Um prémio para os animais

A sessão inaugural da Feira do Livro de Guadalajara incluía a atribuição de um prémio à obra de um escritor de línguas românicas (Lobo Antunes foi o feliz contemplado em 2008, mas tenho ideia de que não o foi receber) no valor de 150 000 dólares. Desta feita, o sortudo era o colombiano Fernando Vallejo, que é claramente um autor controverso e uma pessoa com aquela frontalidade incómoda que nem todos aguentam (o seu discurso foi tudo menos plácido, sobretudo no que tocou à Igreja, que se percebeu ser um seu inimigo figadal). O programa impresso que nos entregaram à entrada oferecia uma biografia mais ou menos extensa do escritor, destacando o seu amor aos animais e a sua militância na luta pelos direitos destes. A fotografia, por assim dizer, oficial do catálogo exibia-o com um gato ao colo e, referindo-se a um certo cardeal mexicano, Fernando Vallejo disse que lhe falava porque tem muito respeito pelos animais e ele é um verdadeiro pavão... Conheço várias pessoas que não comem carne porque estão contra os métodos usados na criação, transporte e abate dos animais que a fornecem. Trabalhei até com uma pessoa que chorava mais quando ouvia histórias de cães e gatos abandonados do que quando se falava dos abusos praticados em crianças (aí, o sua expressão era de asco, não de comoção). Mas nunca tinha ouvido um escritor recusar «em directo» tanto dinheiro. Fernando Vallejo, quando tomou a palavra para fazer os seus agradecimentos, anunciou imediatamente que o valor do prémio seria dividido por duas sociedades protectoras dos animais. Depois soube que, quando uns anos antes ganhou o prémio Rómulo Gallegos, ofereceu os 100 000 dólares a uma outra organização que trabalha na defesa dos direitos dos animais. É mesmo precisa paixão e coragem para se fazer uma coisa destas.


 


Comentários

  1. Mas porque é que sempre que se fala de alguém sensível aos animais se traz à liça uma criancinha e a insinuação de que uma pessoa gosta mais de uma do que de outra ("... do papá ou da mamã?")? Devia haver um estudo sobre isto. Já irrita. Não sei se é um grande escritor, mas já o conto como grande homem.

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  2. Ora, ora... Mas, que fórmula interessante deste escritor, Vallejo. Uma poça d'água.

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  3. Hum... não conheço o escritor em causa, ignoro a qualidade da sua obra, portanto. Tal como não sei se o seu mérito é de facto literário ou por ser polémico e mediático, o que se sabe que é vendável e se cultiva...

    Uma coisa eu sei: quando os comportamentos e os actos são extremos a roçar o fanatismo, seja no que for, apenas indiciam desequilíbrio e problemas psicológicos graves...

    Há escritores cuja notoriedade é política e que vivem sobretudo de chamar a atenção pelas polémicas, seja no México ou onde calhe... e há escritores que sendo-o deveras, não têm razão naquilo que pregam e dizem!

    Um bom dia e saudações do campo.

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    1. Com sua licença, também assino este comentário.

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    2. Mas ó Pacheco, se o meu amigo é do campo melhor do que ninguém compreederá e certamente concordará que o homem tem tomates!

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  4. "O desenvolvimento cultural de um povo mede-se pela forma como trata os seus animais" - Ghandi

    “Quando o ser humano aprender a respeitar até o menor ser da criação, animal ou vegetal, ninguém precisará de o ensinar a amar o seu semelhante” – Albert Schweitzer (médico, Prémio Nobel da Paz 1952)

    “Para um ser humano bom e nobre não só o amor pelo próximo é uma obrigação sagrada, mas também a bondade para com os animais” – Isaac Newton

    E eu digo: "os métodos usados na criação, transporte e abate dos animais" são uma vergonha para todos nós!

    Não sou vegetariana e abomino toda a espécie de violência e abusos exercidos sobre as crianças. Mas eu não posso deixar de ajudar um animal, ou de me comover com o seu destino, porque há crianças maltratadas. Normalmente, quem desdenha de alguém que se ocupe de animais, com essa desculpa (de que também há seres humanos a precisarem de ajuda) não faz, nem uma coisa, nem outra!

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    1. P.S. Quanto mais conheço a natureza humana, mais apoio atitudes como esta, de Fernando Vallejo.

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    2. E eu acrescentaria:

      "O carácter de um povo mede-se pela forma como tratam os seus velhos, os inválidos e as crianças"
      (António Luiz Pacheco)

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    3. Meu caro amigo, quem trata bem os seus velhos, os inválidos e as crianças, trata bem os animais. E vice-versa.

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    4. "Meu caro amigo, quem trata bem os seus velhos, os inválidos e as crianças, trata bem os animais. E vice-versa."
      Subscrevo totalmente as palavras da Cristina Torrão. E fico-me por aqui... Enfim ...

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    5. Cristina dixit "quem trata bem os seus velhos, os inválidos e as crianças, trata bem os animais. E vice-versa", não sei se aqui haverá vice-versa mas posso dizer que quem trata bem os animais trata bem os seus velhos, inválidos e as crianças, aqui sim pode aplicar-se com toda a propriedade o vice-versa...

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    6. Talvez, Severino. O que eu quis dizer é que quem tem coração, mesmo, sincero (e não apenas para cair nas boas graças dos outros) trata bem qualquer ser vivo. Disso, não tenho dúvida!

      Já agora, aproveito para falar desse fenómeno que leva certas pessoas a chorarem, ao ver animais abandonados, e não vertem lágrimas, ao saber de casos de pedofilia ou de crianças abandonadas. É uma questão interessante e talvez não tenha nada a ver com o facto dessa pessoa ser desequilibrada. Deve haver uma explicação psicológica para isso.

      Por outro lado, às pessoas que criticam tal comportamento, eu perguntava: e elas? Choram quando vêem crianças maltratadas? Conhecem alguém que o faça?

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    7. Ó Cristina crianças abandonadas consoante... se estiverem mal vestidas enxotam-se porque só darão prejuízo...

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  5. Não conheço dito escritor mas recorrerei ao santo Google, o santo protector dos ignorantes.

    E deixai o homem gostar dos bichos ... num mundo tão cruel, onde se nota que o Homem cada vez gosta mais de si próprio e tem pelos demais e pela Natureza desrespeito e indiferença, é de se louvar quando aparece um que está fora desse rol ...

    E já que se fez a comparação entre animais irracionais e as criancinhas a diferença é que as segundas têm pai e mãe (racionais) e quem "pariu Mateus que o embale" ...

    Se abdica do dinheiro relativo aos prémios que ganhou não é um ganancioso como muitos "escritores" que existem por esse mundo fora que só visam a renda por qualquer livreco de auto-ajuda, ou coisa parecida.

    Tenham todos um bom dia.

    broa endurecida

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    1. O problema é que essa comparação poderá ficar distorcida porque nem sempre as criancinhas têm pais racionais, eu bem os vejo a passear pelos centros comerciais com os meninos aos berros e a baterem nos pais e os atrasados mentais a tentarem o diálogo (que interessante-já viram um pai/mãe a tentar explicar à criancinha, que ainda mal gateja, o problema do buraco do ozono)...autênticos atrasados mentais....

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  6. Francisco Sousa Vieira14 de dezembro de 2011 às 03:54

    Caríssima Maria do Rosário Pedreira,

    O e-mail que lhe referi anteriormente tem tido uns problemas, pelo que deixo aqui um outro, francisco_pikado@hotmail.com, para que possa então deixar-me o seu contacto.

    Desde já agradecendo a atenção disponibilizada e com os mais sinceros cumprimentos,

    Francisco Sousa Vieira

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  7. Bom dia, leio o seu blog todos os dias e adoro todas as propostas que aqui trás, aliás tenho uma lista infindável de livros que gostaria de comprar. Não posso deixar de notar, com certa tristeza, a indignação com que viu este ato do escritor.
    Sou uma acérrima defensora dos direitos dos animais e adoro crianças também, vou ser tia dentro de dias da minha 1ª sobrinha e não me podia sentir mais feliz. Sinto a mesma repugnância por um pedófilo que sinto por uma pessoa que atira um balde de água a ferver para uma cadela de 6 meses, só porque passou à sua porta. Penso que as pessoas que têm o "poder" de ter uma opinião pública deveriam pensar melhor nas opiniões que dão porque acho que na maioria das vezes não têm noção da forma como (des)educam os espetadores/leitores.

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    1. Reli o texto e não vejo qualquer indignação nele. Vejo até uma certa admiração pela forma apaixonada como o autor se entrega à causa da defesa dos animais.
      Eu , confesso, que partilho mais da opinião do Antonio Luiz Pacheco: os ódios de estimação e os amores de perdição deixam-me sempre inquieta:)

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    2. Também reli o texto da MRP e também não vi qualquer indignação, pelo contrário, vi até admiração suficiente para fazer esta pequena homenagem a esta personagem tão singular.
      Isabel

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    3. Muitas vezes não se lê! Olha-se apenas...
      Ler significa apreender a informação e depois seleccionar as idéias que contém e sintetizar uma nova ou concluir a que já existe.

      É um mal frequente... que gera mal-estar a até conflitos...

      Temos aqui um exemplo do que digo... a nossa jovem quase-tia , inflamada pelo seu amor aos animais, mas na cegueira do seu preconceito não interpretou o que MRP escreveu, achou logo que
      era uma crítica...

      Minha cara, acho muito louvável que goste de animais e desejo que ame os seus sobrinhos e filhos quando os tiver, como os pais e tios idosos... mas sobre o que diz dos livros que tem para ler, aconselho que os leia, leia muito e sobretudo treine as suas capacidades de interpretação de texto.

      Creia-me que sem animosidade, também um amante dos animais!

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    4. Grrrhh !... Béu !... Béu !...

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    5. É triste esta ligação demagógica e sem sentido entre os animais e as pessoas.
      Claro que as pessoas que proferem estas declarações dizem que também gostam muito de animais. Pois claro que sim. Iam dizer que não!

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  8. "As pessoas sensíveis não são capazes
    De matar galinhas
    Porém são capazes
    De comer galinhas"

    Sophia de Mello Breyner Andresen

    [Lembrei-me.]

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    1. Com todo o respeito que a memória de Sophia de Mello Breyner Andresen me merece, essa frase está mais do que ultrapassada! E tornou-se perigosa, porque nos permite pactuar com atrocidades.

      Não se trata de ser capaz de matar e/ou comer galinhas. Trata-se de dar uma vida digna aos animais, independentemente do fim para que servirão!
      Mesmo que não consigamos matar e, ao mesmo tempo, gostemos de comer galinhas: é necessário pactuar com a sua criação em gaiolas, onde não se podem mexer?!
      Antigamente, as pessoas matavam as galinhas que queriam comer, sim, mas antes de lhes cortar o pescoço, deixavam-nas andar à vontade e não as engordavam à pressão, com hormonas, nem as enchiam de antibióticos!

      Se há pessoas com perturbações mentais, capazes de se impressionar mais com animais abandonados do que com crianças maltratadas, uma coisa é certa: os animais não têm culpa disso! Nem merecem que deixemos de cuidar deles, por causa dos desequilíbrios dessas pessoas!

      Respeitar os animais é respeitar Deus e a sua Criação!

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    2. Estamos entregues aos bichos...
      Ahahah - Desculpem mas não resisti...

      Claro que concordo com o que diz a Cristina, e nem vale a pena estar com parangonas, tal como desconfio de atitudes que não vejo como sendo generosidade e sim desequilíbrio!

      Por favor!
      Em países onde a miséria humana é extrema em todas as vertentes, sejas as económicas, políticas, sociais, dar fortunas a associações dos direitos dos animais a mim soa-me como sendo demência! É insultuoso...

      Não deixa de ser curioso notar como ontem não se comentou o caso Catarina Eufémia a que eu contrapus o do jovem Teixeira, que foram assassinados na nossa terra (aqui!) e se discute com tanta paixão um prémio monetário do outro lado do Mundo.
      Já repararam?

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    3. ... aos bichos e às bichas ...

      ah ah ah ah


      não resisti tb

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    4. Ó Maria Almira conversa de ervanária da Sofhia (com ph, pois atão, Sofia é a peixeira, calma lá) então ó Almira já viu o nome da senhora (paz à sua alma), mas aquilo é nome de quem gosta de galinhas ou d'alguém que viu uma galinha a não ser em sonhos...

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  9. No primeiro momento - o prêmio aos animais.

    Segundo momento - escritor ou militante?

    Terceiro momento - o que é ser escritor, qual a função, a que destina-se a vocação de um escritor e se por ventura, ainda existe alguma justificativa além de prêmios?

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  10. Não deixo de comer carne só por causa dos animais. No entanto, se passasse uma tarde numa instalação de abate e/ou aviário (etc) certamente mudaria a minha opinião.
    Mas também não gosto de touradas. Até compreendo o Hemingway, eu também aprecio o espectáculo, o rufar dos tambores, os aplausos, o trote dos cavalos. Mas o sofrimento do (aparentemente) animal inferior é muito mau de assimilar (falo do touro, obviamente).

    Noutro contexto, Jonathan Safran Foer dedicou algum tempo a um livro sobre a produção e consumo de carne no mundo actual. Chama-se 'Eating Animals', não sei se tem tradução portuguesa, eu também ainda não li, mas parece interessante para quem quer mudar os seus hábitos.

    Remato dizendo que muitos escritores adoram os animais. Pelo que sei, em preferência os gatos. Engraçado, é um gosto que eu partilho com esses intelectuais.
    De resto Patricia Highsmith dizia preferir a companhia dos seus gatos a qualquer ser humano. Já Mia Couto tem de apelido “Mia” por causa do miado dos gatos.
    Ele conta a história:

    "Eu era miúdo, tinha dois ou três anos e pensava que era um gato, comia com os gatos. Os meus pais tinham que me puxar para o lado e dizer-me que eu não era um gato. E isto ficou."

    Mais exemplos:
    http://victorlisboa.net/?p=439
    Patricia Highsmith -->http://3.bp.blogspot.com/-xUoUKIl14HM/TsAuOw--agI/AAAAAAAAAhw/HIAHg2k0TA8/s1600/Patricia+com+Ripley.jpg
    Julio Cortazar -->http://jimarino.files.wordpress.com/2010/06/20080703165811-cortazar-y-gato.jpg
    Jack Kerouac -->http://www.menandcats.com/wp-content/uploads/2010/04/jackkwithcat.jpg

    até o Hemingway (que adorava touradas!!)-->http://staff.science.nus.edu.sg/~sivasothi/blog/images/20070319-ernest_hemingway_and_cat.jpg

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    1. Acrescento à sua lista, se mo permitir, Lygia Fagundes Telles


      http://imagens.pontofrio.com.br/Control/ArquivoExibir.aspx?IdArquivo=2889182

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    2. Caro Vicente, penso haver tradução portuguesa. O livro de Jonathan Safran Foer até deu origem a um blogue:

      http://blogcomeranimais.blogspot.com/

      que eu segui durante algum tempo, mas que, infelizmente, já não é actualizado desde Junho passado. De qualquer maneira, pode lá encontrar informações sobre o livro.

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  11. Hay un dicho que dice “La Caridad empieza por uno mismo”, y creo que es de perfecta aplicación a lo que se ha dicho en esta entrada y en algunos de los comentarios. Creo que cuando hay tanta gente pasando hambre en todo el mundo (incluida Colombia) es una frivolidad legar $150.000 a dos sociedades protectoras de animales. Conforme en que a los animales no hay que maltratarlos y hay que cuidarlos, pero de ahí a poner sus necesidades -o sus derechos-por encima de las del hombre, creo que hay un trecho. Luego nos quejamos de la deshumanización de la sociedad, pero esto no es más que una de sus manifestaciones. No somos animales, o mejor aun, los animales no son personas. Prefiero que un niño pueda comer tres veces al día a que lo haga un gato. Creo que el Sr. Vallejo ha perdido una estupenda oportunidad de practicar la caridad cristiana, o por lo menos la filantropía (si no es cristiano). Desafortunadamente se ha quedado en una especie de zoofilia (sin la parte sexual que lleva a veces lleva consigo este término).
    Hay otro aspecto interesante de lo que dice el sr. Vallejo. ¿Por qué me considera su enemigo? Yo no le he hecho nada. Es más, creo que ni me conoce. ¿Por qué entonces dice que la Iglesia (supongo que será la Católica, que ahora está de moda atacarla) es su enemiga? La Iglesia la componen todos sus miembros. Yo entre ellos. No dudo que pueda tener un agravio real con alguna persona que sea católica. Pero eso es responsabilidad personal de esa persona y no colectiva de la Iglesia.
    Confieso que no he leído ningún libro del Sr. Vallejo, pero hago el firme propósito de no leer nunca ninguno de sus libros. No me gustan sus ideas y no están los tiempos para perder el tiempo leyendo a autores con ideas tan peregrinas.
    Mais uma vez, peco desculpas por nao escriver em português. Parabéns, MRP, pelo blog.

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    1. Claro que a atitude de Vallejo é polémica, mas eu acho que ele fez isso, precisamente, para que ninguém se esqueça do problema dos animais. Os seres humanos estão em primeiro lugar, não há dúvida. Mas, se pensarmos exclusivamente em nós, se, quem tem dinheiro, se dedicar só aos seus semelhantes, esquecemos os animais, alguns deles, vivendo numa miséria indescritível, precisamente por causa de nós humanos, que lhes tirámos as condições de viverem num mundo que foi criado também para eles. E ainda nos divertimos a maltratá-los!

      Eu acho que é necessário haver pessoas como Vallejo. Há muitos escritores que, apesar de ganharem muito dinheiro com os seus livros, ficam com esses prémios chorudos. Vallejo, pelo menos, emprega-o de outra forma.

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    2. Uma vez mais a Cristina tem razão, e concordo com ela, como não?
      Mas apenas em parte, e passo a explicar:

      Os animais são mais maltratados nas sociedades mais ricas! É nestas (como na Europa) que são objecto de criação intensiva e forçada... ou de experiências médico/científicas, de manipulação e transporte ou confinamento... e são-no por força de haver dinheiro e interesse nisso... porque um novilho engordado em 12 meses é mais rentável que um em 18, ou um frango em 3 do que outro em 6... ou se engordar 250 porcos no espaço de 50...
      É o economicismo que impera nos países ricos!
      Porém também são nestes que vigoram as leis para a protecção dos animais.
      Nos países pobres, como são tantos de África e América Central e do Sul, as economias não se dedicam nem têm hipóteses de o fazer... ali os animais servem e são usados como e para aquilo que sempre foram, como o eram na Europa de antanho... ou seja vivem de uma forma natural aos domésticos. A galinha é eventualmente comida, mas depois de uma vida a esgravatar pelos terreiros!

      Logo não creio que seja nesses países que há a necessidade e oportunidade de ter e enriquecer as tais organizações dos direitos dos animais... onde se calhar militam os filhos e esposas de barões da droga, de coronéis corruptos, de médicos que só tratam os ricos, advogados que curam dos negócios dos cartéis... que são quem tem além do dinheiro o tempo e a disponibilidade para essas actividades...
      O tal escritor não é própriamente um homem pobre com uma família para cuidar...

      É o meu ponto de vista, e a razão porque discordo da postura do escritor...
      Vale o que vale, mas é a minha e não é tomada por acaso ou "porque sim"... é fruto de ser pensada e na experiência que tenho, em casos que conheço.

      Saudações do campo

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    3. Ó amigo Baúza podes até escrever em Chinês porque nós cá para estas bandas percebemos tudo (se não percebemos fazemos um esforço) o que de resto não acontece quando passo o Caia, mesmo falando em espanholês, então ainda não reparaste nos futebolistas portugueses a jogarem em Espanha, que falavam tão bem ou melhor o espanhol que certos espanhóis; cá deste lado não temos esses complexos...

      P.S.-E se for preciso também faremos um esforço para escrever em espanholês -perrcebeste ou queres explicador...

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    4. Ó amigo Pacheco então e achas que ainda não percebemos porque é que não gostas da postura do escritor? claro que já percebemos (eu pelo menos já percebi...)

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