Turismo gastronómico
Este fim de ano foi um festival de livros de cozinha, de chefs conhecidos e menos conhecidos, de senhoras que têm mão para os temperos, de vedetas de TV que adoram convidar gente para jantar ou juntar amigos a uma mesa. Mas, antes desses, já tinha saído a obra de Miguel Pires, Lisboa à Mesa, que tem sido de grande utilidade cá em casa. Não que eu seja um bom garfo – desde que me dêem um bom pão e batatas fritas aos palitos sem gordura, já estou satisfeita. Mas sou casada com um senhor que, apesar de magro, não desdenha uma boa refeição (qualidade é diferente de quantidade) e está sempre ansioso por experimentar uma boa tasquinha ou um restaurante mais bem apetrechado, desses que agora se diz terem cozinha de autor. Quando vamos para fora, faz parte da «excursão» o restaurante onde almoçamos e jantamos e aqui em Lisboa o guia de Miguel Pires dá muito jeito para escolher o sítio e telefonar a marcar, não vá haver muita gente a lê-lo ao mesmo tempo e a ter as mesmas ideias. Além disso, para quem prefere fazer as refeições em casa e acha que é melhor cozinheiro do que esta gente que aparece nas revistas, o livro tem uma lista interessante de lojas, mercearias, talhos e mercados onde podemos abastecer-nos. Que podemos querer mais?
Está certo, um manual de receitas ajuda sempre. No entanto, não entendo esse frenesim de obras editadas, basta ligar o computador e pesquisar para logo nos surgirem receitas de toda a ordem e feitio (cozinha portuguesa e do mundo inteiro). O que não aparecerá é a comidinha logo ali à mão de comer. Isso, venham a Viseu, ao Ygrego , ao Visiense, ao Viriato e a tantos outros, a Lamego, junto à Sé (têm lá uma chanfaninha ), ao Luís da Granja a Penedono e porque não à minha prima da Cepa Velha em São João da Pesqueira... Todavia, não há como uma boa catchupa rica, uma muamba de galinha com óleo de palma e muitos quiabos e um chabéu à moda da Guiné-Bissau e um caril mesmo à maneira de Goa? Bom, ultimamente apareceram alguns restaurante especializados em comida da lusofonia (Lisboa e arredores), mas, diga-se a verdade, sem grande esmero e brutalmente caros, até eu faço bastante melhor...
ResponderEliminarNão compro livros de cozinha, tanto mais que adoro ir experimentando e criando. Ao contrário de outros livros considero estes um tanto castradores, como o é qualquer manual de orientação de qualquer coisa. Os livros de cozinha não permitem grandes invenções e sustêm a criatividade. Adoro cozinhar para muita gente e ouço a minha irmã dizer que a nouvelle cuisine já lá vai, comigo é mesmo cuisine du futur…
ResponderEliminarConfesso que por vezes o resultado é desastroso, mas também acontece ser épico!
Para mim há três tipos de livros de cozinha:
ResponderEliminar- Manuais, ao género do Larousse , Livro de Pantagruel e um ou outro que reúnem tudo o que é informação útil... são como mapas de estrada para quem vai viajar, mas raros.
- Os que são apenas espelho de vaidade pessoal de quem acha que cozinhar lhe fica bem e se crê autor porque substituiu o béchamel por natas, e
acham logo que é motivo para escrever um livro!
- Os que servem para enfeitar a prateleira...
A grande maioria cabe nos dois últimos casos!
Quando trabalhei na distribuição alimentar e até há uma meia-dúzia de anos, os meus colegas, de cozinha nada sabiam! Depois tornou-se moda, sobretudo entre os homens que descobriram que cozinhar é de bom-tom, exibição de alta cultura e supremo bom-gosto! Hoje, alguns dos que eu conheci a nem saberem cozer um ovo, discorrem sobre culinária como se tivessem sido paridos dentro de um tacho! No entanto e para nosso mal, só cozinham nas grandes ocasiões, e digo nosso mal, pois é cada séca... e nas piores circunstâncias.
De facto nunca cesso de me espantar com o ser humano... mas também é por isso que ele é tão interessante!
Já os roteiros/guias gastronómicos dependem de muita coisa e nem sempre são sérios... têm cada armadilha!
O que me vale é a minha rede da máfia!
Ahahah ! E se me pregam partidas... uma vez fui com um amigo a S.João da Pesqueira e ficámos em Trevões, pelo caminho e para me apoquentar ligava para lá a confirmar a nossa chegada e a marcar encontro na... Pizzaria! Eu não disse nada (heróico, mas a ver ir por água abaixo a vitélinha e as alheiras...) e foi mesmo uma partida, das boas: Comi cá uns nacos de carninha, com batatinhas de rebolão e umas couvinhas estaladas... até tive de repetir!
Eheheh!
Faço parte de um muitíssimo restrito grupo de gastretas, reunidos no facebook sob o epíteto de A Receita do Dia. Gente comum e que cozinha todos os dias para a família, de Norte a Sul. Trocamos receitas, muita informação sobre produtos e experiências práticas, e é para isto que serve o facebook. De início ainda houve alguma tentação de épater les bourgeois e apareceu um ou outro com rizzottos e outras excentricidades, mas não pegou!
Bom apetite para o almoço e saudações cá do campo, onde a gente ainda comemos!
Eliminarrizzotto é uma excentricidade certamente, risoto não, é só um arroz pequenino :)
PLFF
Eu é mais "risota"... eheheh!
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ResponderEliminarGosto de livros de cozinha. Compro-os e o mais grave é que depois não os utilizo. Continuo a fazer as mesmas coisas de sempre... :)
Obrigada pela indicação deste guia.
Olinda
Olha que post giro! Bem trabalhado Tia! Bom, para começar risotto não é arroz pequenino, a denominação está relacionada com a forma como é cozinhado. No que toca a livros de culinária, há uma colecção muito boa da escola "Cordon Bleau" e neste Natal deram-me o livro da Clara de Sousa que além de receitas tem fotografias dela para desempoeirar os olhos do cozinheiro. O site do Gordon Ramsay (nice! simple! oh my GOD!) também tem receitas óptimas, sendo a do Beef Wellington um verdadeiro delírio. No que concerne a bons restaurantes, assunto nimiamente explorado por roteiros ignorantes, aqui vão os meus conselhos. Em Lisboa quando quero estar sossegado vou ao Gambrinus, contrariamente ao que se pensa não é um restaurante caro para o nível que apresenta, é tranquilo e os empregado são atenciosos. Quando quero ir a um sítio mais mexido e cheio de empregadas loiras (mas loiras à séria), sem prejuízo da qualidade gastronómica que é apenas ligeiramente inferior à do Gambrinus, vou ao Olivier do Tivoli. Se tiver pouco dinheiro, vou à zona de Carnide velha, onde existem muitos restaurantes com bom equilíbrio entre preço e qualidade. Se estiver no Alentejo e quiser comer bem, não tenho outra coisa a fazer senão ir a Évora. Na cidade onde nasceu o Tribunal da Inquisição em Portugal, temos o incontornável Fialho que além de restaurante, pela sua grande longevidade, se tornou também numa escola de grandes cozinheiros, facto que faz de Évora a cidade em que melhor se come no Alentejo. Além do Fialho e na mesma cidade, temos o Botequim da Moraria, a Tasquinha do Oliveira e, num segmente inferior, o Don Joaquim. Cumpre-me ainda fazer jus a um restaurante muito bom, situado na Amieira e de igual denominação. Sobre o lago do Alqueva, com uma vista fenomenal, oferece uma série de pratos de grande qualidade e a preços modestos.
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