Livros de cabeceira

A expressão «livros de cabeceira» é frequentemente incluída em entrevistas e inquéritos e diz normalmente respeito ao que se anda a ler (e, por isso, está ali bem a jeito quando nos deitamos – muita gente só tem mesmo tempo para ler na cama), mas também aos livros de que uma pessoa nunca se separa e que deixa à mão para reler e consultar sempre que lhe apetece. Pois bem: a revista Time Out inaugurou recentemente uma pequena secção intitulada “Mesa-de-Cabeceira” e o Manel foi escolhido para deixar fotografar a sua e comentar os livros que ali tem. Deu tudo certo, claro, e o montinho de exemplares foi fotografado com pó e tudo, para ser mais realista; mas a verdade é que, se tivesse sido eu a visada pela reportagem, teríamos tido de fazer batota: é que, por acaso, gosto muito mais de ler na sala do que no quarto e, normalmente, sobre a minha mesa-de-cabeceira jazem livros que iniciei com optimismo, mas quase sempre ficaram a meio por falta de entusiasmo, aguardando momentos de maior paciência ou fé raramente alcançados. As mais das vezes, quando me vou deitar é para dormir – e só nas férias, que não tenho despertador para me lembrar que é altura de sair da cama, fico a ler entre lençóis, desejosa de terminar mais um livro de outra editora enquanto não chega o regresso ao trabalho.

Comentários

  1. Ahahah ! A sua honestidade despretensiosa é de facto desarmante!

    QUEM deste Mundo, onde se anda como num imenso palco, a representar um papel, teria a coragem - com as responsabilidades que tem - de assumir os "livros de mesa de cabeceira " como o fez? Em vez de apresentar uma lista de nomes sonantes e impressionante que esmagasse aos comuns dos mortais e às pobres traças, como eu e a nossa Broa?
    Talvez porque não precise de ostentar e menos provar cultura... toda a gente sabe que a tem!

    O meu livro de mesa de cabeceira é o que estiver a ler na altura, se o levar para o quarto, o que às vezes acontece... mas o que está lá sempre, vou confessar: É o livro de horóscopos do Paulo Cardoso para o ano, porque acredito na astrologia e me parece obra séria de pessoa séria, e acima de tudo é homem de bem!

    Deus me livre de ter de levar para a cabeceira o que tenho de ler, porque as minhas ocupações e obrigações profissionais me obrigam a ler muito! Sejam manuais de gestão, de solos e adubação, de agricultura, ou como actualmente compêndios de apicultura e sobre a geografia e clima de Angola, com vista a um novo projecto que deverei iniciar em pouco. Pelo meio lá vou lendo os Homens que odeiam as mulheres...

    E claro passando por aqui, como a traça que sou, chata, pertinaz e maçadora...

    Saudações do campo! Está seco mas aconselho na mesma a semear milho (haja rega...) e digo como o meu avô: "Eu faço a minha obrigação, o tempo que faça a dele!".

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Títulos sonantes mas em Inglês...

      Eliminar
    2. Ah... claro, em inglês denota ainda mais cultura!
      Eheheh!

      Eliminar
  2. Eu cá, na mesa-de-cabeceira, tenho apenas dois livros. O À sombra das raparigas em flor e outro que vai rodando (actualmente a História da Inquisição em Portugal). Não gosto de muito circo a atafulhar-me os cómodos! Já a minha mulher, tem uma verdadeira livraria clandestina. Passo a enunciar: O rio das flores (ainda ouço as árvores a chorarem o seu triste destino), O fio da navalha (bom livro), quatro livro de bebés (ou se quisermos ser verdadeiros palhaços, de puericultura) e um livro do interminável franchise de Sissi (já chega escritores de romances históricos, já sabemos tudo sobre a Sissi). No carro tenho outro À sombra das raparigas em flor, é sempre bom ter um livro no carro. Ao contrário da tia Maria, não me lembro da última vez que li sem ser na cama. Agora são vocês a dizer o que têm ao lado da cama!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Uma pergunta, caro Courinha: se só lê na cama, porque o acompanha um volume no carro? E logo o mesmo livro, e ele há obsessões!

      Eliminar
    2. Expliquei-me mal! Em casa só leio na cama, na rua leio em cafés e restaurantes. Como diz a filha da D. ana b. ... fui!

      Eliminar
    3. Caro Courinha :

      Dona!? Está a chamar-me velha!? Ai ai ai ai ai... Já estivemos a falar melhor...:)

      Eliminar
  3. Parabéns Rosário. Adorei o blogue.
    Maria Manuel Leitão Marqued

    ResponderEliminar
  4. Tal como o nosso Amigo Extraordinário António Luís Pacheco, o meu livro de cabeceira é o que estiver a ler, no momento. Ele acompanha-me para todo o lado, incluindo para o trabalho. Nunca se sabe o que pode acontecer pelo caminho...:) É verdade: gosto de aproveitar um eventual intervalo do almoço ou a meia hora em que espero pelo final das aulas da minha filha... Todos os bocadinhos são preciosos! Se não fosse assim, não leria nem metade do que leio.
    A cama não é o meu local preferido de leitura. Também prefiro o conforto do meu sofá. Até porque não consigo ler deitada nem inclinada. Mas, volta e meia, levo o livro para a cama, sim.

    ResponderEliminar
  5. Olá, boa tarde ou, boa noite! Parece que o assunto convida as leituras, e dá-nos a sensação da companhia agradável sempre a mão. A princípio na cabeceira a Bíblia e que não esgota minha apreciação como leitora; um livro de Domenico De Masi, ainda por concluir; outro livro que gentilmente foi mimo, e é sublime a delicadeza autobiográfica de Altamir Jeronymo da Silva, expõe quão vitoriosa e possível, a realização como Professor e de seus Ideais como Educador, e que infelizmente não é para venda; outro livro, que tenho atenção e quase finalizando é Harold Bloom, que discerne os clássicos, porém os clássicos que Bloom cita, aguardam a vez da leitura, por compará-los ao prisma que descreve este autor. Também, leio os livros da Alma Mater, cuja coleção de títulos raros e disponibilizados, tornara-se a cabeceira, virtual. E finalizando, como análise de uma apostila MBA de Jane R. Alves Barbosa, apenas dedicação.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ó Cláudia a Jane Alves Barbosa, será filha do Alves Barbosa? conhecerás certamente o grande Alves Barbosa dos anos 50.

      Eliminar
    2. Desculpe desapontá-lo, mas não o conheço, então seja generoso e pelo ar da graça, revele algo de interessante sobre o Alves Barbosa do anos 50, pelo menos é de minha curiosidade, ASeverino.

      Eliminar
    3. Numa das muitas cenas impagáveis do Pátio das Cantigas, o sr . Evaristo explica à filha que o "Rapaz da Camisola Amarela" é dedicado ao vencedor da volta ao Brazil em bicicleta! Ela pergunta se foi o Alves Barbosa, e ele responde que foi o Pedro Álvares Cabral!

      Eliminar
    4. Bom dia amigos, Alves Barbosa teria sido o maior ciclista português de todos os tempos se Joaquim Agostinho (uma lenda morta) não tivesse existido.
      Poderei então deduzir que não haverá qualquer grau de parentesco entre a Jane R. Alves Barbosa (de que não faço a mínima ideia quem seja) e o citado campeão? É que o Alves Barbosa (ciclista) era assim como que um Cristiano Ronaldo da altura, à época e à escala nacional obviamente já que, naqueles tempos, o mundo se resumia à nossa aldeia. E o ciclismo seria talvez, nos anos 50, o desporto mais popular.

      Eliminar
    5. Onde a conversa leva!... Era eu pequeno e vinha o povoado todo para a beira da Estrada da Beira ver passar o Barbosa: um mancha fugaz de cor amarela no ambiente cinzento. Só depois chegou King Eusébio e se instalou o imperialismo benfikista.

      Eliminar
    6. Nobre colega ASeverino, assimilando de quão o mundo é pequeno e grande os homens de seu feito, pois fazendo jus ao respeitado nome do então Dr.Alves Barbosa, celebridade do esporte ao coincidente ramo familiar da mencionada, Dra.Jane Rangel Alves Barbosa em Filosofia e que de qualquer forma, queiramos ou não, tem um pezinho de vossa estimada e querida de quando aldeia, sabendo, atravessara os séculos, firmando-se e expandindo, eis que, tal posto da menção aos estudos da colega Jane R. Alves Barbosa tem em andamento na defesa para a Educação (diga-se ao todo), mais um doutorado em Wisconsin International University USA, cujo Título: Presença do Pensamento Pombalino no Ensino Superior Brasileiro Contemporâneo.

      Eliminar
    7. Cláudia - de tão nobre linguagem não percebi patavina mas vou tirar uns dias de férias para tentar perceber. Obrigado.

      Eliminar
    8. Eu percebi tudinho: a nossa Cláudia é prof , colega da Jane (me Jane, you Pombal) que está nos States a tratar do nosso legado comum na forma de doutoramento sobre a influência do Pensamento dele no Ensino de lá, e são ambas moças de pedalada semelhante ou superior à do nosso inesquecível Barbosa, no seu tempo.

      Eliminar
    9. Então o defeito é meu...perdão!

      Pensava eu que um bom comunicador é aquele que fala (neste caso escreve) o que toda (toda) a gente entende...

      Eliminar
    10. Olá Paulo Oliveira, vejamos qual a possibilidade de você ter escolhido seu nome, sinceramente penso que nenhuma. Pois não sou professora embora admire e especial a carreira, e conheço Jane, tanto quanto conheço você... E a vidinha, leva-nos assim, com estranhezas suficientes, apenas, para termos a noção de que a mesinha de cabeceira faz a diferença no cotidiano.
      E, por gentileza nobre ASeverino, nada de defeitos! Experiência própria, não há quem os entenda, ou há?
      Um abraço aos dois, dias melhores virão.

      Eliminar
  6. tenho uns quatro na mesa de cabeceira, pelos mesmos motivos da Rosário. :)

    o que ando a ler de momento acompanha-me, também na mesa de cabeceira, mas não é fixo.

    gosto de adormecer a ler, mesmo que muitas vezes leve com o livro. :)

    ResponderEliminar
  7. Eu, na mesinha de cabeceira, tenho o Livro em Branco. Quando me levanto, de manhã, está todo cheio de sonhos e pesadelos.

    ResponderEliminar
  8. Foi-se deitar, cansado, dono de um dia que não lhe pertencera, senhor de um plano fugidio, mestre de incontáveis variáveis cantadas pelos outros. Suspirou. Digladiou-se contra a cansativa ideia de um banho a desoras. Venceu. No meio dos lençóis, sozinho, tudo era calma e segurança e linho e perfume e excitação de uma história anunciada. Do exterior chegava o ruído dos incansáveis, dos de firmes desígnios, dos que ainda haveriam de tomar banho... Abriu a boca, desferiu uma derradeira braçada que o transportou até à sua mesa-de-cabeceira e colheu um livro de aventuras. Aventuras com herói, herói que não ele, com provações que não dele. As suas pálpebras amotinaram-se, sem respeito pela obra, sem carinho pelo autor, sem admiração pelo trautear das donzelas, encheram-se do que aí vinha, transbordaram de afazeres cumpridos e trabalhos latentes num horizonte de minutos que não voltam. As letras brincaram em desvelada correria, a luz estendeu-se numa difusão infinita e o livro tombou, oferecendo uma das páginas à face daquele que se desculpava, numa última caricia, no perdão infinito dos livros, como quem diz encontrar-me-ás sempre ao teu lado.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Amigo João, gostei de o ler. Mesmo.
      Isabel

      Eliminar
    2. Obrigado! Estava para aqui a ver Dr. House, fiquei aborrecido e vim esparvoar para o blog :)

      Eliminar
    3. Também...

      Eliminar
    4. Fez bem. A sala de estar, como eu dizia ontem, é de todos.

      Eliminar

  9. Buáááááá ... e eu que nem mesinha de cabeceira tenho !!! As traças comeram-na, ou foi o salalé, nem sei bem que raio de bicho era aquele ...

    Mas quando a tive, já lá vão anos, um dia achei que ficaria bonita com uns livrecos a enfeitá-la. Lá pus Camões, isto é, um livro de seus sonetos - m.a.r.a.v.i.l.h.o.s.o.s - um outro de um poeta amigo e um outro de contos (adoro contos, de reis também). Depois que fiquei privada da sua companhia (da tal mesinha), devorada que foi pelos tais bicharocos, achei que seria uma ignomínia deixar Camões e os seus companheiros de mesinha, no chão frio, largados ao deus-dará, junto ao tapete, sem conforto algum. Quem merece tem de ficar no pedestal. Estão eles, hoje, junto ao tecto, sobre o guarda-roupas ...

    Concluindo: quando me deito a labuta diária tira-me as forças para ler seja o que for, seja quem for. Livros de Mesinha de Cabeceira? Tenho-os. Guardados na memória.

    Broa

    ResponderEliminar
  10. Comboios. É tão bom ler em comboios. Sobretudo em locais onde criaram as «carruagens silenciosas» - primeira e última - nas quais se pede aos energúmenos ruidosos que vão falar e/ou partilhar a música dos seus headphones para outro sítio.
    Na mesa de cabeceira (agora é assim, não é?) que já foi banco de cabeceira e caixote de fruta de cabeceira está uma pilha de livros e revistas que vão migrando verticalmente. Aí está também o livro-morfina: um título que, misteriosamente, me faz adormecer em menos de uma página de leitura e cujo conteúdo mal recordo na noite seguinte. E não é um mau livro... de todo. Talvez o papel seja reciclado e inclua raiz de valeriana na sua composição.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório