Ventos do Brasil

Sou conhecida por alguns como a editora que, até hoje, mais Prémios Saramago arrecadou para os seus autores. Não é auto-elogio, porque em Portugal não são assim muitos os editores que se dedicam a procurar, como agulha em palheiro, a voz que faça a diferença; e, como eu adoro fazê-lo, é também natural que some mais autores novos do que conhecidos e consagrados. De qualquer maneira, na mais recente edição do prémio, não pude concorrer por não ter editado nos dois anos anteriores nenhum autor com menos de 35 anos. Fui, de qualquer modo, saber em directo quem era o premiado, não fosse algum colega ter começado a passar-me a perna. E fiquei a conhecer Andréa del Fuego, brasileira, autora de Os Malaquias, romance que mereceu o galardão e é inspirado num episódio que ocorreu na família da autora, como ela fez questão de avançar ao receber o prémio. O Círculo de Leitores lança-o para o mercado em Janeiro, mas logo depois ficará disponível em livraria com a chancela da Porto Editora. Ofereceram-me carinhosamente um exemplar antes de estar à venda e vou a meio. Lindíssimo, a lembrar um pouco um Jorge Amado dos nossos tempos. Quando acabar, decerto farei um post mais detalhado a propósito. Mas, para já, fiquem atentos.

Comentários

  1. A propósito deste post e do anterior, proponho a seguinte reflexão: – Não deveria ser repensada essa coisa do limite de idade para os novos autores? Quero dizer: então não vale a pena começar a escrever depois dos 35? Cumprimenta
    Joaquim Jordão

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  2. Que estupidez desgraçada de regra! Então o que é que os trinta e cinco anos têm a ver com a qualidade do livro? Ou pior ainda! Fazem um concurso para os jovens? Como se os jovens não pudessem rivalizar com os velhos... Tia reclame com eles!

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    1. fernando b. figueiredo19 de janeiro de 2012 às 14:47

      Caro João,

      força!

      http://www.parisliteraryprize.com/2012-prize.htm

      um abraço e boa sorte.

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    2. Já não posso, já publiquei um livro. Mas obrigado pela dica!

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  3. Vou falar aqui um bocado off-topic, mas como sou jovem e escrevo, pode ser que pegue de estaca. Em Fevereiro vou apresentar o livro na Lello do Porto, não tenho apresentador e não conheço rigorosamente ninguém no Norte. Assim sendo, já me imagino sozinho a contemplar toda aquela beleza rara enquanto o gerente desespera por público. Para dizer a verdade, não compreendo muito bem o conceito das apresentações. Fui uma vez ter com a Tia Rosário a uma apresentação do Paulo Moreiras e, para meu espanto, devíamos estar presentes umas dez pessoas. Ora se ele, sendo um autor consagrado, reúne dez pessoas o que se poderá esperar de mim? Sempre que tenho muita gente nas apresentações, trinta a cinquenta pessoas, são quase todas minhas amigas e muitas delas acabam por não ler o livro. Às vezes pergunto-me se não fazia melhor figura a doar os livros a bibliotecas, ao menos assim quem o levasse para casa não pretendia enfeitar a estante nem fazer-me um agrado. O que é que vocês, amigos bloggers, pensam disto? (a tia também pode participar se não estiver zangada comigo)

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    1. lá estarei; eu e os demais portuenses.

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    2. Obrigado pela gentileza, mas os restantes Portugueses devem ser o gerente e alguém que entrou por engano!

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    3. O João, ainda assim, faz apresentações. De três livros que publiquei, só tive direito a uma, quando ganhei o concurso literário do Continente/Asa. E isto porque o Continente, como supermercado, quis dar a imagem de que também se ocupava de cultura.

      Dos meus dois romances históricos publicados pela Ésquilo, nunca houve apresentações. Verdade se diga que me seria difícil estar presente, já que moro na Alemanha. Para não falar em várias presenças (apresentações em Lisboa, no Porto e sabe-se lá aonde mais).

      De qualquer maneira, arrisco dizer que vendi mais exemplares do que outros terão vendido de livros apresentados. Com nomes sonantes.

      Nota: estou apenas a começar... (apesar de já ter mais de 35 anos).

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    4. Eu farto-me de fazer apresentações, muitas delas combinadas directamente por mim, sem dedo da Editora. O que eu questiono é o valor das mesmas. Eu também estou agora a começar e tenho tido críticas óptimas, não faço ideia de quantos livros vendi, já que a editora não os contabiliza...

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    5. Pois, se contássemos apenas com a editora, estávamos bem arranjados...

      Já pensou em criar um blogue, para divulgar o seu livro (ou livros)?

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    6. Não tinha pensado nisso. A Cristina tem um blog? Se sim qual é o URL? Eu não percebo muito de blogs, é mais fácil espalhar a mensagem por essa via do que no facebook?

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    7. Afinal, em que ficamos quanto à reflexão acerca das pessoas que, por terem mais de 35 anos, não têm estímulos para escrever?
      Apenas comparece ao debate a veterana Cristina que, pelos vistos, estando "apenas a começar", terá encontrado lá na Alemanha a chave para, tendo mais de 35 anos, e sem apresentações, vender mais do que outros, até "nomes sonantes".
      A Cristina desculpe-me, mas cinge a coisa a esses termos de "vender"... Não era bem essa a questão, mas pronto...
      Se me permitem, insisto:
      - Vejam os regulamentos dos prémios literários, concursos, etc. Ou se destinam apenas a quem já entrou nos circuitos por ter publicado alguma coisa, ou, caso mais raro, para os inéditos a regra geral é serem jovens.
      E as editoras mais implantadas parece que, também elas, preferem "descobrir" os autores mais jovens.
      Já me ocorreu socorrer-me da singularidade da literatura portuguesa e inventar um heterónimo com, pelo seguro, metade da minha idade - mas, nos dias que vivemos, correria o risco de ser processado, que isto, hoje em dia, os negócios não se compadecem cá com heterónimos...
      E no entanto, talvez seja até anti-constitucional (anti-cultural é, certamente) a restrição dos estímulos à parte mais jovem da população (que, aliás, é cada vez mais minoritária).
      Estarei a pensar mal?
      Não valerá a pena reflectir sobre isto?
      Ninguém se chega?
      Joaquim Jordão, Amarante

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    8. Olhe, isso é que eu não sei. Se o João não entende muito de blogues, eu não entendo de facebook. Não estou lá porque o blogue já me "rouba" muito tempo e eu resolvi optar por apenas uma das duas possibilidades. Calhou ser o blogue. Para aceder a ele, só terá de clicar no nome com que assino os comentários.

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  4. Vicente Lopes Saudade18 de janeiro de 2012 às 11:40

    Quanto ao tópico, quem quiser pode ler dois capítulos do romance de Andréa del Fuego. Aqui: http://www.linguageral.com.br/site/downloads/titulos/98.pdf

    Ainda não li, mas estou com vontade desde que soube quem ganhou o prémio. A linguagem é muito simples e a história parece ser...assombrosa!

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    1. Afinal, em que ficamos quanto à reflexão acerca das pessoas que, por terem mais de 35 anos, não têm estímulos para escrever?
      Apenas comparece ao debate a veterana Cristina que, pelos vistos, estando "apenas a começar", terá encontrado lá na Alemanha a chave para, tendo mais de 35 anos, e sem apresentações, vender mais do que outros, até "nomes sonantes".
      A Cristina desculpe-me, mas cinge a coisa a esses termos de "vender"... Não era bem essa a questão, mas pronto...
      Se me permitem, insisto:
      - Vejam os regulamentos dos prémios literários, concursos, etc. Ou se destinam apenas a quem já entrou nos circuitos por ter publicado alguma coisa, ou, caso mais raro, para os inéditos a regra geral é serem jovens.
      E as editoras mais implantadas parece que, também elas, preferem "descobrir" os autores mais jovens.
      Já me ocorreu socorrer-me da singularidade da literatura portuguesa e inventar um heterónimo com, pelo seguro, metade da minha idade - mas, nos dias que vivemos, correria o risco de ser processado, que isto, hoje em dia, os negócios não se compadecem cá com heterónimos...
      E no entanto, talvez seja até anti-constitucional (anti-cultural é, certamente) a restrição dos estímulos à parte mais jovem da população (que, aliás, é cada vez mais minoritária).
      Estarei a pensar mal?
      Não valerá a pena reflectir sobre isto?
      Ninguém se chega?
      Joaquim Jordão, Amarante

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    2. Caro Joaquim,
      Nos tempos presentes, caso ainda não se tenha apercebido, a juventude vende, ser (relativamente) jovem, com boa apresentação para aparecer na contracapa , na tv ou nas sessões ajuda as editoras a promover o livro, por muito que discordemos. Porem, os estímulos para escrever tem de vir de dentro de si e não do exterior... qualquer que seja a sua idade. O que é que importa se não pode concorrer ao prémio Saramago? E quando podia, aos 30, tinha qualidade para isso? Eu não. Por outro lado, o que não faltam são concursos sem limite de idade... mas sobre concursos não falarei aqui. Se permite um conselho (de alguém com mais de 35 anos) esqueça tudo (idades, concursos, editoras, marketing, e mesmo o desejo obsessivo de publicar) e escreva, apenas, isso escreva, escreva mais, escreva melhor, apague, rasgue, recomece. E saiba que vai ter muitas desilusões, muitos "nãos", mas também a felicidade inigualável de fazer o que gosta (de acordo com um estudo norte-americano, os escritores contam-se entre os "profissionais mais felizes)... um abraço,
      António Almeida

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    3. Caro Joaquim Jordão, acho que entendeu mal alguns aspectos do meu comentário. Com os "nomes sonantes" eu referia-me às pessoas que fazem as apresentações, não aos escritores propriamente ditos. Porque há sempre aquela pessoa que faz a apresentação do livro e, se o escritor tiver boas relações no mundo editorial, ou se for representado por uma editora que se preocupa com ele, arranja sempre alguém conhecido para lhe apresentar o livro, mesmo que ele ainda não o seja. Era a isso que me referia.

      Não foi na Alemanha que eu encontrei a chave do sucesso. E eu disse que vendia mais do que alguns escritores que fazem apresentações com nomes sonantes (não escritores com nomes sonantes), porque a MRP escreveu, num dos seus posts (já não sei qual) que, apesar dos seus esforços, já era uma sorte que alguns dos seus escritores chegassem aos mil exemplares vendidos. Cada um dos meus três livros já vendeu mais do que isso e, repito, fiz a minha afirmação apenas baseada nisso.

      Quanto aos concursos literários, penso que sim, que devia haver mais sem limite de idade porque muitas pessoas, ou por não terem tempo, ou por não se aperceberem dessa sua capacidade, começam a escrever relativamente tarde. Aliás, eu já li um livro em que se perguntava: o que é um escritor jovem/novo? O que tem pouca idade, ou que está a começar, mesmo que já seja reformado?

      Começar mais tarde, tem, aliás, as suas vantagens. Sei do exemplo de um dos escritores editados pela MRP, o Pedro Guilherme-Moreira (Manhã do Mundo) que, apesar de já ter planeado ser escritor há vários anos, esperou que a sua escrita amadurecesse, antes de se lançar a escrever um livro (já tem mais de 40). Digo isto, não porque o conheça, mas porque sigo o seu blogue, já o seguia, antes de saber que ele ia ser editado pela autora deste Horas Extraordinárias.

      O concurso em que participei, em 2006/2007, organizado pelo Continente, em parceria com a editora Asa, não punha limites de idade, era dirigido a todos aqueles que nunca tivessem publicado um livro. Por outro lado, não sobrestime a importância dos concursos literários. Há alguns que abrem portas, outros, nem por isso.

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    4. Eu tenho 28 e tenho qualidade para isso.

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    5. Esqueci-me de dizer que também sou giro e dou uma bela contracapa.

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    6. Mas isso, caro António, é o que eu faço: escrevo, apenas isso, escrevo, escrevo mais, parece-me que vou escrevendo melhor, porque apago, rasgo, recomeço. E sei que vou ter muitas desilusões, muitos "nãos", mas, enquanto escrevo, enquanto leio o que outros escreveram, enquanto vivo, circulo na realidade à procura dos interstícios nos quais engendro com as minhas personagens aquela outra realidade a que se chama ficção, e por isso interesso-me mais pelo que tenciono escrever do que pelos livros que já escrevi, porém não descuido estes, ando sempre de roda deles, enxerto trechos de uns no tronco dos outros, e vou insistindo – talvez seja possível cultivar um jardim como se cultiva um livro.
      A minha idade vai sendo, pois, alimentada pela tal felicidade inigualável de fazer o que gosto.
      E, no entanto…
      Um abraço.
      Joaquim Jordão

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    7. Agradeço, cara Cristina, a sua atenção. Desculpe-me por não ter entendido correctamente a sua intervenção anterior.

      Não é que eu sobrestime a importância dos concursos literários. Porém, como sabe, isto de escrever envolve uma coisa delicada, que temos pejo de abordar, mas que é fortemente condicionante, determinante. E incontornável. Essa coisa é o nosso ego.

      O problema de cada um de nós é que a satisfação plena do ego depende dos outros.
      Isto é próprio da condição humana. Mas, não obstante a longa experiência da humanidade, continua a não ser fácil lidar com isto. E então, quando os outros, ainda que indirectamente, nos colocam como obstáculo o limite de idade…

      Peço-lhe que veja, nos comentários acima, a intervenção de António Almeida e a resposta que lhe dei.
      Sim, o meu ego vai sendo alimentado pela tal felicidade inigualável de escrever, isto é, de fazer o que gosto.
      E, no entanto…

      Enfim, vamos escrevendo, pois que, como digo a António Almeida, talvez seja possível cultivar um jardim como se cultiva um livro.

      Cumprimenta
      Joaquim Jordão

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    8. 28, João?
      Continue a tentar, insista, não desista! Ainda tem muito tempo pela frente.

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    9. Não desisto não! Vou a meio do terceiro romance. Escrever é a única coisa que me faz sentir válido!

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  5. António Luiz Pacheco19 de janeiro de 2012 às 04:26

    Concordo com tudo o que diz o J.Jordão !!!
    Pergunto-me realmente porquê essa aparente fixação (moderna note-se) em "juventude" - aliás contra a qual nada tenho.
    Porém, e sinceramente acho que ser mais maduro e ter certa experiências e vivências pode ser um reforço para o escritor.
    Pela minha parte sempre quis escrever... e fui escrevendo, comecei em 1985 a publicar em revistas e continuei até 2009 a fazê-lo, sempre em revistas e portanto relatos, contos, reportagens, ou artigos técnicos - também em revistas espanholas e francesas. Mas sempre pensei em escrever um livro, cujo tema sempre soube qual ia ser e até a época! O enredo, casos, personagens fui-os compondo e recolhendo ao longo de quase toda a minha vida, sobretudo fui amadurecendo aquilo que queria lá pôr. Depois levei ainda 3 anos inteiros só dedicado à sua escrita... porque quis escrever com rigor e houve que fazer o enquadramento da acção nas datas, casos e personagens o que deu um trabalhão e talvez o maior gozo que já experimentei... e só por isso valeu a pena.
    Não chegou a ser recusado, porque recusa para mim seria depois de uma análise, e as editoras diziam-me dois dias ou uma semana depois que as suas 720 páginas A4 estavam fora de moda, ou não era o género que editam e coisas assim que me diziam nem sequer estarem a analisar e apenas a recusar liminarmente...
    Por isso avancei para uma edição partilhada, que remédio, porque foram as únicas propostas que tive e escolhi a que me pareceu mais perto
    e a gente mais simpática... fiz eu mesmo a revisão e a paginação foi à toa (literalmente!) falhando tantos detalhes que só me dei conta depois e até por críticas constructivas. Vendi eu mesmo cerca de 550 exemplares, aos meus leitores arranjados através das revistas onde ao longo dos anos se foram habituando às minhas coisas... e claro aos amigos.
    Apresentações... fiz em Santarém na Biblioteca Bernardo Santareno, por mão de um jovem historiador, poeta, ensaísta e homem da cultura local. Depois no Campo Pequeno em Lisboa (que me foi cedido por mão de um administrador meu leitor e amigo), também em Moura no centenário do clube e nos encontros venatórios do Nordeste Transmontano em Mirandela... sempre com a casa cheia, porque tenho muitos amigos repito e leitores, muitos dos quais estiveram nas 4... é verdade.
    O meu livro foi por isso lançado em circuito fechado... tenho pena porque sinto e tenho a certeza de que é um romance que teria sucesso num público alargado mas que me está vedado.
    Como me foi vedado fazer dele uma coisa melhor pois faltou o trabalho de um editor profissional, experiente e competente que me ajudasse a isso, e mais faltou depois o trabalho de distribuição e merchandising... porque tudo isso está reservado para quem nós sabemos, mesmo que nos fique a sensação de que fazem pior!
    Isto é um desabafo? Não sei... é o que se passou e sei... continuo a achar que se escreve quando for o momento e não se pode dizer que um escritor comece cedo ou tarde!
    O que acho sinceramente é que as editoras têm como crivo mais do que aquilo que se escreve o nome e a imagem que o escritor já tenha! Quem não o possua porque se distinguiu nalgum campo e o seu nome é conhecido, pode até escrever a continuação dos Lusíadas com a mesma genialidade, que não conseguirá editar!

    Saudações cá da ilha - estou em Mallorca !

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    1. Bom dia

      E se quisessemos adquirir o seu livro, como o faríamos?

      Saudações citadinas
      Isabel

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    2. António Luiz Pacheco19 de janeiro de 2012 às 06:00

      Cara Isabel:

      Largueza - António Luiz Pacheco, Chiado Ed.
      No facebook tenho um - não sei dizer - grupo ou lá o que é, onde pode ver críticas, apresentaçõ e até fotos...

      O livro... na Wook .
      Livrarias: Sei que esteve na Bertrand, Bulhosa, Corte Inglés , FNAC.
      Em Évora na Nazareth aqui em Santarém no Pingo Doce, Livraria Costa e na Caminho.

      Em última análise... eu posso enviar-lho!
      Se quiser ter uma apresentação, pois posso através do mail mandar-lha, já que tendo a grossura de duas listas telefónicas deve ser ponderada a sua presença nas nossas casas...
      supondo que nem toda gente tenha 23 divisões como eu!

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    3. Agradeço as suas indicações. Fiquei curiosa e fiz uma pesquisa pelo google. Fui parar ao site "Alvorada" onde consegui ler um resumo da sua obra. Tentarei ainda encontrá-la pelas livrarias aqui em Lisboa já que gosto de folhear os livros antes de os comprar. Pelo resumo, devo contudo dizer-lhe que fiquei com vontade de o ler. Ao contrário de outras pessoas, gosto de romances grandes (quando são bons), quando as personagens de tanto "conviverem" connosco parecem reais... e é quase uma despedida de amigos quando finalmente a leitura termina. E gosto desse "afecto". E depois há os factos Históricos (gosto de História), há "exploração de novas territórios" (gosto de geografia) e há o Ribatejo (onde vivi a minha adolescência)!!! Portanto é com muito entusiasmo que irei à procura do seu livro, se o encontrar dar-lhe-ei notícias.
      Saudações citadinas
      Isabel

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    4. Cara Isabel:
      Se vive em Lisboa procure na livraria do cinema King; passei por lá, há poucos dias, e reparei que tem imensos livros dessa editora. Julgo, até , que a livraria pertence à editora. Farei o mesmo: também fiquei curiosa com o livro do nosso Amigo Extraordinário:)

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    5. António Luiz Pacheco19 de janeiro de 2012 às 10:42

      Cara Isabel e Ana B.

      Desde fico muitíssimo sensibilizado por me tratarem por "amigo"! Isto num blog, que ele sim é extraordinário por não andar aqui tudo à briga e até nos considerarmos amigos!

      No http :/ www.pedroalmeidavieira.com /?p/785/
      que é o blog sobre romance histórico de Pedro Almeida Vieira, encontram lá uma referência ao meu livro (o que muito me honra e distingue) e até a primeira página da acção em si... é que como foi feito em jeito de epopeia, começa pela evocação, há dedicatória e a apresentação do narrador e do que vai ser contado...

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    6. Cara Ana
      Que bela dica, ainda por cima vivo perto! Mas perco-me mais para os lados da Barata.
      Obrigada por esta mensagem, também ela extraordinária.
      Isabel

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  6. António Luiz Pacheco19 de janeiro de 2012 às 06:17

    ORA BEM:

    Escrito com mais tempo e cuidado...

    1- Estava calado porque tenho receio de que enveredando pelo caminho que aqui se tomou possa ser mal interpretado, como muro das lamentações ou a minha intervenção ser vista como mera explosão de frustrações e inveja, coisas que rejeito e detesto.

    2- Devo dizer que concordo inteiramente com o que diz o nosso camarada Jordão! Percebo-o e comungo do seu sentir. Aliás identifico-me ainda com a Cristina T. (ainda por cima o Afonso Henrique sempre foi o meu maior herói) e com o jovem Courinha , eu também era assim na idade dele…

    3- Não creio que se possa considerar que se começou a escrever cedo ou tarde, ou que haja vantagens em ser jovem ou maduro. Seria um erro imenso ir por aí ao avaliar quem escreve! O que me parece (mas posso estar errado) é que há da parte das editoras uma aposta maior nos jovens.
    Tal como as editoras portuguesas me parecem apostar em 2 ou 3 géneros para os escritores nacionais e traduzem os restantes, com prejuízo dos nacionais que assim não desenvolvem outros géneros.
    O género que impera cá é o que eu chamaria de urbano-depressivo-gótico e do exorcismo pessoal ao escrever sobre os fantasmas e as frustrações do autor, e, o tema dito histórico mas que muitas vezes ou revela falta de conhecimento dela ou as tendências políticas de quem escreve. Há sempre um grande peso psicológico das sensações e traumas pessoais. Os escritores portugueses de um modo geral parecem ou psiquiatras ou estar a precisar de um…
    Estarei errado mas é o que sinto, pois raros são os que falam da nossa gente com simpatia, que valorizam e sentem o Sol e a praia, que apreciam o nosso mundo rural real e actual, e as nossas coisas, de forma que não seja para fazer auto-crítica e acusações de provincianismo e inferioridade cultural através da ostentação de uma cultura global e de um modernismo pacóvio porém superficial obtido numa curta estada ou viagem a um lado qualquer, onde como basbaques se deslumbram!
    O que não quer dizer que não aprecie e vá lendo coisas muito boas, nacionais! O que lamento é apenas essa espécie de condicionamento que as editoras provocam, se calhar com algum objectivo estratégico.

    4- Da minha parte, pois sempre quis escrever! A minha actividade preferida ao longo da vida escolar foram as redacções e depois os relatórios! Ainda hoje os meus relatórios são temidos pela sua extensão… acreditam? Eheheh !

    5- Repito, não posso dizer que fui recusado pelas editoras porque para isso tinha de sentir que me haviam lido. Por outro lado não sou assim tão parvo, cego ou inconsciente! Leio livros há 50 anos (tenho 5 000), estudei em 3 universidades, conheci e convivi com gente de muita cultura, ocupei cargos de muita responsabilidade em grandes empresas e ambiente internacional, corri Mundo… embora suspeito sei que o que escrevi tem algum valor, e quando o comparo com coisas que se publicam e vendem aos milhares, fica uma sensação de que nem olharam para aquilo! O que me leva a concluir que me faltou ter um nome mediático ou conhecido… ou quem me lançasse.
    Fica-me o amargo não da derrota que nunca me amargou, mas da dúvida, que classifico de bem pior! Nunca saberei ao certo nem com exactidão aquilo que valho como romancista e se o que tenho para contar é de facto interessante, entretém, diverte, informa, ajuda de alguma forma a alguém, se agrada!

    Era o que eu temia… escrevi aqui um outro romance! Perdoem-me…

    Saudações da ilha, tive uma excelente manhã de passeio e agora de tarde vou trabalhar!!!!

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    1. eu, eu, eu e eu...

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    2. António Luiz Pacheco19 de janeiro de 2012 às 10:27

      Hum... não leia, não leia e não leia!

      Tão simples quanto isto...

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  7. Acho que estamos a tratar a escrita como se de vinho do Douro se tratasse (o do Alentejo envelhece mal, enviem as reclamações para o meu e-mail). O escritor, à medida que progride em idade, não progride necessariamente em qualidade literária. Não podemos falar de uma evolução no sentido de crescimento. São conhecidas, ou pelo menos defendidas por doutos indivíduos, características diferenciadores do escritor jovem e do não tão jovem. Se este é racional, vivido e por vezes algo cínico, aquele é apaixonado, idealista, inocente. Não digo que seja sempre assim, só me parece que existe essa tendência. Há uns anos li um ensaio de um senhor russo de que não me recordo o nome sobre a superioridade de Tolstoi em relação a Dostoievski (como se fosse preciso um ensaio para se descobrir isso), em que a escrita de Tolstoi é analisada de forma cronológica, desde os primeiros textos à bucólica morte na estação dos caminhos de ferro. A progressão é assustadora, a troca da paixão pelo conforto da religião, gritante. Ali acabou, no banco de uma estação, prestes a trocar toda uma vida por um mosteiro, um dos mais magníficos homens que já viveram, velho, quebrado, vazio de ideias próprias, moralista como nunca o fora. Envelhecer pode ser muito triste e prejudicar muito a escrita.

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    1. Gostei deste post (gostei de saber da existência desse ensaio). Se pudesse carregar num "like"(à moda do Facebook) tê-lo-ia feito.
      ...É tudo.
      Isabel

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    2. Obrigado Isabel. Quando chegar a Lisboa vou procurar o ensaio no meio da barafunda, quando o encontrar dou-lhe referências. Beijinhos

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    3. Jovem João

      Começa por dizer que “estamos a tratar a escrita como se de vinho do Douro se tratasse” (julgo que queria dizer vinho do Porto).
      Pois estamos. Se bem conservado, quanto mais velho, melhor. E não é assim que deve ser?
      Com a autoridade que me dão as minhas barbas brancas, deixe-me que lhe diga: – Envelhecer bem tem que se lhe diga.

      Mas afinal, o jovem João conclui dizendo que “envelhecer pode ser muito triste e prejudicar muito a escrita”
      Pois… Também lá no Douro, às vezes, o processo não corre de feição, que aquilo é como uma pessoa, depende de muitos factores, tem que se lhe diga.

      E então, João, em que ficamos? Devemos evitar o envelhecimento? Receá-lo? Repudiá-lo?

      Se bem reparar, a nossa civilização europeia está a entrar num ciclo demográfico em que as pessoas idosas vão ser a grande maioria.
      Palpita-me que, por isso, começa a estar instalada na nossa cultura uma qualquer intuição, para não dizer preconceito… que me parece estar subjacente a afirmações suas, como:” São conhecidas, ou pelo menos defendidas por doutos indivíduos, características diferenciadores do escritor jovem e do não tão jovem”, ou esta: “Não podemos falar de uma evolução no sentido de crescimento” (…) “Não digo que seja sempre assim, só me parece que existe essa tendência”. Ponto final.

      Em resumo: “O escritor, à medida que progride em idade, não progride necessariamente em qualidade literária”. Parágrafo.

      Está a ver o preconceitozinho por aí disfarçado, implícito, nas entrelinhas?
      Se calhar, é por isso que na indústria editorial, e em muitas outras actividades, ainda que não explicitamente, tendem a estabelecer o tal limite de idade.

      Espero que não tome a mal o que lhe digo. Por mim, ficamos amigos à mesma.
      E, ainda por mim, esteja descansado: farei os possíveis por não morrer no banco da estação dos comboios.

      Um abraço.
      Joaquim Jordão, Amarante

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    4. First things first, não, não queria dizer vinho do Porto, queria dizer vinhos do Douro, que são mais estruturados e melhor preparados para envelhecer. Parágrafo. Ponto número dois, é claro que está nas mãos de cada um controlar a forma como envelhece, limitei-me a expor ideias que conheço e com as quais concordo em parte. Quanto a preconceito, noventa por cento dos livros que li foram escritos por gente que já está morta, mais velho do que isso era impossível! Levar-lhe a mal claro que não lhe levo, sou muito errático e por vezes excessivamente agressivo, seria hipócrita ficar ofendido fosse pelo que fosse.

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    5. António Luiz Pacheco19 de janeiro de 2012 às 11:21

      O Joaquim Jordão será por acaso parente do meu amigo José Joaquim Jordão que mora no Porto e é pai de três fantásticos jovens de quem sou igualmente grande amigo e companheiro de pescarias?

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    6. Beijinhos e obrigada a mais um amigo "extraordinário".

      Isabel

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    7. Creio que não, meu caro, mas fico com inveja do triplo J.J.J. do seu amigo do Porto.
      O apelido existe aqui no Norte, em especial em Guimarães, mas sabe-se que é originário da zona do Mondego, onde eu nasci e vivi até concluir o Liceu. Depois fui para a beira-Tejo (Lisboa), mais tarde exilei-me na beira-Douro (Porto), até estacionar na beira-Tâmega (Amarante), já lá vão quase quê? uns 40 anos, ou assim.
      Espero que, ao menos, o seu amigo do Porto seja como eu, homem de uma só côr: azul-e-branco.

      Mas isso agora é o menos, que o encarnado vai à frente...

      Quanto ao que nos trouxe aqui (atenção, João: esta é também para ti) - isto de sermos velhotes, isto dos preconceitos acerca dos mais velhos, do limite de idade, e tal, isto de a malta mais nova verificar que a maior parte dos livros que lêem foram escritos por pessoas que já morreram, e eles acham que, portanto, ok, mais velho do que isso é impossível, o respeito pelos velhos consiste nisso, em homenagear assim os que, vá lá ao menos!, escreveram alguma coisa de jeito antes de morrer, e tal, numa boa... - que me diz(em)?

      Cumprimenta-vos da beira-Tâmega o
      Joaquim Jordão

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