Literatura em filme
Fui ver o último filme de Woody Allen e, embora não tenha embandeirado em arco nem achado que era o melhor desde Match Point, como a crítica disse, assistir à obra cinematográfica deste judeu franzino nunca é dar o tempo por perdido. Penso, entre outras coisas, que o filme é muito feito a pensar nos americanos – e que nele existem talvez demasiados clichés para os europeus, mas isso não fere nem incomoda. A verdade é que Woody Allen sabe contar uma história como em literatura, tem sempre tiradas geniais e escreve os seus filmes como muitos escritores deviam escrever os seus livros – sem palha. Além disso, este Meia-Noite em Paris é, de certo modo, uma homenagem à arte, à literatura e a muitos artistas e escritores (se é que os escritores não são eles próprios também artistas) que escolheram a Cidade das Luzes como lugar de aprendizagem e criação. Se gosta de livros – e, em particular, dos autores que estavam no auge nos anos 30 –, não perca. É pura literatura.
Woody Allen faz filmes para quem gosta de ler.
ResponderEliminarAdorei o filme. E fui dos que embandeiraram em arco:) Se bem que reconheço ser um bocadinho facciosa no que ao Woody Allen diz respeito. A minha paixão por ele é imensa e, se calhar por isso, perdoo-lhe tudo. Até algum filme menos bem conseguido. Que, por acaso, até não acho que seja o caso - aquela ideia de por todos aqueles artistas em amena cavaqueira é de génio! Caracterizou-os todos muitíssimo bem. Os diálogos são deliciosos, repletos de um humor finíssimo. De Mestre!
ResponderEliminarTambém eu embandeirei em arco e também eu acho que este é o melhor WA desde o Match Point, Match Point incluído. Uma lição de criatividade e de arte de narrar. To whom it may concern.
EliminarFoi com enorme surpresa que quando hápouco , iniciei a leitura do último Philip Roth "Némesis" reparei na similitude do nome do tradutor e do seu. Presumo que seja a mesma pessoa. Confesso que não tenho por hábito reparar no nome do tradutor. Nem sei bem porque o fiz. Reconheço que a minha atitude não é nada edificante e peço-lhe desculpa por este aparente desinteresse.
EliminarApesar disso reconheço a enorme importância do seu trabalho e acho mesmo que o tradutor é um segundo autor.
Realmente também acho que não é o seu melhor filme desde Match Point . Este filme de facto está recheado de clichés para os europeus, embora eu pense que a generalidade da sua obra, naquela fase New York neurótica, também está cheia de clichés, sobretudo para os locais daquela cidade magnífica, ou para quem a conhece ou já lá viveu.
ResponderEliminarPara os outros (os que não a conhecem) eles serão invisíveis. Só que tudo é perdoado pois é do Wood Allen que se trata.
Mas eu sou fan do realizador. E realmente ele tem a habilidade de escrever as suas histórias sem palha, simples e directas, como de resto acho que é uma característica do bom humor norte-americano.
Já tinha falado aqui deste filme há alguns dias, a propósito do badalado post "A Saga das Estrelinhas".
ResponderEliminarFico feliz por saber que MRP e alguns dos restantes co-autores (se assim os posso chamar) e visitantes do blog já tenham visto "Meia-Noite em Paris". E se ainda não viram, recomendo que o façam...
Woody Allen é realmente um génio. Para mim, pelo menos, vara a 7ª Arte e a literatura. É um grande humorista, humanista, músico, apaixonado, enfim, é uma pessoa multi-tarefa.
Adorei os últimos filmes dele como "Vicky Cristina Barcelona" ou "Match Point" (o qual considero um dos meus filmes preferidos; e eu já vi muitos) mas creio que a sua essência como realizador, vem de NY e dos primeiros filmes da carreira. "Manhattan" é um bom exemplo!
Adoro a escolha de musa (como é possível não adorar), a Scarlet Johansson, uma dinamarquesa pelo qual eu também me perderia :)
A tentativa audaz de levar à tela personalidades extra-cinema, mais tímidas por sinal, como Carla Bruni no último filme, também é de louvar.
E "Midnight in Paris" dá-nos também uma grande interpretação de Owen Wilson, um actor habituado a outras paragens.
Em suma, e como já disse Maria do Rosário Pedreira, quem gosta de literatura, de arte no geral, de cidades como Paris, dos anos 20 ou 30, de carros antigos, fachadas antigas e sobretudo de E. Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein e Pablo Picasso, tem que ver este filme!
Aproveito para dizer:
ResponderEliminarCongratulo Francisco José Viegas pela decisão de manter a taxa reduzida de IVA de seis por cento em 2012 para os livros.
Já os bilhetes de espectáculos, pelos vistos subirão para os vinte e três por cento. Mau para o teatro, para os actores e actrizes, para a música e respectivos músicos. Mas é um mal necessário.
Valha-nos os livros!
O Match Point é um dos meus filmes preferidos de sempre! Acredito que seja dificil superá-lo. Confesso que ainda não tinha tido grande vontade - nem tempo, para dizer a verdade - de ir ver este novo WA. Não tenho ouvido grandes elogios.. Mas agora fiquei cheia de vontade depois deste seu post! É só arranjar baby-sitter...
ResponderEliminarVoltando à classíficação por meio de estrelas, sem dúvida que este filme de W.Allen leva cinco! *****
ResponderEliminarFaço lá ideia se é o melhor filme de Woody Allen depois de Match Point (apesar de não ter perdido nenhum). Sei que o saboreei como a uma caixa de bombons, resfastelada na cadeira do cinema.
ResponderEliminarAbsolutamente delicioso.
Vi-o na semana em que estreou e tive de me deslocar a outra cidade para o ver. Não "amei" mas os escritores e os artistas serem personagens do filme eu estaria como o personagem principal a "babar-me".
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