Correntes
Se houve coisa bonita de se inventar foi este encontro literário de línguas ibéricas na Póvoa de Varzim, onde ao longo de vários dias se juntam escritores portugueses, espanhóis, latino-americanos e africanos para falarem de coisas variadíssimas em mesas-redondas e, claro, para conviverem à noite, no bar do hotel. Este ano a coisa parecia tremida com a falta de orçamento da Câmara Municipal, mas lá se resolveu com uns cortes e hoje inauguram-se mais umas Correntes d’Escritas. A sessão de abertura terá como orador D. Manuel Clemente, e Rubem Fonseca será homenageado num dos dias (ele que não vai a lado nenhum, nem dá entrevistas, não resistiu certamente ao que se diz do excelente ambiente do encontro). Eu, que desde o início tenho lá estado desde o primeiro dia, este ano só posso ir na sexta, mas tenho a certeza de que ainda irei a tempo de ouvir alguém inesquecível e de trazer de lá o testemunho. Força, Correntes!
Então ainda chego primeiro que a nossa Anfitriã Extraordinária:)
ResponderEliminarVou já amanhã!
É a minha primeira vez nas Correntes. Tenho ouvido maravilhas do evento e, este ano, não resisti: vou espreitar:)
também me iniciarei neste aclamado encontro; estou certo que o evento corresponderá às expectativas dos novatos.
Eliminartambém me iniciarei neste aclamado encontro; estou certo que o evento corresponderá às expectativas dos novatos.
EliminarNeste comentário, o leitor pode ter a ilusão de eu me estar a repetir no tempo. Será verdade? Enganar-se-à o artista? Com certeza que não. Hoje a tia Maria fala de um encontro de escritores, é com ambiguidade, como quem ginastica na superfície gelada de um lago de incertas sinapses, que eu percepciono tais reuniões. Se por um lado a história nos apresenta proveitosos exemplos de mentes em desvelada comunhão, por outro dá-nos a conhecer inúmeros ermitas literários que, a partir da sua solidão, nos oferecem mágicas pérolas destiladas num alambique de misantropia e paredes de cortiça. Leia-se, por exemplo, Cinc-Mars, obra onde o conde de Vigny descreve magistralmente o estrelado salão de Catherine de Vivonne, Mdme. de Rambouillet e descubram-se fenomenais e improváveis diálogos entre Milton e Descartes, versando sobre um rapaz novo, Corneille, que estava prestes a apresentar o Cid, obscura peça de teatro que faria corar o purpura de La Rochelle. Olhemos agora para a Rússia, descubramos a sólida amizade entre Gogol e Pushkin, não é que foi este quem deu àquele a ideia para o ímpar Almas Mortas? Ficamos assim a saber que Pavel Ivanovitch Tchitchicov era adoptado e que tinha por pai biológico o Camões dos Tzars. São dois exemplos de proveitosa partilha, mas e os solitários? Poderia um post meu acabar sem mencionar o La Recherche? Seria como ir a Roma sem querer vender os pertences do Papa. Proust, auto-proclamado neurasténico, acabou O romance fechado num pequeno quarto, sito numa outra dimensão e profusamente forrado a cortiça, de forma a matar o mundo. Como a tia Leonie de Combray, Marcel não recebia visitantes, acusava-os de serem maçadores, disruptivos da sua obra, arautos de uma mundanidade passível de lhe sorver o génio. O resultado? Uma eterna humilhação de todos o que se supõem escritores. Entende agora o leitor o meu dilema? Espero ter gerado vontade de participar, gostava muito de saber o que pensam. Falem de exemplos Portugueses, eu não os conheço.
ResponderEliminarCurioso a origem do nome:
ResponderEliminarA História da Póvoa de Varzim é anterior á de Portugal (200 000 a.C.), teve origem numa villa romana atribuída a uma família romana, os Euracini. Na Idade Média o nome da Villa Euracini já tinha evoluído para Villa Veracinla Euracini. Villa Euracini aparece a primeira vez documentado a 26 de Março de 953. Então, várias denominações têm sido conhecidas: (1514). Vila Ueracini (1033), Vila Uerazini (1061), Vila Ueracin (1206), Varazim (1308), Bajlya da Poboa Noua de Varazim (1343), Villa da Povoa de Varzim. E o velho gentílico de origem romana Euracini foi evoluindo ao longo de séculos, de EURACINI passou a URACINI → VRACINI → VERACINI → VERAZINI → VERAZIM → VARAZIM até chegar ao VARZIM dos dias de hoje.
Fonte: Blog História da Póvoa do Varzim e Origem do nome.
No século IX, além dos Vikings, Póvoa de Varzim era disputado por nobres e cavaleiros, atraídos pelas riquezas e pelo porto da cidade ( bem conceituado). Estes nobres e cavaleiros sediados em Veracin dos Cavaleyros (Varzim dos Cavaleiros). A disputa levou D. Dinis a passar uma carta de foral (1308) em que doava o reguengo a 54 casais (12 viviam da agricultura e 42 da pesca) que tinha de formar uma povoa (tipo de vila medieval), constituir homens-bons e eleger um juiz. Teriam um foro de 250 libras e direitos de portagem.
O século XVIII é visto como o século de ouro para o desenvolvimento urbano da cidade. É neste século que a actividade piscatória prospera, e inicia-se a tradição dos banhos de mar ( banhos da póboa, assim se dizia). A água era rica em iodo e por isso, inicialmente, estes banhos tinham como efeito curar doenças.
De encontro a história pela especial corrente da escrita.
Diria do homem que fala com as mãos, de sua presença, não menos justa, a bem poucos.
O seu marido chegou primeiro...
ResponderEliminarGostei de D. Clemente, das conferencia e das respostas. Inteligente e arguto.
Gostei de tudo nas correntes. Sou uma fan absoluta.