Lixo e Lídia

As agências de rating classificam Portugal como lixo, para não dizer outra coisa pior. Bem sabemos que são americanas e que, num momento como este, faz bem aos Estados Unidos desviar as atenções do seu próprio estado calamitoso e cascar todos os dias nos países do Sul da Europa (até a França já começou a comer). Em todo o caso, não é a primeira vez que vejo a palavra «lixo» associada a Portugal. Num ensaio francamente interessante que a escritora Lídia Jorge escreveu há tempos para uma colecção dirigida pelo jornalista António José Teixeira (e que, tanto quanto sei, está mais ou menos parada), o ponto de partida era precisamente uma placa colocada num lugar onde Espanha deixa de ser Espanha para avisar quem vem que mudou de país. Ora, por baixo da palavra Portugal, alguém rabiscara a preto-preto, ao que parece, a palavra «lixo», e nem vale a pena perguntar se de lá, se de cá, porque não era basura que ali se podia ler. É esta a circunstância que serve de motor de arranque a Contrato Sentimental, um livro que fala sobre a nossa identidade e os nossos problemas com a pátria e não omite aspectos como a língua, a educação, a imprensa e as cidades que temos, entre muitas mais coisas. Se ainda aqui não tinha falado dele – o que é provável, dado que o livro saiu ainda eu não usava blogue e é dos que ainda está num limbo-estante para ser arrumado – aqui vai a sugestão. De qualquer modo, a acusação de lixo recordou-me uma bela frase que uma personagem diz na comédia cinematográfica Bem-Vindo ao Sul: Quando um habitante de um país do Norte vem viver para um país do Sul chora quando chega. Mas chora mais ainda quando se tem de ir embora...

Comentários

  1. O boom de Lídia


    Porque cresceste oh’amor
    caminhando, caminhastes
    veste-te de luz e reflitas
    restaurando o que falastes

    Tua paz será grandeza
    e na hora certa, certeza
    se inteligência é criação
    então ser ciência é visão

    Tens pela multiplicação
    o válido ouro que líquido
    anuncia por ser início

    Apeteça o que seja nítido
    conspirando pelo ofício
    força motriz é inspiração.

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  2. Quanto às agências de rating , acho que já nem vale a pena comentar, viva o AAA dos credit default swaps de 2008... Agora o comentário: Eu, sendo agricultor em Ferreira do Alentejo, tenho muitos vizinhos, colegas e amigos espanhóis, eles adoram verdadeiramente Portugal e os Portugueses. Nunca, nestes anos todos, ouvi algum dizer mal do nosso país ou sequer deixar transparecer o menor indício de rivalidade. Já o contrário é o pão nosso de cada dia. Desde dizerem que eles só investem na agricultura para lavar dinheiro, que usam produtos ilegais, que contaminam a água e mais uma série de mentiras ignorantes. Se fossem só os velhotes que comem chouriço e bebem vinho tinto no banquinho da paragem do autocarro da carreira ainda se compreendia, mas infelizmente até pessoas ditas instruídas padecem da mesma enfermidade de espírito, entre eles o rei dos imbecis, Miguel Sousa Tavares (eu estava no Gambrinus quando ele quis bater no Vasco Pulido Valente...). Acontece, meus amigos nacionalistas, que se não fossem os espanhóis o perímetro do Alqueva seria mais um Elefante Branco à Portuguesa. Eles plantaram trinta e cinco mil hectares de olival de regadio (o Alqueva rega cem mil hectares), financiaram-se em bancos portugueses, empregam cidadãos nacionais, compram fitossanitários , tractores , alfaias e o diabo a sete em lojas nossas, etc... Quanto ao terror pânico de sermos colonizados, primeiro as herdades não as levam de cá e segundo, muitos deles não se importavam nada de casar com uma tuga jeitosa e de deixar como descendência pequenos "Camões"!

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  3. Já agora:
    J. Rentes de Carvalho publicou hoje um texto relacionado com este tema (do lixo):

    http://tempocontado.blogspot.com/2012/01/dia-corriqueiro.html

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    1. António Luiz Pacheco31 de janeiro de 2012 às 06:12

      Caro J.Courinha ... ele há espanhóis e espanhóis... ou seja há os que são tal e qual como nós! Sobretudo os estremenhos ...
      Também não tenho medo deles, e se quer que lhe diga gostamos todos de Sol, mulheres morenas,
      fado/flamenco, de toiros, perdizes, presunto, queijo de ovelha e vinho tinto!
      Portanto a ser alguma coisa... sou ibérico, nem por isso franco, teutão ou normando!
      De facto a maioria dos comentadores só sabem dizer mal de nós, são uma casta superior a quem é devido andar de carro topo de gama, viver em casa custosa, fazer férias de luxo, frequentar estabelecimentos caros e vestir assim e ainda receber altos ordenados! Porque são uma casta superior, esclarecida, que vivem de dizer mal e
      à custa daqueles que desprezam, e que realmente, grandes parvos os sustentam!

      Quanto ao que diz a nossa Extraordinária Hospedeira, existem algumas boas obras que nos falam do que somos e não posso deixar de citar J.Gil e Portugal - O medo de existir.
      Claro que temos defeitos grandes como o Tejo
      e qualidades do tamanho do maciço central...
      Mas se nos lembrarmos que pelo Mundo fora há rios tão grandes como o Mississipi e montanhas como os Himalaias, perceberemos a nossa real dimensão, e se as transportarmos para o nível dos defeitos e qualidades concluímos que somos um povo pequeno em tudo, incluindo qualidades e defeitos. Cá por mim... estou bem assim!
      Não foi por acaso que os nossos antepassados adoravam o Sol e a Lua...

      Saudações do campo e dum dia de Sol!!!

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  4. Percebo: vim do Norte para o Sul e, apesar dos apesares todos, já não suporto nem me revejo no Norte (sobretudo quando o Norte se arroga moralidades mais rectas do que as do Sul).

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    1. António Luiz Pacheco31 de janeiro de 2012 às 11:36

      E é muitíssimo bem-vinda minha Senhora!!!!

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  5. Homessa! Só me faltava mais isto. Lixo, é? E eu que nasci onde quase o Sul acaba tendo tão acima e tão distante o Equador, só posso achar que a sabedoria popular nunca erra nem se engana ... quem desdenha quer comprar ...

    E mais não digo não vá virar isto uma homérica lixeira .

    Broa endurecida

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  6. Vicente Lopes Saudade31 de janeiro de 2012 às 14:48

    Resta dizer:

    http://www.tvi24.iol.pt/aa---videos---sociedade/reporter-tvi-300-km-lisboa-porto-tvi24/1321360-5795.html

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  7. O filme que refere é o "Benvindo ao Norte"

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    1. O "Bem-vindo ao Sul" é uma comédia italiana de Luca Miniero baseada no "Bem-vindo ao Norte" de 2008 do francês Dany Boon . Ambos tratam de forma hilariante ( a francesa, bem mais engraçada, na minha opinião) as rivalidades entres regiões. E tanto faz Norte ou Sul, que nisso de rivalidades, é para o lado que se quiser pegar. O que não faltam são características, em qualquer região, prontas para serem parodiadas. Mas sempre com cordialidade, porque no essencial , somos todos muito parecidos.

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  8. Não conheço este livro da Lídia Jorge mas fiquei curiosa. Para além do seu inquestionável talento literário , parece-me ser uma pessoa com bom senso, qualidade indispensável, quando se pretende discutir esse assunto ( e outros...faz sempre muita falta:) ).

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