A Terra treme
Quando era miúda, houve um grande terramoto em Lisboa e a minha mãe e a minha avó acordaram-nos a meio da noite, nem sei bem se para nos levarem escada abaixo para a rua, seis andares a correr, se para morrermos ali todos juntos (todos, não, porque o meu pai, por acaso, estava a ouvir fados na Parreirinha de Alfama, que então ficava aberta até altas horas). Caíram dos nichos as santas e abriram-se rachas nas paredes, mas, graças a Deus, não nos aconteceu mal nenhum (nem ao meu pai, que ainda trazia caliça no casaco quando chegou a casa). Mas houve um terramoto bem maior do que este, todos sabem, em 1755, e é dele que fala A Voz da Terra, de Miguel Real, que acaba de conhecer a sua quarta edição (primeira na Dom Quixote) e estará disponível dentro de dias com uma nova e bonita capa. A reedição reveste-se de importância não só por se tratar de um livro bom e premiado que se encontrava esgotado, mas porque algumas das personagens que por lá deambulam pertencem também a A Guerra dos Mascates, que saiu em Setembro último, embora aqui estejam mais novas. E, porque não é bonito privar os leitores da sua história completa de vida, ou quase completa, aqui está o livro no qual se pode saber o que aconteceu a Julinho e Violante. O livro foi finalista do Prémio de Romance e Novela da APE e ganhou o Prémio Fernando Namora no ano em que saiu a primeira edição.
Já sabia de sua reedição e estou com imensa curiosidade nesse livro!
ResponderEliminarE também já apanhei uns valentes sustos, não fosse eu dos Açores...
Do Miguel Real já tenho a minha conta (O ÚLTIMO NEGREIRO-um barrete de caixão a cova) e porque a capa não muda nada do que está lá dentro, e segundo me disse um amigo meu aquilo (A VOZ DA TERRA) é uma estopada do caraças (eu não li mas não me custa acreditar no meu amigo). Até parece que tenho alguma coisa contra este escritor, não, não tenho não mas depois de ler O VICE REI DE AJUDÁ do Bruce Chatwin e O ÚLTIMO NEGREIRO do Miguel Real, sobre o mesmo tema, fico triste e perplexo como é que um estrangeiro consegue relatar melhor um caso da nossa história do que um dos nossos grandes historiadores que, segundo dizem, é Miguel Real.
ResponderEliminarVocês gente antiga e a picardia com os estrangeiros!
EliminarPeço perdão pelos meus deselegantes, espinhosos e decerto politicamente incorretos comentários (que poderão ferir alguns interesses), mas é apenas a minha opinião e aquilo que efectivamente me vai na alma.
EliminarCá a mim não me fere nada! Se não presta, que se amole o tal Miguel Real! No meu "modesto" ponto de vista, seja Português ou estrangeiro o que interessa é que seja excepcional!
EliminarMas atenção os meus comentários valem o que valem, quem sou eu para ter a pretensão de analisar ou sequer criticar o que escreve um grande intelectual como Miguel Real...é apenas a minha (mais que modesta) opinião.
EliminarHoje está muito comedido. Nem o reconheço!
EliminarÓ Amigo Courinha não estou nada comedido é também apenas a verdade, eu sou um mero e humilde leitor, que lê alguns livros e por isso às vezes se julga com alguma cultura, mas ao fim e ao cabo é apenas uma "cultura" de almanaque, o que, contudo, não me inibe absolutamente nada de expressar a minha opinião acerca do que leio, mas, repito, opiniões que valem o que valem, não é comedimento é apenas a realidade!
EliminarAssim já gosto mais! Eu na qualidade de escritor épico, vejo-me obrigado a desconhecer isso da humildade. Mas aparentemente fica bem dizer que a temos para dar e vender!
EliminarJá existiram alguns terramotos durante a vigência do meu contrato existencial, mas, devido a um estranho fenómeno, estou sempre bêbedo nessas alturas e nunca dou pelo sucedido. Chego a ter pena de não poder partilhar da excitação dos de equilíbrio mais monitorizado. Quanto ao terramoto de 1755, o único livro que eu li e o menciona foi o Optimista do Voltaire. Esse que a tia aconselha parece-me muito interessante, assim que acabar a "História da Inquisição em Portugal" que está a demorar pela natureza modorrenta da escrita, compro-o.
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ResponderEliminarO livro do Miguel Real A Voz da Terra não é bom, é excelente. Nuno
Depois do desabafo do Nuno vou ler "A VOZ DA TERRA"; espero ter opinião contrário dum amigo que aqui já citei e que não passou da página quarenta...
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