Andar para trás
Agora, que os Portugueses estão condenados a grandes sacrifícios por via da dívida externa do País, disse-me um político e economista que não teremos outro remédio senão vivermos como vivíamos nos anos 80 do século passado. Os custos não serão apenas os reais (subsídios cortados, desemprego, ausência de regalias e férias passadas no autocarro para a Costa de Caparica, e não em Punta Cana ou Varadero), mas também os da chicotada psicológica que foi terem-nos permitido ao longo de tantos anos experimentar o que, afinal, não passava de uma ilusão. Quando ouvi aquilo, perguntei-me se não teria sido melhor não termos chegado sequer a provar a guloseima, já que a experiência de passarmos de cavalo para burro é seguramente mais traumática do que a de permanecermos potros toda a vida. Que será, por exemplo, ficarmos de repente sem estruturas como a FNAC – hoje parte integrante do nosso quotidiano – que, na Grécia, segundo contou ao Manel um editor grego, já fechou as lojas e saiu do país? Ou deixarmos simplesmente de publicar livros, como também lhe explicou esse editor, não porque não haja leitores, mas porque as lojas, com a crise, não encontrarão forma de pagar? Depois de vivermos – mesmo que num arremedo de sonho impossível – no século XXI, será que conseguiremos realmente recuar trinta anos?
Sabe, felizmente nunca precisei de fazer contas para comprar livros. Ontem estava com um Dostoyevsky na mão, com 20% de desconto, e, quando cheguei à caixa, hesitei com a mão na carteira, ciente do meu saldo. Perguntei à funcionária até quando decorre a campanha e voltei a colocar o livro na prateleira. Pela primeira vez fiz contas para comprar um livro. Um livro.
ResponderEliminarnunca recuaremos aos tempos dos anos oitenta, porque os relógios não andam para trás, nem vamos destruir as infrasestruturas criadas nos últimos trinta anos.
ResponderEliminarvamos sim ter menos dinheiro, aquilo que consideramos supérfluo fica nas lojas.
quem compra livros apenas para colocar na estante, se calhar vai às lojas dos trezentos comprar apenas lombadas douradas de imitação...
mas o problema não é apenas dos que não pagam, há também aqueles que já não recebem os livros, ou seja as livrarias que fecham todos os meses.
mesmo as com história, como a 107 da minha cidade, porque vive-se sempre do presente e nunca do passado. e é impossível competir com "monstros" e "gigantes". só nos descobrimentos é que demos a volta ao adamastor...
mas as margens de lucro das editoras também terão de baixar, nunca percebi porque razão os livros no nosso país são tão caros (mais caros que na maior parte dos países europeus).
Luis eme, não são as margens das editoras que são grandes, são as da distribuição: há distribuidores a cobrar 65%; neste valor está a margem da livraria; pensemos no custo do livro em termos de produção, gráfica e não só, revisores, tradutores, etc, e façamos as contas ao que resta...
EliminarQuando a editora é pequena, como aquela onde trabalho, e se fazem apenas 300 exemplares dum título, garanto que o PVP é a rapar o último cêntimo. O nosso objectivo não é o lucro, que não temos, é a divulgação científica.
não fazia ideia, "Areia".
Eliminarembora muitas distribuidoras pertençam aos grandes grupos editoriais.
os "pequenos" sofrem sempre, em tudo.
...perde-se a Fnac, volta-se aos anos 80, e quê? O problema não me parece que esteja, na perda de lojas como a Fnac ou de outros bens de consumo. Preocupante foi ruína da dignidade e o extermínio de alguns valores gerados pelo consumo exacerbado. Isso sim, é preocupante e não debatido de forma profunda. Tende-se sempre para esse tipo de desespero, quando se fala do desaparecimento das lojas de chupa-chupas " que durante os últimos anos alimentaram os pequenos e grandes luxos, e extravagancias dos "pobres porteguesinhos ".Está provado que o consumo de livros não significa um elevado grau de cultura de um povo, significa sim, um elevado consumo de bens, que no caso do livro é um bem cultural. (Esta é outra história). Também é verdade que o facto de haver mais informação, não quer dizer que as pessoas andem mais e melhor informadas, pelo contrário. O exercício que os portugueses deveriam fazer, no meu ponto de vista, é de contenção, contenção dos desejos que originam o consumo de bens supérfluos, nos quais se pode incluir os livros se este ficarem a decorar a prateleira. Um exercício de contenção é não só um exercício monetário mas também intelectual e gratuito, isento de impostos não alimentando assim os grandes senhores que dirigem esta epopeia do consumo que parece não terminar, por se ter tornado na ilusão suprema. Quando se consiga transformar a contenção em contensão talvez estas gentes, porque povo já não existe, estarão preparadas para ver que, o que há de facto para alimentar é antes de tudo o espírito, e que talvez um dos melhores alimentos para este sejam as palavras, mas não aquelas que estão dentro dos livros que nunca se abriu.
ResponderEliminarAbraços.
Concordo com a opinião expressa e que origina o debate! Pena ser sexta-feira, pois o tema promete...
ResponderEliminarE, em muito boa parte com o Efémero C.
Porém penso que vamos voltar sim um pouco atrás, aos anos 70 com a sua agitação social e o desnorte! Mas acredito e dou um voto de confiança ao povo português que resistiu e ultrapassou invasões bárbaras e de culturas superiores, a guerras, fome, doenças, cataclismos, maus governantes, isto sempre espoliado, explorado e oprimido, que emigrou e fez coisas grandes, deu novos Mundos ao Mundo, esteve na origem de grandes países, de movimentos e culturas!
E ainda aqui estamos a dizer mal de nós mesmos
como sempre...
Julgo que as grandes cadeias vão regredir e mesmo fechar. Ficará uma ou duas FNACS e as megalojas vão fechar, primeiro alargarão o seu core-business para além das farmácias, tentando rentabilizar espaços, o que não conseguirão mas ainda levarão a falir muitos negócios. Perdido o seu sustento demandarão outras paragens, deixando de ter a influência e o peso na economia que nunca deveriam ter ganho e era previsível o que causariam a um país tão pequeno, como um elefante numa loja de porcelanas!
Chineses e lojas dos 300 desaparecerão com os que compram-por-comprar-e-o-que-calhar ! Vai ser o regresso às feiras e ao pequeno comércio familiar mais racional, rentável e adequado à conjuntura. Haverá consumo nacional sim, por falta de dinheiro para pagar a toda a fileira que importa, armazena, distribui…
Reparem, alguém pode admitir que se pague por um tomate o que ele custa? Há excesso de valor acrescentado, sobretudo inútil… ele precisa de ser escolhido por cor e tamanho? De ser embalado numa caixa específica, com alvéolos? De ter marca e um selo de origem ou garantia que foi produzido com rastreabilidade e HACCP ? Não basta ser saboroso e são? O que beneficiou o tomate disso ou o consumidor? Nada… apenas porque na verdade, desse valor acrescentado se formou uma fileira económica que se alimentou dele, tornando-o caríssimo mas desajustado!
Nós não vivemos acima das nossas posses e sim as empresas, tendo emergido na sociedade uma classe de gente que consome cegamente e a que a distribuição chama “consumidor esclarecido”, porque o intoxica com informação de que ele não precisa! O consumidor esclarecido é um mito e na verdade quer dizer “aquele que é sensível à informação”, logo, “faz aquilo para que eu o orientar”!
Diria que com os livros é o mesmo! Dessa emergência social surgiu a oportunidade para escreverem e ser editados quem naturalmente não o seria, e, há um excesso de oferta com efeito parasita, porque as pessoas compravam sem o critério principal. Mas em o leitor reduzindo a sua compra e estabelecendo o critério e o valor que fez do livro aquilo que ele é, cultural e históricamente , creio que vai fazer desaparecer no curto prazo todo o circo mediático de marketing e merchandising que sendo apenas custo não valorizam a obra em si. Penso que será positivo porque ficarão apenas os editores-mesmo e desaparecerão os directores economistas, os gestores de produto que editam a pessoa e a imagem, não a literatura… percebem?
Uma regressão pode nem ser assim tão má, como evolução não significa mudar para melhor!
Perdoem-me alongar desta forma e o eventual asnear, próprio de um barrão ignorante nestas coisas da cultura e do Mundo livreiro e às vezes livresco…
Saudações do campo!
Qualquer povo dito "civilizado" e "culto", - que existe lá mais para o Norte - é frugal nas suas atitudes civilizacionais. Conheço bastante bem a Europa, certos países deste continente chamado Europa - e NUNCA VI, mas nunca vi centros comerciais megalómanos e gigantescos e absurdos e patetas e provincianos (no pior sentido) e pimbas e bumbas como os que existem em Portugal. Há países fantásticos sem um único centro comercial.
EliminarQuem é que se arrogou de exclamar e anunciar aos sete ventos que tem "o maior da Europa???" - o maior qualquer coisa! - Nós temos sempre o "maior" e o "melhor"!!!
Que reles!!!
Tudo muito reles e inculto. Temos o que merecemos. Temos autoestradas aos montes, autoestradas por onde não circulam, praticamente, veículos nenhuns - vide essa autoestrada magnífica paralela à A1: temos agências de viagens aos montes todas a vender viagens em prestaçês e não houve porteira nem cabeleireira nem costureira que não tivesse feito uma semana em Varadero ou em Punta Cana ou nos areais do Brasil. Tudo a prestações! O parque imobiliário era o maior e mais diversificado de toda a Europa. Os automóveis que circulam nas ruas e estradas deste país, se começarem a observá-los, são carros caríssimos, topos de gama de grandes marcas. As roupas são vendidas a prestações, cosméticos, supermercados, tudo, tudo é vendido a prestações. Um povo que não tem onde "cair morto" vive duma ostentação patológica. Não tem dinheiro mas tem tudo!! Empenharam-se até à raiz do cabelo. E agora?
Ai que vamos ficar sem nada!
Ai que vai tudo fechar!
Ai que vamos ficar às escuras!
Ai o meu rico carrinho que vou ter de o vender!
Ai, ai, ai, ai, ai!
A minha nacionalidade é a portuguesa, sim, e gosto desta nacionalidade. Mas tenho consciência e a noção do país onde vivo, país pequenino de pequenas falcatruas a todos os níveis: do desenrasca, dos mentirosos, das situações mal resolvidas, dos arranjinhos só para amigos, dos ordenados escandalosos, dos subsídios disto e daquilo em vez dum salário justo, das reformas miseráveis duns e das milionárias doutros.
Isto já foi tudo dito vezes e vezes sem conta.
São mentalidades. É fatalismo? É fado? Não!! Não é fado! É educação, mais nada. É cultura! E cultura é educação e educação é cultura.
Mas enquanto existirem programas na tv como esse nojo, essa repugnância que aparece todos os dias, essa revelação a olho nu da mais sórdida indigência cultural e ainda por cima só com jovens que mal sabem falar quanto mais pensar, que se chama casa dos segredos, enquanto houver disto, enquanto houver essa miséria de "jornalistas" aqueles que nos fazem chegar as notícias mal dadas, mal faladas e mal orientadas, enquanto houver responsáveis culturais sem iniciativa, etc, etc, etc não sairemos da cepa torta. Nem nas próximas gerações.
Basta uma pessoa andar umas horas de avião, para norte, e verifica a diferença.
Bolo rei seco e cada vez mais esfarelado.
Pessoalmente considero as bibliotecas, as trocas de livros entre familiares e amigos, em feiras de trocas de livros, em sites de internet um meio muito eficaz de conseguir novos livros para ler.
ResponderEliminarContudo, sou curiosa e gosto de procurar coisas novas. Não tenho e-reader, mas tenho dois programas de leitura de e-books instalados no computador. Há muitos gratuitos, e provavelmente os novos autores poderão recorrer a estes meios como modo de tentar divulgar o seu trabalho. Nem que seja em PDF! Vamos ser criativos!
Eu cresci nos anos 80 numa aldeia no meio da serra do Caldeirão e isso não me impediu de adorar livros. Ainda hoje, lá na aldeia, não é possível comprar sequer um jornal a não ser que se seja assinante. E isso não impede que as pessoas leiam. De 15 em 15 dias vai lá a biblioteca itinerante (excepto de verão que vai para as praias e não para a serra) e as pessoas trocam livros. Acredito que a crise chegue às editoras e às livrarias, mas quem gostar de ler vai sempre ler. (e a Fnac não é assim tão fantástica como isso - os preços são altos, o atendimento bera. Pessoalmente adoro livrarias pequenas com atendimento personalizado. Talvez essas regressem).
ResponderEliminarBoas leituras
O tópico promete. Levanta muitas questões que apetece opinar.
ResponderEliminarMas eu vou falar em contexto de livros.
Penso que a crise económica que atravessámos poderá ser uma chance (espero que bem aproveitada) de TENTAR mudar algumas coisas em Portugal e no Mundo.
O mercado editorial não foge à regra: ao mesmo tempo que se vive uma crise económica, existe uma transformação em curso no que toca à forma como consumimos informação e/ou literatura. Como sabem, a Apple de Steve Jobs decidiu dar forte com um dispositivo electrónico que prometeu revolucionar a leitura. E está a fazê-lo. Antes já a Amazon o tentara, mas só teve verdadeiro impacto, depois de ter concorrência da Apple e outros.
Hoje, já muita gente (no estrangeiro sobretudo) lê nesses aparelhos.
Se as tendências de mercado se ajustaram para isso, só temos que nos submeter a elas, mais cedo ou mais tarde. Quem quiser continue com livros em papel, pois existem milhões ainda em stock. Ainda estamos longe do cenário de "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury, em que todos os livros são proibidos e constantemente queimados (como na Inquisição, mas mais abrangente).
Se as Fnac fecharem, voltemos às livrarias de esquina e aos alfarrabistas!
Às vezes é preciso recuar um passo, para depois recomeçar a andar direito...
Espero que o meu país consiga honrar os compromissos e não tombe como os gregos. Nem que para isso se tenha que juntar a Espanha, na tão famosa "Jangada de Pedra".
P.S.:
Quando à falada "Casa dos Segredos", só vê quem quer. Acho mal se toda a gente consumir este tipo de produto, mas não me cabe a mim discuti-lo. A minha televisão normalmente está desligada aos domingos à noite. Com excepção para o "Câmara Clara" e Britcom, que aprecio ver quando me dá na telha.
A propósito, este domingo são os clássicos russos que vão ser esmiuçados no "Câmara Clara". Um programa a não perder.
http://camaraclara.rtp.pt/
Aos anos 80, é? Tenho boas recordações desses anos: grandes passeios Europa fora, em carros de cilindrada low-cost . Não me importava de repetir. Quanto à Fnac na Grécia, não é bem já ter saído: na realidade, não chegou bem a implantar-se, pois uma cadeia local muito semelhante ocupou o espaço. A Grécia é um grande país, mas mesmo antes da crise já estava uns bons passos atrás de nós na maioria dos itens, descontando talvez as pedras milenares e o que delas ressoa, e claro, a cor do mar.
ResponderEliminarDesde que comecei a trabalhar , há 13 anos, quando queria um livro comprava. E se calhar levava 2. No meu blog já falei muitas vezes na FNAC e na Bertrand, sem desprimor para as outras livrarias, referindo-me a elas como as lojas onde sou feliz, pois ao contrário do que se passa nas de roupa, tudo me serve e me faz feliz.
ResponderEliminarDe há uns meses para cá, tudo mudou, e passo nas lojas, sem entrar. Ou faço-o de coração apertado. Dantes, não passava um mês sem que eu comprasse 2 ou 3 livros, agora passam-se 2 ou 3 meses sem comprar nada. Os últimos 3 que comprei, estão entalados na garganta e na consciência, porque comprei-os em segredo, às escondidas , e os 3 juntos davam para pagar o almoço das 2 filhas durante um mês, ou as botas de que a mais velha está a precisar.
É a triste realidade. E chorei ao ponderar a ideia de ir pôr os meus livros à venda, porque lá em casa, há gente que precisa de comer, de se vestir, de se deslocar.
Aguardo que me chegue a casa um livro, um dos desejados de natal, que ganhei num concurso, fazendo valer os meus conhecimentos sobre as obras do autor.
Voltei a reler coisas que estavam na estante, e que agora me parecem diferentes, porque foram lidos com mais calma, com mais maturidade e com outra paixão.
Mas sinto saudades de entrar e correr as prateleiras, procurar Aquele livro e encontrar ainda Outro...de comprar livros e comprar lingerie..sim, sinto muitas saudades, mesmo
Como em tudo na vida, pagam os justos pelos pecadores. Penso que aqui não se trata somente das Fnacs e livrarias, que foram um mero exemplo, mas de todo um estilo de vida a que nos habituámos, ou nos habituaram a levar, e que agora nos querem retirar, como se tivessem realmente dado a provar a uma criança aquela guloseima que povoava o seu imaginário, e de quando se estava verdadeiramente a deliciar, é-lhe retirada - não há mais! Para quem usou e abusou das facilidades que lhes foram oferecidas, custa agora voltar ao estilo de vida pré-histórico. Mas para quem, apesar de todas as facilidades, ainda assim vive com dificuldades, será um verdadeiro teste de sobrevivência. E enquanto nós andamos de cavalo para burro, aqueles que tanto nos exigem sacrifícios, continuarão a ser nobres corcéis!
ResponderEliminarComo se calculava o tema promete...
ResponderEliminarUm àparte, sabem, para mim não é a primeira crise... passei por outras, como a revolução de Abril que desfez o "meu pequeno Mundo"... por isso mais esta já me apanha couraçado. Dizia a minha avó Maria Cecília que o que não nos destrói, torna-nos mais fortes! E que trambolhão deu a sua vida... um exemplo de dignidade!
Creio que a atitude melhor será a de reaprender coisas tão simples como não desperdiçar...
E passa por ler ou reler os livros que já temos, no meu caso tantos por ler que nem sei se terei anos de vida para isso! E troquem-se... sim!
Quem sabe não se virá aqui a constituir um clube de leitura...
Saudações do campo!
Não quero nem pensar o que possa ser voltar a viver no país que era o país onde cheguei nesses idos de 80. Mas confesso que nunca percebi como é que esse país de 80 chegou ao "luxo" dos últimos anos. Vai ser mau...
ResponderEliminarAntes andar para trás que cair no precipício...
ResponderEliminarNos anos 80, andava eu na faculdade, vivia com uma mesada exígua, que mal chegava para pagar o quarto alugado, o passe, os livros de estudo, e as refeições na cantina. Valeu-me um queridíssimo casal, dono de um pequeno restaurante que ficava por baixo da casa onde vivia, e que me dava as sobras do restaurante. Graças a esta casal, e com o dinheiro que poupava na alimentação, pude ir com alguma frequência ao cinema, comprar livros que não os de estudo (na Feira do Livro, claro...) e até ir a um ou outro concerto . Escusado será dizer que tinha de selecionar com muito rigor as minhas escolhas. O que não era necessariamente mau:)
Bom, mas devo confessar que não me apetece mesmo nada voltar ao mesmo. Apesar de, olhando para trás, não sentir que tenha sido menos feliz nessa época. Satisfeitas as necessidades básicas, o bem estar depende muito pouco das viagens a Varadero, dos restaurantes da moda, da carteira de marca, ou dos inúmeros CD e livros que se compram e raramente se ouvem ou nunca se chegam a ler. Mau mesmo é para quem não tem para o básico - isto é que mesmo um enorme sufoco. De resto, mais livro, menos livro...
À Senhora Maria do Rosário e a todos os que me lerem,
ResponderEliminarBoa tarde. "Andar de cavalo para burro" não deve ser a sétima maravilha do mundo mas, "em tempos de vacas magras", digam-me, para que queremos um livro se nem conseguimos concentrarmo-nos na leitura já que tantas preocupações nos assolam o pensamento e o estomago anseia por "aquela" refeição "substanciosa" que não temos? Não teriam os portugueses, para fazerem jus à posição de europeus (não fosse aquela águazita da separação, o nome de norte-africanos assentar-lhes-ia como uma luva), dado o passo maior do que a perna? Para que serve uma Fnac se a barriga está vazia? Para se mostrar uma pseudo-intelectualidade, para que o mundo saiba que o povo português é culto e que gosta de ler? Viver de aparências, dá no que deu, perdoem-me. Andar de cavalo para burro não é tão grave. O grave da coisa é não andar. É parar. Parar de trabalhar para ir passear ao shopping center e às Fnac da vida. Produção e trabalho por onde andam? Não tendes bibliotecas? O sonho de serem europeus está esboroado. Mais trabalho e talvez cheguem a ser um país evoluído localizado um pouquinho acima de Marrocos.
Resta a (re)adaptação ao que sempre foram, mas como o ser humano tem uma capacidade enorme de a tudo se adaptar, nada está perdido. Do mal o menos. Quando sequer tinha um pão para comer a última coisa que me lembrava era da existência de livros. E, olhem, bem deles gosto ...
Bom fim de semana para todos vós.
Broa endurecida.
Boa noite, Broa Endurecida!
EliminarEu sou o seu colega de comentários, Bolo Rei Seco e Esfarelado...
Quando entrámos para a CEE tive oportunidade de jantar com um motorista holandês de longo curso que me disse:-"Vocês ainda se vão arrepender de aderir à CCE. Vão amargar, vai ser duro". E aí está.
ResponderEliminarFantástico como se consegue matar uma conversa que prometia ser interessante.
ResponderEliminarÉ pena...
Bom fim de semana! Espero que não chova muito pois vou às perdizes e quem sabe, talvez encontre o espírito de Miguel Torga, o tal espírito português, transmontano ou outro mas genuíno.
Saudações do campo!
(Minhas e da pigui)
"Numa palavra, a "deficiência" lembra-nos da nossa própria fragilidade e vulnerabilidade, e traz-nos de volta para o mundo cotidiano, fazendo-nos acordar do sonho ilusório de uma vida perfeita"
ResponderEliminarJuvenal SAVIAN
"O remédio da alma são certos encantamentos. Estes consistem nos belos discursos que fazem nascer na alma a sabedoria. Quando a alma possui por uma vez a sabedoria e a conversa, é fácil então dar saúde à cabeça e ao próprio corpo"
ResponderEliminarPLATÃO - Górgias
5. posted by: Kleingut at 11/18/2011 @ 4:00am .For decades now, many Central European countries have tried to outlaw such basic economic truths that there is no such thing as a free lunch; that the driving force behind the betterment of living standards is the reasonable competition of thought and performance. Instead, the illusion was created in people’s minds that sustained betterment of living standards comes about as the result of social legislation. The Welfare State which was originally intended to protect the weaker members of society has become an instrument to take care of entire societies. That would have been fine if Europeans had been happy with the living standard which corresponds to reducing effort and increasing results; but they weren’t (and still aren’t). This also applies to the “all-powerful” Germany’s whose domestic economic inefficiencies are covered up by having customers around the world pay for them.
EliminarOf course, one cannot generalize but it is fair to say that a continent which gave Enlightenment to the world has ceased to “emerge from self-imposed immaturity, i. e. the ability to use one’s understanding without guidance from others” (Kant). Instead, traditional Continental Europeans seem to prefer that society guides them and takes care of them.
Let, say, a German politician say that “no one deserves freedom who is not prepared to conquer it” and he will be denounced as a cold, humanity-despising neoliberal. One can only hope that as other economies around the world, spirited by originally European values like the Enlightenment, become such a threat to good, old and cosy Europe that European will wake up and return to wisdoms which they themselves had given to the world.
http://tinstaafl-kleingut.blogspot.com/2011/07/prologue.html
Na minha cidade, felizmente, há muitos alfarrabistas. Para quem gosta de ler, com 20€ consegue-se comprar meia dúzia de livros.
ResponderEliminarPara os outros, pedindo desculpa por estar a fazer publicidade, o site Bibliofeira tem muitos livros em conta.
Ó Maria do Rosário mas qual é a diferença ir para a Costa de Caparica ou para Punta Cana ou Varadero? o tempo de caminho é o mesmo! as águas são ambas transparentes! a areia deve ser igual? eu só conheço a Costa mas acho que deve ser tudo a mesma coisa, por isso Portugas vão prá Costa e ficam cá dentro, e assim será mais um Passos para superar a crise! O resto são apenas manias de despedidas de solteiro!!!
ResponderEliminar