Coragem

Sim, vai ser precisa coragem, porque estamos a falar de 850 páginas de letra miudinha. Mas dizem que Vida e Destino, de Vassili Grossman, traduzido por Nina e Filipe Guerra, é uma espécie de segunda Guerra e Paz (ainda só o farejei). O tempo da acção é, porém, o da Segunda Guerra Mundial, e a narrativa dos horrores a que a alma humana consegue chegar não se fica pela Alemanha – o país normalmente evocado nas ficções sobre o tema –, estendendo-se desta feita também à Sibéria (quase apetece dizer que um mal nunca vem só) para criticar o anti-semitismo do regime estalinista. No centro deste romance épico – que o KGB confiscou em 1961 e fez desaparecer durante vinte anos, tendo sido publicado em 1980 na Suíça e só em 1988 na pátria do escritor – está uma família da classe média que a vida e o destino dispersou entre o país em que hoje manda a senhora Merkel e a o país em que hoje manda Putin. Mas as personagens são muitíssimas e, entre elas, não faltam os responsáveis pelo Inferno, Hitler e Estaline. É a primeira vez que a tradução do original russo é publicada em Portugal e exige bom estômago e bons olhos.

Comentários

  1. Diga-se então, que é a oportunidade de conhecer o que poucos ousam enfrentar enquanto aberração histórica. Porém do facto a intensidade talvez, seja traumática. Isso torna-os mais respeitáveis?

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    1. António Luiz Pacheco7 de dezembro de 2011 às 08:01

      Da minha parte, a coragem para ler um livro, não tem a ver nem com o tema nem com o tamanho. Se o tema é ou se torna interessante, sou daqueles que quanto maior melhor!
      Alguns tenho mesmo pena que acabem... sobretudo quando nos parece que já fazemos parte ou somos amigos, companheiros, das personagens. E cada vez que os abrimos e embrenhamos na leitura é como se de facto partíssemos para dentro dele... Quando isso acontece é muito bom e depois se por um lado há aquela sensação de perda de um amigo quando se chega ao fim, por outro fica-nos uma sensação gratificante como depois de comer uma boa refeição ou coisa parecida, do género:
      "Este já cá canta!".

      Creio que hoje há sobretudo pressa de se fazer tudo...é o fast-food , são os shots " para a fast-bebedeira , são as escapadinhas e as viagens com sensações em pacote, as autoestradas para viajar rápido e nem ter tempo de se verem as mudanças da paisagem ou do dia, o sexo no primeiro encontro e as relações fugazes... e claro a leitura de livros pequenos... coisa de que não desdenho mas não percebo o porquê de haver quase uma fixação neles, no romance-minuto?

      Continuo a gostar de um valente livro, pesado, grosso, quando cheio de coisas boas... para os ler fininhos há tantas revistas e às vezes boas!
      Serei o único?
      Saudações do campo!

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    2. A coragem era mais por causa da letra miudinha...

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    3. António Luiz Pacheco7 de dezembro de 2011 às 10:34

      Ora... isso com uns óculositos resolve-se!
      Eu mesmo já vai para dois anos que me rendi e passei a ler com mais conforto...

      Bom feriado!

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    4. Ó António Luiz Pacheco esqueceste-te do GPS...é verdade agora qualquer macaco para ir e voltar pra casa liga o GPS...esta gente não merece mais...liguem o GPS e aterrem todos na CASA DOS SEGREDOS e vão fazer companhia a essa inenarrável teresa guilherme e sus muchachos e muchachas...que tristeza

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  2. Para começar, gostava de dizer que os meus vinte e oito anos, aliados a um património genético irrepreensível, fazem com que letras miudinhas não me assustem (força camaradas geriátricos!). Segundo, a WWII já está um bocado batida, parte do encanto do "Guerra e Paz" é a sua envolvente Napoleónica, as personagens obscuras (que depois não evitamos tentar ficar a conhecer melhor). Sendo o "Guerra e Paz" o quarto melhor livro de sempre, parece-me que a fasquia está muito elevada!

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    1. António Luiz Pacheco7 de dezembro de 2011 às 14:04

      Ora meu jovem ante-trintão, primeiro tem exactamente metade da minha idade e só uso quatro-olhos para ler o Expresso... que é também muito grande!
      Estou a acabar o Henrique Galvão sem óculos (eu!) e ainda vejo bem as perdizes pela fita!
      Segundo, não me parece que a WWII esteja esgotada, longe disso, se bem que um bocado batida... mas temos a WWI que também tem detalhes interessantes, embora chamassem aos nazis de então "hunos" o que não deixa de ser curioso!
      Mas no resto concordo inteiramente:
      -Quer no fascínio da guerra napoleónica que não podemos esquecer começou a ser perdida (ou ganha) aqui em nossa casa, e digo-o literalmente pois o Massena terá aquartelado aqui mesmo onde eu escrevo isto, e deixaram para aí alguma gente de cabelo loiro e olho azul, segundo a tradição!
      -Quer na genialidade da referida obra cuja classificação na tabela ignorava, mas aceito e aplaudo! Alguém se lembra (você não...) da fabulosa série que deu na tv aí nos anos... 70?

      Saudações cá do Bairro!

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    2. Eu nos anos 70 era pouco adepto de séries, mas vi-a posteriormente, tal como vi o filme em que a Rostova é a Audrey Hepburn e o Piotr Bezukov é o Hannibal Lecter ! O livro é incomparavelmente melhor do que as adaptações (como de resto o é quase sempre, tirando O Padrinho e o Nome da Rosa). Por causa do Guerra e Paz fiz um figurão na Russia , chegando a impressionar a voluptuosa guia com os meus conhecimentos sobre a batalha de Borodino ou sobre algumas personalidades, como o Kutuzov ou o Bragation (infelizmente já era casado e o proveito foi parco). Quanto ao top 5 de livros, é bastante famoso, pelo menos em minha casa: 5º "Almas Mortas" 4º "Os Miseráveis" 3º "Guerra e Paz" 2º "Ulisses" 1º "Em Busca do Tempo Perdido"

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    3. A WWII (será marketing???) está um pouco batida??? Ó amigo Courinha nenhum tema estará batido se for bem escrito!

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  3. Francisco Sousa Vieira8 de dezembro de 2011 às 15:42

    Caríssima Maria do Rosário Pedreira,

    Gostaria de saber se há a possibilidade de a contactar por e-mail.

    Obrigado,

    Francisco Sousa Vieira

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    1. Deixe-me o seu endereço e eu dar-lhe-ei os meus contactos.

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    2. Francisco Sousa Vieira9 de dezembro de 2011 às 04:59

      O meu e-mail é francisco.sousavieira@gmail.com

      Obrigado,

      Francisco Sousa Vieira

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    3. Francisco Sousa Vieira13 de dezembro de 2011 às 11:52

      O meu e-mail é francisco.sousavieira@gmail.com

      Obrigado,

      Francisco Sousa Vieira

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