O quê?

Os livros em vários volumes são raros, excepto se estivermos a falar de histórias de vampiros ou quejandos, cujos autores e editores costumam aproveitar o sucesso do primeiro para explorar o filão até à náusea. Mas falo de literatura – e as trilogias e tetralogias contam-se pelos dedos (vá lá, das duas mãos). De qualquer modo, os japoneses são sempre uma surpresa (para mim, pelo menos) e o famoso Murakami, o mais internacional de todos, atreveu-se à obra de fôlego que, em Portugal, tem já o primeiro volume publicado, mas verá os restantes dois saírem para as livrarias em 2012 com tradução de Maria João Lourenço e Maria João da Rocha Afonso. O título é, no mínimo, estranho, 1Q84, qualquer coisa reminiscente do 1984 de Orwell, mas com o seu Q de enigmático. E a história gira em torno de Aomame e Tengo, dois professores que, afinal, não são só o que parecem e que, talvez por isso mesmo, o destino reúna num mundo que também só aparentemente é normal e no qual tudo acaba por ser questionado, incluindo a religião, a condição feminina e a corrupção – um mundo com um ponto de interrogação que busca, se não a nossa resposta, pelo menos, a nossa leitura.

Comentários

  1. Já tenho a minha dose de Murakami, obrigado!

    Agora estou com um livro "seu", "Anatomia dos Mártires", espero que não me desiluda, o tema Catarina já passou de moda*, mas "à pala" desse nome pode estar um bom romance. E eu adoro Baleizão, sem ser por essas coisas dos comunismo e etc.

    *...ou não!

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    1. Eu, que não uso GPS (eheheh!), continuo a gostar desses livros grandes, até em vários volumes... desde que de facto tenham algo que me prenda e leve a acompanhar!
      Imaginem o Senhor dos Anéis em 300 páginas... ou o Guerra e Paz... já o Anjo Branco podia ter apenas umas 120!
      Ele há histórias e histórias...

      E nem se pode dizer que o livro que MRP aqui trás seja uma chinesice, literalmente!

      A propósito, gostei muito de ouvir Gonçalo M. Tavares ontem no jornal das 8 da TVI, com o prof . Marcelo... falando do tempo e da forma como se "entra" no livro, a concentração!
      Ele não papagueou lugares comuns, não... vê-se que pensou aquilo que diz! Creio que por isso é um escritor celebrado e se calhar um verdadeiro intelectual!

      Saudações camperas !!!

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    2. "O ANJO BRANCO" não poderia, de modo nenhum, ter 120 páginas, porque o contrato do (locu)tor com a Editora é de 705 páginas para todas as encomendas para o triénio 2010-2013.Ou não tivesse ele mudado de nome de JRS-José Rodrigues do Santos para SCP-Setecentos e Cinco Páginas.

      Gonçalo M. Tavares - um escritor para o qual só encontro um epiteto: DESCONCERTANTE

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  2. Há uma trilogia que vale a pena ler pois foge à literatura a metro, vulgar em obras de ficção histórica.
    Refiro-me a Imperium , 1.º volume da referida trilogia, da autoria de Robert Harris . Em Portugal, editado pela Presença.
    Através das memórias de Tirão, secretário de Cícero, seguimos a vida na Roma do sec I antes de Cristo.
    Apesar de ser o período da história de Roma mais conhecido -- o percurso político de Júlio César, o seu assassinato pelo opositores republicanos.. -- apesar desse conhecimento, Robert Harris consegue contar tudo de novo e com outra aura como se a história não fosse conhecida.
    Recomendo, é dinheiro bem gasto. Saíu já o 2.º volume, Lustrum , que ainda não comprei.
    O 3.º volume ainda está a ser escrito.

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    1. Quarteto de Alexandria, Durrell, épico!

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  3. O D. Quixote, à época, também foi publicado em dois volumes.

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  4. acabei de o ler em inglês, numa edição que reúne os 3 volumes. dá-nos sobretudo uma ideia nova do Japão numa narrativa sobre dois mundos que correm paralelos. está muito bem escrito e sabe dosear o fantástico num retrato real de um passado próximo. percebo que tenham optado pela edição separada dos 3 livros, mas uma edição global não tinha perdido nada.

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