Carta no baralho
Quando há muitos anos, ainda na Temas e Debates, publiquei aquele que era o segundo romance de Michel Houellebecq, intitulado As Partículas Elementares, houve muita gente que achou que eu perdera a cabeça. O livro era bastante polémico, evidentemente, e o autor tinha fama de ser uma carta fora do baralho, politicamente incorrecto, racista e bêbado. O seu romance seguinte – que já não publiquei, embora por razões que nada têm que ver com o facto de me terem chamado a atenção –, chegou a ser considerado ofensivo e até reaccionário. Previa-se, assim, que o escritor fosse perder a glória aos poucos, mas o que sucedeu foi justamente o contrário e ele acabou por conseguir que a crítica o aplaudisse e a Academia o premiasse nada mais nada menos do que com o famoso Goncourt. O romance galardoado saiu recentemente em Portugal e tem por título O Mapa e o Território. Desde logo, merece ser lido por contar com a tradução do poeta Pedro Tamen, mas é um retrato muito lúcido da sociedade contemporânea através da história de um homem que curiosamente também pintava retratos – entre eles, um do próprio autor – e da forma como ajudou um comissário da Polícia a esclarecer um crime terrível. Parece que Houellebecq entrou finalmente no baralho.
Previamente ao comentário, que fique claro que nunca li o autor em questão, bem como Celine.
ResponderEliminarMas não deixa de ser curioso que o primeiro, sendo considerado racista, finalmente seja reconhecido com um Goncourt; já o segundo, um anti-semita que já bateu as botas, foi retirado das comemorações nacionais por um tal de Frédéric Mitterrand (dizem que gosta de criancinhas... não da mesma forma que os comunistas, claro).
Os franceses também têm das suas.
será mesmo o VICTOR Hugo do "HAN DE ISLÂNDIA"?
EliminarClaro que não. Não vê que a diferença está no "C"!
EliminarLembro-me de ler a notícia do prémio atribuido a Michel Houellebecq no Público. E a verdade é que adorei.
ResponderEliminarGosto deste tipo de autores, olhem o exemplo do Chuck Palahniuk. Autor muito controverso, mas que, apesar de tudo, virou mito.
O Orwell também...pelo desafio, pela visão distorcida e alarmante.
Stephen King, pelo puro terror.
Em Portugal, temos o Zink e o Esteves Cardoso, para apimentar um pouco as coisas.
Acho que ser artista é apresentar uma visão sincera do mundo, seja ela qual for. Apimentada, doce, tanto faz. Tem é que ser verdadeira.
A verdade não está distante do paladar em comum!
EliminarMas o Zink e o Esteves Cardoso, são escritores? perdoe-se-me a ignorância...
EliminarLi o Partículas Elementares na altura em que foi publicado e, embora não me tenha arrebatado, gostei de o ler. Recordo-me que, na altura, ofereci o livro a 3 ou 4 pessoas que me pareceram adequadas.:) Nenhuma ficou indiferente - tive retorno de todas:)
ResponderEliminarNão fosse o Goncourt e a tradução do Tamen , se calhar, não teria comprado este último. Nem sei quando o vou ler; tenho tantos livros em espera... E este, apesar do prémio, não o sinto como prioritário.
"As Partículas Elementares" foi um dos melhores livros que li até hoje, li-o para aí há uns 2/3 anos, é uma maravilha.
ResponderEliminar