As esperanças

Quando João Tordo venceu em 2009 o Prémio Literário José Saramago, era o terceiro autor que eu publicara a arrecadar o galardão. Generosamente, houve alguém que me chamou “preparadora física da selecção nacional” e, mais tarde, num programa de televisão emitido pelo Canal Q, o divertido Pedro Vieira chamou-me “Mourinho da literatura”. Nenhum editor treina escritores – estes já são escritores muito antes de terem editor – mas, mesmo assim, achei os epítetos bem aplicados porque acredito nas “esperanças” (roubo esta expressão ao futebol) e trabalho muito para as trazer ao conhecimento do público (é só esse, na verdade, o meu mérito, porque a paciência tem limites e muitos dos meus colegas já desistiram de o fazer). Um país sem jovens dotados não se renova e fiquei muito feliz recentemente ao saber da atribuição dos prémios no Festival de Cinema de Berlim a dois jovens cineastas portugueses (um dos quais já premiado em Cannes). Também na música e na pintura não faltam promessas. Conto, pois, com o talento desta geração para fazer a diferença neste Portugal tão cansado. Se, como dizia Agustina, esta é a era do homem comum, aplaudo obviamente todas as aberrações. Tenho, em suma, esperança nas esperanças.

Comentários

  1. E é de continuar, Maria do Rosário! Li, na noite passada, "Gare do Oriente" e, esta manhã, comecei "A vida passou por aqui". Do Vasco Luís Curado já tinha gostado de "Vida verdadeira"; Este, para mim, completamente desconhecido, Luís Francisco, começa por ser uma surpresa. Vamos ver o que se segue.
    Obrigado M do R por continuar a "fazer-nos a papinha"!

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    1. E acredito que alguém que é tão preguiçoso que diz M do R precisa da papinha toda feita! Estou a brincar, não me trucide!

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  2. E como se chama aquele rapaz que ficou desempregado, resolveu escrever e ganhou o Prémio Leya ? Deve estar por aí a sair...

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    1. O livro chama-se O TEU ROSTO SERÁ O ÚLTIMO, sairá no dia 31 de Março, e é um excelente romance da autoria de João Ricardo Pedro.

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    2. Deste fiquei curioso, tal como dos Malaquias da Del Fuego , que não encontro em lado nenhum, e do referido Gare do Oriente, alavancado pela excelente capa (e pelo que aqui foi dito sobre ele). Enfim, lá vou tentando contribuir para que a economia role um pouco, pelo menos nesta frente. Muito obrigado.

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    3. Julgo que não encontra Os Malaquias porque ainda não estão no circuito comercial de livraria, mas nesta primeira fase apenas para os sócios do círculo de leitores. estarei errado? Pelo menos foi o que me disseram numa livraria...

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  3. Aliás, quero parabenizar a LeYa pelo representativo desempenho na distribuição, chegando com títulos em muitos recantos do território brasileiro. É isso aí, força!

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  4. Confesso a minha grande curiosidade no prémio Leya actual... gostei imenso de "No rasto do jaguar" (é um grande livro!), e bem menos do "Olho de Herzog ", que achei demasiado trivial
    para vencer tal prémio.
    Vamos ver agora este "O teu rosto...", depois de um ano de jejum por alegadamente não haver a concurso nenhuma obra de qualidade - que em minha opinião ser pelo menos igual ao Herzog não seria difícil...

    Quanto ao trabalho e sucesso da nossa Extraordinária Hospedeira... é um facto!
    Congratulo-me sempre com o sucesso alheio.
    E continue a escrever para a Carminho!

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  5. O epíteto "Mourinho da Literatura" está o máximo!:) Bem posto, sem dúvida!
    Gosto sempre das suas sugestões: nunca me desiludiram. Algumas, até, já me apaixonaram verdadeiramente. São livros e autores muito bons.
    Só lamento a minha falta de tempo para fruir de todos os livros que compro. Cria-me sempre enorme angústia ter de escolher qual o livro que vou ler ( e o que vai ficar para trás, mais uma vez...). Ainda ontem comprei o novo do VLC "Gare do Oriente" mas, antes de o ler, ainda queria pegar no Rubem Fonseca ( apaixonei-me por ele nas Correntes... ) e ainda tenho o "Deixem passar o homem invisível " do Rui Cardoso Martins, que está, há uma data de tempo, no topo da lista de espera. E...e... Que angústia! Bom, mas garanto que não caem em saco roto: os que não conseguir ler agora, lerei mais tarde, quando me reformar. Isto se a idade da reforma não estiver já nos 80 anos...
    Também fiquei muito feliz pelo sucesso do Salaviza e do Miguel Gomes em Berlim. São dois magníficos cineastas. Os prémios foram mais que merecidos. Estão os dois de parabéns!

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  6. Já li Os Malaquias: 264 páginas falsas. Quanto à história, não traz nada de novo, nem o realismo mágico, que para mim já não tem magia alguma. Aproveita-se o nível de escrita.

    O olho de hertzog: outra deceção.

    Barrius

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    1. Talvez porque não seja "o seu género"? Mas sendo o meu, confesso que de facto não lhe encontrei qualidade para ganhar um prémio Leya ! Para mais comparando-o ao fantástico "No rasto do jaguar". Leu este? Vale a pena... enfim para os apreciadores do género, claro!

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    2. ... e qual é o género? (não li nenhum)

      PLFF

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    3. O género de ambos:
      Ficção histórica que acompanha factos reais, desenvolvida em paralelo com eles, muita acção e aventura, em teatro de guerra.
      Note que não sou crítico nem especialista em literatura, o género que descrevo é de minha livre e certamente incipiente autoria...

      Sobretudo O Rasto do Jaguar pelo inusitado de recorrer a um índio brasileiro que será criado na França das revoltas e da comuna de finais do séc. XIX, que regressa ao país e toma parte na guerra do Paraguai.

      O Olho, passa-se em Moçambique ao tempo da Il Grande Guerra...
      A este respeito vale a pena ler Kináni ", ou, as memórias de Von Lettow .

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    4. Não sei como apareceu aquilo ali a atrapalhar, mas é I (Primeira) Grande Guerra!

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    5. Obrigado.
      Foi muito esclarecedora a sua explicação.

      PLFF

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  7. E o Diogo Oliveira? Um jovem bailarino na arte de ballet , aluno da Academia de Dança de Matosinhos que ganhou uma bolsa na Bolshoi de Nova Iorque. Para a sua estadia e companhia do seu professor, pois é um jovem de treze anos, são precisos 10.000 Euros que os pais não têm e o ministério da cultura não ajuda?
    Se quiserem saber mais sobre esta nova estrela podem ir a : http :/ ocantodonelson.blogs.sapo.pt 26001.html

    Amiga continue com o seu trabalho pois os burros não somos nós. Um abraço Nelson Camacho (um cantor na reforma)

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  8. Bom... na qualidade de futuro melhor escritor da actualidade (estou ansioso por receber os vossos e-mails com receitas de humildade) parece-me que devo comentar. Agradeço desde já o serviço que a tia presta aos leitores e questiono-a sobre se prestará grande serviço a si própria. Passo a explicar: ainda no outro dia fiquei a pensar se não existiria um fenómeno de enjoo ligado à sua actividade profissional, se tanto contacto com livros não acaba por roubar a magia confiada aos mais distantes (eu passei por isso com a cerveja! é incrível o que dez litros por semana podem fazer às preferências de um indivíduo!) e também, numa vertente não menos importante e que só me ocorreu no encontro com a Menchu, se o desvelo que tem pelo seus autores não se pode tornar pernicioso para a sua própria obra, da mesma forma que uma mãe por vezes se anula em benefício dos feitos dos filhos. Agora o post. Não sou grande adepto de destreza física e muito menos de subconjuntos consumidores de tempo num vácuo de reflexão. Futebol, para mim, é uma espécie de circo que extravasa a tenda, de tourada não circunscrita à praça. O jogo em si aparece-me como uma qualquer forma de entretenimento, mas as conversas, os doutos comentadores, os terrenos do clube, as filosofias do esférico e o diabo a sete que daí deriva, chegam até mim como um atentado ao progresso das gentes. Senão, repare o leitor: não são raras as vezes em que observamos um grupo de tabernosos cogitabundos em feroz arremesso de ideias futeboleiras. Gritam, gozam, recusam a chamada à mulher e nadam na altivez daqueles que julgam possuir o derradeiro conhecimento. Geram-se hierarquias, conhece-se aquele que mais percebe de arbitragem, o rei dos jogadores do passado, o turista desportivo, o que compra A Bola desde que ainda era impressa em sânscrito e mais uma série de felizes beltranos. Esse contentamento improdutivo para a espécie, essa ideia de uma plena realização baseada no mais fátuo dos fumos, confunde e entristece-me. Comparar uma excelente editora com um homem que distribui onze bonecos, de certa e determinada forma, na esperança de mais vezes introduzir uma esfera de cabedal numa estrutura metálica, só pode ser mesmo visto como uma piada, ou um patético esforço de acomodar a leitura aos menos preparados, com o prejuízo dos que a amam. Eish... pareço um velho a falar, hoje não entretenho ninguém... mas, também, se somos amigos vocês perdoam-me. O desempenho dos jovens também me tem aportado contentamento, não só nas artes como nas ciências, sinto um certo despertar de uma nova formada de gentes válidas, de gentes grandes. Pode ser que aí venha uma Golden Age portuguesa, para grande contentamento dos senhores Pacheco e Severino! Termino com uma citação de uma jovem filha de outra jovem... fui!

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    1. Confesso o meu contentamento sim!
      Ainda há esperança...

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    2. Ah! Assim já nos entendemos melhor...:)

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  9. Graças a si, são tantos os jovens que pensam em evoluir. Que obtém a verdade nua e crua de uma opinião que valerá sempre a pena ouvir. Graças a si e a muitos concursos, existem jovens que pegam nessa esperança, e colocam-na no papel.
    Valerá sempre a pena, apostar na arte, afinal não é ela que embeleza o mundo?

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  10. Isto agora não tem nada a ver com o post, vejam Downton Abbey, a nova série que passa na SIC aos sábados. É mesmo do género daquelas que discutimos no post Very British e as personagens têm uma profundidade de fazer inveja a qualquer um.

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  11. Acerca do Sr. José Mourinho ocorrem-me 3 considerações:

    1 – José Mourinho, não é propriamente conhecido por ser um descobridor de talentos, mas acima de tudo, por ser um líder, um gestor, um estratega, um condutor de Homens.

    2 – Quer se queira ou não, quer se goste ou não, José Mourinho, na sua área de actividade (futebol) é um Génio.

    3 – Sempre que se falar nos 5 melhores treinadores do Mundo de Todos os Tempos, José Mourinho, está entre eles.

    Fora do tema José Mourinho:

    Só li a “Anatomia dos Mártires” e é um bom livro, sem dúvida.

    Infelizmente não tive oportunidade de ler nenhuma das obras premiadas que foram referidas nos posts.

    O meu sincero e indiscutível reconhecimento, pelo trabalho da Dra. Maria do Rosário Pedreira, na editora LEYA e não só. Já para não falar neste blogue, com textos deliciosos, invulgarmente concisos e bem escritos, isto, embora por vezes possa discordar de algum conteúdo.

    E os dois jovens cineastas portugueses: estou muito curioso em ver as metragens.

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  12. Tenho de voltar ao João Tordo (para não ser injusto) mas não é que n "O LIVRO DOS HOMENS SEM LUZ" não consegui passar da página vinte...e quando assim é, raramente volto ao autor.

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  13. A propósito duma referência no blogue do João Tordo - não deixes de ler "A VELHA SENHORA" do Ivo Andric, uma pequena pérola!

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