Pais autoritários

A Feira do Livro de Guadalajara, embora com três dias reservados a negócios, um país convidado (neste ano, a Alemanha), os stands das editoras, o Centro de Agentes e uma área internacional, não se assemelha muito à Feira de Frankfurt; é, acima de tudo, um festival literário – e neste ano tinha cerca de 150 escritores em actividade permanente, encontrando-se com os leitores, os alunos das escolas, apresentando livros, fazendo sessões de autógrafos e conferências. Com as salas sempre cheias, lembrou-me – embora a dimensão fosse outra – as nossas queridas Correntes d’Escritas, nas quais é preciso chegar cedo para não se ficar sentado nos degraus duros ou mesmo fora da sala. Em Guadalajara, uma das sessões mais aguardadas (e com o auditório a abarrotar) era uma conversa com dois Prémios Nobel da Literatura – Herta Müller e Vargas Llosa – conduzida por Juan Cruz. Quando este perguntou ao escritor peruano se se lembrava quando e porque começara a escrever, este foi categórico. Os pais haviam-se separado logo a seguir ao seu nascimento e tivera uma infância felicíssima junto da mãe e dos avós maternos. Inesperadamente, o pai e a mãe reconciliaram-se quando tinha onze anos e isso veio perturbar dramaticamente o seu equilíbrio emocional, até porque – frisou – o pai era um homem muito autoritário. Para fugir a esse jugo, Vargas Llosa começou a ler furiosamente, vivendo vidas diferentes da sua – e isso levou-o naturalmente à escrita. Quase me apetece dizer: Bendito pai autoritário...


 



Comentários

  1. O meu pai não era autoritário, era violento. Com frequência a minha mãe ostentava na cara a marca de cinco dedos, e mesmo assim saia de casa o que me envergonhava profundamente. Eu era a favorita dele. Para as sovas, claro. Cresci e comecei a pôr-me diante da minha mãe para evitar aquelas marcas que, em mim, poderiam ter muitas explicações: caí a andar de bicicleta, andei à porrada na rua.
    A minha irmã escapava, talvez por ser mais nova. Ele ameaçava-a mas não me lembro dela ter apanhado. Comigo a forma preferida eram os pontapés que nasciam quando eu estava a brincar na rua a não vinha a correr ao primeiro grito dele, quando tentava proteger a minha mãe ou simplesmente se ele queria ir à casa de banho e eu estava a ocupá-la.
    Comecei a ler aos cinco anos, antes de entrar na escola. Na primeira classe fazia composições dignas de prémios e a professora falava delas à turma inteira elogiando o meu sentido de família, tema favorito das minhas escrituras, onde aparecia uma família modelo que, hoje sei, era uma projecção daquilo que eu não tinha.
    A leitura e a escrita entraram nos meus olhos, dedos e vida por via da pancada. Ainda hoje, qualquer ‘nervoseira’ é tratada com medicamentos que compro em livrarias. Não vivo da escrita, mas escrevo todos os dias, como se respirasse através dela. Já pensei em relatar a minha infância e adolescência. Curiosamente (ou não) constato que não tenho nada escrito sobre a violência a que fui sujeita ao longo dos anos e que ainda se mantém pois, se há coisa que fica para sempre, são estas memórias, por muito que as queiramos expulsar.
    Não sabia deste episódio de Vargas Llosa, mas como o compreendo…

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    1. Bom-dia,

      Durante esta feira, Mario Vargas LLosa respondeu a várias questões dos leitores do El País. Podem consultar o vídeo em http://bisleya.blogs.sapo.pt/185794.html

      Boas leituras!

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    2. Obrigada pelo seu triste e lúcido testemunho, a sua força é admirável. Fico feliz pela forma como soube "inventar" outros mundos para si...É por isso que os livros são tão importantes: com eles tudo ainda é possível!

      Isabel

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    3. Estava obviamente a dirigir-me à anónima que falou sobre o seu pai autoritário/violento.
      Isabel

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    4. À anónima, que falou do pai violento, dedico este texto, escrito pela minha amiga Lena, sobre o Mandamento "Honrarás Pai e Mãe":

      Quer dizer: deve-se honrar pai e mãe, independentemente do que eles são?
      E se eles tratam mal os filhos, humilham-nos, batem-lhes, prendem-nos, obrigam-nos a fazer tarefas indignas? E se eles nunca se dão ao trabalho de compreender os filhos e de lhes ensinar o que quer que seja? E se nunca ligam aos filhos, se os abandonam, lhes dão a entender que não contam, que são merda? E se os molestam sexualmente, ou consentem que alguém o faça? E se passam a vida a rir-se deles e a dizerem-lhes que nunca serão nada na vida? E se os olham com nojo? E se os olham com desprezo? E se lhes fizeram e fazem, a todo o momento, sentir que não são nada, que não contam nada, que só servem para atrapalhar, para os envergonhar? E se lhes incutem sentimentos de culpa e de vergonha, por eles não serem aquilo que eles, pais, desejam? E se os castigam por, em algum momento, os filhos não estarem dispostos a dar-lhes atenção, a brincar com eles, a dizerem-lhes que eles são os maiores? E se os castigam por eles, apenas, se atreverem a dizer não? E se os manipulam, quais lobos disfarçados de cordeiros, para que eles façam o que os pais querem, sem lhes darem hipóteses de desenvolverem o seu carácter, a sua vontade, a sua personalidade? E se exigem dos filhos tudo e mais alguma coisa, enquanto tratam outras pessoas com carinho e simpatia? E se, em público, são pessoas agradáveis e, em casa, fazem a vida negra aos filhos? E se se fartam de elogiar os outros, enquanto não se cansam de pôr defeitos nos filhos?
      Dizes-me que se trata de excepções, sandra? Algumas são bem corriqueiras. De resto, todas acontecem muito mais vezes do que se pensa.
      Porque não há um Mandamento a dizer: “Amarás e honrarás os teus filhos”? A um filho que foi amado, honrado e acarinhado, alguma vez lhe passava pela cabeça não amar e honrar os pais? Eles é que já cá estavam, antes de nascermos, eles é que têm de dar o exemplo, de servir de modelo.
      Eu acho que Deus obteria melhores resultados se se tivesse dirigido aos pais, aos educadores, em vez de aos filhos.
      Mas isto sou só eu a pensar, querida sandra, e eu não conto. Nunca contei.

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    5. P.S. Se quiser ler sobre um pai violento, clique no link para aceder ao blogue onde publico as cartas da minha amiga Lena. Talvez lhe sirva de inspiração.

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  2. Pois não sei...
    É sem dúvida mais preocupante uma falta de autoridade que um excesso dela. Excesso de autoridade nada tem a ver com a violência. A autoridade deriva de um saber e a violência de uma autoridade sem saber. Parecem-me coisas distintas!
    Não é nada fácil colocar a autoridade em prática, e nos dias de hoje a prova comprovada, está na educação ou na falta dela, que o ser humano (com um "h" bem pequenino) ostenta. Basta passear pelas ruas de Lisboa...

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  3. Este post , e Mario Llosa remetem-nos para um anterior... e ainda bem pois devemos reflectir e tentar perceber as coisas e o Mundo.
    - Claro que cadaum conforme cada qual... -

    MVL é um escritor "são", dos equilibrados como referi, e creio por isso mesmo, será considerado mundialmente um grande escritor. O seu nome ficará indelévelmente ligado à escrita porque escreveu, apenas para ser lido...
    Ele é um ser humano, genial mas com senso comum, que soube viver a vida, observar, tirar dela as coisas que precisou para escrever, sobre as pessoas e sobretudo sobre a sua gente - daí ter justamente ganho um prémio Nobel.
    Ele não ajustou contas com ninguém, nem com o seu passado ou fantasmas, não deixou que se traumas houve eles dominassem a sua escrita, daí ser universal! E não precisou de se envolver em polémicas, em política nem de tomar atitudes que atraíssem as atenções.
    Por isso é um grande escritor e património da humanidade! Porque soube ser humano e ver o ser humano que relatou, no que tem de bom e de mau... porque assim é.
    É sem dúvida um dos meus contemporâneos preferidos e escritores preferidos, sem dúvida, exactamente por essa sua universalidade e humanismo.
    Porque escreve para os outros - portanto para mim, e não para ele mesmo!

    Temos aqui um bom ponto de reflexão para o
    bom fim de semana que a todos desejo
    Saudações do campo.

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  4. Vargas Llosa é um "monstro" literário da América do Sul, creio que só comparado a 'Gabito' Márquez. Talvez Jorge Amado lhe roce os calcanhares. E Neruda!
    Curiosamente todos estes autores que referi estão ligados a uma esquerda partidária que, em alguns casos, mais tarde, vieram a recusar.
    Llosa creio que também tem nacionalidade espanhola, porque já foi muito contestado no seu país natal, o Perú, apesar de já ter sido candidato à presidência.
    Segundo o Wikipédia, ingressou num colégio militar aos 14 anos, por vontade do pai.

    Um aparte, porque é que o mau da fita é sempre o pai? Não existem "mães" severas?
    Um caso que me veio à memória é o de John Lennon, que foi criado pela sua tia, muito reles de personalidade, segundo reza a história. Para quem não sabe, Lennon tornou-se um irreverente, um bad boy, até formar os The Quarrymen, que depois se passaram a chamar The Beatles.

    Não sou especialista de Llosa, do qual li somente o excelente "Conversa n'A Catedral", mas consigo antever que teve uma infância atribulada.
    Este romance leva-nos a uma situação que nos revela alguns podres das ditaduras e perda dos direitos fundamentais do indivíduo, como seja, a igualdade e a liberdade.
    Mas, ao que parece, ainda bem que o peruano começou a escrever por se sentir triste. A escrita é uma boa arma dos fracos!
    E como dizia Einstein, "a coisa mais rara que existe é felicidade numa pessoa inteligente"...

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  5. O meu pai também era um homem muito autoritário. Só lamento que não me tenha dado para escrever. Pelos vistos, só tive a parte chata:))
    Gosto muito do Vargas Llosa e fiquei contente quando soube que ele tinha ganho o Nobel. Merece-o, sem dúvida. Já li uma boa parte da sua obra e o livro que mais me apaixonou foi o "Travessuras da Menina Má". Que delicia de romance! Li-o sofregamente. Quando se julga que não é possível mais atrocidades, logo surge ela. de novo, em toda a sua pujança:) Magnífico!

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  6. Ainda bem, para nós leitores, que os pais do Llosa juntaram novamente os trapos.
    Dele li três: O Sonho do Celta (aposto que não é dos melhores), Os Cadernos de D. Rigoberto (gostei muito) e A Festa do Chibo (grande, grande, grande, grande).

    De resto, salvo a carga de porrada e os maus momentos por que passou, li com muito prazer o primeiro comentário.

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    1. Caro Víctor Hugo... concordo consigo, mas permita-me fazer uma observação:
      "O Sonho do Celta" (de que eu gosto muito!) é uma biografia (para ser sucinto), não é bem um romance puro, ou seja é escrito com qualidade de esperar sendo quem o faz, mas... não tem concerteza a genialidade do romancista! Não sei se me faço compreender?
      Por isso creio que não podemos juntar todos no mesmo "saco". Mas experimente "A casa verde" e Lituma nos Andes".

      Eu pessoalmente gostei muitíssimo do Celta, e lá está a parte humana e da sensibilidade de cada um, certamente tendo a ver com as nossas vivências pessoais a fazer com que cada um de nós se identifique ou não co o que lemos. Só Llosa ou RFGMárquez poderiam escrever sobre Roger Casement que foi um homem deveras excepcional, por aquilo que ambos têm e é o conhecimento directo das vidas naquelas sociedades, países e regiões.

      Um abraço e bom fim de semana!

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    2. Ah... falhou-me dizer que além do conhecimento referido, são livres de preconceitos!

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    3. Caro António,

      seguirei as suas sugestões. O meu problema é que descobri o fenómeno literário tarde - e não me venham com a treta do costume do tal mais vale tarde do que nunca - de maneiras que não sei quando voltarei ao Llosa. E há tanta coisa por ler...

      Quanto ao Sonho do Celta, para mim, só tem um problema: é que, tal como você diz sobre o carácter biográfico, se o Escritor privilegiasse o romance em detrimento do factual O Sonho do Celta teria ganho outra dimensão. Quero com isto dizer que, a páginas tantas, o autor preocupa-se em demasia com os factos que entulha a prosa. Então, à medida que a narrativa se aproxima das últimas páginas é um exagero. Não coloco em causa a qualidade da escrita, isso é inquestionável.
      O Sonho do Celta carece (ou carecia) duma lipoaspiração.

      Tenha uma boa semana.

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    4. Meu Caro Víctor Hugo, acima de tudo deixe-me referir o prazer que é trocar impressões com gente esclarecida e educada, que é sem dúvida um dos privilégios extraordinários deste blog!
      É sempre interessante "ouvir" outros pontos de vista e conhecer argumentos que nos ajudem a reforçar os nossos ou até a mudar de opinião, o que é prova de inteligência e não fraqueza!
      Por isso compreendo perfeitamente o que diz sobre o "Celta", com toda a clareza e razão... mas segundo o meu ponto de vista, de leitor de biografias, tenho outra opinião!
      Daí tirar este livro da lista de MVLlosa, como não incluo na obra de Eça a (magnífica) tradução de Rider Haggard - As Minas do rei Salomão, se bem que tenha o livro na colecção dos clássicos portugueses, e não junto ao seu autor original... mas só por uma questão de arrumação estética.

      Llosa quis prestar homenagem a Casement, e percebe-se porquê, sendo este um humanista e aquele um escritor da alma Sul Americana mas globalizado. Por isso entendeu fazê-lo através da sua biografia não romanceada, com o que eu (?) concordo! Foi um caso demasiado escandaloso e uma vergonha para se romancear, o que tiraria impacto à conspiração de que foi vítima.
      Compreende? Isto sou eu, leitor, a reflectir, note bem. Claro que tem depois o contra de poder ser maçador por causa daquilo que refere, mas que interessa a quem como eu está a ler a biografia e o caso, não o romance.
      Tal como acabei recentemente de ler Henrique Galvão, cuja vida daria para vários romances. O o que me interessou foi conhecer exactamente os passos, pensamento, os factos, compreende?
      Claro que é um livro só para alguns (dito sem elitismos!) pois pertence a um género que nem por isso é popular.

      O que de facto interessa, julgo eu e me perdoe a presunção, é fazer a separação dos géneros!
      Não ler um título pela assinatura do autor e sim pelo género! Compreende o que quero dizer? Quem ler "O sonho do Celta" não pode dizer que leu ou conhece MVLlosa ... penso eu.
      E há escritores que fazem incursões por diversos géneros literários, nem sempre bem-sucedidas, e há que saber fazer a diferença e escolher!

      Um abraço e votos de uma boa semana!

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  7. Os meus parabéns ao professor Eduardo Lourenço pelo prémio Pessoa. Mais do que merecido!

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    1. Acredito que o Professor Eduardo Lourenço possa ser uma sumidade da cultura portuguesa, não duvido, mas o que é que o homem escreveu? ensaios?só se forem do conhecimento do Marcelo Rebelo de Sousa...
      Mais uma vez terei de pedir desculpa pela minha santa ignorância ó Vicente Lopes S...

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    2. Olhe senhor Severino!
      Deixo-lhe aqui o sitio na Internet do senhor Eduardo Lourenço:

      http://www.eduardolourenco.com/

      Se estiver por Lisboa poderá passar na Gulbenkian onde está a decorrer uma feira do livro e onde também poderá encontrar o seguinte título

      OBRAS COMPLETAS I e II:
      heterodoxias

      http://www.gulbenkian.pt/

      http://www.eduardolourenco.uevora.pt/

      Se não tiver onde ir este fim de semana, já tem aqui com que se atrever, ou então fique em casa, também é uma boa opção!

      Sorte.

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    3. Ora meu Caro Senhor Anónimo saiba que (ao contrário da grande maioria da população) ainda não adoptei a postura de me colocar de cócoras perante a Internet...daí não decorar o que é o Sr. Eduardo Lourenço já "fabricou". Obviamente que longe, muito longe de mim pôr em causa a justeza do prémio muito menos duvidar das capacidades intelectuais do Professor Eduardo Lourenço, o que quero dizer é que "ninguém" conhece a obra do Professor. Obviamente que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa (e afins) conhecerá, ou não lesse ele 20 e tal livros por semana como o fazia indiciar as suas sugestões nos primeiros números da (pobre) revista "OS MEUS LIVROS", os outros é que são todos camelos!

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    4. Começa logo no título ("O labirinto do heteredoxo") a corrida ao dicionário...raspeja-te (como se diz no meu belo Alentejo)

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    5. O analfabeto não é o que não sabe, é o que não quer saber. É quase fim de semana e já estamos em verso, no campo lírico da maçada.

      Os três Reis magos também vieram montados em camelos e nenhum se incomodou.

      Bom fim de semana!
      Antónimo

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  8. Creio que os pais autoritários estarão em vias de extinção já que agora só vejo filhos autoritários!
    É vê-los a berrar nos jardins da nova geração (centro comercial) e os paizinhos a tentarem o diálogo mas os filhotes a não quererem diálogo nenhum e toma lá pontapé e chapada, e o atrasadinho mental do paizinho e da mãezinha a tentar o diálogo...

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  9. Que saudade daquela mão ingrata...
    Se o mundo fora pesado, eu que apanhara pouco.

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    1. Minha Cara Cláudia:

      Disse muito em poucas palavras...

      Não sei de quem é, mas julgo que senti (perceber é outra coisa)

      Bom fim de semana

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  10. Não sei realmente se se deverá dizer "Bendito pai autoritário". Sim, foi, pelos vistos, graças a ele, que Llosa "começou a ler furiosamente, vivendo vidas diferentes da sua". Por outro lado, não sei se Llosa conseguiria chegar à escrita, se, antes, não tivesse tido essa infância felicíssima. Porque uma coisa é viver essas vidas, dentro de nós. Outra coisa, é ter coragem de as deitar cá para fora. Isso só acontece se, nalguma altura da vida, a pessoa aprendeu a viver os seus talentos e as suas vontades. Se isso não acontece, as "coisas" ficam guardadas lá dentro. Para sempre!

    Queria chamar a atenção para o facto de que há pais autoritários e pais abusadores do seu poder. São coisas muito diferentes! As crianças precisam de aprender a respeitar a autoridade. Por outro lado, não ser respeitado como pessoa, durante a infância, é muito prejudicial. Pode acarretar consequências desastrosas!

    Como tudo na vida, é preciso agir com bom senso. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

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