2012 e os novos autores

Fui para a LeYa com a incumbência específica de publicar novos autores literários de língua portuguesa. Parece mentira, mas já lá vão dois anos... Em todo o caso, foi uma alegria ter podido dar à estampa, ainda no primeiro ano, o romance de estreia de André Gago, Rio Homem, que acabou por ser galardoado com o Prémio PEN Revelação, e o livro de Vasco Luís Curado, A Vida Verdadeira; e, já no ano passado, os romances de Pedro Guilherme-Moreira, A Manhã do Mundo, de Nuno Camarneiro, No Meu Peito Não Cabem Pássaros, e de Filipa Fonseca Silva, Os Trinta, este último mais fresco e comercial, mas muito divertido. Agora, com a crise, estava sem saber se podia continuar a fazer aquilo de que gosto, porque se diz que, sem dinheiro, os leitores apostam sobretudo em nomes feitos e têm, além disso, em casa muitos livros que ainda não leram. Mas o susto passou e anuncio que, neste primeiro semestre, vou lançar mais três autores que nunca publicaram nada: João Rebocho Pais, com O Intrínseco de Manolo, obra notável ao nível da recuperação da linguagem popular sobre um alentejano intrinsecamente bom que acusam de ser cornudo; João Ricardo Pedro, o vencedor do último Prémio LeYa, com o brilhante O Teu Rosto Será o Último, no qual a estrutura faz da história uma espécie de interessante quebra-cabeças, e Bruno Margo, com o francamente original Sandokan & Bakunine – o título é desde logo um convite à leitura –, que parece David Lynch em livro e tenho a certeza de que dará que falar. Claro que continuo com os «meus» autores de sempre, e neste primeiro trimestre voltarei a publicar Paulo Bandeira Faria, de quem já tinha dado à estampa As Sete Estradinhas de Catete, agora com um romance sobre fazer as pazes, a Guerra Civil de Espanha, as desavenças de um casal moderno, os movimentos independentistas galegos e bascos e, enfim, o amor na infância, na idade adulta e na velhice. Chama-se A Despedida de José Alemparte. Prontos para isto tudo? Espero que sim. Os autores precisam e eu também.

Comentários

  1. Felicidades para essa gente toda!

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  2. Sempre pronta para novos talentos! Assim haja tempo...:)
    Mesmo com livros em atraso, não resisto a uma novidade apelativa. O que não quer dizer que os compre mal aparecem nas livrarias: com frequência vou repesca-los passados uns meses valentes. Ainda há poucas semanas recebi o Vida Verdadeira; tive que encomendá-lo porque não o consegui encontrar nas livrarias habituais. O que não deixa de ser muito curioso: como é que um livro recente se evapora assim dos escaparates. Mas isso levar-nos-ia a outro tema.
    Com crise ou sem crise, nada como um bom livro: recente ou não, de autores consagrados ou meros estreantes. Por isso, venham eles:)

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  3. Quando tudo parece parar neste país nestes tempos tão dificeis, é uma lufada de ar fresco saber que há quem teima em prosseguir. Pelo menos sentimos no que descreve movimento, aposta, desafio. E há riscos, por isso desejo que tudo corra bem a todos, para que os autores não deixem de escrever, os editores de publicar e é claro os leitores de ler porque é como diz o outro "Anda tudo ligado!".
    Isabel

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  4. Fiquei triste, esperava outras publicações, mas, haja saúde...

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  5. Los tiempos de censura (y de crisis ) son garantía de buenos autores. Há males que vêm por bem! Parabéns MRP , e coragem!
    BB

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    Respostas
    1. qué censura? nosotros hablamos de lo qué nos va bien!

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    2. Disculpa Joao, me expresé mal. No me refería a que ahora hubiese censura, si no que, en general, los periodos de censura, al igual que los tiempos de crisis, son oacsiones para que despunten buenos autores y buenas obras. Un saludo. BB.

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  6. Vicente Lopes Saudade18 de janeiro de 2012 às 11:34

    Ainda bem que vão continuar a "estrear-se" autores na Leya. Valha-nos isso!
    Um dia talvez possa vir a ser eu o estreante. Mas para isso tenho que escrever, não é?? E depois enviar o original para as editoras, não é??
    E resposta, quem me garante uma resposta?

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