Intervalo

Pela primeira vez em mais de vinte anos de carreira, uma feira do livro estrangeira convida-me e paga-me para lá estar. Fica longe, bem sei, a cidade mexicana de Guadalajara – e tantas horas de avião vão ser mesmo um suplício. Mesmo assim, não iria dizer que não a um programa que inclui, entre outras coisas boas, dois Prémios Nobel da Literatura à conversa: Herta Müller e Vargas Llosa. Dificilmente teria oportunidade de os ver juntos outra vez... Resultado: aceitei e o blogue é que paga e vai ter de estar parado até ao fim do mês. Que me desculpem os leitores, sobretudo os que cá vêm ler-me todos os dias. Mas podem sempre trocar esta fraca prosa por umas horas extraordinárias com um bom livro.

Comentários

  1. Eu também quero ir...:)

    Boa viagem! Ficamos à sua espera:)

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  2. boa viagem e cuidado com as falsas modéstias. :)

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  3. Pois boa viagem!

    Dê cumprimentos ao Mario! E depois conte-nos!
    Aposto que vai valer a pena, quanto mais não seja pela diferença.

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  4. Que o programa siga dentro de momentos, como se usava dizer quando havia interrupções na emissão... Boa estadia.

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  5. Esperemos que traga boas histórias para nos contar aqui no blog.

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  6. Parabéns e boa viagem!

    P.S. Essas horas de avião, para mim, também seriam um suplício...

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  7. Uma pedreira na América do rosário é Maria!

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    1. Ahahah! Bom jogo com as palavras!

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    2. Com todo o respeito meu senhor, não trata-se de jogo, embora seja matemática. Um intervalo de confiança de 95% para um parâmetro populacional fornece um intervalo no qual estaríamos 95% confiantes de cobertura do verdadeiro valor do parâmetro.

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    3. Pronto... pronto... retiro o ahahah!
      Deveras a expressão simplista que formaliza uma disposição errónea e perene da minha afirmada condição ignara.
      Perdoe a falta de entendimento manifestado com tão infeliz quanto atrevida aleivosia, quiçá porque a mensagem indevidamente apreendida por tão intrínsecamente elaborada em termos esotéricamente cabalísticos se me apresentasse como nebulosa e tenha adensado as já espessas trevas em que me enfronho!
      Reconheço que para lá da trigonometria plana ou esférica, as altas matemáticas sempre se me alcandoraram a instâncias onde deveras não alcançam as minhas funções de selecção e síntese humanas e por isso assim se quedando a níveis terreais, irremediávelmente.

      Com os meus respeitos, curvo a coluna vertebral que apesar de tudo suporta o meu mísero esqueleto.

      Saudações Campesinas!
      (ufa...)

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    4. Aprendi com vosso Prof. Doutor João Castro Nunes, que a poesia é ciência.

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    5. oh "Pacheco" (desculpe esta ousadia) permita-me dizer-lhe que gostei muito de o Ler, fez-me até rir, e ainda lhe vou confessar, mas não diga nada à "Cláudia", que nunca percebo muito bem os seus dizeres, mas é certamente culpa minha que não entendo nada de matemática!

      Saudações citadinas!
      Isabel

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    6. Ó Isabel...
      Isto é a minha costela de ambaquista ... sem dúvida que influenciado por alguma vivência africana! Eheheh!

      Imagino que não saiba o significado de ser "ambaquista", mas não se rale! É o que de tão estimulante tem este blog! Descobrirmos coisas!
      Fica o convite, a si e aos restantes que não saibam o significado do termo, para que vão à procura! Vão achar graça e depois fazem um brilharete a dizer uns aos outros:
      - Não estejas armado em ambaquista !

      Saudações do campo!

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    7. Ó "Pacheco", Ambaquista !?? E eu a pensar que só não entendia a "Cláudia"!! Mas prometo que vou procurar o seu significado, até porque vou ter mais tempo, já que a Maria do Rosário nos dá uma folga até ao fim do mês, não é verdade? Olhe, atrevo-me a dizer - Não esteja armado em ambaquista !!!

      Saudações da cidade
      Isabel

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    8. Ambaquista ! Eheh !, não conhecia, já fui espreitar e é uma palavra de génese angolana muito interessante. Não está no Priberam, mas devia estar.
      Quanto à Cláudia, é um facto que nem sempre a entendemos, mas tem frases muito belas. Saudações a todos.

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    9. Olá Paulo!
      É de facto a riqueza da nossa língua que está à vista!
      Pelo facto de nem sempre a entendermos. É perfeitamente possível escrever um texto, em português actual e correcto, de uma forma que não seja percebido!
      E note-se que este blog é frequentado por pessoas cujo conhecimento do nosso idioma é elevado, como se subentende!
      Diria que muitos de nós somos ambaquistas ...

      Ambaquista, provém da Ambaca, que era uma missão religiosa onde se ministravam as letras.
      Os que dela saíam, normalmente africanos negros e sobretudo mulatos, possuíam letras bastantes e o domínio da língua para ocuparem cargos na administração ou serem secretários dos sobas (a autoridade local tradicional), ou junto de advogados, notários, etc. Mas muitos ganhavam a vida escrevendo cartas, petições, demandas, favores ou interpretando documentos oficiais, leis e posturas que na sua linguagem já então tradicionalmente hermética, eram de difícil compreensão.
      Eram uma espécie de solicitadores, ambulantes!
      Lembro que estamos a falar do séc. XIX em que a população mesmo europeia era iletrada.

      O ambaquista apresentava-se com o seu naterial de escrita itinerante e distinguia-se por trajar cuidadamente e pela sua pose, usando de uma maneira de falar diferente por ser letrado, no que fazia gala, expressando-se por isso de uma forma rebuscada e muitas vezes a despropósito!
      Daí que o termo ambaquista tenha dois significados:
      1- Por definição é alguém culto e que fala bem.
      2- Depreciativamente e o mais comum, designa quem seja pretensioso, digamos intelectualmente presumido e use palavras rebuscadas para se afirmar dessa presunção.
      Ainda hoje há essa tendência nos angolanos... os funcionários e os políticos, os académicos, usam e abusam de uma forma de falar que eles presumem manifestar a sua superioridade e uma cultura, compondo frases e expressões tão a despropósito quanto excessivas, pomposas e quase sempre inadequadas e fazem-no com uma expressão e atitude característica e em tom superior... é ouvir declarações na TV ou rádio.

      No fundo é um estilo que se mantém e copia...
      Afinal as gentes do futebol não falam quase sempre dessa forma? - "O árbitro avisou o treinador que se afastasse da área técnica". É um exemplo... "Criar abertura para explanar o jogo!" Etc.
      E as polícias/GNR? Falam de uma forma também característica: "Foi detectado um indivíduo cuja movimentação era suspeita". "O veículo não se imobilizou à ordem do agente, que agiu em conformidade" etc.
      E os bombeiros? "Foi deslocada para o local uma viatura com 6 elementos". "O material foi identificado como potencialmente inflamável".
      E os economistas? E os políticos?
      Todos ambaquistas!!!

      Um exemplo actualíssimo, parte de uma carta de um professor universitário que me foi dirigida e dizia assim:
      "... em que resumia-me alguns grandes constrangimentos referentes a falta de estrutura funcional administrativa... " (para referir a incompetência do apoio administrativo)
      Mais à frente: "...Ate quando continuaremos a estruturar esperança aos jovens que pela inocência dos factos na verdade se disponibilizaram em detrimento de ano escolar e outros a fazeres acreditam no futuro do projecto..." (para questionar a falta de informação sobre os objectivos por parte dos alunos).

      Por vezes não somos todos ambaquistas?
      Vamos lá então recuperar o termo... ahahah !

      Saudações do campo e bom fim de semana!

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    10. Upa... corro o risco de ter sido indelicado para com alguém de quem muito gosto e respeito!

      Não estou a chamar à nossa estimada e muito querida (acredite que sim!) Cláudia, presunçosa!
      Que fique muito bem claro! Ela escreve de facto no seu estilo elevado, e digo-o sim pelo respeito que me merece quem escreve de facto frases muito bonitas!
      Desejo não ter sido considerado ofensivo!
      Ás vezes a manifestação do nosso humor pode ser incorrecta e por isso peço desculpa por ter escrito sem pensar!
      Também eu tenho esta tendência para escrever num estilo perifrástico e elaborado, talvez de ambaquista!
      Peço a todos me desculpem.
      Saudações renovadas!

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    11. Seriam então uma espécie de snobs dos trópicos.

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    12. Ó António (perdoe o excesso de familiaridade- ao fim de uma troca de mensagens é o que dá!), fui consultar o dicionário à procura da palavra para aqui explicar o seu significado e afinal antecipou-se! Perdi assim uma oportunidade de exibir o meu lado ambaquista !!Não quer lançar outro desafio??!
      Saudações da cidade e Uma boa semana para todos.

      Isabel

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  8. Julgo que para muitos portugueses a América Latina é sintetizada através das suas impressões das férias em Cancun , Punta Cana e Varadero. O Brasil será encarado como se não pertencesse ao contexto geográfico, histórico, económico, cultural e político. Os intelectuais e personalidades são desconhecidos Chavez , Isabel Allende , Garcia Marquez e Llosa ) e pouco mais, em suma, estão claramente por fora do contexto. Para quem teve o privilégio de ter vivido na Venuzuela do tempo das multinacionais a explorar e a ditar tem naturalmente outra visão e está feliz com a evolução social da grande parte dos países - fico esperando que acrescente algo...

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    1. Ó amigo Luís Urgais sabe que ainda muito recentemente não era bom português quem não ia de férias para Cancun , Punta Cana, Varadero, Cuba, Rep Dominicana, etc. e deixe-me acrescentar que a dita fauna ficava 15 dias fechada lá no resort e não faz a mínima de quem poderá ser Chavez , Isabel Allende , Garcia Marquez Llosa, Mário Beneditti ...ainda se fosse o Messi ou o Ronaldo,,,ou os macacos da casa dos segredos...

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  9. Boa viagem. Vai ver que a viagem de avião passa num instante.

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  10. Desejo-lhe boa viagem e boa estadia.
    Com esses outros convidados com certeza a experiência vai ser única.
    Não se esqueça depois de partilhar os episódios mais engraçados que ocorram por lá.
    Leia um bom livro no avião e depois...durma!
    Cuidado com os cartéis de droga...
    Até!

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  11. Boas viagem, boa estadia e muita literatura para contar no regresso

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  12. Na falta dos belíssimos textos de MRP , aqui está um de alguém, uma coisa linda a valer: Maria Judite Carvalho - Tanta Gente, Mariana - "Maria Judite de Carvalho, feiticeira secreta da solidão" dela escreve Urbano Tavares Rodrigues no final do Prefácio que assinou nesta tão esperada reedição de Tanta Gente, Mariana: "…Há também na obra de Maria Judite de Carvalho desde o começo uma poética dos títulos, que aliás não é alheia a uma certa poesia da sua escrita, detectável em certas imagens que vibram na economia, que não é secura, dos eventos e dos diálogos. Tanta Gente Mariana é, de certo modo, um retrato interior da mulher ao mesmo tempo meiga e arisca e tão secreta que eu profundamente amei e sempre admirei." Foi com emoção que li o Prefácio da reedição de um livro que já li apaixonadamente por diversas vezes e cada leitura é uma nova revelação para mim…“… Uma noite dos meus quinze anos dei comigo a chorar. Não sei já qual foi o caminho que me conduziu às lágrimas, tudo vai tão longe, perdido na fita branca do passado. Só me recordo de que o pai me ouviu e se levantou. Sentou-se ao de leve na borda da minha cama, pôs-se a acariciar-me os cabelos, quis saber o que eu tinha.
    - Estou só, pai. Não é mais nada. Dei porque estava só e isso pareceu-me… Que parvoíce, não é? Estou agora só! E tu então? Tentei rir a tapar-me, já arrependida da franqueza, mas ele não colaborou e isso salvou-o da raiva que eu havia de lhe ter na manhã seguinte. Não se riu e a sua voz, quando veio, era muito doce, quase triste.
    - Também deste por isso – disse brandamente – Também deste por isso. Há gente que vive setenta e oitenta anos, até mais, sem nunca se dar conta. Tu aos quinze… Todos estamos sozinhos, Mariana. Sozinhos e muita gente à nossa volta. Tanta gente, Mariana! E ninguém vai fazer nada por nós. Ninguém pode. Ninguém queria, se pudesse. Nem uma esperança. - Mas tu, pai… - Eu… As pessoas que enchem o teu mundo não são diferentes das do meu… No fundo é muito provável que algumas delas sejam as mesmas, mas aí está, se fosse possível encontrarem-se não se reconheciam nem mesmo fisicamente…Como havemos de nos ajudar? Ninguém pode, filha, ninguém pode… Ninguém pôde…" (excerto) A reedição de Tanta Gente, Mariana já se encontra à venda. Uma bela prenda para o Natal que se avizinha

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    1. Pessoalmente gostei do carinho deste momento de: Tanta gente, Mariana
      ...Não fui eu a abrir as mãos que, vejo-o agora, já estavam abertas. Fui forçada a agir e também
      a ficar quieta. Eu às vezes ia por uma rua larga, a ver o caminho livre e dava de súbito,
      inesperadamente, com uma parede. Já era tarde para recuar e então tinha de procurar de
      qualquer modo sair dali ou então desistir e deixar-me ficar. Não era eu quem construía o
      muro, não era eu também quem adiantava o tempo. Tudo estava lá, preparado para a minha
      chegada, à minha espera.” (pp.35-36).

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    2. "Tanta gente Mariana..." Obrigada a estes "colegas" que passam por cá e deixam estas coisas bonitas...
      Isabel

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    3. Faço minhas as palavras da anónima Isabel!

      Afinal vale sempre a pena passar por aqui em busca de algo extraordinário... sejam horas, palavras ou idéias...

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  13. Ela deixou-nos...

    La cucaracha, la cucaracha... Lá, lara, lara, lá, lá...

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    1. Ela está quase a chegar!!!

      Yuppi!yuppi!

      Cristina

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  14. Passei por aqui porque acreditava já a ter de volta a este universo. Tenho andado a ler «Hoje preferia não me ter encontrado», de Herta Müller . Tem-me feito sofrer, mas é um sofrimento bom, que renova alguma coisa cá dentro. Comprei-o pelo título (e pela autora, que ainda não conhecia e tinha curiosidade em ler). Há títulos a que não resistimos, como um amor à primeira vista.
    Bom regresso!

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