Cinema e leitura
Diz-se muitas vezes que os jovens lêem pouco porque têm hoje uma variedade de coisas à sua disposição que, no imediato, são menos exigentes e lhes oferecem entretenimento garantido: televisão, jogos de computador e consola, Internet, chats, filmes que, frequentemente, são pirateados e vistos no computador. Estes últimos, porém, podem fazer alguma coisa pela leitura. Parece que, desde que foram distribuídos os filmes da série Millenium (primeiro, os suecos e, agora, a versão norte-americana do volume inicial), a leitura de policiais e afins está a aumentar em todo o mundo, diminuindo na mesma proporção as vendas de livros xaroposos ou de testemunhos algo demagógicos de mulheres e crianças maltratadas, que os especialistas crêem estar a dar as últimas. Sendo a literatura policial de qualidade, entre outras coisas, um excelente espelho das sociedades e seus problemas, pode ser que isto também queira dizer que a indiferença vivida por uma certa juventude em tempos recentes se esteja a transformar, com os contratempos da crise mundial, num interesse genuíno pelo colectivo. Tomara.
Tomara que sim.
ResponderEliminarBolas! Tenho que ir podar umas árvores. Mas quando voltar vou escrever cá um ensaio que vocês até se passam! Este post é uma maravilha! Considerem isto o trailer do meu comentário!
ResponderEliminarJá vi o filme da série Millenium (o norte-americano) e gostei bastante! Sou fã de livros e filmes policiais, portanto é com bastante felicidade que vejo o aumento da venda desse género literário!
ResponderEliminarBom post !
Só uma dúvida. Como é que sabe qual a frequência com que os filmes são pirateados?
ResponderEliminarHá assuntos sobre os quais precisamos de dados ministeriais, índices de entidades governamentais ou relatórios com carimbo institucional. Por outro lado, ‘Cavalo de Guerra’ estava disponível no último sábado no mercado de rua do Algueirão e, suponho, um pouco por todos esses mercados, do Minho ao Algarve, com escala em muitos outros países…
EliminarAinda assim, em http://torrentfreak.com/, um site de downloads, informa-se sobre quais os filmes mais ‘sacados’.
Errr... o Torrentfreak não é um site de downloads :)
EliminarÉ um site informativo e, de acordo com os próprios, "The place where breaking news, BitTorrent and copyright collide"
http://torrentfreak.com/about/
A minha pergunta original prende-se com a curiosidade em saber como é que se sabe a frequência com que um filme é pirateado (que é uma afirmação do post).
Eu acharia mais interessante (e mais realista) que se falasse da facilidade no consumo de conteúdos (multiplataforma, on demand, sem depender de circuitos de distribuição mal adaptados às realidades), esses sim, factores de variedade de oferta :)
A facilidade com que se fala da pirataria, integrando-a no discurso como se duma banalidade se tratasse, e como se fosse um dado adquirido (sem que haja fundamento para tal), é um tique recente, que me encanita.
A saga dos vampiros também teve um efeito positivo na leitura, compensando assim buracos nos pescoços e manchas de sangue espalhados um pouco por todo o lado. Harry Potter idem, idem, no mundo juvenil e não só.
ResponderEliminarA ‘visualidade’ extrema dos dias de hoje pede imagens, imagens e imagens. Conseguir depois transportar esse interesse para o universo dos livros é um feito.
não sei...
ResponderEliminarnão vou muito por ai.
Confesso que este é daqueles posts para ler e aprender com quem sabe... diz-se que um burro calado faz figura de sábio!
ResponderEliminarOra calar-me eu, não é coisa fácil.
Por isso pergunto: O mercado livreiro, e nele incluo o editorial, parece que depende destas modas... ora são vampiros, ora são os mundos fantásticos, ora as xaropadas, o histórico... então agora desenha-se o policial, é isso?
Mas suponho que o vitoriano S. Holmes , vincado e aprumado, de barba feita, esteja fora de moda, ou o metódico e perfeccionista H. Poirot não?
Mas se assim for, está achado o ovo... basta ver o que anda Holywood a fazer e quais são os filmes de sucesso... ó Courinha , prepare aí uma saga de crimes à sombra das Nogueiras, olhe ao género do reclame do Compal amêxa ...
"Soltí os cães!"
Ahahah
Caríssimos,
ResponderEliminar“Os Homens Que Odeiam as Mulheres” e toda a trilogia do Stieg Larsson que agora está muito na berra, é muito mais do que um policial. Nem sequer se pode considerar uma história de espionagem, em minha opinião.
Basta ver a origem da obra e as sombras que envolveram a vida e a morte do escritor para se perceber que estamos perante algo bastante mais complexo do que um 007 ou uma Missão Impossível. Penso que isto não deve nem pode ser ignorado. E espanta-me muito que o seja.
Os bons policiais são todos muito mais do que simplesmente a história de um crime e da sua resolução.
EliminarPois...É verdade Dra. Maria Rosário Pedreira. Só que neste caso concreto o policial confunde-se com um verdadeiro caso de policia e de intriga internacional, que pode inclusive, ter envolvido a morte do próprio escritor.
EliminarMorte essa que até hoje não foi devidamente explicada.
Ora, na minha modesta opinião, todos estes factos extravasam em muito a questão de ser um bom ou mau policial.
ON VIDEO GAMES: Começo por dizer que os jogos de computador não são menos exigentes do que a leitura e que muitas vezes estão intimamente relacionados. A concepção arcaica de que os jogos são todos do género Super Mário (que ainda assim é um simpático canalizador Italiano, terrivelmente preocupado com o bem estar de qualquer princesa e, provavelmente fã de Lewis Carroll, uma vez que faz variar o seu tamanho em função do último acepipe consumido) é errada. Cumpre-me destacar quatro proeminentes fabricantes de jogos e descrever os trabalhos de um deles. Sierra, fabricante de jogos de aventura gráfica de excelente enredo como sejam os King's Quest ou o Quest for Glory; Valve, criadora de clássicos como a emocionante saga de Half-life ou o famigerado CounterStrike; LucasArt, dona do franchise Star Wars e guionista do fenomenal jogo de aventura The Dig; e por último, o Joyce dos jogos de computador, a empresa Blizzard. Esta última criou dois universos dignos do melhor de Tolkien, Starcraft, um mundo futurista em que três raças (Terran, Protoss e Zerg) lutam pela supremacia civilizacional e, Warcraft, um mundo fantástico (Azeroth), povoado de monstros, druidas, gnomos e tudo o que se possa imaginar. O Lore (história de um jogo) de qualquer destes dois titãs do entretenimento é infinitamente superior à maioria das ficções que chegam até nós pela literatura dita fantástica. Desenvolvem a capacidade de raciocinio, a cooperação entre os jogadores e a memória. Noutros jogos, como no incrível Brokensword ou no realista Assassin's Creed, aprendemos história enquanto desvendamos o paradeiro do tesouro dos Cavaleiros do Templo ou tentamos matar algum velhaco na Florença do sec. XIV. Apesar de as adaptações ao cinema da maioria dos jogos não ser bem sucedida, bons filmes, como Silent Hill ou Resident Evil, nasceram da imaginação de programadores e guionistas da área de gaming. Qual o segredo da popularidade dos jogos? Um linha temporal moldável que leva a uma recompensa imediata. A vida real tem uma particularidade terrivelmente desagradável, o tempo. Curto em termos de duração total, longo em termos de espera por qualquer recompensa, inexistente em termos de espera por qualquer desgraça. Nos jogos eu mato um bicho e PIMBA aí vem uma espada lendária que trespassa uma Hidra como se de manteiga fosse constituída. Faço e ganho, mato e recebo, junto e compro, em instantes de felicidade.
ResponderEliminarConcordo quando diz que a literatura policial faz o retrato de uma sociedade, mas, a tragédia como enunciar do pessimismo é círculo vicioso, sendo que o universo do leitor é identidade duvidosa, e que qualidade pondera inconsequências...
ResponderEliminarON TV and MOVIES: Começo pelos filmes, muitos deles nascidos de livros. Eu, como quase toda a gente, partilho da noção de que o único filme melhor que o seu respectivo livro é o Padrinho (o Mario Puzzo meteu uma argolada terrível ao tentar transpor a família Borgia para os sempre temíveis Corleones). Mas, no entanto, reconheço emoções próprias dos filmes, sensações mais facilmente adquiridas através de uma boa película, das quais destaco a paz de espírito. A combinação de música, paisagens e diálogos bem trabalhados, como podemos apreciar em Into the Wild, Moon ou The Piano, transportam-nos com facilidade para um mundo tranquilo, bonito, impressionante. Para atingirmos este patamar em cinema, basta-nos um filme de qualidade média, enquanto que em literatura precisamos de um verdadeiro portento. Outro aspecto positivo do cinema é a instantaneidade da partilha, ver um filme com um companheiro ou uma amante é incomparavelmente melhor do que cada um ler um livro à vez e conversarem sobre ele no fim! Em termos de televisão, só vejo notícias e séries (também algum futebol quando o monarca envelhece), sobre as notícias não me pronuncio por não ter aqui lenços de papel, as séries são um óptima companhia. Desde Game of Thrones, baseado nos livros de George R. R. Martin, passando pelo demente Dexter, nascido da obra literária de Jeff Lindsay, atravessando o mundo da comédia em que Ricky Gervais dá cartas e acabando nos clássicos como Brideshead Revisited, as séries são um mundo que merece ser explorado com toda a atenção. A sinergia entre ecrã e página só pode ser visto como progresso e nunca como preguiça mental!
ResponderEliminarConcordo consigo.
EliminarSe calhar posso estar a fazer confusão. Mas em tempos li o Blade Runner do William Gibson e realmente aquele livro minúsculo comparado com o filme é muito pobre.
Provavelmente refere-se ao "Do androids dream of electric sheep?» de Philip K. DIck... E, nesta caso, concordo consigo, mesmo sendo um PhilipKDicólico.
EliminarNão. Não foi nenhuma obra do Philip K. Dick , tenho a certeza. Caso contrário ia lembrar-me. Sou Fan .
EliminarO melhor "policial" (literatura, cinema e televisão) contém muito frequentemente, e de forma directa ou não, um comentário social e político que, na realidade, já não tem apenas a ver com a resolução de um crime de sangue e que muitas vezes traz consigo traços inovatórios e de grande qualidade.
ResponderEliminarCom alguma sorte, um maior empenho das empresas editoriais e mais editores perspicazes (como a Maria do Rosário Pedreira), a literatura portuguesa poderá deixar de ser o caso atípico que é.
Já agora: é no audiovisual (onde a situação portuguesa não é atípica mas é absolutamente deficitária) que as potencialidades globais do "policial" melhor se têm revelado, com séries televisivas como as admiráveis "The Wire" e "Boardwalk Empire".
Se os filmes conseguirem apimentar a relação das pessoas com os livros, isso sim é positivo. Não interessa o género.
ResponderEliminarMas é óbvio que ler Jane Eyre após assistir o filme homónimo é bastante mais enriquecedor do que ler a saga Crepúsculo após assistir os filmes...
Millennium é uma história excelente, bem articulada e actual. Os hackers ainda estavam ocultos na literatura, portanto, o sr. Larsson fez uma boa aposta.
Lembro que os livros não foram um fenómeno de vendas até à morte repentina do autor e consequente escândalo sobre quem levava a maior fatia dos direitos.
Estou a gostar de ler, sim senhor!!!
ResponderEliminarFaçam favor...
Sinceramente também estou, sim senhor.
EliminarEm relação à saga "Crepúsculo" e "Harry Potter": eu acho que se tem de fazer uma distinção dos leitores, ou seja, que leitores adolescentes vibrem com estas histórias, não acho grave, é até são. Jovens dos doze aos quinze/dezasseis anos não têm a maturidade de adultos e, sim: eu sou de opinião de que mais vale ler coisas desse tipo do que não ler nada. O importante é que as traduções estejam isentas de erros de sintaxe e de gramática.
ResponderEliminarQue adultos se encantem com isso e se limitem a ler coisas do género já será mais grave. Mas, como Andreia Brites disse num artigo da OML de Novembro: "não faz sentido interferir na liberdade individual da leitura". Ou seja, proibir alguém de ler seja o que for, ou ridicularizar as suas preferências é sempre contraproducente.
Oh Cristina, se eliminarmos o ridicularizar ainda tenho eu que ler o Twilight por não me restar nada para fazer!
EliminarConcordo consigo Cristina. Fico contente por encontrar pessoas que pensam assim.
EliminarCaro João, sem menosprezar o seu comentário cheio de ironia, não devemos esquecer que ridicularizar as leituras, principalmente, de uma criança ou de um jovem, é extremamente prejudicial. Se os quisermos orientar para leituras que achamos melhores, temos de usar outras tácticas.
EliminarMas porque não deixar uma adolescente sonhar e deleitar-se com os amores vampirescos? Passado uns anos, ela própria se aperceberá de que aquilo não passou de um devaneio. Não façamos tempestades em copos de água!
Obrigada.
EliminarSera que esta "liberdade individual da leitura" tem haver com o aumento de jovens tatuados?
ResponderEliminarLá haver jovens tatuados, isso há...
EliminarA série "Crepúsculo" não é "policial". Nem "terror". E "fantástico"... enfim, só numa perspectiva muito técnica.
ResponderEliminarTecnicamente chamado thriller.
Eliminarquestao de vida ou de morte
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