O trabalho compensa

Já sabemos que saem em Portugal cerca de quarenta livros por dia e que as livrarias e os supermercados não conseguem acolher tudo ao mesmo tempo. Primeiro devolvem-se os monos – que apresentam vendas insignificantes – mas, logo a seguir, vão os livros de venda média, de autores estreantes ou, pelo menos, não consagrados, porque é preciso lugar para as novidades. Faz agora um ano publiquei o romance Rio Homem, do actor e encenador André Gago, que Lídia Jorge apresentou no dia do lançamento. O autor trabalhou nele dez anos e, quanto a mim, fez uma estreia invulgarmente boa no mundo da ficção. E o trabalho compensou porque, recentemente, lhe foi atribuído o Prémio de Primeira Obra pelo PEN Clube, o que quer dizer que temos um bom pretexto para o recolocar nas mesas e estantes dos pontos de venda, onde há muito não estava. Se da outra vez não deu por ele, eis uma segunda oportunidade que não deve perder.


 


Comentários

  1. Concordo, Maria do Rosário: foi uma estreia muitíssimo boa.

    ResponderEliminar
  2. Na minha luta de resistência contra o meu consumismo, marco os livros que me interessam e depois compro-os, ou não, consoante uma qualquer lógica que não domino, excepto talvez a da contabilidade caseira que ainda vou controlando. Assim, é vulgar aguentar a compra dum desses livros até ele estar quase a desaparecer da vista, isto é, das estantes das livrarias por onde vou circulando. Aconteceu com o de Camarneiro - gostei muito - com quem estabeleci uma espécie de jogo de nervos, e de que comprei na Fnac Alegro o último exemplar que lá estava há cerca de um mês. Tenho reparado que, até anteontem, não voltou a ser reposto e é pena. Ao Tiago Veiga de Mário Cláudio está quase a acontecer o mesmo. A Manhã do Mundo também ainda resistia, mas Setembro foi só há dois meses.

    ResponderEliminar
  3. Confesso que este livro passou-me um pouco ao lado. Melhor dizendo, recordo-me perfeitamente dele mas nunca lhe dei muita atenção. Provavelmente fui vítima dos meus preconceitos - considerei que fosse apenas mais um daqueles livros de uma figura pública. Prometo olhá-lo de modo mais isento . Mas há tanto lixo a entupir os escaparates, apenas porque o seu autor é conhecido que, às tantas, paga o justo pelo pecador. Prometo espreitá-lo devidamente. Detesto preconceitos. Mas não há quem não os tenha.

    ResponderEliminar
  4. Vicente Lopes Saudade4 de novembro de 2011 às 04:33

    Lembro-me do André Gago num excelente spot publicitário a uma marca de vinhos, que brevemente voltará ao ar, visto estarmos próximos do Natal...
    Pelo que sei André Gago é um homem recatado, um actor que aparece pouco na tv, buscando a felicidade e a visibilidade pelo bom trabalho no teatro, a alma da representação...
    Não sei se é um bom romancista, mas já folheei este mesmo livro por curiosidade. Pareceu-me bom, e devo apostar mais em André Gago do que em outros senhores que são, de uma maneira ou de outra, figuras públicas.
    Isto porque quem «escreve» assim não é gago!

    ResponderEliminar
  5. António Luiz Pacheco4 de novembro de 2011 às 05:18

    Será preconceito, mas ter um nome conhecido de actor, faz-me acreditar que auxiliou quer na edição quer na atribuição do prémio... assumo a minha quota parte nas muitas injustiças que se cometem e creiam que tento compensar naquilo que está ao meu alcance e compreensão.

    Ainda um dia destes comentava com a minha mulher esse facto que me espanta... a rotação enorme que vejo nos escaparates!
    E sempre com novidades!
    É que nem o linear das frutas e legumes frescos do Pingo Doce de Linda-a-Velha no tempo da D. Berta, tinha uma tal rotação!

    E ponho-me a pensar que se até eu, editei um romance! Se bem que não tenha (ainda) tido o direito a ser exposto assim...

    Será mais um indício de que a edição se tornou deveras um negócio género máquina de encher chouriços?
    E isso beneficia ou prejudica aos livros, enfim aos "bons"... que assim perdem a vez, por causa de modas e mediatismo de alguns?

    Saudações do campo!

    ResponderEliminar
  6. não li.

    não gosto do título.

    e há de facto preconceito para com actores, pivots de televisão, etc, tudo por culpa do "Budapeste" do Xico...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não li.

      Provavelmente lerei.

      Gosto do título e da capa.

      Posso compreender que se tenha algum preconceito contra alguns actores, contra alguns pivots, contra o que seja que nos afogue a existência nestes dias demasiado intensos, mas parece-me injusto neste caso porque o actor autor tem demonstrado que é actor e não será propriamente mais uma starlet de telenovela a querer aparecer.

      Eliminar
    2. se tiver oportunidade também o lerei.

      mas posso pelo menos não gostar do título?

      Eliminar
    3. Pode, claro que pode. Pode até não ler o livro. Peço desculpa se fui despropositado, coisa que não pretendia ser.

      Eliminar
  7. (ainda) não li.

    adoro o título.


    PLFF

    ResponderEliminar
  8. Quarenta livros por dia, 280 por semana, pouco mais de mil por mês? É isso.
    E também, ficam chateados se não decolar um livro de primeira?

    E Rio Homem depois da concorrência de um ano fecundou...

    André Gago parabéns!

    ResponderEliminar
  9. Já tenho o livro, comprei-o antes (mas ainda não o li).

    ResponderEliminar
  10. Fiquei agradavelmente surpreendido com a contemplação do prémio a Rio Homem de André Gago. Logo que soube da respectiva publicação, corri a adquiri-la. O tema interessava-me imenso e o autor habituou-me a trabalhos de qualidade - André Gago não tem nada em comum com aquelas figurinhas da TV, "autores" de ficções. Para mim trata-se de uma grande narrativa, embora pudesse ser limada, mas isso é como tudo: é sempre possível melhorar. Ofereci a amigos e aconselhei-a a várias pessoas, porém, de repente, desapareceu das livrarias. Ralhei com uns livreiros, até cheguei a interrogar-me acerca do motivo pelo qual Rio Homem não surgia como obra de referência. Os que liam não diziam nada, os outros não ligavam. Pensei: sou eu que sou maluco - só gosto de coisas diferentes, o que até não é mau, de todo, pelo menos, não alinho pela carneirada, sem pretensiosismo ...

    ResponderEliminar
  11. E eis que um prémio ressuscita o morto. E todos estavam mortos quando o morto estava vivo.
    ABC

    ResponderEliminar
  12. Enorme prazer em falar-lhe, Maria do Rosário. Sou do Brasil e adoraria poder ler Rio Homem, de André Gago. Sou admirador da cultura e da literatura portuguesa.
    Como faço para adquirir o livro aqui no Brasil?

    grato

    Rangel

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório