Unidos pelos livros

Em livrarias, museus, bibliotecas e vários outros espaços públicos e privados, reúnem-se de há uns anos para cá comunidades de leitores que, com a ajudinha de um «literato», analisam obras literárias e partilham opiniões sobre o que lêem. Podem ter o seu poiso na capital (como no caso das sessões que Filipa Melo organiza na Almedina do Saldanha, por exemplo), mas estão espalhadas por todo o País e têm como organizadores jornalistas (Helena Vasconcelos costuma seguir um grupo na Culturgest e Miguel Carvalho na Almedina do Arrábida Shopping), escritores (valter hugo mãe acompanha uma comunidade em Gondomar) ou gente simplesmente lida (Maria João Seixas orientava há uns anos as sessões na Biblioteca de Almada). Tive a alegria de participar em alguns destes encontros e fiquei emocionada com as conversas à volta dos livros, sobretudo as que partiam de pessoas que só então começavam a ler regularmente e estavam tão fascinadas com a experiência que não se calavam um minuto, querendo partilhar o entusiasmo. E outra coisa que descobri é que muitas daquelas pessoas, se ali não fossem, estariam irremediavelmente sós (mesmo que com um livro nas mãos), representando também a comunidade de leitores uma espécie de grupo de amigos com afinidades que se encontra para um bom serão de conversa. Parabéns, pois, aos que as organizam.

Comentários

  1. Bom dia,

    Alguém me pode indicar comunidades de leitores em Lisboa? Tenho 26, mas não tenho restrições de idades :)

    Obrigado!

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    1. Experimente ir à Livraria Almedina no Saldanha. Creio que também existe comunidade na Bulhosa de Entrecampos. Conheço uma comunidade na Culturgest também. Mas certamente haverá leitores deste blogue que frequentam algumas comunidades e lhe podem ser mais úteis do que eu.

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  2. Bom dia!
    Já há algum tempo que sigo este blogue. Gosto bastante do conteúdo e da forma como está escrito. No entanto, só agora me atrevo a fazer um comentário porque este post me tocou em grande medida. Não sou uma leitora tão assídua quanto gostaria, mas nutro uma grande paixão pelos livros e, num futuro próximo, irei também participar num clube de leitura.
    Bem-haja pelo seu contributo ao resgate da paixão pelos livros.
    Feliz Ano Novo!
    Paula

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  3. António Luiz Pacheco3 de janeiro de 2012 às 03:58

    "... muitas daquelas pessoas, se ali não fossem, estariam irremediavelmente sós (mesmo que com um livro nas mãos), ... " (sic MRP )

    Concordo... e dá que pensar!
    Aqui em Santarém já tenho tido conversas sobre este tema, com um amigo (tem cerca de 30) que escreve e cabe na classe de "literato", e que já tem organizado sessões dessas, sendo um dos dinamizadores da cultura das letras locais.
    Nunca participei, embora tenha sido convidado.
    Aquilo que MRP diz, dá-me outra perspectiva e
    talvez porque sendo embora um solitário não sou "só". E tenho pena dos que o são... quem sabe seja uma forma de, mais do que actuar na perspectiva da divulgação cultural, fazer algo pelos outros, o que é nosso dever e sim, faz-nos sentir bem connosco e com o Mundo.

    Tenham todos um bom dia como eu, que já ganhei este...

    Saudações do campo!

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  4. Aplaudo todas estas iniciativas. Não é necessária a presença dum ‘literato’ para dinamizar estas sessões. Permita-me realçar o papel da Marisa Pereira, dinamizadora do Criar Afectos, projecto de âmbito social de apoio à população sénior da freguesia de Rio de Mouro. Entre muitas outras actividades destaco o Clube de Leitura: até tem adeptos que não sabem ler mas não prescindem daqueles momentos; como a leitura é sempre em voz alta, chega a todos. As pessoas entram no Clube e os livros não chegam: trocam-se, emprestam-se, dá-se-lhes vida, a eles e aos participantes.

    Ps. Trabalhei anos na Biblioteca de Almada, quer na Casa Pargana, hoje Arquivo Histórico, quer, posteriormente, no Fórum Romeu Correia e não me lembra de Maria João Seixas a orientar sessões de leitura. Ainda assim, pode ser a minha memória a pregar-me partidas…

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    1. Eu estive lá na Biblioteca de Almada numa sessão sobre o "Morreste-me", de José Luís Peixoto, de quem então era a editora. E era a Maria João que orientava a sessão... Mas pode ter sido só naquele ano, não sei.

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  5. Cara Maria do Rosário,
    Primeiro que tudo -- desejo-lhe um Bom Ano.
    Segundo, fiquei com curiosidade de assistir a uma dessas sessões.
    Sabe, por acaso, qual o dia do mês ou da semana, em que se reúnem na Almedina do Arrábida Shopping?
    Cump.
    Rui Esteves

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    1. Quando lá fui, era ao sábado à tarde. Mas, se ligar para lá, certamente o informarão.

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  6. Tive a sorte de ir a algumas.
    Penso que para este ano não estará prevista nenhuma na Almedina do Arrábida. Na zona do grande Porto e além das da Almedina, já fui a sessões de comunidade de leitores em Serralves e nas Bibliotecas Almeida Garrett e Municipal de Gondomar.

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  7. Eu não paciência para esse tipo de coisas, mas não deixo de admirar quem tem. O gosto pela solidão é-me muito próprio. Acho que, esse género de iniciativas, podem ter um papel preponderante, não em "guiar" novos leitores, mas sim na abertura de diversas opções.

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    1. António Luiz Pacheco3 de janeiro de 2012 às 14:43

      Hum... ou percebi mal, ou "abrir novas opções" não é guiar leitores?

      Eu na minha ingenuidade, julgo que estas acções serão muito positivas, na divulgação da leitura e dos livros, desde que não se leve com um literato de "olhos de peixe cozido" e cara de defunto, seráfico e chato...

      Já participei de uma ou duas em que se falaram de livros, quase sempre com o autor, e que podem ser de facto bocados bem passados. Mas é batota pois foi feito em pequenas tertúlias entre amigos e com uns copos...

      A escolha quer do autor, quer do tema, quer do literato é que terão de ser bem feitas, sobretudo deste último que pode valorizar os outros dois e animar a coisa!!!

      Um abraço

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    2. Quem guia são os padres e quem fornece opções são as pessoas humildes, meu querido companheiro cinegético!

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    3. António Luiz Pacheco4 de janeiro de 2012 às 05:09

      Caro Confrade, não concordo lá muito...

      Guias, são os padres claro, é para isso que servem os sacerdotes, mas também os políticos e os líderes, os advogados, pastores e postores, os guias-mesmo... tente lá ir ocupar um posto numa mancha que não conhece e da qual ignora tudo!

      As opções não são necessáriamente oferecidas pelos humildes mas por quem as detém o que depende das situações, muitas vezes apenas estão ali e nós as tomamos. Sejam elas as do
      totoloto, de um teste de respostas múltiplas ou numa encruzilhada como as apresentadas pelo gerente do banco...

      Muitas vezes precisamos de guias, sim e até é reconfortante contar com eles, o que não quer dizer que nos demitamos de fazer escolhas. Um guia pode ser uma ajuda preciosa em tantas coisas, ajudando a trilhar o caminho que por vezes nos pede rapidez e segurança, noutras podemos dar-nos ao luxo de errar e até aprender, mas nem sempre!

      Por exemplo, se para editar o meu Largueza tivesse podido contar com um guia, teria este sido muito beneficiado porque a edição não é o meu negócio e há detalhes que me escaparam,
      e que descobri só depois...

      Ter um pastor não nos obriga a ser carneiro...
      Eu por exemplo sou aquário

      Um abraço!

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  8. Olá
    Não desejo polémicas...só dar a conhecer que faço parte de uma comunidade de leitura, quiçá a 1º numa biblioteca municipal, desde o inicio do ano 2006, não há engano, vamos fazer 6 anos de existência em fevereiro, foram 6 anos ininterruptos de boa camaradagem e de leituras diversificadas, com alguns passeios, exemplo a Tormes, Baião.
    Estamos na Biblioteca Municipal Dr. Vieira de Carvalho...Maia

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