Um abraço a todos

O País vai de mal a pior e estamos mesmo a precisar de mimos. Pois bem, um escritor português chamado José Luís Peixoto decidiu dar-nos um Abraço em forma de livro. Trata-se de uma colectânea de textos que escreveu ao longo do tempo e que, falando de si próprio e das suas memórias – o Alentejo, a infância, os amores, as leituras, as viagens –, nunca deixam o leitor de fora, envolvendo-o num abraço muito especial. Dividido em três partes – seis anos, catorze anos e trinta e seis anos: as idades, respectivamente, do seu filho mais novo, do seu filho mais velho e a sua –, este volume que ultrapassa as seiscentas páginas inclui alguns dos mais belos textos do autor, publicados em jornais, revistas e antologias, nos quais nos é estendida a mão para uma certa intimidade e ternura a que não poderemos ficar indiferentes. Experiências do ofício de pai e escritor, reminiscências de autores marcantes, reflexões sobre o presente e o passado do País, tudo cabe nestes textos envolventes como um verdadeiro abraço. Aproveite o mimo.

Comentários

  1. Conto que seja tão belo como Cal que teve o condão de me multiplicar no tempo e no espaço, apanhando memórias como quem apanha comboios, fazendo-me sorrir as lágrimas.

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  2. Aprendi que ai em Portugal, um Abraço pode ser ternurento!
    Eis momento é causa pátria que os prórios filhos, o valor do escritor é mérito.

    Tomo por empréstimo da colega de comentário, Dra. Isabel X o tema "ternurento".

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  3. José Luís Peixoto "nasceu" em boa hora sob este céu português.
    Muito bom escritor, afetivo e com uma sensibilidade surpreendente, não me admira absolutamente nada que a Maria do Rosário Pedreira, um dia, o tenha notado e tenha feito dele um escritor de sucesso.

    Nos dias que vão correndo a "negrura" e a "brutalidade" vão vingando nesta fraquíssima literatura portuguesa. Tudo o que fôr "negro" e muito "pesado", aos olhos de certas pessoas - poucas, felizmente! - é assunto bom! De qualidade! Em contrapartida, um livro reminiscente, afetuoso, escrito com ternura e palavras redondas como escreve JLP, não é grande coisa! É coisa de "fracalhotes". É literatura "fraquita" e delicodoce e, por isso, pouco interesse tem.
    Dizem "eles"!
    Mas não é verdade. Essa literatura "mole" e delicodoce é extraordinariamente subtil e poética e apela, realmente, à sensibilidade universal.

    Maria do Rosário Pedreira, no seu profundo sentimento poético, ofereceu-nos, um dia, este maravilhoso escritor: José Luís Peixoto.

    Mantenho a confiança em ambos, esperando que nunca se enganem!

    Bolo Rei Seco e Esfarelado (hoje, muito húmido e amolecido)

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    1. Obrigada pelas suas palavras, mas o mérito é sempre do escritor. Eu não faço mais do que ler muito e, quando calha, aparece uma coisa assim. Só posso receber elogios pela teimosia, por nada mais.

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    2. António Luiz Pacheco9 de novembro de 2011 às 03:25

      " Nos dias que vão correndo a "negrura" e a "brutalidade" vão vingando nesta fraquíssima literatura portuguesa. Tudo o que fôr "negro" e muito "pesado", aos olhos de certas pessoas - poucas, felizmente! - é assunto bom! De qualidade!"
      SIC - "Bolo Rei - (hoje amolecido...)

      Parece-me na minha imensa ignorância, mas não falha de sensibilidade e de pensar, que tem razão! Sinto que os nossos escritores, enfim e falo dos que a gente sabe, que valeria a pena ler, com potencial de cultura (chamo a isso ter coisas para dizer e contar) que sabem escrever, passaram a ser todos "negros"... depressivos até, cultivando em excesso o anti-heroísmo.
      Parece que escrevem para se exorcizar de culpas e fantasmas! Têm uma carga social e até tiques políticos que os torna agressivamente negativos e deprimentes!
      Mas, se calhar a responsabilidade é de quem os avalia, edita e divulga... porque é essa a sua sensibilidade e disposição. Será?
      Será que falta um refrescamento na classe dos editores? E que surjam editores que em vez de competirem pela busca e na apresentação de novos Saramagos e Lobo Antunes (parece que mais ninguém escreveu...), se soltem e livrem dessa demanda e dêem às pessoas outros géneros e autores? Ou ficaremos reduzidos aos Josés e Margaridas se quisermos ler outras coisas? Claro que há os estrangeiros... e o recurso aos clássicos...

      Não estou a criticar e menos a classificar... peço até desculpa por estar a dizer uma possível asneira, dada a minha condição de outsider e assumido ignorante do Mundo das letras, que se calhar devia calar-se. Mas se não fizer estas perguntas, não aprendo... que é o que venho fazer a este blog e convosco, me perdoem!

      Saudações do Campo - também estou húmido e amolecido... é do tempo!
      Um abraço, enfim, contido para não o esfarelar!

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    3. Caro António Luiz Pacheco, boa tarde, hoje com sol!

      Também há uma questão pertinente e que merece ser realçada: é que há muito escritor "novo" que NÃO TEM NADA PARA DIZER! NADA PARA CONTAR!!
      E, portanto, recorre a pesadelos.
      Será esta, quanto a mim, a razão de tanto rectangularismo e inexpressão literária.

      Porcarias!!!

      E, mais uma vez, "O mercado está cheio de livros reles de autores reles" António Lobo Antunes dixit.

      Graças aos Céus que JLP existe!

      Uma boa tarde para Vexa e sempre a considerá-lo!

      Bolo rei seco e esfarelado, hoje dentro de uma bela lata a ver se amoleço um pouco.

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    4. Olá Bolo Rei!
      Temos homem e temos conversa! Caramba...
      Gostava de a ter de outra forma, sem ter de maçar os bloguistas, de forma mais pessoal!
      Porque nada mais estimulante do que aqueles que pensam ao nosso jeito, ainda que de sentido contrário - esta é profunda! Percebeu? Quero dizer, fui capaz de transmitir?

      Diz o BR-SEE : (e diz bem!)
      ... há muito escritor "novo" que NÃO TEM NADA PARA DIZER! NADA PARA CONTAR!!E, portanto, recorre a pesadelos.

      Pois é... há quem julgue que basta umas noites no BA a consumir e a ouvir... e é-se um Pessoa!
      Pimba! Fórmula imediata, just add ... o que calhar! Andará por aí o Nuno Tonelo? Era uma mais-valia nesta discussão, acho!

      Mas eu (olha quem) acho que o mal dos nossos escritores actuais, é que apostam tudo na sua divagação sobre os temas e fazem em vez de livros , uma espécie de ensaios!
      Os diálogos e a história, que eu julgo serem o âmago do romance, são secundarizados!
      Parece que o diálogo é considerado um recurso de telenovela, quando um grande romance tem sempre diálogos fabulosos - leia-se Hemingway!
      Estarei a dizer asneiras? Talvez... mas só compro o que entendo...

      A propósito, e peço me desculpem mas é o problema dos blogs e de não ter outra forma de comunicar com os anónimos... têm de levar com esta treta... sabe que fui responsável por uma loja de referência em Lisboa, o ex-Ibérico , que assumi como Feira Nova de Telheiras?
      O bolo-rei da loja era célebre...
      Pois fui buscar ao concorrente Carrefour o seu pasteleiro, de nome Manuel, que era natural de S. Martinho da Anta (está a ver?). E o bolo-rei de bom passou a soberbo!
      Primeiro acabámos com o uso de amendoim! Só amêndoa, nozes, passas e pinhões como manda a lei! Mais, dei autorização para que se usasse um bom vinho do Porto na massa! E de facto, no Natal de 1995 que ali passei, havia senhas e segurança, tal a procura do bolo-rei!
      Ainda hoje é um dos meus bolos preferidos!
      Saudações do campo.
      Um abraço!

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    5. Olá António Luiz Pacheco!

      Reproduzo o seu "olá" - bastante mais íntimo - e bastante mais afetuoso!

      Percebi, perfeitamente, o que disse e, mais uma vez, estou de acordo consigo. Aliás, os acordos desacordados (mas não sonolentos e ramelosos) é o mais interessante. Os acordos desacordados estimulam a verve, espevitam os raciocínios, agitam as entranhas sem as deslocar.

      Também eu tenho pena de estar a abusar do blogue da nossa querida, sensível e culta amiga, Maria do Rosário Pedreira, mas não vejo outra maneira de parlapiar consigo! Haver, há-a, mas, pela minha parte não a posso revelar. Não posso, nem quero!
      Adoro este anonimato bem educado e cortês.

      E já agora lhe digo, querido amigo - deixe-me tratá-lo assim porque o nosso convívio já a isto dá direito - que exalto, enalteço, elevo, aprofundo cada dia que passa um assumido elitismo cultural.
      Sim! Elitismo cultural! Cheguei a uma altura da vida em não dou nem participo nem quero condescender com isto e aquilo e mais aquilo. Chega! Não quero mais pertencer a uma procissão de bimbos da cultura, de exuberantes do nada, de pessoal que está interessado em promover-se por via da grande mediocridade. NÃO QUERO!!!
      Dir-me-à com o seu ar benevolente, uma vez que se aproxima a quadra natalícia: "Então, então! O sol quando nasce é para todos..."
      E eu responderei, sempre rebelde: "Pois é! Mas há uns que têm direito a toldo e a bolacha americana e outros que expõem o bronze nos areais da Caparica que é um sítio que eu detesto!"

      Haja e reanime-se a zona cultural portuguesa! Não quero mais trafulhas na minha vida!

      Com licença, António Luiz Pacheco! Tenha um bom dia de São Martinho que eu também vou fazer por isso!
      Depois das castanhas e do vinho - como manda São Martinho - umas fatiazinhas de Bolo rei caem sempre muito bem!

      Sempre a considerá-lo e até ao próximo "poste" desta nossa amiga,

      Bolo Rei Seco e Esfarelado

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  4. Anotada a sugestão. Obrigada.

    Claudia Tomazzi:
    Às vezes (muitas, aliás) não percebo o que escreve. Será apenas defeito meu?

    Rebecca

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    1. Certamente não é defeito, Rebecca. Palavras são palavras, ás vezes aquecemos.

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  5. Vicente Lopes Saudade8 de novembro de 2011 às 07:19

    José Luís Peixoto, o jovem escritor que Sócrates não reconhecia, é hoje um dos mais importantes escritores da chamada "geração 25 de Abril".
    Desde o 'Morreste-me', dedicado a seu pai, até ao romance 'Livro', vem-nos mostrando a sua perspectiva do mundo. E é uma perspectiva magnífica, devo dizer, que abre ou deveria abrir muitos olhos...
    Não é espanto ter livros publicados lá fora e ser lido na América Latina ou no leste da Europa.
    O que é espanto é que não o leiam com o devido carinho no seu próprio país, semelhante em muitos outros casos.
    Talvez este 'Abraço' caloroso seja o convite para que mais portugueses o leiam.

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  6. Já o tenho:)
    Gosto muito da escrita do JLP . Conheci-o com o Cemitério de Pianos e, mais tarde, com o Livro. Ambos belíssimos. Já tenho mais três dele mas que ainda não consegui ler. Cria-me angústia ver a estante dos livros "por ler"- tenho sempre a sensação que não vou conseguir ler tudo o que escolhi. Costumo dizer a brincar que tenho um PPR na Bertrand e outro na Fnac, mas receio sinceramente, que quando chegar à minha vez, a reforma já ande pelos 80 anos...:) Por isso, em breve, vou ter que encaixar esse delicioso Abraço. Não quero correr o risco de o perder.

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  7. Gosto muito do JLP, sobretudo em prosa. É tão verdadeira e sincera a sua escrita, que o surrealismo que por vezes tem chega a parecer real. Vou acolher este abraço, que bem preciso.

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  8. Estou precisamente agora a saborear este maravilhoso Abraço! Devagarinho, para não se acabar depressa.
    Adoro a escrita do Zé Luís, que é de uma grande delicadeza, mesmo quando fala de temas pesados.

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  9. Desde que me deram a conhecer os livros de JLP, há uns 8 anos, nunca mais o larguei. O "Abraço" é um conforto.

    Já agora, aproveito para lhe agradecer também, uma vez que contribuiu para descobrirmos este escritor!

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