Uma experiência nova

Há muitos anos, quando escrevia regularmente livros juvenis, a Editorial Verbo encomendou-me um texto para uma colecção chamada Terra Verde, que então iniciara. O seu objectivo era o de educar as crianças na protecção do ambiente através de histórias simples e lúdicas. O título do meu livro era A Ilha do Paraíso e punha frente a frente um miúdo citadino mimado e estragadão e um índio que habitava um paraíso natural e temia a invasão de maus hábitos nos seus domínios. Recentemente, o Teatro Bocage contactou-me com vista à adaptação teatral deste pequeno livro e, no sábado passado, armada de expectativa e com a companhia de sobrinhos e amigos pequenos, lá fui ver a peça. Depois de ultrapassada uma certa estranheza inicial pelo barulho ensurdecedor e a correria dos miúdos junto ao palco enquanto não começava o espectáculo, assisti à metamorfose do meu texto, ajudada por três jovens actores talentosos e muito expressivos, uma montagem de efeitos sonoros bastante interessante e algumas intervenções espontâneas da pequenada que, nestas coisas, não se faz rogada e gosta de intervir. Por isso, se tem crianças e quer que passem um bom bocado, leve-as ao Teatro Bocage, ali perto da Damasceno Monteiro, em qualquer sábado até finais de Outubro. Pode ser que elas aprendam qualquer coisa que as ajude realmente a tornar a Terra mais verde.


 


Comentários

  1. Esta noite sonhei com a Maria do Rosário Pedreira, não sei porquê, nem me lembro do sonho todo. Só me lembro que a Maria do Rosário usava um chapéu enorme. Esse chapéu, ao pô-lo na cabeça, tinha um botão em que carregava e o chapéu "descarregava" laca para cima do seu cabelo. E eu disse-lhe qualquer como "ainda bem que não fui eu a carregar no botão, senão levava com a laca na cara".
    Um sonho impossível, porque não a conheço pessoalmente e nunca, mas nunca, vi ou pensei sequer em chapéus com botões que possibilitem a descargas de laca nos cabelos.
    A mente humana é uma coisa absolutamente incrível!

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  2. As minhas crianças já foram ver a peça e gostaram muito, de certeza que também iriam gostar do chapéu-com-o-botão-que-descarrega-laca!!!!

    Isabel

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    Respostas
    1. "O chapéu-com-o-botão-que-descarrega-laca"... :)))

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  3. Se o chapéu descarregasse água era mais higiénico e mais ecológico. Talvez o cabelo ficasse verde. Como a Terra que queremos.

    Barrius

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  4. Também fui com os meus filhos. Que pena não a ter encontrado.
    Tem sido muito engraçado ver o João e o Manel a fazerem de Índio e de Luís à vez e a dizerem «Tu», «Tu... tu-tu, tu-tu-tu, tu...», rindo até não poderem mais.
    Eles adoraram a peça, sobretudo as partes mais patetas dos diálogos entre o Índio e o Luís, como não podia deixar de ser.
    Valeu bem a pena, sim!

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