Very British
Ando com saudades de ver filmes de James Ivory, de quem sou admiradora incondicional; e um dia destes, olhando a estante dos autores anglo-saxónicos à procura já nem sei bem de quê, pus os olhos nesse romance esplendoroso que deu a Ivory a base para um dos seus melhores filmes (os Óscares foram quase uma dúzia). Falo, claro está, de Os Despojos do Dia, esse monumento literário de Kazuo Ishiguro, japonês very British que guardou algo de contenção oriental na escrita dos seus romances. Ivory soube pegar na história e transformá-la num filme inteligente, belo e muito classista, no qual os mordomos e criados do Lorde castelão não têm direito a opiniões políticas (e sabem disso). Enquanto não chega mais nenhum Ivory, eu, que nem sou nada televisiva, vou-me consolando com uma série britânica, Downton Abbey, que faz lembrar inevitavelmente a velhinha Família Belamy (Upsatairs, Downstairs no original) e tem alguma coisa do bom gosto e da subtileza do realizador britânico (embora menos do autor de ascendência nipónica).
Família Bellamy, Verão Azul, Se Bem Me Lembro e até a mira técnica, são botões duma máquina para regressar ao passado. Funcionam sempre, fazem sorrir e calham bem no início duma semana fria, uma vez que as boas recordações são sempre quentes.
ResponderEliminarNunca li Os Despojos do Dia, mas vi o filme e está naquela categoria de ‘impecável’ porque consegue atingir a perfeição nas interpretações, nos silêncios e nos diálogos, nas linhas tradicionais de posicionamento de cada um, no espírito da época, do local e das ideias.
The Remains of the Day... Love it to bits!
ResponderEliminarE Downton Abbey até gravo! Apesar de se centrarem em tempos cronológicos distintos, são ambos monumentos de, diria, valor histórico e pesquisa meticulosa. Lembram-me os livros do A. N. Wilson e do Christopher Hibbert sobre os Vitorianos. E claro, quando entramos naqueles "estates" (os que estão abertos ao público, bem entendido), é mesmo The Remains of the Day ou Brideshead Revisited e agora Downton Abbey que nos assomam à cabeça e à alma.
Hum... e a família Forsythe ? Não falam e não a recordam por alguma razão especial?
ResponderEliminarNão que eu tenha sido fã em particular desta série (e do livro) ou dos Bellamy ... que cá em casa faziam sucesso (entre a camada feminina adulta) já o Reviver o Passado em Brd . , esse sim... e o filme (Despojos) por acaso também vi mas com o interesse de uma perspectiva da antropologia cultural.
São magníficos retratos de épocas e de uma organização social.
Daqui a pouco lembramos "O pequeno Lord "...
O Brideshead tem as duas melhores personagens de todas as séries, o Lord Sebastian, obviamente, e aquele maricas gago de quem já não me recordo o nome!
EliminarSão estas séries, que nos transportam para outros tempos, através de excelentes desempenhos, bandas sonoras de 'primeira escolha' e diálogos (Ui! Os diálogos!) de fazer inveja a qualquer escritor, que me fazem gostar de ter/ver televisão... apesar de não a trocar por um bom livro. Comecei a ver Downton Abbey com os meus filhos e falei-lhes de outras já aqui referidas, assim como, dos filmes de James Ivory , agora, tenho a responsabilidade de lhos dar a conhecer. Creio que estou a educar bons cinéfilos, sim, porque o consumo de lixo televisivo está-lhes nos genes e deve ser, tanto quanto possível, combatido, mas era de boa televisão que falávamos, não era?
ResponderEliminarAdorei este filme! Competentíssimo em tudo, é certo. Mas não resisto a salientar a magnífica interpretação deste monstro da representação: Sir Anthony Hopkins ! Apaixonei-me perdidamente por ele há já alguns anos. Confesso: não resisti ao charme do Doctor Hannibal The Cannibal ...:) Um portento de interpretação!
ResponderEliminarQuanto ao Kazua Ishiguro , tenho dois livros dele que ainda não li: "Nunca me deixes" e o "Nocturno". Tenho andado sempre a adiar, não por falta de vontade mas porque há tanta coisa para ler. Que angustia...
Eu ainda estou apaixonado pelo The Office do Ricky Gervais :-/
ResponderEliminarAhahha o the office é brutal, e pensar que o Ricky Gervais nunca tinha representado na vida. Escreveu o guião com o Stephen Merchant e pôs-se a caminho da BBC para apresentar o conceito. Se gostou do Office veja o "Extras", também é dele e tem imensos actores conhecidos, é uma reedição do género constrangedor!
EliminarSim "Os Extras" é espectacular. A busca do sucesso e da fama. Lindo.
EliminarNão sei porque é que o «The Portrait of a Lady» de Jane Campion nunca teve tal reconhecimento também. Adoro o filme...
ResponderEliminarA "escrita" está a cargo de Henry James!