre pedofilia. Também o livro do Dr. House português, como dizia há pouco o nosso João Courinha, não tinha nada que ver com as histórias médicas do Dr. House, série a que, de resto, o protagonista de O Bom Inverno assistia.
EliminarPedófilo o Jeremy Irons?! Que vem a ser isto?! Para citar Al Pacino "Eu quando tinha quinze anos gostava de raparigas com quinzes anos, hoje tenho cinquenta e sou o mesmo". Não há cá pedofilia nenhuma na Lolita! Para além do mais ela parecia mais velha... Agora eh que vocês me matam!
EliminarNão há pedofilia no Lolita , João? Ora bolas. E eu que achava que, sendo muito mais do que uma obra sobre pedofilia, é "A" obra-prima na abordagem a um dos mais antigos comportamentos desviantes (este "desvio" é a derrapagem na própria condição humana) da humanidade. A mim parece-me a obra-prima da perspectiva do pedófilo, meu caro. Depois disto, pouco sobra para explorar. Talvez apenas: e se o HH sobrevivesse e tivesse de voltar a um lugar a que chamasse casa? De qualquer modo, só numa fase inicial se pode o HH escudar na Annabel . Mas há um ponto no livro - e o problema não é haver pedófilos, ou outro tipo de criminosos, mas serem capazes de evitar passar para lá desse ponto - em que tudo cede: a moralidade, a cerca do prazer privado, o respeito pelos limites de cada corpo. Abraço, Jota Cê.
Eliminarser genuíno é mais difícil que nunca; numa era em que todos procuram a originalidade, um escritor tem primeiramente de tramar algo que jamais lera e de seguida, especular muito bem especulado que nunca alguém tenha inventado algo idêntico. depois sim, poderá libertar a sua criação de consciência tranquila.
ResponderEliminarD. Ana b, pode ser que goste mais do meu livro novo, vou pôr aqui um parágrafo (agora vou ficar dois meses a pensar no que me disse):
ResponderEliminar“Sabe amigo Carretas, a primeira vez que vimos um demónio sentimos um terror tão magnético que o nosso raciocínio se tolda numa difusão interminável. toda a gente já ouviu histórias de torturas terríveis, sofrimentos de uma atrocidade inimaginável, mas eu, em abono da verdade, ainda só vi crueldades dessa magnitude pelas mãos dos homens. curioso? bastante. não digo que Lúcifer não me gele o sangue, não, não me interprete mal, aqueles olhos vazios, aquela boca que mexe sem nexo… ah amigo Carretas, a forja que o criou tem requintes tortuosos, requintes! sou eu quem lhe o diz. agora… e pode acreditar em mim quando o digo… nada me daria mais prazer do que enfiar-lhe esta faca numa virilha e arrastá-la até a sua língua lhe adornar o gume. seria aplaudido pelos demónios? talvez por Leviatã, quem sabe… mas seria sempre a mão humana a segurar a faca”, parei para tomar folgo, a minha mente divagou. “Sim! sim! é essa a cara do terror! foi esse o esgar com que brindei Lúcifer na minha barraca, à luz do luar. ah! a relatividade do pânico, a escala indefinida do pavor. talvez o amigo Carretas me veja como um demónio! quem serei eu para lhe dizer que está equivocado?”, o homem levantou-se de um salto, voltou a cair, esfolou-se a espernear na calçada, levantou-se novamente e desapareceu a correr. Fiquei apreensivo, havia qualquer coisa que me dizia não ter sido a última vez que teria que lidar com tão desprezível sujeito.
Courinha acho que se devia ficar pelo humor e deixar a escrita. A humanidade agradece. (Aquela que é anónima e não anda o dia todo neste blog mas que quando vem fica entediada com as suas loooongas missivas quando queria só encontrar um espaço agradável e inteligente.)
EliminarNão vou entrar em conflito consigo, nunca a vi ao vivo, desconheço se tem uma boa mama e evito desperdiçar horas bem passadas num futuro incerto. Se for gorda, confesse-o e inicie-se a contenda!
EliminarEna, que adulto. E aviso que não ou a anónima de cima.
EliminarO anónimo
Que não é gorda ou quê? Já não percebo nada. Agora já há um anónimo homem? Aviso já que não me meto nisso! Hein?
EliminarAcho que esta parte do velho bêbedo pode contar como algum humor...
ResponderEliminar“Dominó no dia da Sueca… dominó… pró diabo o mestre Zé mal-encavado mais o dominó dele…”, eis que aparecia a estrela da película, o velho Nascimento. Iniciava a sua pesarosa subida até ao consumido monte em que habitava, vindo de uma taberna de beira de estrada. Geralmente cairia uma ou duas vezes, mas naquele dia, de cinema improvisado, tinha espectadores tão ansiosos pelas suas peripécias e arrelias, quanto acidentado se tornara o cenário engendrado. “Olha que porra… meti a bota numa poça… até a meia se me cola ao pé… mais logo constipo-me!”, a Lupita soltou um risinho abafado e eu tive que apertar o meu próprio nariz, de forma a manter o nosso esconderijo. “ah! mas hoje, foi um belo dia. uns copitos de tinto, uma touradazinha na televisão, olé! olé! diziam os cabrões dos espanhóis…”. Seguiu-se um pé preso debaixo de um tronco e um encontro de cara com o chão, “ai… ai… querem ver que foi uma pedra? não, foi um pau! ia esfarrapando o focinho! depois a Inocência já não me queria. belas pernas que tem a Inocência… uma rapariga daquelas a servir numa taberna… onde é que se viu uma coisa destas?! hoje quanto se baixou vi-lhe as cuecas! daquelas pequeninas, de meter no cu. não deve ser fácil andar com as cuecas no cu… modas!”. As lágrimas corriam-me pela face, o ranho oscilava num movimento pendular e o meu diafragma esgrimia-se contra as minhas costelas, o velhote era hilariante. “Ora que horas são isto?” puxou de um relógio de bolso, “um quarto para a uma! amanhã já não faço nada, acordo ao meio-dia. fica o capataz a tratar disto, pode ser que roube mais um bocado, faz-lhe falta…”, nova queda, desta vez tão aparatosa que o coçado chapéu emigrou mais de dez metros, “oh que grande porra! agora é que foi uma pedra! ainda não as tiraram daqui! amanhã despeço-os a todos! todos! os grandes canalhas! já nem sinto a porra das canelas, qualquer dia trato as pedras pelo nome…” doía-me o corpo todo. A Lupita babava-se e saltitava no seu lugar de cinema. “olha… perdi o pivot… amanhã já não como nogado. como uma sopinha ou chispe! oh! chispe, numa fatiazinha de pão! o médico não deixa… que se cubra o médico! quando morrer vou descalço!”. O velho Nascimento, enquanto balbuciava toda uma excelência de comicidades únicas, avançava lentamente para o culminar de toda a acção, um buraco com meio metro de profundidade e cheio de água. “estou feito num oito, já não plantava tantas figueiras no mesmo dia desde o casamento do primo Chico. ah o primo Chico… esse já lá vai debaixo dos torrões… com umas orelhas daquelas nem precisa de asas para voar para o céu!”. Pé em falso, tentativa gorada de salto, queixo no rebordo do buraco e majestosa imersão em lama! “Acudam! acudam que me afogo! ai que Deus nosso senhor não gostou que eu fizesse pouco do primo Chico… acudam um velho rico! acudam que trago uns carapaus frito no bolso do casaco e ainda se me estragam! oh da guarda! oh da guarda não, que ainda me fazem soprar no balão… os cabrões…”.
Voltando ao tema, eu acredito que não será difícil a um Bom Editor, profissional experiente, perceber o que é que aquele autor andou a ler ou que influências colheu. Certo drª?
ResponderEliminarPois se tantas vezes até eu mesmo o consigo...
Creio que um escritor consagrado cria o seu próprio espaço! Mas só ao fim de uma obra e de várias publicações.
Diz-se dele: "Parece fulano!", e sim pode ser verdade, mas parece fulano escrito por ele mesmo! Compreendem o que quer dizer?
Por exemplo - Clube de Patifes, até podia ter sido escrito por Hemingway, mas é escrito por Dan Simmons que criou o seu próprio espaço, se bem que se aproxime do outro. E neste caso ele faz isso declaradamente, como todas as mulheres que se pintam e pela mesma razão! Acho eu.
Um escritor que se esteja a lançar, creio que das duas uma:
- Ou é totalmente inovador, e, nunca o será porque julgo que já se escreveu tudo sobre tudo!
- Ou se cola fatalmente a quem o influenciou, mesmo que inconscientemente, seja no tema ou no estilo, na forma, etc.
Procurar ser diferente... é difícil e creio que só está ao alcance daqueles que são geniais!
Colar-se também pede talento, para poder aguentar a comparação percebendo-se a tal diferença que o faça ser ele e não outro... ou será plágio!
Desculpem se estou para aqui a dizer asneiras!
Isto vai muito boa a conversa! Ainda bem que tenho a manhã livre e tempo... ahahah ! Têm de levar comigo!
Arrendei agora 20 hectares a um colega seu, agricultor ribatejano que vai fazer tomate nos alentejos! Chama-se Luis Vasconcelos e Sousa, conhece?
EliminarClaro... arrendou a ele mesmo ou à Agromais?
EliminarSerá demais pedir aos Exmos Senhores Agricultores que deixem comentários pessoais (totalmente irrelevantes e desinteressantes) FORA deste espaço?
EliminarTratem disso em PRIVADO sff.
Muito obrigado!
Tem toda a razão... e eu respondi por impulso, nem me apercebi disso.
EliminarFoi o "efeito acho" ...
Peço desculpa
Agromais. Ele é muito simpático mas também muito formal, até mete medo!
EliminarFez muito bem em rebater as nossas 3 linhas inúteis e off-topic com 4 de sua lavra... É como dizer Dubliu Dubliu Dubliu para "encurtar" world wide web. Se quer 100% de conteúdo leia o the economist.
EliminarTambém já me irrita este senhor Courinha.
EliminarNão pode ir para o recreio noutro lado?
outro anónimo
Olha outro! O recreio está fechado a esta hora old chap. Mas pronto, vou ficar sossegado que hoje está tudo irascível! Então e o nosso Benfica?
EliminarOlha...não sabia que o amigo Courinha, para além de escritor, também era latifundiário...
Eliminarmas podem haver de facto coincidências.
ResponderEliminare também podem existir influências, que quem lê muito capta com mais facilidade a "imitação" involuntária, que o próprio autor.
O curioso é quando nos comparam a um autor que desconhecemos, como fizeram com o João. qual é a explicação?
já que trouxeram "O Bom Inverno" à conversa. acho a história "miserável", mas está muito bem escrito. mais bem escrito que a "Anatomia dos Máritres", para mim claro.
Meu caro Luis Eme:
EliminarA explicação creio que está na frase:
- Não há nada de novo aqui debaixo do Sol (sic)
Tudo o que se produza em termos de escrita pode sempre ser semelhante ou comparável a algo que alguém já escreveu! Afinal escreve-se há quantos mil anos?
Mesmo que o autor nunca tenha lido o outro, é sempre possível fazer a aproximação.
Não é?
é mesmo, caro Pacheco.
Eliminarhá muito pouca "pólvora" para descobrir cá em baixo. :)
eu não pessoalizar a questão no João, mas sim generalizar, aproveitando o exemplo dele.
mas podem haver de facto coincidências.
ResponderEliminare também podem existir influências, que quem lê muito capta com mais facilidade a "imitação" involuntária, que o próprio autor.
O curioso é quando nos comparam a um autor que desconhecemos, como fizeram com o João. qual é a explicação?
já que trouxeram "O Bom Inverno" à conversa. acho a história "miserável", mas está muito bem escrito. mais bem escrito que a "Anatomia dos Mártires ", para mim claro.
Concordo com Luis Eme, e realço a observação.
EliminarSeria, no mínimo, falta de educação se aqui não aparecesse hoje. Devo, penso, tentar explicar a frustração que se sente quando se é comparado a alguém que nunca se leu.
ResponderEliminarQuando, como eu, se escreve noite dentro, se dorme com as personagens e se passa o dia a “ver” o enredo em vez de atentar no que diz a mulher que, legitimamente, nos acusa de estar a pensar “noutra”, é natural o nosso repúdio por algumas justificações como forma de rejeição. Porque, por vezes, aquilo que mais ambicionamos ouvir é “escreve mal”, “desista”. Falo por mim que, com apenas um livro editado e muitas demandas feitas por editoras, chego a pensar que ando eu a fazer ao armar aos escritores.
Mas depois aí temos os amigos, não aqueles do “muito bonito” ou “ ’tá giro”, mas aqueles chatos, rezingões, que nos puxam as orelhas por uma frase, por um episódio inverosímil e que não compreendem porque não editamos nós. Não sabem, claro, que este é um mundo complicado, que aqui, pagando a edição antecipadamente, se podem editar livros com o tempo que fará amanhã ou o último sonho que se teve ao adormecer na sanita. Não pagando precisamos de sorte, precisamos que uma pessoa só, naquele dia, lhe apeteça ler o que criámos. Porque, todos o sabemos, a mesma leitura não nos satisfaz todos os dias. Ou precisamos de ter um nome sonante. Ou de nos sabermos promover. Por isso, peço encarecidamente a estes últimos que não digam que sou igual ao Zé das Couves porque não sou, que o meu livro “não se enquadra na linha editorial” porque eu sei que enquadra. Digam-me antes “escreves mal, porra! Desampara-me a loja” ou “a tua história não tem ponta por onde se pegue”. Digam-me isso. A minha mulher agradece porque passarei a deitar-me mais cedo.
Tenho aprendido muito neste blog. Aprendi que sou velho para ser um escritor de futuro e aprendi com o mais novo elemento comentador que nunca tive uma estratégia de marketing. Falhei aí, que na outra não tenho culpa. Mas, de facto, não vos posso oferecer o meu livro editado porque, fiel à minha doutrina, não o paguei. E, assim, tive apenas direito a um. Aproveito e faço publicidade (estou a aprender) para quem o quiser. Chama-se Inter Lapidem e está na Bertrand Online. Se alguém desejar ler-me em computador terei todo o gosto em enviar por mail o último. Afinal qual o autor que não gosta de ser lido?
Quer fazer uma troca de livros não editados? Assim podiamo-nos ajudar um ao outro. não é boa ideia?
EliminarMeu Caro João Madeira
EliminarSer comparado a outro autor, na minha óptica não é frustrante... tenhamos ou não lido o tal.
Em dois mil anos de escrita é quase impossível não sermos deveras comparáveis a alguém...
Enfim, desde que comparados a alguém de alguma qualidade, claro!
Frustrante sim é ser ignorado como Você aliás refere... e pelas razões que aponta.
Enfim é a minha opinião e vale o que vale, mas estou a dá-la por bem.
Um conselho... use o facebook p.e. para criar um grupo sobre o seu livro. Assim consegue divulgar e até explicar coisas.
O que já fez aqui é um bom passo, porque me despertou a curiosidade de leitor (que é o que sou).
Contacte-me para alpacheco.quinta@iol.pt
para podermos trocar impressões pessoais.
Um abraço
Bom, encolho os ombros. Sei bem do que fala.Trabalho das 9 às 18, tenho filhos e sou um marido, pai e amigo, julgo, responsável. Escrevo sempre que posso, roubando tempo ao sono e às vezes a todas as outras coisas que gosto de fazer. Entre os biliões com quem partilho o mundo, sou o único a conhecer esta história e as pessoas que nela se movem. Isso já vale e é uma grande responsabilidade. Um ano e meio assim e, daqui a pouco, entregarei o manuscrito à editora que publicou “Alçapão”, o meu primeiro livro.
EliminarAqui diferimos. Eu tive a sorte de em 2010 o editor da Quetzal ter gostado à primeira do que leu e me ter proposto a publicação. Quando o escrevi, pensei-o muito em função do mercado nacional. Mas nem assim o livro deixou de vender o que se poderia esperar para quem não é conhecido. Não chegou sequer, mas também já percebi que isso não é tão importante para as vendas, às páginas de nenhum jornal naquele momento decisivo do primeiro mês em que está em quantidade nas livrarias. Não me posso queixar de como correu. A experiência tem sido muito boa. Propuseram-me editar outro livro e ando a escrevê-lo, arriscando. Vou preparando, ao mesmo tempo, as potenciais formas de promoção porque sei que o autor tem de dar tudo o que tem. Tenho uma ideia do que quero e do caminho que terei de percorrer. Its a long run. Com sorte, ao 4º ou 5º livro, algum destaque surgirá e pode ser que o milagre aconteça.
Já aprendi que a cada novo livro a dificuldade permanece. Sugiro, se me permite, que fale com alguém que conheça o mercado e as suas características e pense como é que a sua voz de escrita poderá interpretar as regras do jogo real. Cumprimentos.
Tomo a liberdade de, a propósito do tópico secundário "humor" transcrever um comentário inacreditavelmente épico do Sr. Pacheco, a respeito da Rhianna ter dito que não tinha peito nem rabo: "Estranhíssimo... quem tem peito é valente e quem tem cu tem medo.... logo se não tem rabo não tem medo, mas depois falta-lhe o peito... em que é que ficamos? Cá para mim ela droga-se!"
ResponderEliminarÓ Courinha... você é o "enfant terrible" deste espaço... ainda as come!!!!
EliminarFiquei dez minutos a rir-me!
EliminarAh, tempo com vento
ResponderEliminarSenhor oh’firmamento
que fúria do elemento,
lamúria é pensamento
tam aura se argento
n’alma, sois calma
luar secreto campo.
Agora vou comentar o post a sério, para os Anónimos pararem de choramingar que nem umas madalenas de olvidada receita! Eu gosto que os autores tenham referências e, acima de tudo gosto que as citem e expliquem de que forma foram influenciados. É, para mim, uma descoberta paralela à da obra em si. Como por norma tenho o portátil ao pé, costumo anotar os nomes de escritores que vão surgindo, para mais tarde tentar descobri-los. Eu já falei aqui sobre isto, por isso desculpem a repetição. Em Proust descobri De Vigny, Corneille e Zola (pelo célebre J'accuse do caso Dreyfus), as criticas de Marguerite Yourcenar ao machismo de Mountaigne fizeram com que lesse uma série de ensaios do françês, Voltaire levou-me a Marco Aurélio, não me lembro se Baudelaire me apresentou a Rimbaud ou vice-versa. E mais e mais e mais e mais e mais. Enquanto escrevo apercebo-me que talvez todo o meu encadeamento literário tenha sido formado desta maneira. Na verdade, este blog foi o primeiro sítio em que falei sobre livros, já que nem ao vivo me sinto confortável com o tema. Hoje fui muito bruto e agressivo, é raro mas acontece. Amanhã é um novo dia que chega com um novo eu.
ResponderEliminarGostei de saber que o Tim Burton escrevia, adoro o Eduardo Mãos de Tesoura e Estranho Mundo de Jack. Tenho que ir espreitar os livros dele.
ResponderEliminarAcabo de ler o post e os seus numerosos comentários...Vejo que o dia de hoje foi muito agitado...
ResponderEliminarIsabel
Não sei se choveu na horta do Pacheco, mas tenho a certeza de que choveu, e muito, na horta da nossa estimadíssima Rosário. Extraodinário. Menos bom para o Pacheco se ainda lá tem chão árido, poucas nuvens e aqueles pézinhos de milho a pedirem clemência. Vou deixar mais uns pingozitos por aqui se bem que, provavelmente, nem cheguem a refrescar nada nem ninguém. Gosto de ler o Courinha. Não sei se tem bom ou mau humor, mas demonstra ter "espírito de luta", perspicácia, arrojo. Tacanho não é, nota-se à distância, e revela ser do tipo que "paga um boi para não entrar numa rixa e paga uma boiada para dela não sair". Quewm disser o contrário corre o risco de ser chamado de despeitado. E tem nome pomposo. "Courinha" soa bem ao ouvido, é leve, delicado. Também gosto muito do Pacheco. Embora diga que vive no mundo das traças queria eu conhecer esse mundo.... Dos demais vou gostando, todos escrevem bem. De uns gosto mais, de outros um pouquinho menos. Da Cláudia não gosto. Nada pessoal, obviamente. Só não gosto do que escreve, talvez por demonstrar prepotência e querer mostrar aos demais que ela está com a razão e é a senhora da suprema sabedoria e verdade. Ensina-se, a meu ver, com palavras singelas. "Grandes" palavras não são as mais sábias.
ResponderEliminarEish, como diria o Courinha, estiquei-me ...
Este pingo - perdido no oceano - deixo-o aqui, não a título de julgamento, mas apenas para passar o que me passam estes escritores que diariamente leio.
Parabéns pelo maravilhoso blogue, senhora Rosário.
Até mais,
maria
Olá Maria, obrigada de coração pela crítica, e de alguma ofensa, peço-vos perdão. E, assumindo o que está sendo positivo, reconheço e nada justifica o "ser prepotente". Possivelmente a diferença cultural, e da responsabilidade em frequentar o espaço, sendo brasileira, expondo com a escola européia, e a adversidade em causa, e não vou negar minhas raízes, porém, amo Portugal! É esse chão vosso, quando muitos de vos desdenham (tem sido um facto), algo que desagrada-me, mas, desagrada nas lágrimas, e que importância? Nada, nenhuma, como cobrar de uma paixão, de um sabor, de um gosto... Mas, a Cláudia, a chata, entrega-se a cada palmo de luz do dia, para estudar-vos, compreender-vos, e provocar-vos, pois bem; mesmo daqui de tão longe, tenho prazer imenso em vê-los felizes, bem sei, das angústias presentes. Nem pergunte-me do por quê. Quanto ao preparo a ordem do dia, dita a espontâneidade e tem sido agradável. Este seu veredicto, respeito; também, demais opiniões para correcção, embora errar seja-me estranho, preparo-me para acertos e minha cobrança é pelo exemplo. Ora, se não agrado, das duas uma, ou retíro-me ou comporto-me. Mas, na certeza que esta sendo gratificante o aprendizado.
EliminarBoa noite a todos.
Olá Dona Cláudia,
EliminarQuando digo que não gosto, como lá atrás citei, não é da pessoa. Seria estupidez dizê-lo pois sequer a conheço. Ressalto que não gosto do que escreve e ratifico. Esse meu não-gostar pode ter a ver com um, quiçá, não-compreender. Fala um sábio para um ignorante e este último, não entendendo o que o sábio quer dizer, não se esmera em, pelo menos, tentar perceber tais palavras e diz, de pronto, não gosto. Pode ser isso. Ou pode ser que não. Agora quanto à tal escola europeia digo-lhe que essa não é a minha. De europeia nada tenho, muito menos escola. Dona Cláudia, sou dos trópicos, tal como a senhora o é e, como coincidências existem, em calhando podemos ser até vizinhas. Nunca se sabe tudo, nunca se desconhece tudo. Não se retire, pois é "peça" essencial aqui. Eu continuarei a lê-la, acredite. Não se comporte. Seja como sempre foi e quem não gostar ....
Paz e boa noite.
maria
João Courinha: jjamad@gmail.com
ResponderEliminarALPacheco: Por aquilo que por aqui tenho lido, terei muito gosto em falar consigo. Daqui a pouco, enviar-lhe-ei um mail.
João Leal: Obrigado pelas suas palavras e parabéns sinceros pelo sucesso que obteve logo no arranque. As pessoas dizem que sou simpático, afável, mas desconhecem quão teimoso sou também. Talvez isso me prejudique, não sei. Sei que não tento acompanhar o mercado. Não escrevo sobre vampiros ou o código secreto do travão de mão que levou o carro para uma 5ª dimensão. A única fantasia que escrevi foi logo comparada ao já aqui mencionado. Escrevo como gosto e com o jeito que adquiri. Sujeito-me por isso a que as grandes editoras não me queiram e todas as pequenas me desejem, desde que eu pague. Mas depois vêm as dúvidas. As pessoas gostam, um conto escrito displicentemente é adaptado ao teatro, um conto é selecionado como único a preencher a página de uma instituição de solidariedade, sou dos mais considerados numa parceria de romance partilhado. E, no entanto, as portas, as portas grandes, fecham-se. Não entendo.
Na minha busca de editoras conheci pessoas respeitadoras do meu esforço. E isso nunca o esquecerei. MRP, Nelson de Matos, um senhor da Assírio e Alvim, um outro da "Pé de Página" entretanto desaparecida. Pessoas que sabem dar o valor a quem TENTA com alguma razão de o fazer. Depois, há outros que não já percebo. Permito-me transcrever aqui um mail de uma editora:
" Antes de mais, agradecemos-lhe por nos ter facultado os seus originais. É para nós, na Chiado Editora, uma honra receber originais da qualidade dos seus.
João, não há nada de negativo (em termos de análise objectiva) a apontar à sua obra. A mesma é perfeitamente publicável. Tem uma elevada qualidade literária.
(...) A questão é que neste momento as editoras estão em contenção financeira, pelo que apenas estão interessadas na edição de autores que já têm um público, que já têm leitores garantidos. Daí que a única hipótese que teríamos de edição da sua obra seria, à partida, ter uma garantia de venda de um número de exemplares que minimizasse o risco da edição (...)."
Sabe, João Leal?, olhando para isto já não estou preocupado comigo. Eu serei lido nas gerações vindouras da família. O que me preocupa é a quantidade de jovens, ou não, com talento escrito e imaginativo que, tesos como eu, sem nome como eu, serão constantemente sacudidos até ao ponto de desistirem, de continuamente escreverem para a gaveta, para o caixote, apenas porque uma pessoa, uma só pessoa, decidiu ver nele um "déjá vu" da escrita. Tenho pena de ver todo aquele que vê morrer tudo aquilo em que nele próprio acreditava.
Para acabar, e à laia de anedota, gostaria de mencionar um comentário que certa vez vi na net. Chamo-lhe anedota por não ter atestado a sua veracidade. Num forum, um sujeito (penso que brasileiro) dizia que, farto de ser rejeitado por editoras, lembrou-se de procurar um livro dos confins do mundo que até tivesse sido premiado. Encontrou um. Pequeno, quase totalmente desconhecido, fácil de enviar como seu. Assinou, enviou e esperou. Resposta: igual a todas as outras que tinha recebido.
História engraçada, esta. Fica a sugestão para quem queira aproveitá-la. Grande abraço para todos.
Proponho a criação da APEF: Associação Portuguesa de Escritores Falhados.
ResponderEliminarLeitor da meia noite e trinta
Plenamente de acordo. Já agora, se me é permitido, eu proponho a A-PAF. Mas só conta o A de Associação. Porque Paf é a onomatopeia da bofetada que um anónimo, enquanto tal, merece.
ResponderEliminarporque não se cria um "chat" aqui? assim só para os mais chatos mesmo, hum?
ResponderEliminarSim, por favor, qualquer coisa que afaste as conversas de hortas e banalidades e auto elogios para fora deste espaço que tem mais interesse que isso. Isto porque há pessoas que acham que são interessantes sempre e não o são - alguém tinha de o dizer.
EliminarAfinal, a tempo como diria Clemens August von Galen:
ResponderEliminarNec laudibus nec timore
Nem pelos elogios, nem pelo temor
E de punho próprio, a tempo:
A inteligência não é superficial.
...publiquei um romance no qual uma das personagens, um rapaz argentino, desejava dar cabo de um colega que lhe batera na escola atirando-o pela escada abaixo...O QUE SIGNIFICARÁ DAR CABO DE UM COLEGA??? ou fará parte do novo acordo ortográfico? é só uma pergunta...eu IGNORANTE ABSOLUTO me confesso(sinceramente), não estou a "mangar" (como se dizia na minha terra, não sei se ainda se diz...porque isto da globalização...)
ResponderEliminarObrigado pelo esclarecimento.
...estava a estudar e lembrei-me do assunto aqui abordado. Vou citar, se não se importam, o texto que se ligou, no meu cérebro, a este post (é o que se chama "intertextualidade"):
ResponderEliminarO livro intitula-se "Teoria e Metodologia Literárias" e é de Vitor Manuel de Aguiar e Silva
"(...) distinção estabelecida por Stefan Morawski ["fundamentos de estética" (1977)] entre novidade e originalidade como categorias constitutivas e critérios valorativos dos objectos estéticos: a novidade marca a separação, a ruptura em relação a padrões formais e sémicos dominantes num dado contexto histórico, ao passo que a originalidade se funda num modo diferenciado de ver o mundo, o qual conduz a uma realização e a uma articulação peculiares dos signos estéticos, das suas regras semânticas e sintácticas, das suas funções e dos seus valores. A novidade, conexionada sobretudo com o fenómeno do vanguardismo artístico, pode-se reproduzir e proliferar até decair no pastiche e no maneirismo epigonal; a originalidade, por definição, não é reprodutível."
Aguiar e Silva sabe do que fala... apesar de ser um pouco "chato" com tanto academismo.
O "problema", em relação à originalidade, é que, de acordo com Steiner (vénia...) Já não há começos...
M
A personagem Humbert Humbert refere-se ao romance "Brutal" do escritor Fernando Esteves Pinto, editado pela Ulisseia em 2012. Li o livro e considerei-o um excelente romance. Espero não estar equivocada. A propósito, leia-se o que o editor, Hugo xavier, escreveu sobre o romance:
ResponderEliminar"Várias coisas obrigaram-me a publicar este livro. A primeira delas será o facto de em anos de receber milhares de originais, ver pela primeira vez um original que, à excepção de ligeiras correcções de texto, não precisava de nada. Era uma obra perfeita em si. O segundo motivo está em que esta é uma obra diferente de tudo quanto se pode ler na moderna literatura portuguesa. Na sessão de apresentação da obra, decorrida na Feira do Livro, tive oportunidade de o dizer. Há muito poucas literaturas no mundo que se possam orgulhar de ter objectos literários que não se encaixam bem em escola ou movimento nenhum e ainda assim são grandes obras. Cá em Portugal temos duas O «Húmus» de Raúl Brandão e este livro de FEP e o curioso é que em muitos pontos estas duas obras tocam-se sem se imitarem.
Este livro é um brutal retrato sobre as relações humanas através dos traumas sexuais e psicológicos. É uma obra dura, é uma obra violenta é um grande romance."
Feito o comentário, resta-nos perguntar: será que a editora, Maria do Rosário Pedreira, ao recusar editar este livro, deu um tiro no próprio pé? Será infalível nas suas análises e opções? Todos gostaríamos de saber...