Ir para o céu

Passei a infância num Portugal amordaçado e cheio de vénias à Igreja católica, que mandava muito mais em tudo do que parecia. Para fazer a primeira comunhão, estudei por um catecismo na escola primária em que Eva e Adão andavam vestidos e eram lindos (não descendiam dos macacos nem se pareciam com os homens primitivos). O pecado e o castigo estavam estreitamente ligados – e, para completar o trio, a ideia do Inferno a arder para quem se portasse mal nunca deixava de estar presente. Porém, com o tempo – e embora continue a acreditar em Deus –, a ameaça das chamas diluiu-se, tal como a imagem de um paraíso perfeito onde todos poderão um dia ser felizes (desde que na Terra tiverem sido exemplares, claro). Por estas e por outras, fico um bocado desconcertada com o sucesso de livros que nos acenam com um lugar assim no fim das nossas vidas como o que há semanas não sai dos Top das livrarias e, ao que consta, narra a história de um menino que esteve morto uns segundos, falou com Deus e foi testemunha de que O Céu Existe mesmo. Nem sequer o abri, confesso, mas a ideia de haver tanta gente a comprá-lo faz-me pensar que ou não nos conseguimos ainda libertar desses símbolos com que nos moldaram a meninice, ou somos um País (quiçá um mundo, porque o êxito de vendas não se resume a Portugal) de pessoas tristes e perdidas que contam com o post-mortem para serem visitadas por algum tipo de felicidade, mas não querem, apesar de tudo, partir para o Além desavisadas. Com vendas de 3000 exemplares por semana só em Portugal, a história deste interlocutor privilegiado está, provavelmente, nas casas de muitas famílias que nunca tinham comprado um livro e quiçá não comprarão outro tão cedo.

Comentários

  1. Olá,

    Eu sou uma pessoa que lê muito. Por gosto, mesmo. Normalmente não compro os livros por estarem num top, compro pelo que contêm, pela história em si. Iniciei esse livro ontem, vou a meio. Não é um livro grande nem de leitura complicada.
    É apenas um livro que nos faz pensar. Podemos acreditar ou não. A escolha fica ao critério de cada leitor. A minha... não espero encontrar depois de morta o paraiso, nem sequer a felicidade, mas também não creio que tudo termine quando morremos. Acho que o nosso desconhecimento nesta area é gigantesco.

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  2. António Luiz Pacheco12 de outubro de 2011 às 02:25

    Sim...
    Crenças à parte, estes fenómenos da escrita e do cinema que exploram essa faceta humana, são um maná para as editoras/produtoras... penso eu.
    Quantas pessoas nunca lêem nada, mas correm a comprar (será que depois lêem?) as "Verdade da mentira - Maddie " ou a biografia do "Castelo Branco" e outras edições do género?

    A grande questão é, se vale de facto a pena falar sobre isso? Cada um compra e eventualmente lê o que quer... e haverá sempre quem escreva estas coisas e quem as publique, porque dá dinheiro!
    E no fundo ainda bem! Penso ainda eu, porque Deus me livre do dia que não haja essa liberdade de escrever e ler coisas destas! Que haja "donos" daquilo que se deve ou não escrever, publicar e ler
    e se me permitem a ferroada, mas já li opiniões neste blog que me levam a esta conclusão!

    Para mim é simples: Não lhes dou importância!
    Eventualmente folheio-os no expositor do supermercado para fazer uma idéia.

    Saudações do mato!

    A propósito destas leituras e das limitações:
    - Desencantei para aí perdido, na mala de um colega itinerante e sem tempo para ler,"Os Canto" de Mª Filomena Mónica, e é o que estou a ler antes de me deitar.
    O último que li antes deste, foi "Casei com um Massai "... sempre Vos digo que a algumas pessoas que conheço era o castigo que lhes dava, o terem de ler o que houvesse disponível e sem hipóteses de escolha!
    Mas vejam o lado bom: cultivo-me e experimento leituras que de outro modo nunca faria, e como saber o que se gosta sem experimentar?

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  3. MRP:
    Nós fomos «não-racionais» durante milhares de anos (embora potencialmente racionais).
    Quando desenvolvemos a racionalidade e a levámos a limites inimagináveis (p. ex. há 200 anos, veja-se as previsões da evolução tecnológica contidas na literatura de «ficção científica» do século XIX) chegámos ao ponto em que estamos, com todos os medos, desequilíbrios demográficos, ambientais, guerras, etc., chegámos às perspectivas negras acerca do futuro.
    A componente de «não-racionalidade» que sobrevive em nós veio ao de cima.
    Penso que teremos de compreender esses fenómenos editoriais a esta luz.

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  4. António Luiz Pacheco12 de outubro de 2011 às 02:36

    Já agora e falando nisso:
    - Quando morrer quero ir para o inferno!

    Porque é lá que vão estar os meus amigos e amigas quase todos, isso de certeza! E depois, no céu só vão estar os anti-touradas, anti-caça, os abstémios e os que nem dizem palavrões nem contam uma mentirinha sequer... que se levantam cedo e deitam cedo, as beatas e os sacristas, as pessoas exemplares, os moralistas e santões !
    Ora como ia eu sentir-me ao pé delas? Nem tenho hipóteses nenhumas... livra!

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    1. As beatas? Chiçaaaaaaa (com o perdão da palavra, que aqui não se pode usar palavras de baixo calão, com o risco de se ir parar na fogueira do inferno). Os moralistas? Os santos? (Será que posso dizer um sonoro OH DIACHO! - já disse -). Se esta classe de gente vai para o paraíso, para onde irão os bons? Os autênticos? Os não-enganadores? Os honestos?

      Quem souber que me responda, fazendo a fineza ...

      agradeço.

      maria

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    2. Caro António, deixa-me a pensar.

      Não sou abstémio, digo palavrões que nem imagina, conto mentiras e patetices, levanto-me tarde por vezes, bebo, fumo… não sou de todo exemplar nem moralista.
      Mas sou anti-tourada. Estou perdido!

      Abraço

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  5. António Luiz Pacheco12 de outubro de 2011 às 02:50

    Espantoso... chove bué e estou fechado no escritório e com "net"!!!
    Milagre!

    Vou aproveitar:

    Concordo inteiramente com a sua última postada cara MRPedreira.
    Há, e creio que haverá sempre, uma insatisfação e medo, e, essa busca de uma felicidade pós-vida que é comum a quase todas as religiões.
    Por mais racionais, evoluídos, modernos ou o que queiram chamar ao ser humano, porque a mística faz parte da nossa condição de racionais, creio eu.
    E desenganem-se os que acham que não... que a mística é própria dos menos letrados, nada! Isso é a superstição e não se confunda:
    Superstição é dar voltas de joelhos ao santuário de Fátima para agradecer a cura do filho... mística é perceber o significado dessa superstição e sem a partilhar no entanto sentir a vibração intensa que o santuário emite, por reunir os medos e as esperanças de milhares de seres humanos - coisa que no meu modesto entender de ignorante, devemos respeitar!

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  6. «[...] A última e suprema tortura entre todas as torturas daquele local horrendo é a eternidade do Inferno. Eternidade! Que palavra medonha e terrível! Eternidade! Que mente poderá entendê-la? E não vos esqueçais de que é uma eternidade de sofrimento. Mesmo que as penas do Inferno não fossem tão terríveis como são, tornar-se-iam infinitas, porque se destinam a durar para sempre. Mas, embora sendo eternas, são, ao mesmo tempo, como sabeis, intoleravelmente intensas, insuportavelmente extensas. Suportar nem que fosse a picada de um insecto por toda a eternidade já seria um tormento terrível. O que será, então, suportar as inúmeras torturas do Céu, para sempre? Para sempre! Por toda a eternidade! Não é por um ano, nem por um período indeterminado, é para sempre. Tentai imaginar o horrível significado disto. Já vistes frequentemente a areia na praia. Como são finos os seus minúsculos grãos! E quantos desses minúsculos grãos são precisos para formar a pequena mão-cheia de areia em que uma criança agarra para brincar. Agora, imaginem uma montanha dessa areia, com um milhão de milhas de altura, elevando-se da terra até aos mais altos céus, e com um milhão de milhas de largura, estendendo-se até ao espaço mais remoto, e com um milhão de milhas de espessura; e imaginem essa enorme massa de incontáveis partículas de areia multiplicadas pelo número de folhas que há na floresta, de gotas de água do poderoso oceano, de penas das aves, de escamas dos peixes, de pêlos dos animais, de átomos na imensa extensão do ar: e imaginai que, ao fim de cada milhão de anos, um passarinho pousava na montanha e levava no bico um minúsculo grão dessa areia. Quantos milhões e milhões de séculos seriam necessários para que o passarinho levasse consigo um palmo quadrado dessa montanha, quantos eões e eões de séculos até a levar toda? Todavia, no fim dessa imensa extensão de tempo, nem sequer um instante da eternidade teria passado. No final de todos esses biliões e triliões de anos, a eternidade mal teria começado. E se essa montanha se erguesse novamente, depois de ter sido removida e o passarinho voltasse a removê-la novamente, grão a grão, e se ela se elevasse e fosse removida tantas vezes quantas as estrelas que há no céu, os átomos que há no ar, as gotas de água que há no oceano, as folhas que há nas árvores, as penas que há nas aves, as escamas dos peixes, os pêlos dos animais, no final de todas essas inumeráveis elevações e remoções dessa montanha incomensuravelmente grande, não se poderia afirmar que tivesse passado um único instante da eternidade; mesmo nessa altura, no final desse período, depois dessa imensidão de tempo, que, só de pensarmos nela, nos põe a cabeça a andar à roda, a eternidade mal teria começado. [...]»

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    1. Livra!... Então não quero nem céu nem inferno.

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  7. E o céu aqui tão perto

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  8. E o céu aqui tão perto

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  9. o problema destes tempos dificeis, é as pessoas precisarem de acreditar (mais que nunca...) de acreditar que o céu existe mesmo...

    normalmente estes tempos são bons para os ricos ficarem mais ricos e para os vendedores de "terrenos no céu", prosperarem...

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  10. essa historia ate' podia dar um bom romance... ficcional, claro!

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  11. «A característica principal das pessoas é que estão dispostas a acreditar em tudo. Por outro lado, como pudera a Igreja resistir, durante quase dois mil anos, sem a credulidade universal?»

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  12. Eu decidi que quero ir para o céu. Porto-me bem para que tal seja possível. Fui informado que tenho 27 virgens à minha espera e, pese embora a trabalheira que vou ter, quero aquilo a que terei direito (por me portar bem, claro).

    Quanto à existência de deuses e de meninos que sabem que o céu existe mesmo... nada a dizer, excepto que sei que se o céu cair mata as cotovias todas!

    Amém.

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    1. E quando essas virgens deixarem de ser virgens, depois da sua chegada, para onde vão?

      Desculpe, Simão Gamito, sei que está a ser irónico. Mas não resisti, pois é uma pergunta que me ocupa. Gostava de a fazer a um sábio do Islão...

      P.S. Respeito os muçulmanos. Mas há coisas, nas religiões... A cristã, por exemplo, também não explica porque é que, na versão da Bíblia, sem incesto, não havia Humanidade.

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    2. Não tem que pedir desculpa, cara Cristina, pois o meu comentário não passou de uma brincadeira que (espero) a MRP não levará a mal aqui no seu blog.

      Não faço ideia do sítio para onde irão essas virgens, tal como a Cristina, também respeito as pessoas (convivi muito com muçulmanos em Dakar) e não me preocupa saber se são muçulmanos ou cristãos ou ateus. A religião não me diz muito, é-me difícil aceitar a existência de Deus e então dos contos da Bíblia e outros...

      Cumprimentos, Cristina Torrão (Torrão é o nome da terra onde nasci, incrível coincidência que, se levada para esse campo, quase se pode dizer que é um milagre, ter um homem do Torrão o prazer de aqui "dialogar" com alguém que se chama Torrão :) )

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    3. Suponho que será, então, alentejano, embora haja mais localidades em Portugal com esse nome. Mas a mais conhecida é a alentejana.
      O meu nome, por acaso, tem origem em Trás-os-Montes (uma família, não uma terra).

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    4. Sim, a minha terra, Torrão, é alentejana, no concelho de Alcácer do Sal.

      E, por incrível que pareça, Trás-os-Montes é a minha terra do coração (logo a seguir ao Alentejo, claro) pois fiz em Montalegre parte do meu liceu, tenho lá amigos desses tempos, e ainda há poucos meses lá estive e visitei a directora do colégio (desse tempo) e muitos colegas que por lá andam.
      Sou um alentejano que foi adoptado, ao 15 anos, pelos montalegrenses, e ainda hoje, quando lá vou e convivo com essas pessoas, é uma emoção para todos, digo-o com orgulho e alegria.
      No meu facebook tenho uma colecção de fotos sob o nome "Da minha janela do Gerês" - Paradela do Rio, onde ficava essa janela.
      Enfim, espero não estar a abusar deste espaço, com esta "espécie" de chat :)

      Cumprimentos,

      Simão Gamito

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  13. As pessoas são muito mais religiosas do que transparece. Hoje fica mal assumir-se isso.
    O sucesso deste livro não me parece dos tempos de crise. Editorialmente, nos 20 últimos anos, têm existido grandes best-seller sobre religião.
    Deixe-me só deixar a nota de que há boa gente muito feliz aqui na Terra que acredita no céu e assim.
    Ao contrário, o que não há são respostas simples para questões sobre o sentimento religioso e para a crença individual na vida após a morte.

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  14. António Luiz Pacheco12 de outubro de 2011 às 06:56

    Na minha ignorância de barrão no exílio, "acho" que as religiões são básicamente códigos de conduta que possibilitam viver em sociedade, mas acabam por ser uma forma de dominar!
    Não sendo aquilo que inspirou profetas como Jesus, é no entanto o uso que lhe deram osoutros homens!
    Não tenho qualquer constrangimento em dizer que sinto que há uma ordem qualquer que faz com que tudo isto se encaixe e funcione, e que até rezo ou pelo menos me recolho a pensar e a desejar. Porque sou humano... tenho fé no que não sei e esperança no que não posso alcançar!
    Sou um homem próximo da Natureza e sinto que há um principio criador, por outro lado se outros mais sabedores assim o dizem, mais tenho de o aceitar! Chamem-lhe Deus, destino, fado, Maomé, Karma,acaso, caos...
    Já estive do outro lado por 3 ocasiões, não era a minha hora! Creio que quando chegar a minha vez de facto, não me vão perguntar a que deus rezei e sim se tentei ser um homem justo... ora o que me preocupa, é o que vou eu responder?
    Porque sinceramente não sei... talvez tenha tentado ser, outras vezes andei distraído e muitas não o fui sabendo que não estava a ser!
    Este será o meu problema existencial... Mas isso não faz nem nunca fará de mim leitor de Paulo Coelho ou Lobsang Rampa, e menos ainda um Hare Krishna ou coisa que o valha!

    Saudações do mato.

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  15. Comprei o livro para oferecer à minha mãe. O meu pai faleceu há 5 meses e ela não sabe o que fazer ao amor que ainda sente por ele e que sentiu ao longo dos mais de cinquenta anos em que estiveram juntos. Quase todos os dias se questiona e me questiona se existirá alguma coisa depois da morte. A sua fé de toda a vida, que a levou e leva todos os domingos à igreja, não resistiu a este choque. Precisamos de acreditar em algo. Eu acredito que o meu pai continua connosco: nos filhos e netos que têm muito dele (como disse o meu filho de 7 anos, coninua nos nossos corações). Mas e minha mnão precisa de acreditar que depois de uma vida ao seu lado, esta não foi uma despedida para sempre, mas apenas um até já. Deve ser muito reconfortante acreditar nisto.
    Antes de lhe oferecer o livro, li-o. Há dias, perguntei-lhe se já o tinha lido e o que tinha achado. Fiquei admirada com a sua crítica lúcida, mas cética: «parece-me que os pais da criança encontraram uma boa forma de ganhar dinheiro».
    Enfim, precisamos de acreditar, mas não somos cegos...

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  16. Vicente Lopes Saudade12 de outubro de 2011 às 09:18

    Concordo com o último post...
    Nestes tempos de dificuldade financeiras (que depois levam aos outros tipos de dificuldades; falo de problemas sociais, familiares, profissionais, etc) as pessoas tendem a buscar algum "chão que as sustente", e a religião é e sempre foi uma dessas "placas de cimento"!
    Já dizia o Marx e outros filósofos, que «A religião é o ópio do povo» e, não sendo eu tão extremista a esse ponto, em parte concordo com o aforismo e retiro dele uma certa lição.
    Agora, já adulto e formado como pessoa, dedico algum tempo de conversa com amigos e colegas a tentar impor o agnosticismo como religião suprema. Na minha maneira de ver as coisas é impossível saber se Deus existe ou não...
    Então quando encontro a minha catequista no supermercado é que elas mordem! A senhora sempre me educou, por meio de estórias, no sentido religioso judaico-cristão, durante a minha meninice, mas agora, sabendo da minha versão das coisas e a forma como eu penso isso, até me vira a cara ou torce o nariz se for preciso...
    Este livro citado por MRP, assim como outros do género (ocorre-me "A Cabana") são importantes para aproximar as pessoas da literatura, ou quanto menos, da leitura. Acho que o universo criado (no Porto, como se diz) por J K Rowling com o seu Harry Potter também tem o seu Q de importância, na medida em que aproximou muitas crianças daquilo que já se pode chamar de literatura. Foi o caso do meu sobrinho. Depois de ler alguns Potter's da senhora Rowling, interessou-se por Bernard Cornwell e até pelos gigantescos "Senhor dos Anéis", de Tolkien. Entretanto já lhe passou pelos olhos (ao menos isso!) o 1984, de George Orwell (numa antiga edição brasileira que eu lhe emprestei) e até o Eça, com "A Cidade e as Serras"...

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  17. Não li o livro, não vou ler, assim como não dispendo dinheiro em certos "Tops". Creio que será mais perniciosa a era "vampiresca" em que as principais livrarias escorriam sangue por entre páginas de rosto de algumas edições, quer-me a mim parecer que a leitura do livro que deu origem ao seu texto sempre será mais suave e inócua que as mil e uma histórias de vampiros.
    E deixo aqui uma pequenina pérola dos Cânticos de Salomão : "Põem-me como selo no teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura o ciúme, as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas".

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  18. Assustamo-nos com a ideia de eternidade, depois da nossa morte. E esquecemo-nos de que, antes do nosso nascimento, já houve uma eternidade, que também não vivemos.

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    1. Joao Tomas Castro e Melo12 de outubro de 2011 às 16:27

      Isso parece-se muito com o que David Hume disse sobre a morte. Se calhar também já nos esquecemos sobre quem disse isso pela primeira vez... :-) Mas aparentemente isso não preocupa ninguém.

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  19. Pode ser que esse livro venha a ser o primeiro de muitos outros...
    (vi-o nas livrarias, mas não pensei em comprá-lo ou lê-lo porque à partida sou muito céptica)

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  20. Querida MRP, suelo estar de acuerdo con tus posts. Pero en este caso... no puedo. Sabes que la última frase del post no deja de ser un juicio de valor. Por otra parte, quizá hubieras podido abrir el libro. Tú, mejor que nadie, sabes cuántas sorpresas esconden los libros. Y, ¿quién sabe?, a lo mejor, cielo e infierno existen con independencia de que lo creas o no. Me temo que, en esos asuntos, Dios es poco democrático. Con cariño. BB

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