Cenário de tragédia

O primeiro romance que publiquei em 2010 na LeYa chamava-se A Vida Verdadeira e era da autoria de Vasco Luís Curado (a capa, de Maria João Lima, foi finalista dos Prémios Ler/Booktailors). Gare do Oriente, o livro que aqui me traz hoje, esteve na final do Prémio LeYa em 2009 e é do mesmo autor, mas só agora sai para os escaparates (havia que deixar respirar a obra anterior). Acompanhando as reflexões de cinco personagens ao longo de um dia – personagens que divergem em tudo mas convergem para a Gare do Oriente, onde apanharão o comboio suburbano que os levará a casa –, o romance passa-se numa data específica que, embora nunca seja dita, é a de um atentado terrorista de proporções inimagináveis ocorrido na estação ferroviária de um país estrangeiro – cujas imagens, replicadas nos écrans de todas as televisões da cidade, assombrarão as personagens, irmanando-as no medo, na tensão e nas interrogações sobre o valor efectivo das suas vidas pequenas e algo dramáticas. Pondo lado a lado o pequeno dilema pessoal e a tragédia de dimensões universais, este é um belo romance sobre as vidas verdadeiras de muitos nas sociedades contemporâneas da nossa Europa.


 


Comentários

  1. Boa sugestão!
    O "Vida Verdadeira" tem uma personagem secundária fantástica, que me encantou deveras: o Professor Emanuel! Só ele, dava outro maravilhoso livro.

    E agora, como diz a minha filha...Fui!:)

    ResponderEliminar
  2. Para já, bela capa!

    ResponderEliminar
  3. Não conheço, nem o livro, nem o autor, mas a sua descrição cativou-me.
    A gravura da capa faz recordar as pinturas de ambientes urbanos do norte-americano Edward Hopper .

    ResponderEliminar
  4. Quando vi esta capa lembrei-me de alguns quadros de um pintor americano, mas não me lembrava o nome. Edward Hopper, exactamente...
    Ou isto aqui também:
    http://osilenciodoslivros.blogspot.com/

    Já ouvi uma entrevista com o Vasco Luís Curado, mas nunca li nenhuma obra do mesmo.
    Mas parece-me um daqueles escritores contemporâneos de excelência (com os tais urbanismos de que falámos). Mas chega de falar, vamos é ler o livro. Vou procurar nessas estantes por aí...

    Quanto ao «um atentado terrorista de proporções inimagináveis ocorrido na estação ferroviária de um país estrangeiro»... Refere-se ao 11 de Março na estação Atocha?

    ResponderEliminar
  5. Pois, realmente, não queria ir tão longe mas é. Chair Car ”. Aguarela, se não estou em erro. 1965. Colecção privada que já está (ou vai estar) na posse de um museu, não é o MOMA , é um pouco conhecido.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório