Nada é por acaso

O Manel e eu somos viciados em caderninhos e, embora tenhamos ainda muitos por estrear, não resistimos a reunir sempre mais um à colecção. Ora, por falar em caderninhos, conheço uma história bem divertida. Por ocasião da saída em Espanha do romance A Noite do Oráculo, de Paul Auster, o El País publicou um artigo em que dizia que o escritor norte-americano comprava uns caderninhos especialíssimos numa determinada papelaria de Lisboa (caderninhos, aliás, mencionados no romance). Um jovem casal espanhol que lera o dito artigo, estando de férias em Portugal, não regressou à pátria sem antes se dirigir à papelaria em causa (julgo que na parte antiga de Lisboa) para adquirir um desses cadernos austerianos. E – coincidência ou não, mas com Paul Auster nada é por acaso –, concluída a compra, saíram mulher e marido para a rua e não queriam acreditar no que os seus olhos viam: é que à sua frente, dirigindo-se a passos largos para a papelaria, vinha o próprio Paul Auster, presume-se que para comprar mais um dos seus cadernos... Coisa, por assim dizer, digna de um livro seu.

Comentários

  1. Quando refere cadernos/caderninhos julgo que seja bloco-notas para apontamentos?
    Eu sou um utilizador convicto desse tipo de coisas, logo a começar pela agenda que anda sempre comigo e onde aponto tudo que há para fazer ou fiz, o que se passou no dia e até a meteorologia, quando caduca o passaporte,
    Como guardo todas desde há 18 anos, sei com quem jantei no dia tal, onde fui caçar, que reunião tive, até se choveu ou estava frio... já me foi útil tantas vezes... É um instrumento de trabalho e organização fantástico!

    E faço diários de viagens! Comecei em muito novo a tomar apontamentos sobre caçadas ou pescarias em grandes cadernos escolares. Depois evoluí para uns pequenos livrinhos de capa dura que compro na Fernandes daqueles de "rol" e sem linhas, pois faço desenhos e esquemas. Andam no bolso e são os meus diários em expedição, viagem, nas competições internacionais ou deslocações de que mais tarde vou fazer relatório e tantas vezes artigos ou reportagens. Tenho igualmente na cozinha um "Registo das Tainadas "... é um vício!

    O personagem principal do meu romance, manteve ao longo da sua vida um diário que permitiu seguir os seus passos, isto segundo a história...

    Pelo menos nisso sou parecido com aqueles que gostaria de ser como... é a consolação!!!!

    Saudações do campo e das memórias!!!!

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  2. questao de vida ou de morte


    http://zioncrimefactory.com/
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  3. Um coincidência verdadeiramente incrível e como também gosto muito de caderninhos fiquei com pena de não haver uma loja assim pelo Porto...

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  4. http://age-of-treason.blogspot.com/ ;)

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  5. "Uma coincidência verdadeiramente incrível e como também gosto muito de caderninhos fiquei com pena de não haver uma loja assim pelo Porto."

    já não seria mau conhecer o nome da loja em Lisboa!

    grata ficaria

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    Respostas
    1. Ainda existem as Papelaria Fernades?
      Aí havia grande variedade de caderninhos e livrinhos de rol, etc.
      E as Staples e FNAC também têm pelos menos os mediáticos Moleskin...
      Caso contrário, e como prefiro os primeiros pela capa dura, ainda bem que tenho uma boa provisão, julgo que até morrer...

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    2. Paula Galvão,
      encontra «o caderno azul», é esse o nome, com lombada e cantos de tecido, numa pequena antes do elevador da Bica (vinda do Camões) e quase em frente da CGD

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    3. obrigada!! nem o nome sabia...quanto à Papelaria Fernandes já não é o que era...e nem sei se a única que existe (Marquês, no Porto) ainda existe...a minha ultima visita desiludiu-me bastante.
      Obrigada pelas informações preciosas!

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    4. Os acasos, uns puxam os outros.
      Por acaso, essa Rua do Elevador da Bica – Rua da Bica de Duarte Belo, assim oficialmente chamada – é onde vive, logo a poucos metros do descer da esquina, numas águas-furtadas, o meu filho mais novo, candidato a cineasta.
      Aqui há uns cinco, seis anos, quando fizemos a mudança dele para esta casa, fui com uma empresa de transportes descarregar-lhe à porta do velho prédio uns antigos móveis que recuperamos da desabitada casa de meus pais – e que pintamos de azul.
      Eu estava cá em baixo, a tomar conta daquilo, enquanto os homens da empresa iam, uns, amontoando no passeio as coisas que traziam da camioneta, outros levando-as aos poucos para cima.
      Deteve-se ali, a apreciar os insólitos móveis antigos-mas-azuis , uma cara que não me era estranha. Olhava-me como que a querer que se estabelecesse conversa, mas eu estava era preocupado que o amontoado daquela tralha não perturbasse a circulação do elevador que por ali sobe e desce. De modo que o tipo acabou por continuar o seu percurso, rua acima, e na esquina deitou-me um último olhar, virou à direita, desapareceu do meu alcance.
      Desapareceu na esquina, mas aquela cara, eu conhecia-a de algum lado… Pedi a um dos homens que ficasse a tomar conta do elevador, e fui por ali acima.
      A seguir à esquina, lá estava a cara conhecida a contemplar a montra da papelaria onde vendem uns cadernos azuis com lombada e cantos de tecido.
      Fingi que estava também a contemplar, e o tipo a olhar para mim, como que a querer falar-me dos móveis antigos-mas-azuis , e eu a querer também falar-lhe, mas a não vencer o embaraço. Vamos que era alguém importante: – Que havia eu de lhe dizer? Que tanto eram azuis os cadernos como os móveis?
      Prossegui em direcção ao Camões (… “prossegui em direcção ao Camões…”), entrei num café-pastelaria que por ali sobrevive, cheirou-me que estavam a sair uns pastéis de nata, pedi dois com canela e uma cerveja fresca.
      Esta associação dos pastéis de nata com a cerveja é um trauma que cultivo desde que, nos anos da minha juventude aí em Lisboa, se me revelou, por um mero acaso, a maravilha desta combinação – e é um trauma porque, até hoje, nunca vi ninguém experimentá-la, só vejo galões, sumóis , coca-colas , continuo a aguardar que um novo acaso propicie a um segundo ser humano a sublime revelação do que é combinar a cerveja fresquinha com o pastel de nata quentinho com canela.
      Estava nesta nostálgica meditação quando a cara conhecida parou frente à montra da pastelaria e captou, através do vidro, o meu olhar – agora de súbito extasiado perante a possibilidade de que esta pessoa, que por acaso não me era estranha, fosse, finalmente, aquela a quem, acaso entrasse e pedisse o mesmo que eu tinha à minha frente, se revelaria o singular segredo ainda não compartilhado…
      Mas não. O tipo não aproveitou o acaso, desandou, seguiu o seu caminho em direcção ao Camões (…”em direcção ao Camões”…)

      Alguns dias mais tarde tomei conhecimento de que Paul Auster tem uma casa em Sintra, e anda por Lisboa a comprar os tais cadernos.
      Ora bem: – só falta que ele confirme que achou insólito um amontoado de móveis antigos-mas-azuis na ladeira do elevador da Bica, ali logo abaixo da loja da esquina que vende os cadernos azuis.
      Caso ele confirme isso, está na hora de – para, finalmente, completar o acaso – ir aos pastéis de Belém, pedir dois, quentinhos, polvilhados com canela, e degustá-los acompanhados com uma cerveja fresquinha.
      Ó Senhor Auster : – os acasos, às vezes, é preciso encaminhá-los.
      Vá por mim!
      Cumprimenta,
      Joaquim Jordão, Amarante

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    5. Gostei imenso que tivesse partilhado connosco esse acaso! Descreveu esse episódio tão bem que parecia que estava a ver um filme! Seria fantástico se o Paul Auster dissesse se havia gostado dos móveis azuis e já gora dos pastéis de nata com a cervejinha, não era?
      Isabel

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    6. Concordo com a Isabel (perdoem-me o à-vontade), mas conseguir, através da leitura, dar forma aos moveis azuis, aos homens que descarregavam, ao seu olhar do outro lado da montra, ao cheiro da canela misturada com os tão deliciosos pasteis de Belém...consolou-me!!
      E se a morte de um filho me trouxe até aqui, porque uma pessoa atenta como a Rosário Pedreira (que tanto admiro) o descreveu sem saber se no meu caso nada seria por acaso, mantendo eu a convicção de que a morte de um ser tão extraordinário, com 20 anos apenas, não foi por acaso e ter o privilégio de ler a sua história também não o foi .Porque nada é por acaso nesta Vida, mesmo não imaginando que se misturem pasteis quentes com cerveja e vá preferindo o chá!
      Mas o que torna a Vida mais bela, menos penosa, são estes pequenos recantos onde podemos expandir a nossa Alma e deixar um pouco de nós para os outros também...
      "de súbito extasiado perante a possibilidade de que esta pessoa, que por acaso não me era estranha, fosse, finalmente, aquela a quem, acaso entrasse e pedisse o mesmo que eu tinha à minha frente, se revelaria o singular segredo ainda não compartilhado…
      Mas não. O tipo não aproveitou o acaso, desandou, seguiu o seu caminho..." pois eu aproveitei e gostei de ler a sua história que, por segundos, me desviou da dor imensa que é a de perder um dos meus 3 queridos filhos.
      um Abraço e boa caminhada para todos os que se encontram, de quando em vez, neste blogue que contém artigos que tanto gosto de ler. Gostava muito que Rosário Pedreira não só nos deixasse mais poemas, como reflectisse neste espaço as coincidências de uma sociedade que caminha para um abismo de valores e para a qual estou cada vez menos preparada.
      Nada é por acaso

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    7. Um abraço para si também Paula (lá está o "à-vontade") e oxalá este blogue lhe proporcione muitos e muitos "desvios" dessa tremenda dor...
      Isabel

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    8. Ora bem, minhas caras Paula e Isabel, eu não tenho a certeza de que aquela pessoa era o Paul Auster. A cara não me é estranha, mas apenas o conheço de fotografias, da tv, e assim, nunca estive com ele cara a cara.
      Só ele – se é que porventura reteve aquele fugaz episódio – o poderia confirmar.
      Se confirmasse, ficaríamos no bom caminho para completar este acaso. Faltaria apenas que ele fosse experimentar os pastéis de Belém acompanhados com cerveja.
      Mas vamos que isso da cerveja com os pastéis é já, para ele, um dado adquirido! Pode muito bem acontecer, não sou certamente a única pessoa do planeta a quem tal ventura foi concedida.
      Pois bem: – se fosse esse o caso, então este acaso seria mais extraordinário!
      Ficaria para mim experimentado na prática, para nós definitivamente consagrado, o valor do acaso – isto é, aquilo que o próprio Paul Auster tem vindo a propor, na sua literatura, à Humanidade.
      Para o caso de não ter sido ele que, naquele dia, passeava pela Bica, então resta-nos esperar que a pessoa que por ali andou – que viu os móveis azuis no passeio, que espreitou os cadernos azuis na montra, que entreviu o meu êxtase perante os pastéis de nata com cerveja – que essa pessoa, ao menos, tenha a sorte de, um dia que eu esteja por acaso em Lisboa, ir à casa dos pastéis de Belém e, na hesitação de decidir o que encomendar, me veja de relance na mesa ao lado…
      Abraça-vos o
      Joaquim Jordão

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    9. obrigada Isabel. Assim fica registado o direito ao à-vontade, com o seu devido respeito!

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    10. o importante é imaginar que foram aqueles enormes olhos a saltar a montra para o seu olhar.

      Para ambos (Isabel e Joaquim), um Abraço!

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    11. "Extraordinários" Joaquim e Paula
      Que importa se era ou não Paul Auster, se esse episódio permitiu esta pequena conversa entre anónimos ??! Este também é um acaso interessante.
      Isabel

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    12. Cara Paula
      Na sua primeira intervenção de hoje disse o seguinte:
      «Gostava muito que Rosário Pedreira não só nos deixasse mais poemas, como reflectisse neste espaço as coincidências de uma sociedade que caminha para um abismo de valores e para a qual estou cada vez menos preparada.
      Nada é por acaso».
      Pois bem: peço licença a Maria do Rosário para me antecipar e deixar-lhe, especialmente a si, um poema que, na escassa obra de Leite de Vasconcelos, por acaso se cruzou comigo e me tem acompanhado.
      Nada é por acaso?
      Chamo a sua especial atenção para os seis últimos versos, “Em mim tudo recomeça…”, etc , que culminam o “Canto do Verbo em Busca da Forma”.
      Não vou alongar-me em explicações, porque o poema diz tudo o que quero transmitir-lhe (e por outro lado, como é um pouco longo, poderá não caber nos 4300 caracteres disponíveis. Vamos a ver se consigo).

      Canto do Verbo em Busca da Forma

      Eu presido a todos os enganos
      os do céu os da terra há tantos anos
      que nem o tempo os lembra Antes do mar
      fui voo Antes do sal fui mar
      e sede antes da água fresca Antes do verso
      eu fui a poesia Eu sou antes de Deus e do universo
      Estando antes eu nunca fui ontem
      e sendo a tudo preso nunca fui refém
      nem de mim mesmo porque a minha fome
      não tem distância horizonte não tem nome
      Sempre que me contam sou inumerável
      sempre que me caçam sou invulnerável
      Eu nunca estou no pé e nunca estou no passo
      a minha dimensão é outra sou o compasso
      cósmico a que palpitam todas as galáxias
      e a que se geram flores nos ramos das acácias
      Não fui planeado nem projecto Não sou vontade
      Nas letras de prisão lêem-me liberdade
      não a minha a tua a deles ou a de todos
      Eu sou a liberdade do desejo Do desejo dos lodos
      e das aves dos rios dos homens e mulheres
      de todo o espaço de todas as coisas de todos os seres
      Por isso eu presido a todos os enganos
      os do céu os da terra há tantos anos
      que nem o tempo os lembra Sou a razão
      de todas as derrotas o coração
      da mágoa as mãos do desespero
      Eu sempre estou e permaneço e espero
      desde o caos e canto o refazer do desejo
      na sua liberdade como lábios no beijo
      Em mim tudo recomeça
      grão a grão ponto a ponto peça a peça
      mão a mão sol a sol segundo a segundo
      porque comigo recomeça o mundo
      até que tudo seja o que não vejo
      até que o mundo seja o do desejo

      Leite de Vasconcelos

      Com um abraço do
      Joaquim Jordão

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    13. Paula, por favor veja mais abaixo, creio que cometi um pequeno erro, devia ter respondido aqui, e não onde coloquei o texto.
      Cump.
      Joaquim

      Eliminar
    14. "até que tudo seja o que não vejo"

      tudo é belo, um Abraço de gratidão...Joaquim Jordão

      e se colocou o comentário no local errado, a resposta veio certíssima e directa à minha "alma"...

      nos meus humildes escritos há uma pequena parte em que escrevo ao meu filho...assim...

      "e eu AMO-TE Como AMO os teus irmãos .
      E apenas procuro que através do amor que em eles debito, sintas como te AMO tanto....e porque não estou perto de ti, estando tanto."


      SIM, foi redentor o que me enviou .E espero que Rosário Pedreira não se zangue com esta invasão.

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  6. A Papelaria Fernandes ainda existe no Porto na Praça Marquês de Pombal, após um complicado processo de insolvência não concretizado. O visual foi alterado mas o espaço esse, pelo menos, continua. Quanto aos caderninhos, terei de lá passar para confirmar se ainda existem, resistindo a todos os novos processos informáticos de memorizações, alertas, lembretes e outras coisas mais.

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  7. Bonitos momentos proporcionados pelos nossos extraordinários amigos.

    Vale de facto a pena vir aqui...

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  8. Na qualidade de Director da Papelaria Fernandes, informo que a insígnia Papelaria Fernandes não morreu, continua bem viva a comemorar os seus 121 anos de existência.
    Neste momento existem 4 lojas, a centenária loja do Largo do Rato, a loja da R. do Ouro, a loja da Baixa/Chiado e a 4ª e mais recente na Av. Rovisco Pais, nº14 (junto ao Instituto Superior Técnico).

    Onde poderá encontrar todo o tipo de cadernos, caderninhos, blocos e bloquinhos, com design mais moderno, ou dos mais tradicionais que temos vindo a recuperar.

    Na cidade do Porto, neste momento não estamos presentes, talvez ainda este ano possam surgir novidades.

    Estão todos convidados a visitar-nos e constatar que não foi uma visita em vão.

    O nosso muito Obrigado

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  9. Adorei a entrevista na Noticias Magazine, e, não generalizando, eu não teria o atrevimento de tentar escrever um livro, pois não estou minimamente ao nível dos autores que leio. Cabe-lhe uma tarefa difícil , mas se calhar a mais importante: filtrar a qualidade do "lixo". Infelizmente a capacidade crítica está a perder-se, e se não houver qualquer orientação externa, então a leitura pode tornar-se tão perigosa como a televisão. C
    omo uma amiga minha diz (em relação à TV para crianças) um biberão com veneno.
    Cumprimentos,
    Alexandra Rosa

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