O rapaz e o homem
Deliciosa novela esta, para ler de fio a pavio durante um serão, porque as páginas são menos de cem e a letra grande para não cansar os olhos. Boa noite, Senhor Soares, de Mário Cláudio, é uma história inteligente e bonita que cruza o jovem aspirante a caixeiro António Felício e o tradutor Soares no escritório dirigido pelo senhor Vasques, onde também circulam o Moreira, o Borges e outras personagens que facilmente reconheceremos do Livro do Desassossego – porque este Soares que convoca o respeito e exerce o fascínio do António não é senão o Bernardo, heterónimo de Pessoa, um tipo bastante neurasténico que escreve poemas e come pouco, fala quase nada e está atento a tudo, mesmo quando parece que não. Contada pelo António – moço que veio da província e se instalou em casa da irmã, moura de trabalho por causa de uma sogra e de um marido insuportáveis que só merecem ser conhecidos no papel –, esta é a história do pequeno a olhar para o grande, do provinciano a admirar a capital, do rapaz sensível com medo de se rir da estranheza do génio. De leitura extremamente aprazível e até ternurenta, não falha nesta novela uma referência de passagem a Tiago Veiga, protagonista do mais recente livro do autor, como um anúncio velado do que estaria para vir.
E que bem descreve Cláudio neurastenias e hipocondrias...
ResponderEliminarSão três da manhã! Decidi exercer o meu direito à abstracção. À indignação. Ando às voltas com o pretérito, à procura da coragem da dura rendição. Tudo se contamina!
ResponderEliminarNão insistas: nunca me lerás bem. Ando sempre mais depressa, mesmo que mais depressa seja ficar sentada na gruta, imersa no escuro, a ajustar contas com a vida. Labiríntica.
Olho para as cartas. Estão remotas. Perdidas. Têm o solo manchado, talvez por não escrever nunca com a tranquilidade que anseio. E apercebo-me que, apesar de já ter vivido duas décadas, não sei nada do mundo.
Não importa. O mundo continuará sem ti. Sem mim!
Hoje é um dia importante. Fui para o terraço consumir-me. Descobri que hoje faz muito tempo. E já não teremos dito o que realmente era devido. Não terei reaEvadi-me lá ao fundo. Ainda não me consegues descobrir porque ando cá fora. A pratear-me. Anoto todas as ruas, todas as vírgulas. Até a dormência de tantos gestos magros desta gente.
Lembras-te de quando existíamos por aí? Uma vez, sob um céu sem estrelas, um miúdo sentou-se naquela pedra alta e escura e decidiu esquecer o amor.
Uma senhora aproximou-se, de olhar atento e expressão dura, e pediu-me que pusesse a vida por escrito. Eu perguntei-lhe porquê – esta minha mania de achar que tudo tem uma razão – e ela limitou-se a encolher os ombros, e disse-me que, para variar, convinha ter a certeza de alguma coisa.
http://pergaminhosolto.blogspot.com/
Escrevo! Sonho tornar-me escritora – dizer alguma coisa ao mundo. Passar mensagem. Ficar e durar!
Daniela cardoso – daniela_cardoso7@hotmail.com
Eheheh! (LOL...)
ResponderEliminarTivéram a buer o quê?
Há momentos bons de facto, aqui, debaixo do Sol...