Publicidade encapotada

A Notícias Magazine – que é, segundo creio, a revista mais lida em Portugal – apareceu de cara lavada, com novos cronistas, boas reportagens e mais páginas. A diferença pareceu-me francamente para melhor e encontrei nesta sua nova «estreia» mais sumo e mais qualidade. Eis se não quando, ia eu lançada no elogio mudo, apareceu uma entrevista a Margarida Rebelo Pinto fora do desenho e do espírito que vinha apreciando. Torci ligeiramente o nariz, mas pensei cá com os meus botões que, apesar de tudo, uma revista que quer conservar um grande número de leitores não pode armar-se em elitista. Passei as páginas até ao fim e pu-la na pilha dos jornais «vistos» no fim-de-semana, já conformada. Chegou então a vez de o Manel a ler e, bem mais atento do que eu, logo desfez o equívoco: aquelas quatro páginas eram, afinal, publicidade – da editora, suponho – ao novo romance da popular escritora. Fiquei sem saber se era bom ou mau sinal. A palavra «publicidade» estava lá escrita num cantinho, é certo, mas a verdade é que parecia opção da redacção da revista dedicar uma atenção especial ao assunto. No momento em que escrevo este post, desconheço se, em números seguintes, o espaço fica reservado para outro atrevido que queira publicitar um produto de forma assim encapotada; mas achava mais bonito que daqui para a frente os entrevistados fossem uma opção apenas da revista, e não dos anunciantes.

Comentários

  1. Hum sim... compreendo perfeitamente.

    Mas, o problema estará exactamente na venda de páginas da pub!
    É como nas editoras ou em tantas empresas...
    e desde logo na sua, minha cara.
    O dept . comercial e de marketing normalmente é composto por outras sensibilidades e formas de ver as coisas, idem para quem faz a gestão.
    Então o que há a esperar é "rentabilidade". E convenhamos que é a rentabilidade quem paga salários e os artigos.
    E nesta altura podem crer que a dificuldade em vender publicidade é grande por um lado, e, se calhar a aposta comercial feita no tal romance justifica esse investimento - é Natal!

    Como este é um blog de literatura, digo que não li o novo romance de Marg Reb P. , contra quem nada tenho e até gostei do "Sei lá" (único que li da autora, quando saiu), mas faço questão de ir dar uma lidela " na livraria, talvez logo à tardinha quando for à cidade... tanto quanto sei Marg Reb P. é uma escritora "de costumes", creio que ela mesmo se define uma observadora atenta da realidade actual, que escreve sobre um certo segmento da sociedade e meios, (goste-se ou não do género e do estilo) não a estou a ver no género histórico... eventualmente até por falta de cultura histórica, mas hoje com o google e a pesquisa na net ... tudo é possível.

    Saudações do campo

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  2. é triste sobretudo para a escritora, que "teve" de comprar a entrevista.

    provavelmente é algo que se pratica há algum tempo, longe do olhar do cidadão comum.

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    1. Hum... (outra vez)... caro Luiz :
      Não me parece que a tristeza seja grande para a autora... porque se fazem esta acção de merchandising é porque a aposta é grande como o será igualmente o retorno!
      São cálculos por um lado, e posturas, e pelo que sei da personalidade de Marg. Reb. P. (uma ex-profissional da publicidade), ela está-se bem nas tintas para a meia-dúzia de pessoas que pensam como você (nós, se me permite...), porque o livro vai facturar e atingir escalões de venda que são o que contam para o ego da escritora e claro a contabilidade da editora que assim continuará a apostar nela, por muito que isso desagrade a uns quantos.
      Agora, se isso foi alcançado com batota... olhe quantos livros muito bons não se perdem porque não tiveram uma máquina que os ajudasse?
      Experimente você escrever algo de bom, e sem nome nem conhecimentos vai ver o que digo...
      Foi a "mão de Deus" diria Maradona (o jogador de futebol)... compreende?

      Cumprimentos

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    2. Nesse caso, pergunto-me porque achou ela que "tinha" de comprar a revista, já que o livro, mal saiu, foi logo para as listas dos mais vendidos...

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    3. Ora minha cara... eu cá desconfio que a "lista dos mais vendidos" é manobra publicitária para ajudar a vender, e feita com a maior facilidade pelas editoras/livreiros... afinal quem fiscaliza?
      A Alta Autoridade para a Ética Comercial?
      É como os supermercados que afirmam ser os mais baratos... compreende?
      Veja-se um exemplo que em tempos me deu que pensar e até para fazer contas... comecei a somar as centenas de milhar de exemplares supostamente vendidos de cada um dos livros de José Rodrigues dos Santos em Portugal... e pura e simplesmente não acredito que haja tanta gente a comprar livros!

      Provávelmente Marg. Reb. P. - que foi uma profissional da publicidade, repito - domina essa vertente de vender e promover um produto,
      e se calhar até pretende atingir o livro de platina (existe?), ou (acredito mais) vender a sua nova imagem, para que deixem de a ver como uma
      "escritora ligth" (seja lá isso o que for, mas deve ser de cordel...) e sim como uma Romancista, o que interessa às editoras porque falamos de segmentação, isto é atingir novos e mais alvos e mercados, com o mesmo produto.

      E usa os meios à sua disposição... o certo é que nos põe a falar dela e já me veio o interesse em ir espreitar o livro... esta é a verdade!!!!
      Ah! Mas a culpa é da drª MrPedreira!!!!

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    4. Caro António,

      eu quando escrevi triste, foi no sentido de uma escritora famosa sujeitar-se a estes "jogos" de bastidores, não de ela ficar triste, no verdadeiro sentido da palavra.

      é sim mais uma "tristeza", a juntar a tantas do nosso portugalzinho.

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  3. Reduzir a apresentação de propostas de leitura à circulação de dinheiro, que é um lugar vazio e com crescente capacidade de acomodação de tudo ou quase, é destituir a vontade.

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    1. Sem dúvida minha cara! Sem dúvida... é apenas uma das múltiplas formas de se destruir essa vontade e a liberdade do pensamento próprio e isolado!
      Todos os regimes, sociais, políticos e religiosos, desde o princípio da história (se calhar até antes) procuraram fazê-lo! Está prestes a acontecer, não tenho dúvida, e, você se calhar, ainda que inconscientemente contribiu para tal e até faz parte...(e não me entenda mal porque o que digo nem é acusação nem injurioso).
      E por tudo e em tudo, não apenas na leitura.

      Claro que as ideologias vão passando e a humanidade lhes sobrevive, mas o que nos interessa é o presente, e, neste momento há como nunca, uma absoluta manipulação da vontade e das opiniões, uma tentativa que em certos casos é efectiva, de guiar e impor. A facilidade, diversidade e a rapidez dos meios de comunicação e divulgação são determinantes.

      Até este blog é um exemplo disso!
      É o tempo em que vivemos e julgo que há que ser realista e entender o que se passa à nossa volta, é a forma de sobrevivermos e de irmos mantendo a nossa lucidez e forma e estar e de pensar, participando e fazendo parte daquilo que nos rodeia mas reservando a nossa opinião, ainda que para nós mesmos. Ou resta-nos a solução de ir para um Carmelo , ou gruta ou ilha deserta...
      Coragem pois!

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  4. Hoje estou realmente ainda mais maçador do que é habitual, mas é que estou à espera de um sujeito para tratar de coisa importante, que nunca mais vem e me mantém preso em casa, e assim mato o tempo... e a vossa paciência!

    Já repararam (honestamente) a quantidade de livros que se vendem não porque quem os compra goste verdadeiramente daquilo que lá está, mas por puro arrasto e influência da publicidade? Ser rotulado de best-seller é a melhor fórmula para vender muito... e a sua melhor defesa, porque quem é que se atreve a dizer que não gostou e a confessar que enfiou um barrete? Género "o rei vai nú".

    Desculpem-me lá esta autêntica monopolização deste espaço extraordinário ...

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  5. Pronto... fui tão chato, maçador e aborrecido que espantei toda a gente aqui do post ...

    Peço mil desculpas!
    Estou tramado, agora é que ninguém nunca quererá editar ou ler alguma coisa minha... devia usar um pseudónimo!

    E afinal só agora é que me livrei do tal negócio, que vamos a ver se correu bem... para já caíu a noite e não me está a apetecer ir mudar de roupa para sair, acho mas é que vou acender o lume e deixar para amanhã a incursão à livraria
    para ir ver do tal livro...
    Depois até poderei dar notícias... se é que não acabei de vez com o blog!!!!

    Saudações campestres!

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  6. Quando a revista sai já vai paga. Não se pode publicitar tabaco, mas há outras formas de matar…
    Há questões de princípio que cada vez mais ficam para o fim: publicidade é sinónimo de dinheiro e o dinheiro é que manda. Mas sendo publicidade pode ser que seja original…

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  7. Ler é: natureza do ser ou, natureza do ter?

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  8. Margarida Rebelo de Sousa e Teresa Guilherme = lixo e o resto são tretas e porque são mesmo lixo repugnante, elas estão-se verdadeiramente nas tintas para este meu arrrazoado - é preciso é facturar!
    Mas são por estas e por outras (e por outros...) que tais que a 3ª. guerra mundial está aí à porta, e atenção que não estou a exagerar.

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    1. Meu caro António Severino, a III Guerra Mundial está aí, mas sempre pelo mesmo motivo: a intolerância!
      Aliás de que o meu amigo dá largo exemplo...

      Classificar de lixo aquilo que muitas outras pessoas, lêem ou assistem faz parte dela e é uma agressão e uma forma de tentar controlar o pensamento alheio pela intimidação.
      Pela minha parte digo: Não leio, não vejo... ou não valorizo ou mesmo não gosto! Mas não vou desprezar nem classificar os gostos alheios.
      Isto chama-se tolerância - não confunda com fraqueza - e é o que permite viver em sociedade e em democracia, a intolerância é própria dos pensamentos totalitários que nos tirarão a liberdade.

      Pense bem nisso meu caro amigo, porque certamente não gosta também que classifiquem assim e desprezem o que você aprecia, gosta ou sente... não é assim?

      Sem ofensa, mas preocupado... Um abraço

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    2. Ó amigo Pacheco não sou nada intolerante, sou (ou tento ser) talvez um provocador, um agitador das mentes, mas olhe que leio e vejo, mas quando vejo a Teresa Guilherme com conversas da treta, melhor dito, tia ordinária até à 5ª. casa só para facturar (uma espertalhona esta patriota...qualquer dia tamb+em emigra...) fico cheio de frenicoques...eh pá e aquilo é do pior que há, não tem ponta por onde se pegue e sabe muito bem (óh se sabe) que quem tem interesse em que este lixo prolifere são os que desejam a todo o custo manter a ignorância, manter as mentes vazias e manter as discussões de futebol e afins e o rsto é conversa que não me vai convencer caro campónio (ou será campista?)...

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    3. Tem razão e é legítima a repulsa que sente!
      Mas não é disso que falo, e sim de as classificar como lixo, ou seja os muitos milhares de pessoas que vêm a TG são o quê?
      E só você é que é "bom"?
      Olhe eu nunca vejo! Dei uma olhadela já a procissão ia no adro, porque estive uns tempos em Angola e só para me certificar de que não gostava... como não gosto de lieder ou de Bach...
      A MRPt escreve lixo? Por acaso não acho... o que não gosto é do género, mas ela até escreve bem, lá isso... e gostei do seu primeiro livro pela novidade confesso, depois pus de lado... agora se há muitos milhares que gostam e compram os seus livros quem sou eu (ou você) para declarar que e lixo?
      Provocação... olhe que quem diz o que quer ouve o que não quer, é um velho ditado. Mas já o percebi... e até pode ser estimulante não o nego, estas "provocações", desde que não descambem para o insulto ou discussão baixa, e nisso tenho a certeza de que concordamos!

      Um grande abraço e não me leve a mal alguma palavra mais dura... é o meu feitio também e já vi que vocênão é nenhum menino de colégio, tem a pele dura!

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    4. Mas atenção que eu não classifiquei de lixo as pessoas que lêem e vêem (porque eu leio e vejo-só assim poderia classificar, a meu ver, claro) o que eu classifico de lixo são, neste caso, a MRP e a TG, e todo o lixo que por aí prolifera, disso não tenho dúvida é lixo tendo uma ÚNICA intenção - o dinheiro!

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  9. De vez em quando desembarco aqui neste blogue...e só me apetece dizer: Volta Luiz Pacheco!!! Anda ver este país de marinheiros - que se afogam por grave insuficiencia cardio-respiratória!
    António gosto de o ler, será coincidência o seu nome? Mas reconheço que há lixo literário... e o facto de reconhecer não significa intolerância mas sim, desejar o mesmo que o saudoso Luiz Pacheco também desejava: qualidade, talento, génio!
    Boas Festas para a proprietária do Blogue e para todos os que por aqui comentam!

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    1. Há coincidências sim, temos um apelido comum, que é de uma família muito antiga que se dispersou após a hecatombe (o nome que se dá na família) do 5 Outubro. E, somos filhos e netos de militares... outro facto.
      E outras semelhanças...

      Mas acima de tudo para mim a perfeição e a maravilha do ser humano está na diversidade das idéias , pelo que abomino ideologias!
      E entendo a tolerância como uma prova de força e não de fraqueza, algo que devemos praticar em defesa da nossa própria liberdade. Isto dito de quem vem de monárquicos absolutistas pode parecer estranho... mas não é, pois tem a ver com a formação humanista e do entendimento das forças que regem o Céu e a Terra.

      Cumprimentos

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  10. Para além da qualidade do espaço regozijo-me também com a qualidade dos comentários. Deliciei-me com a troca de "galhardetes" do Luís eme e do António Luís Pacheco. Concordo com ambos. É a publicidade que hoje faz um escritor. A publicidade e o nº de vendas...factores, sem os quais, muito boa gente que hoje triunfa nas letras andaria, penosamente, a arrastar o livro de sumários em aulas do secundário sem interesse...

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  11. Cara Maria do Rosário, enquanto leitor também preferia que a entrevista fosse uma opção editorial e não comercial. Aposto que a própria editora da revista também preferiria. Todos preferiríamos. No entanto, este tipo de publicidade é cada vez mais frequente para contrariar a fuga de publicidade tradicional, da qual todas as revistas dependem (principalmente revistas como a Notícias Magazine que não são vendidas em banca). Podemos concordar ou discordar.
    Podemos argumentar que prejudicará a qualidade das revistas (sem dúvida). Mas não as podemos criticar por tentarem sobreviver e resistir numa fase em que se compram cada vez menos jornais e revistas. É preciso ter bom senso e encontrar um meio termo entre as necessidades comerciais e editoriais.

    Cumprimentos
    Pedro Diniz

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