Dilema

Os artigos a favor e contra o Acordo Ortográfico, vindos de quem usa a caneta profissionalmente e de quem nada tem, à partida, que ver com as questões da língua, mas quer, mesmo assim, dar a sua opinião, têm-se multiplicado nas últimas semanas. Só para dar dois exemplos, no mesmo sábado escreveram sobre o assunto nos jornais Pedro Mexia e Bagão Félix, ambos contra o dito. Não escondo que também não me agrada o acordo e continuo a escrever à maneira antiga (as coisas antigas têm certo charme, de resto, mas não é por isso), embora a publicar alguns autores que já usam a nova ortografia. Mas agora fui colocada perante um dilema. Encomendaram-me um livro para crianças (de que falarei oportunamente), e o meu computador, que reclama actualizações semanalmente, começou a corrigir-me os "supostos" erros. Era realmente meia dúzia de palavras que perdiam o C (como espectáculo e electricidade) e pouco mais; mas, antes de lhes devolver a consoante desaparecida, pus-me a pensar que as crianças daquela idade já têm os manuais e livros de leitura com a nova ortografia e se calhar só lhes vou arranjar sarilhos numa idade em que precisam é de aprender a ler e escrever com o mínimo de ruído possível. Devo ser consistente ou volátil? Egoísta ou altruísta? Reservar a ortografia do meu coração só para quem a aprendeu nos bancos da escola e usar a nova para os fedelhos? Que fazer, em suma?

Comentários

  1. É evidente o que fazer. Usar o novo acordo, eu só não o faço porque sou preguiçoso e os senhores do Microsoft Word ainda não o implementaram. Essas conversas sobre o acordo ortográfico são a verdadeira lã de cabra! Ainda ontem, nas minhas leituras sobre a Inquisição, me ri sozinho com a ideia de obrigar os Mexias e os Sousa Tavares a escreverem como se escrevia à dez acordos atrás. Aí sim, "amavam" verdadeiramente a língua. As coisas mudam, não vale a pena andar sempre a ranger os dentes. Concentrem-se nas ideias e marimbem para coisas que daqui a cinco anos já ninguém se lembra.

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  2. a Rosário deve pelo menos não lhes complicar a "vida". :)

    ou seja, escrever segundo o novo acordo.

    não sei se há acordos perfeitos, mas este tem de facto muitas imperfeições, e foi estudado por especialistas...

    lembro-me que na primária havia várias palavras que me faziam confusão terem o p e o c, porque sentia que não estavam lá a fazer nada, depois habituei-me e...

    espero que façam rectificações num futuro próximo e eliminem algumas aberrações.

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  3. MRP:
    Eu sou contra o Acordo mas apenas devido à sua incoerência, diz que vem para simplificar, afinal, complica ainda mais.
    O Prof. António Emiliano tem abundante literatura publicada sobre este (Aborto, perdão) Acordo. Num seu escrito dá um exemplo de 1600 e tal maneiras de iniciar uma carta muito formal a um alto dignitário religioso, todas correctas e de acordo com o Acordo, que veio para simplificar.
    Mas vai ser uma realidade, já é, a que não podemos fugir. E as gerações futuras estarão cada vez mais alheadas da polémica, como nós estamos de tantas polémicas linguísticas ou literárias do passado.
    Cada geração vive muito mais o seu presente.
    No seu lugar, respeitava-o.
    As criancinhas não têm culpa das asneiras dos adultos.

    P. S. Há dias perguntei pelo VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) na Porto Editora, que soube que tinha sido publicado, nem sabia o nome do autor; a resposta foi que o livro do Prof. Malaca Casteleiro estava esgotado. Primeiro provocamos a doença, depois vendemos a vacina.

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  4. António Luiz Pacheco24 de janeiro de 2012 às 03:03

    Hum... de fato não será bem assim amigo Courinha ... o ato pede reflexão! Não somos própriamente egípcios nem estamos no Egito .. .
    Tem de perceber que há quem tenha levado muita réguada para aprender a escrever de um modo que agora a "máquina" recusa... é que o escrever é automático, quando pensamos não é COMO estamos a escrever mas sim NO que estamos a escrever!
    Como sou um ignorante e sei que sou, não me pronuncio... nem sequer tento perceber uma norma que diz claramente que se uma palavra se diz assim assim pode continuar a ser escrita mas admite confundir o verbo atar com o actuar... e na verdade eu digo ACTO político e não ATO, como digo EgiPto ... e por aí fora... é que por este andar vamos poder escrever conforme a nossa maneira de dizer regional:
    Esquiáda ", plícia ", táuba ", iágua ", treuze ",
    joalho ", comuida " pontapéa ", estoue ", quêjo ",
    "bebé", antão ", "vais ir" e por aí fora...
    Isso é que era um acordo em cheio!
    Continuo a escrever como me foi ensinado... Luiz e Brazil ... tenho muita pena e peço muita desculpa aos modernos. Esses que escrevam
    como entendem pk também têm a liberdade.

    Minha Cara Maria do Rosário, creio que vai ter de engolir o sapo, para não causar problemas às crianças... ou não? Que problema? Não é um livro escolar e didáctico , ou é?

    Aliás, disse Vasco Graça Moura aqui em Santarém e para quem o quis ouvir, que o tratado para ser válido teria de ser ratificado pelos PALOP's todos... e só o foi por 2! Por isso... não sei se será bem assim essa inevitabilidade!

    Saudações do campo (que não das letras...)

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    1. Sr. António, o PALOP inicialmente tinha um contrato/acordo em que este AO só entraria em vigor se todos os países lusófonos assinassem. Como tal não aconteceu eles fizeram um contrato novo onde só necessitariam de 3, sendo assim ficaram assinados Portugal, Brasil e Cabo Verde.

      Os outros países são livres de fazerem o que querem, não ficam obrigados a ratificar tal acordo a não ser que assinem.

      Um aparte, quando diz que vai continuar a escrever Luiz tem que ter atenção ao nome da pessoa, pois isso é um nome e ainda hoje em dia há quem se chame Luiz ou Luis, aí terá que respeitar como a pessoa realmente se chame. É como o meu nome, já vi tanta gente no seu BI se chamar Biatris, Biatriz, Beatris... e sinceramente acho que ficaram assim porque não sabiam como se escrevia correctamente.

      Já o Brasil todos os estrangeiros (entende-se como não lusófonos) escrevem Brazil por isso não há tanto problema.

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    2. De facto, querido. De facto. Com ou sem aborto.

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  5. A Maria do Rosário sabe perfeitamente o que deve fazer: resistir a esta forma de totalitarismo cultural, a este fascismo linguístico, a esta nova «novilíngua». Que eu saiba, Portugal (ainda) não se tornou numa segunda Coreia do Norte, onde todos os absurdos são possíveis.

    E não se preocupe com a reacção dos «fedelhos»: a minha filha mais nova, com sete anos, já vem ter comigo a mostrar-me as correcções que faz (acrescenta os «c's» e os «p's») nos livros escolares! Mas isto só é possível porque eu não desisto, porque eu não me rendo... e porque qualquer «professor(a)», seja quem for, não tem mais autoridade do que eu. Neste caso, ser «egoísta» é ser «altruísta».

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  6. Avance porque o NAO vai consolidar-se sim. Além disso, já foi aprovado. Eu também vou escrevendo como me vai saindo, mas acho patéticas a maioria das manifestações anti . Em especial as dos intelectuais, esclareça-se, que fazem pomposas e ridículas declarações de fidelidade ao velho, que lhes poderão sair caras um dia, já que parecem pretender que seus escritos fiquem orgulhosamente parados no tempo. Aproveito e agradeço a Camões e a Eça, e a todos os outros, por tal não terem feito no seu tempo.

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    1. António Luiz Pacheco24 de janeiro de 2012 às 03:44

      Pedido de esclarecimento:
      O NÃO (ao acordo) foi aprovado?
      Então o acordo vigora ou não vigora?
      Grato pela atenção

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    2. Não sei responder-lhe porque não compreendo a pergunta. Aproveito para esclarecer que escrevo como me apetece e reconheço esse direito aos outros, mas acho que qualquer publicação deve ser feita de acordo com a norma vigente.

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    3. Caro:

      Julgo que o NAO que está no comentário do nosso Amigo Extraordinário Paulo Oliveiro quer dizer Novo Acordo Ortográfico. Repare que não tem o til. São as iniciais, portanto. Mas, confesso, que também me surgiu a mesma dúvida:)

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    4. António Luiz Pacheco24 de janeiro de 2012 às 04:27

      O Paulo Oliveira diz no seu comentário:

      "Avance porque o NAO vai consolidar-se sim. Além disso, já foi aprovado." (sic)

      "Avance porque o NAO vai consolidar-se sim."
      E eu peço que me esclareça se isto significa a recusa do citado acordo (o não) ?
      Quando diz depois que "já foi aprovado" refere-se ao "não ao acordo"? É oficial ou uma opinião?
      Ou seja o acordo foi reprovado?

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    5. António Luiz Pacheco24 de janeiro de 2012 às 04:30

      AHHHH!!!!!
      É que eu faço parte da tal categoria de gente patética e pateta a que Paulo Oliveira alude... mas percebo depressa se me explicam de vagar...

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    6. Eheh!... a cada um o seu trocadilho, então. NAO, Novo Acordo Ortográfico. Nhf, isto é, no hard feelings,
      PO

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    7. É isso Ana, e obrigado pelo Extraordinário, mas não se aplica. Eu percebi que o nosso amigo ALP tinha percebido, mas passa-se que nem sempre consigo resistir à desconversa. Peço no entanto desculpa a quem possa ter ofendido, se realmente ofendi, em particular ALPacheco, presença diária que aprecio. Estou talvez sugestionado neste tema por uma barragem recente a que tenho sido submetido, quase diária, de alguém que me tenta explicar os males do país e do mundo com base em três ameaças perigosas, estas sim extraordinárias: os gays, em primeiríssimo lugar, mais as suas reivindicações, depois os maçons e o seu secretismo, finalmente, o "antipatriótico" NAO e as suas consoantes perdidas. Paz!

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    8. António Luiz Pacheco24 de janeiro de 2012 às 11:08

      Paulo Oliveira... a verdade é que não tinha mesmo percebido o detalhe da falta do til... o que me lançou na confusão e creia que não na desconversa, como terá pensado...

      Claro que sem qualquer picardia!


      Não sou um entusiasta do acordo, porque é contra o que aprendi... e porque é uma chatice.
      Não creio que seja anti-patriótico , mas acredito que seja motivado por interesses económicos (como tudo) e não por razões culturais...
      Sou dos que desconfiam dos académicos, tanto dos a favor como dos contra.

      Um abraço cá do Bairro!!!

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    9. António, a sua desconfiança nos académicos é que me penaliza porque sou um deles, mesmo se apenas clubisticamente falando. Abraço.

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    10. António Luiz Pacheco24 de janeiro de 2012 às 14:10

      Meu Caro Paulo:
      Não devia estar a usar para este género de
      diálogo, este Extraordinário local de troca de idéias Extraordinárias (enfim, as minhas, às vezes...) e peço desculpa a todos por invadir este espaço de cultura com a minha falta dela e o atrevimento subsequente, mas neste caso
      faço-o por consideração e respeito para consigo!

      1º - Tenho muitos amigos ou conhecidos que são académicos! Investigadores e professores, alguns antigos colegas e companheiros de muita coisa! Que fazem parte da "minha gente".

      2º - Todavia desconfio dos académicos?
      Sim...
      Veja-se onde estamos e qual a quota parte
      da responsabilidade dos académicos e das suas teorias financeiras e económicas que decidiram ensaiar em nós como se não houvesse vidas e sim apenas jogos de gestão...
      Idem no tocante às teorias e práticas das ciências sociais que fazem da sociedade uma espécie de palco onde se representam ensaios.
      Depois atente-se na venalidade de tantos académicos que defendem o indefensável ou não praticam o que defendem!
      Finalmente, porque ainda há semanas eu me debatia e lutava contra a cegueira irrealista, a ditadura teórica e a falta de pragmatismo de alguns académicos (brasileiros neste caso) que superintendiam e quase fizeram falir um projecto em que estive envolvido!

      Estas as razões da minha alegada desconfiança,
      mas creia que só se aplica aos que mereçam!
      Estimo e pressinto que não a si!

      Há quem defenda que o NAO (Negregado? Nefando? Novo? Acordo Ortográfico) foi "feito" por académicos afastados da realidade. O que eu acredito piamente por saber e sofrer na pele tanta desta legislação feita por sábios em torres de marfim, ou peritos por nomeação...

      No hard feelings , creia-me que de boa-fé!
      Um abraço

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    11. Mas já imaginou uma alteração ortográfica - esqueçamos agora a palavra Acordo que é o que, se calhar, provoca a discórdia - a ser feita por pessoas comuns, por não académicos? Eu não. Até amanhã,

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    12. António Luiz Pacheco24 de janeiro de 2012 às 17:31

      Peço desculpa... ainda estou acordado, deve ser por ter os Surfaris a tocar... eheheh ! Chega-me o chocalho de alguma vaca tardia (daquelas do pasto, mesmo!), o joli e o panda estão a ladrar de um lado e a lola e a pigui respondem ali do outro... a gatilda ronrona aqui deitada ao pé do aquecedor! Mais bucólico não há...

      Meu Caro Paulo Oliveira:
      Tem razão! Claro que tem...
      MAS, se calhar os académicos podiam fazer algo que normalmente não fazem: Olhar para, e, pensar como o homem comum. Perceber que o Mundo é feito de pessoas comuns, e que são sobretudo elas quem nele vivem e quem normalmente paga a factura das academices ".
      A última vez que me pus a contestar uma lei (foi a famigerada sobre as armas...), escrevi um artigo acerca do que saltava à vista estar mal... o académico que a produziu (um juiz) em vez de se preocupar com o muito mal e prejuízos que provocou, social e económicos, sentiu-se ferido na sua dignidade de legislador que não podia ser posta em causa e ameaçou-me judicialmente...

      Por isso prometo que me calarei... afinal o acordo não é o código da estrada, posso andar na mão que eu quiser... eheheh !

      Uma boa noite e um abraço, obrigado pela sua paciência em me aturar e pela importância que me dá ao perder tempo a responder!

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  7. Penso que ser contra (ou a favor), em termos práticos, não altera o Acordo já assinado e que já está a ser aplicado em diversas instâncias .... manuais escolares, por exemplo .... Portanto, se o livro é dedicado às crianças, mais sentido faz que o Novo Acordo seja utilizado.

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  8. Três brevíssimas notas, porque perdi a vontade (se alguma vez verdadeiramente a tive) de entrar neste debate:
    - 1945 deve ter sido o ano mágico da ortografia: nele se impôs convencionalmente uma mudança ortográfica que alcança hoje a imutabilidade do mito;
    - um exercício de imaginação: fantasiemo-nos nados, criados e primariamente ensinados já na vigência do acordo de 90 e imaginariamente experimentemos como o nosso coração estaria agora cheio de amor por "diretos", "ótimos" e "atos";
    - relembremos, da língua portuguesa, as muitas e várias situações ortográficas equívocas, divertidas e criativas quando estamos de boa mente, (fora e fora, por exemplo) e, talvez, compreendamos a inutilidade do escândalo perante outra que se lhes acrescenta (o caso de para e para).

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  9. Maria do Rosário: vivendo fora situo-me cá fora, deixando o coração a dormir cá dentro...
    Não sei se me leu como anti AO, mas, como eu o disse, é antidemocrático que, apenas 2 países assinem por todos os outros...
    No que se refere à mutação, num país como Portugal saído do fascismo há 40 anos, onde a taxa dos analfabetos era enorme e, com um povo emigrado que teve de aprender/reaprender a língua e, os seus filhos condicionados pela vida,
    Sem falar k eu li k em Portugal há muitos bons alunos que esvrevem mal,
    tudo isso me leva a dizer não a ele. E, aflige-me quando alguns editores correm pensando vender milhões de livros.
    Um abraço!

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    1. António Luiz Pacheco24 de janeiro de 2012 às 04:45

      Pois é!
      Cá para mim o que vai vender livros não é a ortografia acordada e sim as idéias e os sentimentos que transmitam... julgo que por aí
      os apoiantes do NAO (sem til deve acrescentar-se não vá alguém julgar que seja a nova grafia para o artigo de negação) estão bem enganados.

      Pela minha parte o que sei é que não deixei de ler António Louro, Pepetela, Ascêncio de Freitas, Jorge Amado pelo seu vocabulário e a sua ortografia, nem sequer a seu tempo a colecção de Júlio Verne com a grafia da edição de 1889...

      Mas claro isto sou eu, um patético... que todavia faz parte daqueles que compram livros, os ditos consumidores e portanto deviam ser ouvidos e quem sabe respeitados...

      Saudações cá das berças!!!!

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  10. Maria do Rosário: vivendo fora situo-me cá fora, deixando o coração a dormir cá dentro...
    Não sei se me leu como anti AO, mas, como eu o disse, é antidemocrático que, apenas 2 países assinem por todos os outros...
    No que se refere à mutação, num país como Portugal saído do fascismo há 40 anos, onde a taxa dos analfabetos era enorme e, com um povo emigrado que teve de aprender/reaprender a língua e, os seus filhos condicionados pela vida,
    Sem falar k eu li k em Portugal há muitos bons alunos que esvrevem mal,
    tudo isso me leva a dizer não a ele. E, aflige-me quando alguns editores correm pensando vender milhões de livros.
    Um abraço!

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  11. Confesso que não tenho formação em línguas , que me permita ajuizar com rigor as alterações feitas no novo acordo. Seria uma leviandade da minha parte, fazê-lo. O acordo foi elaborado por um grupo de trabalho constituído por pessoas habilitadas para tal, o que não invalida que tenha erros, claro. Mas uma coisa eu sei, porém: ninguém escreve atualmente como Camões, Gil Vicente ou até mesmo como Eça ou Pessoa. A língua evolui, é um facto. E a história diz-nos que sempre houve uma enorme resistência às mudanças. No que me diz respeito, e por ter ume filha no 1º ciclo, cedo adotei o novo acordo. A principio estranha-se, mas depois, entranha-se:) ( assim espero...:) ) E muito sinceramente, não é por um livro estar escrito segundo o novo acordo que ele é melhor ou pior. Ainda agora acabei de ler um magnífico livro que me arrebatou mesmo, e que já foi traduzido, respeitando o novo acordo. Arrebatou-me na mesma! E acreditem que o efeito prático é rigorosamente o mesmo: os bons escritores continuam bons escritores e os outros, não! Com ou sem acordo! Lamento, mas é assim mesmo! Porque o que faz um bom escritor é a capacidade que tem de tocar e emocionar o leitor . E isso acontece, com ou sem acordo. Acreditem.
    A única chatice que encontro é a maçada de ter que aprender outra maneira de escrever e as dúvidas que, por vezes, surgem. De resto, não me repugna. O que eu aprecio mesmo são as ideias que as palavras transmitem. Com ps ou sem cs a ideia permanece. Garanto.
    Já agora o livro tem o delicioso título " Quanto mais depressa ando mais pequena sou" da norueguesa Kjersti Annesdatter Skomsvolld . É maravilhoso!

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  12. Vicente Lopes Saudade24 de janeiro de 2012 às 06:53

    MRP,
    Bom, parece-me que temos que nos habituar aos novos tempos. Se o sistema já está implementado nas escolas, então esse livro infantil de que fala deve estar formatado segundo o «NAO».
    Pessoalmente, sou capaz de continuar a usar o sistema antigo, aquele a que me habituei. Mas não me faz espécie nenhuma ler artigos ou livros inteiros já com o «NAO» implementado.
    Concordo com o Vasco Graça Moura quando diz que todos os países onde o Português é a língua oficial devem "ratificar" ou subscrever o «NAO». As pessoas às vezes esquecem-se dos pequenitos e aparentemente insignificantes (falo de Timor e São Tomé, por exemplo). Só porque os brasileiros são 200 milhões e dominam a internet em português, a que se junta Portugal como nação mãe da língua, não quer dizer que tenhamos que esquecer os P [A] LOP.
    Se o acordo veio para ajudar a combater a literacia e melhorar as relações dos países da Língua Portuguesa a todos os níveis, acho bem que se implementa imediatamente.
    Não maltratem é a Língua!

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  13. Uma vez que parece pedir opiniões, voilà: não complique MRP. Seja generosa com as crianças pq embora eu própria não alinhe com facilitismos na infância, tb não alinho com «complicativismos» vazios de objetivo palpável.
    E se for muito penoso para si poderá deixar o «trabalho sujo» para o revisor (sorriso malvado).

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  14. Cara Maria do Rosário,

    Tenho uma filha de sete anos que frequenta o segundo ano. Só este ano tem manuais escolares escritos de acordo com as novas regras. No primeiro ano mantinha-se ainda a ortografia antiga. À noite, antes de dormir, temos lido os livros da colecção Uma Aventura, mas os que me pertenceram e aos meus irmãos, e que são, portanto, escritos segundo a grafia antiga. Por outro lado, a biblioteca da escola e a do concelho, onde requisitamos livros, têm livros mais antigos sem AO. É claro que o professor já falou do novo acordo na escola e eu própria lhe tenho apontado as diferenças entre uma e outra forma de escrever. Sabe assim que estamos numa fase de mudança, que antes desta já houve outras, que nestas alturas as pessoas ainda escrevem das duas maneiras, e que irá conviver com «erros ortográficos» ao longo das leituras que for fazendo. Dito isto, não creio que a confusão se instale na cabeça de nenhuma criança (se informada), mas creio que não há justificação para que os novos livros infantis (com datas posteriores ao AO na ficha técnica) apresentem os ditos «erros». Espero que o caso prático tenha ajudado!

    Um abraço,
    Carla Nunes

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  15. Por muito que me custe a engolir e custa-me, acreditem, mas já o meu avô dizia o mesmo quando deixou de escrever pharmacia e teve que passar a escrever farmácia...

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  16. Deve escrever à antiga. Devemos defender a NOSSA língua de interesses obscuros e mafiosos.
    De qualquer forma, as criancinhas nem vão reparar na diferença.

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  17. Apreciei o dilema, embora a mim não se me coloque. Todas as mudanças de ortografia são um pouco traumatizantes, sobretudo para quem escreve e/ou lê muito. Mas são passageiras. Ou seja, brevemente não damos por elas, e até convivemos bem, durante algum tempo, com as duas formas. Independentemente de se estar de acordo ou não com o Acordo, se foi aprovado e está a ser implantado, já não será possível, em princípio, voltar para trás. E como os livros escolares já o compreendem, então porquê, com muito bem diz, dificultar a vida às crianças? É que uma coisa é ser um cidadão que pode escrever o que muito bem lhe apetece, e outra é ter responsabilidades editoriais.

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  18. Olá Maria do Rosário. Nos livros infantis que me têm passado pelas mãos tenho tido o cuidado de, apesar de embirrar vivamente com o dito, rever com acordo. Isto porque há uma coisa chamada Plano Nacional de Leitura e geralmente quero que os livros façam parte dele. Se não o fizesse, «morriam na praia».

    Cumprimentos

    Ana Lemos

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