Falar em círculo

Vila-Matas é um dos mais interessantes autores espanhóis e falei não há muito tempo neste blogue do seu romance Dublinesca. É de certa forma à roda deste romance que gira o seu mais recente livrinho – chamo-lhe assim porque é mesmo pequeno – que não ouso classificar, pois, tendo aparência de ensaio (prefaciado e tudo), deita ficção por todos os poros. De qualquer modo, tem o título sério Perder Teorias e conta a história de um escritor (Vila-Matas, quem mais?) que, convidado para um festival de escritores em França, é depositado no hotel por um taxista português e nele permanece todo o tempo que devia estar no dito festival por ninguém aparecer para o orientar e ele não ter ânimo para se desenrascar sozinho. Aborrecido com essa ausência – mas nem tanto –, resolve então escrever uma nova teoria do romance, pensando sobretudo no seu próximo livro, que não é senão aquele Dublinesca de que aqui falei, saído, por acaso (ou não) antes deste – e não só em Portugal, em Espanha também. Regressado a Barcelona depois de não ter participado em festival nenhum, o romancista descobrirá, porém, a teoria bastante inútil (embora estejamos a lê-la e, como tal, provavelmente não o seja). Circular e delirante, este divertimento muito sério é um dos seis primeiros livros publicados pela novíssima Teodolito.

Comentários

  1. Vila Matas é um dos meus autores preferidos. Há muito que espero que alguém de muitas leituras me diga "se gostas de Vila Matas então também irás gostar de..." :)

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    1. Borges, claro! Mas seria ao contrário: quem gosta de >Borges irá gostar de Vila-Matas...

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    2. de ... W.G. Sebald ?

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  2. Ah, sim! Borges, claro.
    Bom regresso, Maria do Rosário.

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  3. se por acaso não lesse só romances há muito teria encalhado nas exemplificações magnificas do teorema de godel. Aliás, bastava-lhe ter lido e entendido o Godel Escher e Bach editado pela gradiva. Nada de novo no campo da ficção, que há muito está dominado por gente muito certa da sua inteligência, mas sem capacidade de ver para lá duma história.


    Como aqui se nota bem, nem uma única vez referiu um livro, que tenha lido, que não seja de ficção. E quando a eles se refere é para dizer que se deve ter na prateleira. De consulta, diz. Isto revela mais sobre o mundo da escrita do que se possa pensar.


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    1. Está enganado. Mas seria muito pretensão da minha parte querer que viesse todos os dias aqui. Em todo o caso, há livros de ciência em posts que escrevi, também da Gradiva, onde de resto trabalhei nove anos. No entanto, a minha vida profissional está muito mais ligada à ficção - daí que a maior parte do meu tempo seja com ela ocupada.

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    2. Discordando do tom, concordo em absoluto.

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  4. Obrigado pelas sugestões. De Borges ainda não li nada, mas sabia da admiração de Vila-Matas por ele. De Sebald já li dois ou três, mas parecem-me ser menos os pontos de contacto do que o que os separa. Quanto a "Godel, Escher, Bach", confesso tê-lo deixado a meio (apesar de ter formação científica não o entendi).

    É conhecida a admiração de Vila-Matas por Marguerite Duras, mas também por Hemingway (talvez extremos opostos). Mas ele é muito diferente de ambos.

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